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SATISFAÇÃO CULTURAL E CIÊNCIA: A TEORIA DE GEORGES SNYDERS E SEUS DIÁLOGOS NO ENSINO DE FÍSICA.

Emerson Ferreira Gomes, Silvana Souza Lima, João Eduardo Fernandes Ramos, Francisco De Assis Nascimento Júnior, Luís Paulo Piassi

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
10/11/2023
Linha de pesquisa
Cultura, linguagem e cognição no ensino de física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## SATISFAÇÃO CULTURAL E CIÊNCIA: A TEORIA DE GEORGES SNYDERS E SEUS DIÁLOGOS NO ENSINO DE FÍSICA.

Emerson Ferreira Gomes , Silvana Souza Lima , João Eduardo Fernandes 1 2 Ramos , Francisco de Assis Nascimento Júnior , Luís Paulo Piassi 3 4 5

1 IFSP/Câmpus Boituva, emersonfg@ifsp.edu.br 3 SEESP/Profa. PEB II - Especialista Curricular, siluminista@gmail.com 3 UFPE/Câmpus Agreste/Núcleo de Formação Docente, joao.framos@ufpe.br 4 UFSB/ Campus Sosígenes Costa, francisco.nascimento@ufsb.edu.br 5 USP/Escola de Artes, Ciências e Humanidades, lppiassi@usp.br

Palavras-chave : Ensino de Física; Satisfação Cultural; Teoria Sociocultural

## Resumo expandido

A teoria sociocultural de Georges Snyders (1917-2011) vem sendo debatida em diversos contextos da pesquisa em educação no Brasil seja na divulgação e no norteamento das diferentes fases de sua produção (GIOLO, 1994; CARVALHO, 1999), na contextualização de sua obra na educação brasileira (VIEIRA; ALMEIDA, 2016) ou como fundamentação para a leitura e escrita na educação em ciências (SOUZA; ALMEIDA, 2005; ZANETIC, 2006). Nesta pesquisa iremos articular a teoria do pedagogo francês com algumas pesquisas em Ensino de Física e identificar de que forma elas possuem consonâncias que permitam a verificação de satisfação cultural em processos de ensino-aprendizagem em Física.

Georges Snyders reflete sobre a presença dos interesses culturais dos educandos na escola e de que forma a satisfação cultural estaria presente no espaço escolar. Preocupado com a falta de alegria dos alunos na escola, que se apresenta aos alunos 'como um medicamento amargo' (SNYDERS, 1988, p. 12), Snyders propõe a renovação da escola a partir de uma transformação dos conteúdos culturais, que passa tanto pelos alunos quanto pelos professores. Para isso ele defende uma escola na qual esteja presente 'uma alegria que brota de um encontro com as obras de arte, desde os grandes poemas de amor até as realizações científicas e técnicas.' (SNYDERS, 1988, p. 13). Segundo o autor, se faz necessária uma transformação dos conteúdos culturais uma vez que há culturas capazes de dar satisfação e dela a alegria. Olhando especificamente para a cultura, em busca desta satisfação, Snyders observa a presença de dois tipos de cultura, a primeira e a elaborada. O pedagogo francês afirma que o espaço escolar é um ambiente onde a 'cultura primeira' trazida pelo estudante - sendo esta decorrente de sua 'experiência direta da vida' ou a partir da recepção dos produtos da cultura de massa (SNYDERS, 1988, p. 30) - deve ser incorporada ao processo educacional, no sentido que traz a satisfação ao educando (SNYDERS, 1988, p. 36). Entretanto, Snyders aponta também para a presença da 'cultura elaborada', que, segundo Carvalho (1999), visa 'abrir o mundo', que é dirigida a todos. Essa 'cultura elaborada' pode ser verificada nas grandes obras de arte, no conhecimento científico e escolar. O pensador francês associa a cultura primeira à denominada 'alegria simples' (1988, p. 24), que são aquelas satisfações decorrentes das atividades cotidianas dos estudantes, sejam suas brincadeiras, seus jogos, e os seus interesses culturais como a música, o cinema e, particularmente em nossos tempos, suas séries de televisão e os jogos de videogame. Essa alegria, num primeiro momento, permite ao jovem ambicionar e se aprofundar em suas satisfações culturais. Para exemplificar esse processo de transformação das alegrias simples em alegrias ambiciosas - sendo essas vinculadas à

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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física

cultura elaborada -, o autor cita dois exemplos: um indivíduo ao se banhar incialmente na água, vai querer manter com a água uma relação mais 'sutil' e mais 'refinada", aprendendo a inicialmente a nadar e depois a 'nadar bem' (SNYDERS, 1988, p. 24); o indivíduo que possui uma moto, que é um dos símbolos da cultura primeira, com o tempo realizará diversas ações de melhoria no veículo como desmontagem, montagem e manutenção (SNYDERS, 1988, p. 25). Em linhas gerais, a cultura primeira mostra-nos a aparência do mundo, enquanto a cultura elaborada mostra o mundo como ele é. E como os estudos em Ensino de Física permitem trazer esses elementos de satisfação no processo de ensino-aprendizagem? Temos a tese de que que a Física se permite encontrar em algumas situações sintetizadas na tabela abaixo:

Tabela 01 - Ensino de Física e a Teoria de Georges Snyders

Essas foram algumas possibilidades de consonância entre pesquisa de Ensino de Física e a Teoria Sociocultural de Snyders. Como se trata de um estudo inicial, que será ampliado, de forma alguma esgotamos os diálogos. Mas esse levantamento inicial nos apresenta pontos de convergência e possíveis caminhos.

## Referências

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.