APRENDIZAGEM SOBRE CONSTELAÇÕES EM UM PLANETÁRIO
Daniel Iria Machado
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIII
- Ano
- 2011
- Data
- 06/06/2011
- Linha de pesquisa
- Física E Comunicação Em Práticas Educativas Formais, Informais E Não-Formais
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## APRENDIZAGEM SOBRE CONSTELAÇÕES EM UM PLANETÁRIO THE LEARNING ABOUT CONSTELLATIONS IN A PLANETARIUM
## Daniel Iria Machado 1
1 Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)/Centro de Engenharias e Ciências Exatas, dpedm@uol.com.br
## Introdução
Um centro de Ciências é uma instituição que promove essencialmente a chamada educação informal, preocupada com o ensino de conhecimentos científicos, porém sem contemplar necessariamente a estrutura dos currículos tradicionais e sem conferir graus ou diplomas (GASPAR, 1993). Exemplo de centro de Ciências é um planetário, espaço especializado na divulgação e ensino da Astronomia, que dispõe de projetores especiais para simular, em uma cúpula, o céu estrelado e os principais movimentos da esfera celeste, bem como exibir imagens estáticas e em movimento. Planetários podem proporcionar interações e experiências diversificadas, em geral valorizadas pelos alunos e capazes de auxiliar os professores a comunicar os conteúdos de Astronomia. Tais locais podem contribuir para despertar a curiosidade, fornecer uma oportunidade para a exploração de novas informações e facultar a expansão do universo mental dos visitantes (LOMB, 2005). Uma parte substancial do público dos centros de Ciência é composta de estudantes, que usualmente afluem em visitas organizadas pelas próprias escolas. Desse modo, é natural o surgimento de questões relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem nesses locais. No caso dos planetários, encontram-se pesquisas acerca de sua eficiência para promover a aprendizagem e atitudes positivas em relação à Ciência. Em especial, a meta-análise abrangendo 19 estudos realizados entre 1966 e 2007, feita por Brazell e Espinoza (2009), indicou que os ganhos de aprendizagem foram particularmente notáveis em sessões de planetário dedicadas à Astronomia observacional, nas quais se abordaram os movimentos dos objetos celestes por meio de simulações. No presente trabalho, apresentam-se alguns resultados obtidos em uma investigação relativa à aprendizagem da Astronomia em um planetário, com foco no conhecimento a respeito das constelações.
## Metodologia
Participaram da pesquisa 134 estudantes da sexta série do Ensino Fundamental de escolas públicas de Foz do Iguaçu. Para essa série, estava previsto nas diretrizes curriculares do Paraná o ensino a respeito dos movimentos celestes, das estações do ano e das constelações. Os alunos constituíram quatro grupos: o primeiro com 23 integrantes, o segundo com 37, o terceiro com 14 e o quarto com 60, os quais visitaram o planetário em dias diferentes, no período de outubro a dezembro de 2010. Todos os alunos assistiram a uma sessão de planetário, com duração de aproximadamente 34 minutos, durante a qual suas reações e manifestações foram observadas pelo pesquisador. A primeira parte da sessão mostrava a diferença entre um céu com poluição luminosa e outro plenamente estrelado, ressaltava a Via Láctea e exibia o aspecto do céu noturno em cada estação do ano, destacando algumas constelações e estrelas visíveis em diferentes épocas. A segunda parte da sessão simulava uma viagem pelo sistema solar, com visita à Lua e aos planetas, passando no retorno pelo cinturão de asteroides, fornecendo imagens e informações sobre os
principais astros. Para avaliar o conhecimento acerca do tema constelações, aplicou-se um pré-teste, imediatamente antes da sessão de planetário, e um pós-teste, logo após a sessão, com a participação de 56 alunos, sendo 14 do grupo 1, 13 do grupo 2, 14 do grupo 3 e 15 do grupo 4. Todos os alunos do grupo 3 fizeram os testes e os alunos dos grupos 1, 2 e 4 foram selecionados por sorteio. Dos estudantes que responderam aos testes, 31 eram do sexo masculino e 25 do sexo feminino, com média de idade de 12 anos (idades entre 11 e 14 anos). O pré-teste e o pós-teste consistiram em três questões abertas: 1) Você considera que a aparência do céu noturno se modifica ou não ao longo do ano? Explique sua resposta; 2) O que é uma constelação?; 3) Faça uma descrição das constelações que você conhece e indique a época do ano em que pode vê-las. Utilize desenhos para auxiliar em sua resposta, caso considere necessário. Após os testes, 16 alunos (quatro do grupo 1, dois do grupo 2, quatro do grupo 3 e seis do grupo 4) foram entrevistados para saber sua opinião sobre a atividade no planetário e o que consideravam ter aprendido.
## Resultados
Após a sessão de planetário, verificou-se um aumento no percentual de alunos com a opinião de que o aspecto do céu noturno se modificava ao longo do ano (de 73% para 84%), e uma diminuição na proporção de estudantes atribuindo a este uma aparência imutável (de 16% para 5%). A evolução nas respostas foi mais significativa ao se analisar o subgrupo de 15 estudantes para os quais inicialmente o aspecto do céu noturno não se alterava ao longo do ano ou não souberam responder, pois 67% dos membros desse subgrupo (10 alunos) adotaram o ponto de vista de que a aparência do céu noturno era mutável. Houve também uma redução de 43% para 23% na proporção de respostas abordando a modificação do aspecto do céu noturno com justificativas não relacionadas diretamente às estrelas observáveis em cada época (alteração no grau de escuridão do céu, por exemplo), em conjunto com um crescimento do percentual de respostas contendo explicações relativas à mudança das constelações ou estrelas visíveis (de 7% para 14%) e à sucessão das estações do ano (de 5% para 18%). Após a sessão de planetário, registrou-se um aumento do percentual de alunos para os quais constelação seria um conjunto de estrelas (de 39% para 63%). Em geral tal concepção não foi expressa de maneira mais elaborada, mas alguns alunos ainda acrescentaram a essa definição que uma constelação forma um desenho ou figura (inicialmente 5% e, posteriormente, 11% dos estudantes). Embora a proporção de alunos que não respondeu ou afirmou desconhecer a resposta à questão sobre a definição de constelação tenha diminuído de 50% para 14%, ampliou-se de 11% para 23% o percentual de estudantes que manifestaram algum tipo de concepção alternativa quanto a esse conceito (por exemplo, considerá-lo um conjunto de estrelas e planetas). Constatou-se também que, após a sessão de planetário, cresceu de 7% para 21% a proporção de alunos que conseguiram mencionar o nome de pelo menos uma constelação. Mas somente um estudante foi capaz de indicar a época do ano em que a constelação referida (Órion) seria visível. Por outro lado, o percentual de alunos que citaram o asterismo das Três Marias como exemplo de constelação aumentou de 2% para 20%. Tal noção parece ser relativamente comum, pois também foi expressa por grande parte das crianças investigadas no trabalho de Queiroz et al. (2009). Apesar desse equívoco, dois alunos participantes da pesquisa aqui relatada indicaram corretamente quando as Três Marias poderiam ser vistas. É preciso ressaltar que durante a sessão de planetário não foi feita uma definição formal de constelação, nem explicado o mecanismo responsável pela mudança no aspecto do céu estrelado ao longo do ano, embora tenham sido projetadas na cúpula e descritas diversas constelações, inclusive com a superposição de desenhos nos casos de Órion, Cão Maior e Touro. As Três Marias foram apresentadas enquanto denominação popular para as estrelas componentes do cinturão de
Órion. Na pesquisa astronômica atual, uma constelação corresponde a uma região da esfera celeste com coordenadas bem delimitadas. No entanto, esteve implícita na sessão de planetário a noção de constelação como um agrupamento de estrelas, formando algum tipo de figura, que corresponde à concepção clássica, ainda útil com finalidades didáticas. As observações das manifestações dos alunos durante as sessões e as entrevistas realizadas com parte dos participantes revelaram que os estudantes, de modo geral, apreciaram a sessão de planetário e julgaram-na relevante para sua aprendizagem. Algumas reações que indicam envolvimento dos alunos com a atividade foram: demonstrar animação quando foi eliminada a poluição luminosa e exibido o céu plenamente estrelado; participar da contagem regressiva feita antes da simulação da viagem pelo sistema solar; bater palmas acompanhando a trilha sonora final; aplaudir e/ou fazer espontaneamente comentários favoráveis ao término da sessão. Nas entrevistas, por exemplo, um aluno considerou a atividade 'muito boa, demais'. Indagado sobre a razão dessa opinião, respondeu: 'é muito legal, mostra o Universo, como que é, como que acontece'. Esse mesmo aluno, ao ser perguntado sobre o que havia conseguido aprender, disse: 'muitas coisas, as constelações, [...] sobre os planetas'.
## Considerações Finais
Evidenciou-se neste trabalho a capacidade de o planetário motivar e contribuir para a aprendizagem da Astronomia, considerando-se o caso específico do tema constelações. Porém, constatou-se que, se os alunos não tiverem um momento para realizar estudos adicionais e discussões mais pormenorizadas, com auxílio de um professor, podem não alcançar uma compreensão adequada de temas centrais tratados. Desse modo, recomenda-se que seja feito um preparo com os estudantes antes de uma sessão de planetário, buscando-se introduzir ideias prévias relevantes para melhorar a assimilação dos conceitos. Também é essencial a promoção de debates e explanações complementares após a sessão, a fim de favorecer a consecução dos objetivos de aprendizagem previamente definidos e evitar a formação ou manutenção de concepções alternativas, tendo o planetário na condição de recurso pedagógico relevante.
## Referências
BRAZELL, B. D.; ESPINOZA, S. Meta-analysis of planetarium efficacy research. Astronomy Education Review, [S.l.], v. 8, n.1, 2009. Disponível em: <http://scitation.aip.org/getpdf/servlet/GetPDFServlet?filetype=pdf&id=AERSCZ0000 08000001010108000001&idtype=cvips>. Acesso em: 11 mar. 2011.
GASPAR, A. Museus e centros de ciências - conceituação e proposta de um referencial teórico. 118 p. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1993. Disponível em: <http://www.casadaciencia.ufrj.br/Publicacoes/Dissertacoes/gaspar-tese.pdf>. Acesso em: 11 mar. 2011.
LOMB, N. The role of science centers and planetariums. In: PASACHOFF, J. M.; PERCEY, J. R. Teaching and learning astronomy: effective strategies for educators worldwide. Cambridge: Cambridge University Press, 2005. p. 221-226.
QUEIROZ, V. et al. As constelações que as crianças imaginam ao olharem para as estrelas. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS, 7., 2009, Florianópolis. Anais... Belo Horizonte: ABRAPEC, 2009. Disponível em: <http://www.fae.ufmg.br/abrapec/viempec/7enpec/pdfs/880.pdf>. Acesso em: 11 mar. 2011.
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