EXPOSISOM: ENSINO DE FÍSICA ACÚSTICA EM AMBIENTES NÃO FORMAIS
Stephany Luiz Valério Jorge, Bruna Tholl, Angelisa Benetti Clebsch, Adriana Marin
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 10/11/2023
- Linha de pesquisa
- Divulgação científica e práticas educativas em espaços educativos formais, informais e não formais e o ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## EXPOSISOM: ENSINO DE FÍSICA ACÚSTICA EM AMBIENTES NÃO FORMAIS
## Stephany Luiz Valério Jorge 1 , Bruna Tholl 2 , Angelisa Benetti Clebsch 3 , Adriana Marin 4
- 1 Instituto Federal Catarinense - Campus Rio do Sul, stephanylvj@gmail.com
- 2 Instituto Federal Catarinense- Campus Rio do Sul, bruna.tholl21@gmail.com
- 3 Instituto Federal Catarinense- Campus Rio do Sul, angelisa.clebsch@ifc.edu.br
- 4 Instituto Federal Catarinense- Campus Rio do Sul, adriana.marin@ifc.edu.br
Palavras-chave : Instrumentação para o Ensino de Física, Física acústica, música.
## Resumo expandido
As disciplinas de Instrumentação para o Ensino de Física trabalham em geral com questões teóricas relativas ao ensino de conteúdos específicos e desenvolvimento e aplicação na Educação Básica de projetos de ensino (PINHEIRO e PINHO ALVES, 2007; MACEDO e SILVA, 2014). Na Licenciatura em Física do Instituto Federal Catarinense nestas disciplinas são elaborados projetos de ensino temáticos. De acordo com Clebsch, et al. (2017), alguns dos projetos desenvolvidos pelos licenciandos são inovadores pois trazem novas formas de apresentar/representar conteúdos físicos além de possibilitar a produção de conhecimentos na elaboração de textos e materiais didáticos de autoria.
Tradicionalmente os projetos têm como público alvo estudantes do ensino médio, visando sua aplicação em um espaço de aprendizagem formal (CLEBSCH, et al., 2017). No entanto, o grupo de 2023 escolheu um espaço não formal para aplicação do projeto com um público amplo e diversificado. O ambiente não formal de ensino, de acordo com Pérez e Moliní (2004), envolve atividades que são organizadas e estruturadas, tendo objetivos específicos de aprendizagem, mas que não são institucionalizadas e não seguem um currículo específico.
Este trabalho tem por objetivo apresentar os materiais produzidos no projeto de ensino desenvolvido em 2023, bem como alguns resultados de sua aplicação.
- O projeto 'ExposiSom: a melodias das coisas' envolveu a produção de material escrito, a construção de instrumentos musicais com materiais alternativos, a realização e avaliação de exposições, uma realizada dentro do Instituto Federal e outra em uma Feira de Música da região. A ideia foi a elaboração de um mini museu de Ciências para o ensino de Física Acústica, a partir de instrumentos musicais construídos com material alternativo.
Com base em Perez e Moliní (2004) que analisam a contribuição dos museus de Ciências ao processo de alfabetização científica da sociedade, o projeto foi pensado dentro da perspectiva de interrogação, observação e apropriação, sendo que a interação com a exposição envolveu a preparação, a realização e a prolongação.
Na etapa de preparação foram construídos os instrumentos musicais, bem como foi realizado o estudo da Física Acústica e suas relações com a teoria musical. Com isso em mente foi elaborado um material para auxiliar na etapa de preparação,
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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física
chamado 'guia do expositor'. O guia foi dividido em três partes: relações entre Música e Física, construção dos instrumentos e aplicação do projeto.
Primeiramente, para relacionar conceitos físicos e musicais, foram utilizados conceitos de ondulatória e Física Acústica para explorar os temas de teoria musical, tipos e funcionamento de instrumentos musicais e diferentes culturas musicais. O texto contém explicações breves sobre conceitos chave da teoria musical, como pautas musicais, escalas e notas musicais, para que o leitor não familiarizado com os aspectos técnicos da música consiga compreender suas relações com a Física.
Algumas das relações entre Física e música apresentadas no texto foram as propriedades de ondas mecânicas e como estas modificam o som que escutamos, relacionando frequência às notas musicais e amplitude a intensidade sonora, por exemplo. Também são explicadas as interações de ondas mecânicas com o meio de propagação e com outras ondas mecânicas, assim como a formação de harmônicos, conceitos essenciais para compreender o funcionamento de instrumentos musicais.
Após a apresentação dos conteúdos físicos e musicais, o guia traz instruções para a produção dos instrumentos musicais. Os instrumentos contemplados no guia e construídos são: teclado de palitos de picolé, flauta transversal de cano PVC, violão de garrafa PET, kazoo de garrafa PET, flauta de Pan de canudinhos, tambor de catuto e Ehecachichtli (apito da morte asteca). Na figura 1 estão dois dos instrumentos construídos para a exposição. As instruções para a construção dos instrumentos foram escritas de maneira sucinta, acompanhadas de vídeos de referência para um maior aprofundamento caso necessário.
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Figura 1 :
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a) Catuto, b) Piano de palitos. Fonte: elaboração própria.
O guia finaliza com sugestões de utilização que orientam sobre a elaboração de uma exposição, e suas etapas: preparação (organização da exposição), realização (abertura e interação com os visitantes) e prolongação (livro para registros e proposta de questionário). Traz como apêndices cartazes construídos para a exposição.
A ExposiSom foi aplicada na Fundação Cultural de um município catarinense. Teve uma noite de abertura e ficou aberta para visitação por cerca de um mês. No caderno que foi deixado junto à exposição foi identificada a visita de 91 pessoas na faixa etária de 8 a 58 anos. Em um segundo momento, durante a Jornada Acadêmica das Licenciaturas, a ExposiSom foi disposta em um corredor da instituição para que estudantes e servidores pudessem interagir. Junto à exposição foi deixado um questionário de 10 questões elaboradas com base nos indicadores de alfabetização científica propostos por Schuindt et al. (2018) para análise de exposições em museus.
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Vamos trazer os dados da questão: Assinale os tipos de interação que você fez com a exposição , que teve como objetivo analisar a interação do visitante com a exposição de acordo com o indicador estético, afetivo, cognitivo (SCHUINDT, et al., 2018). Dentre as opções de respostas constavam as opções: leitura , observação , interação com os instrumentos e interação com outros visitantes , sendo que era possível assinalar mais de uma.
Responderam ao questionário 12 pessoas. Na questão selecionada tivemos como resultado adesão total a alternativa interação com os instrumentos (12), seguida das opções leitura e observação (7). A interação com outros visitantes foi a afirmativa que teve menos respostas (4).
Estes resultados eram esperados uma vez que era possível aos visitantes interagir com os instrumentos. Por exemplo: tocar músicas na cítara e piano de palitos que apresentavam algumas pautas, arriscar fazer algumas notas no violão de garrafa pet, nas flautas ou tambor de catuto.
- O projeto de ensino obteve sucesso em atrair a atenção de um público diverso, sendo um dos principais atrativos a interação direta com os instrumentos produzidos. Ademais, as situações criadas na exposição permitiram inserir os visitantes em discussões científicas e culturais, que segundo Schuindt, et al. (2018), possibilitam o desenvolvimento da alfabetização científica.
Como contribuição, este trabalho evidencia a possibilidade de integração de disciplinas curriculares, a exemplo da Instrumentação para o Ensino de Física, com ambientes não formais de ensino por meio de um projeto que pode ser caracterizado também como atividade extensionista.
## Referências
CLEBSCH, A. B.; MARIN, A.; VENTURI, S. S. Instrumentação para o Ensino de Física: contexto e desenvolvimento da disciplina. In: ZOTTI, S. A.; REISDOEFER, D. N. Tempos e espaços de formação docente e inovação pedagógica. Blumenau: IFC, 2017, p. 23-44.
MACEDO, Cristina Cândida de; SILVA, Luciano Fernandes. Os processos de contextualização e a formação inicial de professores de Física. Investigações em Ensino de Ciências , v. 19, n. 1, p. 55-75, mar. 2014.
PÉREZ, Constancio Aguirre; MOLINÍ, Ana María Vázquez. Consideraciones generales sobre la alfabetización científica en los museos de la ciencia como espacios educativos no formales. Revista electrónica de enseñanza de las ciencias , v. 3, n. 3, p. 1-26, 2004.
PINHEIRO, Terezinha de Fátima; PINHO ALVES, José de. O projeto temático como atividade de Estágio na Prática de Ensino de Física. XVII Simpósio Nacional de Ensino de Física - XVII SNEF. São Luis (Maranhão), 2007.
SCHUINDT, C. C.; SILVEIRA, C.; LORENZETTI, L. Indicadores de alfabetização científica em museu de Ciências: uma exposição em análise. Ensino e Multidisciplinaridade , São Luís (MA), v. 4, n. 1, p. 82-97, 2018.
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