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EXPLORANDO A ASTRONOMIA CULTURAL POR MEIO DA DRAMATURGIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Tarso Augusto Petry Kock, Stephany Luiz Valério Jorge, Henrique Expedito Kaiser, Gleici Kelly De Lima

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
10/11/2023
Linha de pesquisa
Cultura, linguagem e cognição no ensino de física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## EXPLORANDO A ASTRONOMIA CULTURAL POR MEIO DA DRAMATURGIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

## Tarso Augusto Petry Kock 1 , Stephany Luiz Valério Jorge 2 , Henrique Expedito Kaiser 3 ,Gleici Kelly de Lima 4

- 1 Instituto Federal Catarinense - Campus Rio do Sul, tarso10101@gmail.com.
- 2 Instituto Federal Catarinense - Campus Rio do Sul, stephanylvj@gmail.com.
- 3 Instituto Federal Catarinense- Campus Rio do Sul, kaiser.hh1@gmail.com.

Palavras-chave : Astronomia cultural, Dramaturgia, Educação em Astronomia.

## Resumo expandido

A astronomia cultural é uma área do conhecimento que compreende os saberes, práticas e teorias desenvolvidas por uma cultura específica em relação aos elementos celestes (LIMA et al, 2014 . Os autores perceberam a importância de ) inserir a temática na educação em astronomia para promover a diversidade cultural e a valorização dos povos não ocidentais.

Para isso, foi elaborada uma oficina na X Jornada Acadêmica das Licenciaturas do Instituto Federal Catarinense, Campus Rio do Sul, com o objetivo de inserir a astronomia cultural na Educação Básica, contando e representando histórias e mitos relacionados ao céu noturno de diferentes culturas. O trabalho apresenta o desenvolvimento da oficina "Astronomia Mil: História e Arte", discutindo a utilização da astronomia cultural no Ensino de Física e de Astronomia, em uma apresentação de 1 hora e 30 minutos, dividida em duas partes. Este resumo relatará apenas uma dessas partes.

A metodologia utilizada para trabalharmos com a astronomia cultural foi a dramaturgia. De acordo com Macedo Junior(2021) o teatro pode ser explorado de forma a visualizar uma história verdadeira, assim, permitindo aproximar os participantes às diferentes culturas celestes. Segundo Zanetic (1990), a integração entre Física e Cultura promove uma emancipação do ser humano a partir do despertar da curiosidade acerca do conhecimento científico. Essa abordagem interdisciplinar e multicultural permite aos estudantes uma visão mais ampla da astronomia, valorizando os conhecimentos tradicionais de variadas etnias (DE BARROS & OVIGLI, 2014)

Com base nessa perspectiva, foi estruturado um roteiro de teatro de forma a associar a astronomia com as diferentes culturas de civilizações antigas, analisando o contraste entre as diferentes formas de observar o céu. A escolha dos personagens, representando as civilizações e cultura grega, asteca e indígena brasileira, foi pensada para criar um contraponto entre a cultura greco-romana, amplamente difundida na sociedade ocidental, e os saberes dos povos originários brasileiros, destacando e valorizando a diversidade cultural presente nas narrativas celestes.

Além da dramaturgia, outro recurso utilizado foi o das tecnologias, pois era usado como suporte da encenação. O programa "Stellarium" , software livre de astronomia para visualização do céu, fornece uma representação visual das constelações das três culturas estudadas, na sua opção 'cultura estelar'. O uso desta ferramenta permite a integração entre a observação direta do céu e

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fenômenos celestes e motiva reflexões sobre a diversidade de conhecimentos sobre o céu (CORREIA et al , 2023).

A apresentação teatral tinha como cenário imaginário a casa de um dos personagens, a céu aberto, com uma xícara de café, cada um dos personagens olhava para as estrelas (projetadas no stellarium) e começava a contar a história do mito de criação de seu povo, seguidos de uma discussão para exibir as diferenças de narrativa e significados históricos envolvidos.

A cena inicial começou com os personagens se encontrando para tomar um café, após olharem para o céu projetado na parede, a personagem grega inicia um monólogo sobre o mito de criação desta cultura. A partir dos relatos de Pouzadoux (2001), o princípio do universo, a relação entre Gaia e Urano, a era dos titãs e a era dos Deuses foram abordados utilizando uma linguagem informal e descontraída. Após essa cena, o personagem asteca contradiz a história, contando o conto de destruição dos 5 mundos, até chegar no atual, conforme relatado no livro de Prado (2005). É importante levar em conta que o teatro deve ser adaptado de acordo com o público alvo, já que alguns acontecimentos vulgares das histórias podem não ser adequados para determinado público alvo, como a oficina foi destinada ao ensino superior, não foi necessário fazer essas adequações. Como o Mito de criação tupi guarani iria ser abordado na segunda parte da oficina, começamos a apresentar as diferenças de constelações nas culturas.

Um exemplo dessa dinâmica foi a história da constelação indígena do homem velho ou 'tuivaé'. De acordo com Afonso (2013), o homem teve sua perna cortada pela sua esposa, essa o matou para ficar com seu irmão. Os deuses indígenas, com pena, o transformam em uma constelação no céu. Em seguida, foi feita a correspondência grega a essa região do céu, a constelação órion, contando o mito do guerreiro grego órion e o asterismo das três marias. A correspondência Asteca focou na história de Mamalhuaztli , os paus que acendem o fogo sagrado que inicia cada ciclo, seguidos de um sacrifício de sangue para que o deus Huitzilopochtli permaneça forte. Além desse exemplo, foi apresentado a história das constelações indígenas da Ema, Anta e do Veado (AFONSO, 2013). Os mitos de cada povo sobre a via láctea, a relação entre as estações do ano com a astronomia destes povos, através do mito grego de Perséfone (POUZADOUX 2001), e as histórias de perseguição entre o Sol e a Lua. O teatro se encerrou com as personagens fazendo uma reflexão que, embora as suas culturas tenham muitas diferenças, todas elas usavam o mesmo céu para se guiar, seja para navegação, plantio, caça entre outras atividades. Assim, as personagens, por meio da amizade, enfatizaram a necessidade de se respeitar as diferenças culturais entre si.

Após o término da apresentação, convidamos os participantes da oficina a debater sobre a importância da astronomia cultural na educação. Explicamos que as histórias astronômicas dos povos indígenas podem ser inseridas no contexto escolar, para respeitar a pluralidade étnica do Brasil, de forma com que os alunos valorizem a cultura dos povos originários.

Durante a dramatização, percebemos que os estudantes demonstraram interesse na contação de histórias, principalmente quando utilizamos uma linguagem descontraída. Identificamos diversas risadas e expressões positivas do público. Acreditamos que o uso do teatro e do 'stellarium' permitiram os participantes a visualizarem as histórias contadas, de maneira imersiva e significativa, ampliando a forma de se relacionar com o céu.

De acordo com De Barros e Ovigli (2014) percebemos como a relação com os povos antigos e originários, por meio da dramaturgia, pode ajudar os estudantes a

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identificarem semelhanças e diferenças entre as narrativas, associando os significados históricos e culturais envolvidos, garantindo a valorização da diversidade cultural presente nas histórias celestes.

Por fim, mediar e elaborar a oficina "Astronomia Mil: História e Arte" nos mostrou a importância da inclusão da astronomia cultural no ensino de física e astronomia, já que, de acordo com os autores mencionados anteriormente, a integração entre a ciência e a cultura pode promover o reconhecimento de práticas tradicionais de diversas sociedades, permitindo que os estudantes despertem sua curiosidade sobre o universo, mas com uma postura crítica contra o etnocentrismo. O trabalho exibiu a necessidade de reconhecer, respeitar e celebrar as diferentes culturas na astronomia, fazendo desta uma área do conhecimento mais inclusiva, contextualizada e significativa para todos.

## Referências

AFONSO, Germano Bruno. As constelações indígenas brasileiras. In: Telescópios na Escola, Rio de Janeiro , p. 1-11, 2013. Acesso em: mai. 2023. Disponível em:http://www.telescopiosnaescola.pro.br/indigenas.pdf.

CORREIA, Cleison da Silva. et al. SOFTWARE STELLARIUM: PRINCIPAIS FERRAMENTAS PARA A SIMULAÇÃO DE FENÔMENOS CELESTES NAS CULTURAS. -In: Revista Educamazônia: Educação Sociedade e Meio Ambiente, Humaitá, v. 16, p. 24-43, 2023. Acesso em: jun. 2023. Disponível em: https://periodicos.ufam.edu.br/index.php/educamazonia/article/view/11294.

DE BARROS, Vicente P., OVIGLI, Daniel F. B. AS DIFERENTES CULTURAS NA EDUCAÇÃO EM ASTRONOMIA E SEUS SIGNIFICADOS EM SALA DE AULA. In: Revista Latino-Americana De Educação Em Astronomia , (18), 103-118, 2014. Acesso em: jun. 2023, Disponível

em:https://www.relea.ufscar.br/index.php/relea/article/view/203.

LIMA, Flavia P. et al . (2014). Relações Céu-Terra entre os Indígenas do Brasil: Distintos Céus, Diferentes Olhares. In: MATSUURA, Oscar T. História da Astronomia no Brasil. Recife: Cepe, 2014.

MACEDO JUNIOR, Ederaldo Bueno de. O uso do teatro para introdução da Astronomia no ensino médio. Dissertação (Mestrado em Ensino de Física) Universidade Federal de São Carlos, campus Sorocaba, Sorocaba, 2021.

POUZADOUX, Claude. Contos e lendas da mitologia grega . Companhia das Letras, 2001.

PRADO, Zuleika De Almeida. Mitos da criação . Callis Editora Ltda., 2005.

ZANETIC, João. Física também é cultura . 1990. Tese (Doutorado) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 1990.

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