RELEVÂNCIA DE FEIRAS DE CIÊNCIAS COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA NO ENSINO DE FÍSICA
Bruno Felipe Venancio, Marcos Otaviano Da Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 10/11/2023
- Linha de pesquisa
- Divulgação científica e práticas educativas em espaços educativos formais, informais e não formais e o ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## RELEVÂNCIA DE FEIRAS DE CIÊNCIAS COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA NO ENSINO DE FÍSICA
## Bruno Felipe Venancio 1 , Marcos Otaviano da Silva 2
- 1 Instituto Federal do Paraná, bruno.venancio@ifpr.edu.br
- 2 Instituto Federal do Paraná, marcos.silva@ifpr.edu.br
Palavras-chave :
Ensino; Experimentos; Física.
## Resumo expandido
Este trabalho apresenta uma breve descrição de um projeto de ensino denominado 'Feira de Ciências' desenvolvido no Instituto Federal de Paraná campus Curitiba. Neste projeto, alunos bolsistas construíram diversos experimentos e realizaram apresentações para a comunidade escolar. Cabe destacar que o público-alvo dessas apresentações era composto por alunos, professores, servidores técnicos, e colaboradores terceirizados (pessoal da manutenção e limpeza) de nossa instituição. O projeto tinha os seguintes objetivos: promover e incentivar uma cultura científica que estabeleça significados mais amplos sobre o saber físico; desenvolver nos alunos bolsistas diferentes habilidades cognitivas para além daquelas já adquiridas nas aulas teóricas; propiciar aos alunos ferramentas para estabelecer a construção do conhecimento físico em detrimento do cumprimento protocolar, focado apenas no cumprimento de uma ementa ou grade curricular; promover a alfabetização científica da comunidade escolar, estimulando a produção e participação de alunos em atividades coletivas.
As atividades experimentais são fundamentais nos processos de desenvolvimento das ciências, uma vez que elas são uma parte indispensável do método científico (MOREIRA, 1993). Além disso tais ações podem ser o fio condutor para um melhor entendimento do papel da ciência em nossa sociedade. Desta forma, elas podem desempenhar um papel importante no processo de ensino e aprendizagem de ciências, em nosso caso, no ensino de física. O uso desse tipo de recurso como estratégia de ensino é interessante, pois elas estimulam a interação do aluno com os conceitos físicos envolvidos. Tais estímulos propiciam inquietações por parte do aluno em relação ao conteúdo ministrado, aumentando a probabilidade de que sejam construídos conhecimento, e sejam desenvolvidas habilidades, atitudes e competências em relacionadas com o fazer e entender a Ciência. (ARAÚJO e ABIB, 2003). Além disso, ressalta-se que as atividades práticas estão baseadas em três pilares: 'o referencial empírico, ou seja, aquilo que é real, organizado para a experimentação, de forma a permitir o estudo dos fenômenos; os conceitos, leis e teorias; e as diferentes linguagens e simbolismo utilizados na física.' (SÉRÉ et al, 2003, p. 38 e 39). Finalmente, a utilização de tais ferramentas com um máximo de eficiência só ocorre quando elas estão aliadas a propostas de ensino sólidas e a estratégias didáticas e a práticas pedagógicas coerentes com a realidade da comunidade escolar.
As atividades experimentais podem ser classificadas em experiências de cátedra ou laboratório de demonstrações, laboratório tradicional ou convencional, laboratório biblioteca e laboratório divergente (ALVES FILHO, 2000). Neste projeto
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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física
escolhemos adotar a metodologia do laboratório de abordagem divergente, pois nessa condição os alunos entram em contato com aspectos mais profundos da Física, como o processo de investigação e a construção de pressupostos, que valorizam o entendimento amplo das questões, ao invés de fazer apenas uma verificação pura e simples de uma lei ou pressuposto (NEDELSKY, 1958). Ao valorizarmos o processo em detrimento da finalidade, em que os alunos deverão cumprir uma série de tarefas que são comuns a toda classe, e a partir dos conhecimentos experimentais adquiridos e de suas preferências pessoais por algum assunto, ele poderá escolher uma área para aprofundamento.
Inicialmente, foi proposta para os alunos a abordagem de alguns experimentos. Tal abordagem seguiu os seguintes passos: i. estudo teórico sobre os conceitos e leis físicas envolvidos no experimento; ii. preparação do material e montagem do experimento; iii. coleta e análise de dados; iv. confecção de um relatório acerca das etapas i, ii e iii; v. apresentação dos experimentos para a comunidade escolar.
Para a realização dos experimentos, foram utilizados materiais do nosso laboratório de física, e alguns outros materiais adquiridos com recursos de um projeto paralelo (desenvolvido pelo coordenador e financiado pela Sociedade Brasileira de Física). Assim, foram abordados os seguintes experimentos: experimento da braquistócrona; medida do impacto de uma colisão; propagação de ondas em uma superfície planas; momento de inércia e conservação do momento angular; uma rede de difração doméstica; experimentos de refração da luz; experimentos de reflexão da luz.
Além do desenvolvimento e construção dos experimentos foram realizadas duas mostras de física nos meses de novembro e dezembro de 2022, para a comunidade escolar. Essas mostras visaram à interação e integração do projeto com os diferentes membros da comunidade escolar (alunos, professores, servidores técnicos e colaboradores terceirizados).
Os resultados obtidos foram satisfatórios, as duas alunas bolsistas tiveram a oportunidade de desenvolver diversos experimentos de física, proporcionando uma nova percepção da física, como pode ser observado nos relatos das alunas a seguir.
Relato da Aluna Bolsista A: 'Durante o projeto desenvolvemos diversos experimentos dentro da área da Mecânica e da Óptica, e pessoalmente gostei muito do desenvolvimento. Além de apreciar a execução em si e ter me divertido fazendo, por ter apreço a trabalhos manuais e ter tido a oportunidade de montar e arquitetar coisas que não faria comumente, o projeto também agregou muito ao meu conhecimento acadêmico. Por estar cursando o primeiro ano do ensino médio, tive os conteúdos de Mecânica neste ano letivo, e foi muito útil ver parte deles sendo aplicados na prática, fora das aulas, às vezes de formas que o professor em sala não tem espaço para fazer, e trazendo também novas curiosidades e explicações, de forma mais direcionada e dinâmica. Particularmente, gostei muito do experimento da Braquistócrona, ou ciclóide, que foi um dos primeiros a ser desenvolvido. Quanto ao conteúdo de Óptica, ainda não tinha tido contato com a matéria fora da crença popular, e portanto sabia pouquíssimo, quase tudo visto foi novo ou surpreendente. Fora os conhecimentos específicos, o projeto também foi muito útil para mim para desenvolver as habilidades sociais e a capacidade de lidar com o público, tendo o apoio e suporte dos professores durante as duas mostras realizadas no Instituto.'
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Relato da aluna bolsista B: 'O projeto durou de setembro a dezembro e, durante esse período, foram realizadas duas 'mostras' de física. A primeira sobre Mecânica e a segunda sobre Óptica. Além de aprender mais sobre física, nesse experimento, aprendi técnicas novas do cotidiano como por exemplo usar massa corrida, pois precisamos dela para construir a rampa. Além disso, foi muito valorizado o trabalho em equipe pois, durante a montagem, cada um de nós utilizou as habilidades que tinham para fazer sua parte e ajudar os demais. Foi bem interessante, de verdade. Fizemos a mostra no corredor do térreo do prédio do IFPR que dá para a escada principal. Para demonstrar o experimento do momento angular, eu fiquei em cima do círculo algumas vezes e chamei as pessoas para testarem elas mesmas, girei elas, perguntei se estavam bem (risos). Esse foi o experimento que as pessoas mais gostaram, acredito eu por ser algo que elas possam experimentar sensações diferentes e que atiçam a curiosidade sobre a física. Bom, depois desse único dia de mostra, voltamos a construir experimentos, dessa vez de óptica. Eu gostei da organização desta mostra, os professores listaram os experimentos que iriam fazer. A mostra dessa vez foi no laboratório de física e algumas turmas inteiras foram chamadas para ver todos os experimentos, achei essa parte bem vantajosa.'
Este projeto de ensino proporcionou às alunas uma maior integração com a disciplina de física no que tange a sua face experimental, uma vez que o principal objetivo era a elaboração e construção de experimentos. Além disso, como complemento houve uma interação entre os integrantes do projeto como a comunidade escolar decorrente das apresentações que ocorreram nas duas mostras de física. Desta forma, consideramos os resultados obtidos foram positivos, uma vez que o projeto cumpriu seus objetivos, isto é, promoveu e incentivou a cultura científica através das mostras de física; desenvolveu habilidade cognitiva nas alunas bolsistas, para além daquelas já adquiridas nas aulas teóricas; propiciou para as comunidades que compõem o Instituto Federal do Paraná - campus Curitiba, a saber discentes, docentes, servidores técnicos e administrativos e colaboradores em geral, ferramentas epistemológicas para estabelecer a construção do conhecimento Físico em detrimento do cumprimento protocolar típico, focado apenas no cumprimento de uma ementa ou grade curricular.
## Referências
ALVES FILHO, J. P. Regras da transposição didática aplicadas ao laboratório didático. Caderno brasileiro de ensino de Física , v. 17, n. 2, p. 174- 188, 2000.
ARAÚJO, M. S. T.; ABIB, M. L. V. S. Atividades Experimentais no Ensino de Física: Diferentes Enfoques, Diferentes Finalidades. Revista Brasileira de Ensino de Física . Rio de Janeiro, v. 25, n. 2, 2003.
MOREIRA, Marco Antonio; OSTERMANN, Fernanda. Sobre o ensino do método científico. Caderno catarinense de ensino de física . Florianópolis. Vol. 10, n. 2 (ago. 1993), p. 108-117, 1993.
NEDELSKY, Leo. Introductory physics laboratory. American journal of physics , v. 26, n. 2, p. 51-59, 1958.
SÉRÉ, M. G., COELHO, S. M. e NUNES, A. D. O Papel da Experimentação no Ensino de Física. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , Florianópolis, v. 20, n. 1, 2003.
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