ESTUDO DA REPRESENTATIVIDADE FEMININA NOS CURSOS PRESENCIAIS DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DAS CIÊNCIAS NATURAIS: O CASO DA UFS
Josiely De Oliveira, Joyce Da Costa Santos Oliveira, Renato Santos Araújo
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 10/11/2023
- Linha de pesquisa
- Políticas públicas em educação e o ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ESTUDO DA REPRESENTATIVIDADE FEMININA NOS CURSOS PRESENCIAIS DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DAS CIÊNCIAS NATURAIS: O CASO DA UFS
Josiely de Oliveira 1 , Joyce da Costa Santos Oliveira 2 , Renato Santos Araújo 3
- 1 Universidade Federal de Sergipe/ Programa de Pós-Graduação em Ciências Naturais /Josiely.oliveira1999@gmail.com
- 2 Universidade Federal de Sergipe/ Programa de Pós-Graduação em Ciências Naturais/ joyce.oli8117@gmail.com
3 Universidade Federal de Sergipe /DFCI/ raraujo.brasil@gmail.com
Palavras-chave : Ensino superior; objetivos de desenvolvimento social; interiorização.
## Resumo expandido
No Brasil, o final do século XX foi marcado por mudanças políticas e econômicas que alteraram vários setores da sociedade. No âmbito da educação,
A formação para a docência é aspecto da maior relevância social. A entrada de vários setores sociais na discussão dessa formação é sintoma que a questão tem características de um problema social e não de um tema somente para especializados. Observe-se que é formação que está em pauta em muitos países, havendo discussões internacionais robustas sobre essa formação e seus desafios hodiernamente (GATTI, 2022, p.2).
De acordo Saviani (2019), a formação docente sofreu diversas modificações ao longo dos últimos dois séculos, mas sem uma continuidade clara. A questão pedagógica, que inicialmente era ignorada, foi gradualmente ganhando relevância nas reformas educacionais. Contudo, até o momento, não houve um posicionamento significativo. Ao analisar o período histórico, é perceptível a falta de políticas de formação que de fato conseguiram preparar os professores para lidar com os problemas da educação escolar no país.
Além disso, a falta de formação docente ainda é uma questão relevante a ser discutida, o que levanta questionamentos sobre as políticas públicas em relação ao contexto educacional. De acordo com Jesus e Araújo (2021), a carência na educação surgiu com a ampliação do ensino. Tal que quanto maior era a necessidade, maior a carência, 'mas a educação continuou abandonada à sua própria sorte, apesar das numerosas políticas implementadas para a melhoria quantitativa e qualitativa da formação de professores' (JESUS e ARAÚJO, 2021, p.154).
No século XXI, as questões educacionais, ambientais e sociais do planeta foram tema de discussões globais que levaram à adoção dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) (Figura1) pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015. Eles 'são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade' (ONU, 2015).
Dentre os 17 ODS é possível notar que a formação de professores está incluída em quatro objetivos. São eles:
Educação de Qualidade (ODS 4): enfatizando que a formação de professores de ciências de qualidade é indispensável para assegurar uma educação de qualidade para todos;
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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física
Igualdade de Gênero (ODS 5): possibilitando o acesso e a inclusão no ensino superior, a modo de minimizar a desigualdade de gênero;
Indústria, Inovação e Infraestrutura (ODS 9): enfatizando que a formação de professores de ciências também deve se concentrar na promoção da inovação e tecnologia de forma inclusiva e acessível;
Redução das Desigualdades (ODS 10): aponta que a formação de professores de ciências é um passo importante para diminuir as diferenças sociais (ONU, 2015).
Neste contexto, este projeto se debruça sobre o ODS 5. Ele tem como meta a necessidade de desenvolvimento ao 'adotar e fortalecer políticas sólidas e legislação aplicável para a promoção da igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas em todos os níveis' (IPEA, 2019, p.1).
Neste trabalho, apresenta-se o recorte de um projeto de pesquisa que pretende analisar como a interiorização dos cursos presenciais de licenciatura das ciências da natureza impactaram na representatividade feminina em uma Universidade Federal, uma vez que o crescimento e o fortalecimento do ensino precisam vir acompanhado de maior igualdade de oportunidades na educação.
A pesquisa em questão é documental com abordagem quantitativa, uma vez que ao utilizar documentos em pesquisas como fontes de dados torna-se necessário considerar que as informações extraídas e resgatadas são suficientes para serem usadas em áreas das Ciências Humanas e Sociais. Isso permite uma ampliação do entendimento de objetos cuja compreensão requer uma contextualização histórica e sociocultural (SÁ-SILVA; ALMEIDA; GUINDANI, 2009).
Em relação à abordagem quantitativa, Serapioni (2000) explica que por serem replicáveis, adotarem técnicas intersubjetivas controláveis e indicar as margens de erro que podem surgir na formulação da inferência, os métodos quantitativos são capazes de dar sólidos fundamentos às descobertas e às hipóteses formuladas.
As fontes de dados deste projeto de pesquisa são os seguintes documentos: Anuário Estatístico da Universidade Federal de Sergipe; UFS em Números; Dados estatísticos censitários do IBGE.
Pretende-se utilizar a população total dos alunos dos cursos presenciais de licenciatura em física, química e biologia da Universidade Federal de Sergipe no período compreendido no recorte temporal entre 2006 a 2023. Além disso, pretendese também obter dados relevantes para o estudo sobre a população do Estado de Sergipe ao longo do século XXI.
Dessa forma, espera-se a criação de um banco de dados segregado de acordo com as fontes de dados. Dentre as expectativas, pretende-se com esse estudo apresentar uma descrição detalhada do contexto da formação de professores abordando aspectos como a representatividade feminina e a interiorização do ensino superior. Além disso, levantará possíveis iniquidades existentes no acesso e na conclusão dos cursos de ensino superior.
Como conclusão, espera-se contribuir na elaboração de políticas públicas que impactem positivamente nos ODS aqui discutidos no âmbito da Universidade Federal de Sergipe. A seguir apresentam-se dados preliminares obtidos de um dos campi da UFS:
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Gráfico 1 Candidatos e matrículas no curso de licenciatura em Física de 2006 a 2019. Fonte: Anuário Estatístico da UFS, 2023 .
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O gráfico mostra a evolução no número de candidatos inscritos e de matrículas para o curso de Física de 2006 a 2019. Em termos de número de candidatos, é possível notar um aumento significativo nos anos de 2014 e 2015, tendo redução nos anos seguintes. No que diz respeito à matrícula, o pico ocorreu no ano de 2011, com 240 matrículas, tendo oscilações nos anos seguintes. Na relação entre o sexo feminino e masculino, nota-se a ausência da equidade de gênero, os homens são maioria.
Por fim, essa representação gráfica permite analisar a tendência ao longo dos anos e identificar mudanças significativas nas inscrições para o curso de Física, tanto no total quanto na distribuição de gênero.
## Referências
Anuário Estatístico da Universidade Federal de Sergipe. Portal UFS . São Cristóvão. Disponível em: https://indicadores.ufs.br/pagina/20145-. Acesso em: 23 fev. de 2023.
GATTI, B. DUAS DÉCADAS DO SÉCULO XXI: E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES? Rev. Int. de Form.de Professores (RIFP) , Itapetininga, v. 7, e022009, p. 1-15, 2022.Disponível em: https://periodicoscientificos.itp.ifsp.edu.br/index.php/rifp/article/download/763/367/28 56. Acesso em: 18 jun. de 2023.
IPEA - INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Igualdade de Gênero. DF: Brasília. 2019. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/ods/ods5.html#coll\_5\_1. Acesso em: 13 mar. 2023.
JESUS, M. A. C.; ARAUJO, R. S.. Estatísticas de formação de professores de física no Brasil no século XXI. Revista de Enseñanza de la Física , Argentina, v. 33, n. 2, p. 153-159, 2021. Disponível em:
https://doi.org/10.55767/2451.6007.v33.n2.35197. Acesso em: 12 de maio de 2023.
Organizações das Nações Unidas.
Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável , 2015. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs. Acesso em 12 de março de 2023.
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SAVIANI, D.. Formação de professores: aspectos históricos e teóricos do problema no contexto brasileiro. Revista Brasileira de Educação , Rio de Janeiro, v. 14, n. 40, p. 143-155, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S141324782009000100012. Acesso em: 10 de jul. de 2023.
SERAPIONI, Mauro. Métodos qualitativos e quantitativos na pesquisa social em saúde: algumas estratégias para a integração. Ciência & Saúde Coletiva , Rio de Janeiro, 2000. p.87-192. v. 5, n. 1. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S141381232000000100016. Acesso em: 03 jun. 2023.
SÁ-SILVA, J. R.; ALMEIDA, C. D. de; GUINDANI, J. F. Pesquisa documental: pistas teóricas e metodológicas. Revista Brasileira de História e Ciências Sociais , Rio Grande do Norte, v. 1, n. 1, 2009. Disponível em: https://periodicos.furg.br/rbhcs/article/view/10351. Acesso em: 03 jun. 2023.
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