A UTILIZAÇÃO DE FILMES COMO RECURSO DIDÁTICO NO ENSINO CIÊNCIAS: O ESTUDO DE MÁQUINAS SIMPLES
Eriquisson De Sousa Nicacio, Diana Patrícia Gomes De Almeida
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 10/11/2023
- Linha de pesquisa
- Tecnologias da informação e comunicação no ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A UTILIZAÇÃO DE FILMES COMO RECURSO DIDÁTICO NO ENSINO CIÊNCIAS: O ESTUDO DE MÁQUINAS SIMPLES
## Eriquisson de Souza Nicacio 1 , Diana Patrícia Gomes de Almeida 2
1 Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, eriquisson23@gmail.com
2 Universidade Federal de Pernambuco, Centro Acadêmico do Agreste, diana\_fisica@yahoo.com.br
Palavras-chave : Filme; Máquina Simples; Sequência Didática.
## Resumo expandido
Neste estudo, compreendemos que o cinema, assim como as diferentes linguagens das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC), exerce influência na construção do imaginário social sobre os mais diversos assuntos relacionados à ciência e à tecnologia, que cada vez mais ganham espaço no pensamento contemporâneo, tais como: mapeamento genético, guerras cibernéticas, alimentos transgênicos, inteligência artificial, buracos negros, clima espacial, Aceleradores de Partículas e tanto outros. No cenário cinematográfico, há muitas produções que influenciam a nossa vida, desde a forma como produzimos, consumimos e interagimos até como exercemos a cidadania, e isso não tem sido diferente no cenário educacional (XAVIER, 2017).
Durante a realização do curso de Licenciatura em Física, especificamente durante os estágios obrigatórios realizados, percebemos, infelizmente, que ainda há profissionais que adotam estratégias de ensino cujo enfoque é a transmissão expositiva de conhecimentos, geralmente descontextualizados, que se distanciam muito da realidade dos alunos e dos avanços científicos, constatação que corrobora com a análise crítica de Moreira (2018).
Como consequência de tais metodologias pouco atrativas, encontramos alunos desanimados com as aulas de Ciências/Física, cujo teor pouco se relaciona com as TDIC (MOREIRA, 2018). Paradoxalmente, embora as TDIC sejam uma realidade, ainda se faz necessário proporcionar aos estudantes o domínio dessas tecnologias, de forma a ajudá-los no letramento científico.
Nesse contexto, a utilização de filmes como recurso pedagógico é uma forma de colocar em prática a necessária diversificação de metodologias, além de contribuir para a sistematização do conhecimento científico e melhor qualidade da aprendizagem (LYRA FILHO, 2012). Acreditamos, ainda, que a utilização desse recurso em sala de aula contribua para o alcance do desenvolvimento do pensamento científico, crítico e criativo (segunda competência geral da educação básica na Base Nacional Comum Curricular - BNCC) (BRASIL,2018).
Posto isso, realizamos esta pesquisa com o propósito de responder à seguinte questão: A utilização de filmes de ficção científica desperta o interesse dos alunos para aprender ciências/física? Na busca por responder esse questionamento foi delineada a seguinte hipótese norteadora: utilizar filmes no ensino de Ciências
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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física
faz com que os alunos sejam motivados e desenvolvam conceitos cientificos de forma mais ativa e prazerosa. Assim, nosso objetivo geral é o de discutir a aplicação de filmes de ficção cientifica como um instrumento pedagógico motivador nas aulas de ciências/Física do ensino fundamental.
Para fundamentar a pesquisa, foi necessário dialogar com alguns autores, como Piassi e Pietrocola (2007), que analisam a utilização de filmes como recursos didáticos no ensino de ciências; Napolitano (2003), que descreve procedimentos básicos para a utilização de filmes na sala de aula de forma lúdica e sedutora; Lyra Filho (2012), que analisa a contribuição da utilização de filmes para ajudar na introdução de conteúdos de ciências por meio de uma abordagem investigativa; Delizoicov e Angotti (1994), que abordam várias metodologias de como a ciência pode ser trabalhada, com destaque aos três Momentos Pedagógicos (3MPs): problematização inicial, organização do conhecimento; e aplicação do conhecimento; além da BNCC (2018), documento norteador que define as aprendizagens essenciais que todos os estudantes devem desenvolver/possuir ao final da educação básica .
- A abordagem metodológica desta pesquisa é qualitativa, com uso de levantamento bibliográfico. Com esse levantamento, foi possível identificar que a utilização de obras cinematográficas de ficção científica ou não, como ferramentas motivacionais no ensino de Ciências/Física, ainda é um estratégia de ensino pouco explorada. Assim, para alcançar nosso objetivo geral, optamos por construir uma proposta de sequência didática na perspectiva metodológica de ensino dos 3MPs. O filme escolhido foi o ' Dr Stone ', que é um mangá (história em quadrinhos do estilo japonês anime ) com capítulos individuais, contando histórias de três estudantes japoneses, em que o personagem principal ama a ciência. A história tem início com uma calamidade da Terra, em que todos são transformados em pedra.
- O conteúdo escolhido para a sequência didática foi máquina simples , que está alinhado com o que propõe a BNCC para a disciplina de Ciências, mais especificamente para o 7° ano, conforme quadro abaixo:
Quadro 1: Habilidade da BNCC sobre a temática Máquina Simples.
Fonte : Brasil (2018, p.346-347)
A partir dessa temática, elaboramos a sequência didática com 08 aulas para uma turma do 7° ano no turno vespertino de uma escola municipal de Varzedo/BA, com faixa etária entre 12 e 14: na primeira aula , problematização inicial, utilizamos o filme Dr Stone, episódio 06 da primeira temporada, para motivar os estudantes; na segunda aula , aplicamos um questionário após os alunos assistirem ao filme; na terceira aula , realizamos um resgate de algumas cenas do filme, enfatizando a cena em que o personagem principal fez uso da polia; a quarta aula foi guiada com o seguinte questionamento: ' Onde no nosso dia a dia podemos ver as polias sendo utilizadas?'; a quinta aula, foi o momento da organização do conhecimento; na sexta aula , explicamos que as polias também são chamadas de roldanas e que são um tipo de máquina simples; a sétima e oitava aulas foram momentos de aplicação do conhecimento. Para esses últimos momentos, escolhemos o uso da experimentação
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como estratégia didática, montando experimentos com polias na quadra da escola objetivando sistematizar o conhecimento. Destacamos que os dados coletados no questionário aplicado foram analisados por meio da técnica de análise de conteúdo temática de Bardin.
Para discussão, destacamos os seguintes momentos dessa vivência pedagógica: 1) quando perguntamos ' o que chamou mais sua atenção no filme? ', destacamos a resposta do aluno A1: 'Achei muito legal porque o artista principal ajudou as pessoas a deixarem de ser pedra e ser humano', remetendo-nos ao poder que filmes têm de despertar sentimentos, do cuidar ao próximo, que associamos à uma característica cidadã, compromisso que a ciência tem com a formação integral durante a educação básica; ainda para esse questionamento, 19 alunos responderam que o que mais lhes chamou a atenção foi o momento que envolvia polias, por exemplo: ' quando o homem fez uso de uma polia para levantar a árvore ' (A22); 2) quanto à pergunta ' Para que serve uma polia?', a grande maioria respondeu satisfatoriamente, mesmo sem o formalismo matemático, e/ou da aplicabilidade do uso da polia, relatando implicitamente que ela serve para facilitar o levantamento dos objetos: ' para levantar cimento, para construção ou água, para as pessoas levantar coisas [...] ' (A1); ' para levantar peso de uma maneira que não precisa de muita força .' (A19). 3) terceiro momento pedagógico, utilizando para experimentação um balde com água, corda e 02 polias. É importante destacar que todos tiveram a oportunidade de aplicar o que foi estudado em sala e houve muita participação.
Com a elaboração e aplicação dessa sequência didática, constatamos que a estratégia de utilizar filmes como instrumento pedagógico trouxe motivação e dinamicidade ao processo de ensino-aprendizagem sobre máquinas simples. No entanto, a realidade educacional da grande maioria das escolas ainda não dispõe de uma estrutura acessível para potencializar as TDICs em sala e isso pode afetar as aulas, e consequentemente, na aprendizagem.
## Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular . Brasília, 2018.
DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, J. A. Metodologia do Ensino de Ciências . São Paulo: Cortez - (Coleção magistério 2º grau. Série formação do professor), 1994.
LYRA FILHO, E. M. O Uso de Filme como recurso pedagógico no ensino de ciências: uma experiência reflexiva. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências), UFRPE, 2012.
MOREIRA, Marco Antônio. Uma análise crítica do ensino de Física. Estudos avançados , v. 32, p. 73-80, 2018.
NAPOLITANO, Marcos. Como usar o cinema na sala de aul a. São Paulo, Brasil: Editora Contexto (Editora Pinsky Ltda.)., 2003. 248 p.
PIASSI. L.P.; PIETROCOLA, M. De olho no futuro: Ficção científica para debater questões sociopolíticas de ciências e tecnologia em sala de aula. Ciência e Ensino, v. 1, nov 2007.
XAVIER, E. B. Infância e Cinema : implicações para a formação das crianças na sociedade Contemporânea. Dissertação de Mestrado. UFLA, 2017Devem ser escritas seguindo o padrão ABNT.
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