UMA INTRODUÇÃO CRIATIVA À ROBÓTICA
Erick Lucas Correia Cordeiro, Tiago Francisco Da Sillva, Tais Maria Da Silva, Tassiana Fernanda Genzini De Carvalho
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 10/11/2023
- Linha de pesquisa
- Currículo e ensino de física
- Tipo
- Comunicação
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2023
Texto completo
## UMA INTRODUÇÃO CRIATIVA À ROBÓTICA
## Erick Lucas Correia Cordeiro 1 , Tiago Francisco da Silva 2 , Tais Maria da Silva 3 , Tassiana Fernanda Genzini de Carvalho 4
- 1 Universidade Federal de Pernambuco/Física, erick.cordeiro@ufpe.br
- 2 Universidade Federal de Pernambuco/Física, tiago.franciscosilva@ufpe.br
- 3 Escola Técnica Estadual de Caruaru Nelson Barbalho, tais.ufpe11@gmail.com
- 4 Universidade Federal de Pernambuco/Fisica, tassiana.fgcarvalho@ufpe.br
Palavras-chave : robótica; ensino médio; sequência didática.
## 1. INTRODUÇÃO
Vivemos em uma época de crescimento vertiginoso da tecnologia, onde a robótica, nomeadamente os estudos referentes ao desenvolvimento de AI (inteligência artificial), representa um importante aspecto desse crescimento. Considerando que o ensino de Física no Ensino Médio (EM) passou por diversas mudanças e transformações nos últimos anos, notadamente após o advento da BNCC, a disciplina eletiva de Robótica configura-se como uma importante contribuição para o aprendizado dos alunos em Física, como também para uma maior compreensão e apreensão da realidade social e tecnológica que os cercam.
Abordaremos no presente trabalho as atividades iniciais que desenvolvemos em duas turmas regulares do EM, uma turma do 1° ano e uma do 2° ano, cujos objetivos foram apresentar uma introdução ao estudo da Robótica, através de uma abordagem de ensino didático-pedagógica, e explorar as intersecções e potenciais interdisciplinares que tal disciplina apresenta para com o cinema, filosofia e arte contemplando as dimensões lúdica e criativa que essas áreas oportunizam à reflexão e aprofundamento do conhecimento.
Somado a isso, buscamos empregar em nossas aulas um ensino lastreado na teoria da aprendizagem significativa de David Ausubel, ou seja, significando os novos saberes ensinados aos alunos a partir de conhecimentos prévios (subsunçores) dos alunos (MOREIRA, 2012). Assim, procuramos fazer uma avaliação, igualmente, consonante aos pressupostos teóricos adotados; permitindo aos discentes uma maior autonomia crítica nas atividades discriminadas a seguir e, consequentemente, constituindo-se um ensino-aprendizagem dinâmico.
## 2. DESENVOLVIMENTO
No início da disciplina, ou seja, na parte introdutória, decidimos elaborar uma sequência de ensino em três etapas, que duraram aproximadamente 2 aulas. Sendo que, em cada momento, propusemos e indagamos os alunos acerca do conteúdo em si trabalhado, como também das suas implicações, conexões e desdobramentos com áreas afins como cinema, ficção científica e ética - sempre pontuando o vanguardismo que os conteúdos da Robótica descortinam, por exemplo a transformação estética dos humanóides e como a ascensão da inteligência artificial influencia o mercado de trabalho e nas relações sociais em geral.
Portanto, a partir do que foi exposto, dividimos a mencionada sequência de ensino da seguinte maneira:
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física
- 1 a etapa: Apresentação dos conceitos básicos de Robótica + slide;
- 2 a etapa: Exibição do filme Wall-E e reflexões sobre meio ambiente e tecnologia;
- 3 a etapa: Proposta de atividade para apresentação (idealização de um robô).
## 3. RESULTADOS
Inicialmente, na 1ª etapa, indagamos à turma quais suas concepções, ideias e exemplos do que é um robô e qual a sua importância hoje; concomitantemente, questionamos com os alunos se vivemos rodeados de robôs, ressaltando a relação do celular com a Robótica. Logo em seguida, apresentamos conceitos iniciais da disciplina, como definição de robô, introdução histórico-cultural da Robótica, tipos de robôs, importância e aplicações dos robôs na indústria, sociedade, mercado, medicina, etc. Por fim, dialogamos com a turma sobre a influência retroalimentar e simbiótica da Robótica com o Sci-fi (ficção científica), citando o caso de Isaac Asimov e suas leis da Robótica, fazendo alusão à importância basilar dessas leis para as futuras discussões e legislações atinentes ao código moral e ético que os robôs devem seguir.
<!-- image -->
Figura 01 e 02: aula introdutória sobre Robótica
<!-- image -->
A 2ª etapa consistiu na reprodução do filme Wall-E (2008) e, após isso, reflexões sobre os elementos de Robótica que encontramos no filme, o diálogo da obra com as temáticas de devastação ambiental, mudança climática e meios de preservação ambiental seguros e eficazes. Além disso, apresentamos na sala de aula alguns tópicos interdisciplinares para discutirmos, nomeadamente responsabilidade ético-tecnológica na concepção de robôs, como a 'humanização emocional' dos robôs, ascensão tecnológica como (des)potencializadora da desigualdade social e o possível destino biônico da humanidade, ou seja, a síntese máquina-homem como perpetuadora da vida.
Finalmente, na 3ª etapa, propomos uma atividade para os alunos escreverem e apresentarem em grupos, cuja proposta era a construção de uma ideia de robô sem discorrer do funcionamento e fundações mecânico-tecnicistas -, sob uma perspectiva socialmente abrangente, quer seja, com fins não puramente individuais, mas de maior extensão. Solicitamos, por conseguinte, que considerassem em suas criações os objetivos, preferencialmente com fins sociais, a estética do robô e as aplicações, delimitando-as em suas respectivas áreas (indústria, alimentação, medicina, segurança, esporte, exploração espacial, entretenimento, infraestrutura, entre outras).
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Figura 03 e 04: protótipos desenvolvidos pelos estudantes
<!-- image -->
Ao término, na verdade, durante também, as 3 etapas, podemos inferir e analisar que os alunos tiveram uma participação ativa e dinâmica ante a sequência proposta, denotando um engajamento extravasado por perguntas, comentários, indagações e sugestões - expressamente na 3ª etapa, sugerindo e criticando construtivamente os trabalhos dos colegas. Em conjunção a isso, vários discentes traziam exemplos, referências e perguntas baseadas em sua realidade mais imediata e nos conteúdos que consomem (redes sociais, livros, videogames) para a aula, rendendo ótimos debates e discussões sobre assuntos tratados na disciplina e outros como algumas inovações recentes de IA e humanóides.
## 4. CONCLUSÃO
Tendo em vista o que foi dito, ressalta-se a importância una dos docentes procurarem construir e desenvolver uma primeira abordagem da disciplina de Robótica, interdisciplinar, lúdica, histórico-científica e, sobremaneira, dialógica e discursiva - o que desemboca em uma postura mais proativa dos estudantes, fortalecendo (e reafirmando) seu papel protagonista no ensino-aprendizagem. Deste modo, uma introdução à eletiva supracitada da forma que elaboramos permitirá um percurso didático, um transcorrer didático, mais frutífero e significativo para os alunos e, equivalentemente, para o professor; aproveitando, sobremaneira, o repertório de subsunçores de cada discente, potencializando novos saberes sem uma cisão drástica com tal repertório. Além disso, a teoria de Ausubel possibilitou discussões mais dinâmicas, justamente aproveitando os subsunçores e, a partir deles, o processo de elaboração de novos significados de conceitos e problemáticas da robótica (tipos de robôs, inteligência artificial, tecnologia e sociedade, etc.).
## REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Base Nacional Comum Curricular - Educação Básica. Brasil, 2018.
MOREIRA, Marco Antonio. O que é afinal aprendizagem significativa? Porto Alegre, Ed. da Universidade, 2012.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.