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CABO DE GUERRA ELETROSTÁTICO: UMA ALTERNATIVA LÚDICA AO ENSINO DE FÍSICA

Dyego Vinícius Dos Santos Feijó, José Micael Gonçalves De Arruda, Júlio César Santos Nascimento, Mirleide Dantas Lopes

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
10/11/2023
Linha de pesquisa
Ensino, aprendizagem e avaliação em física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## CABO DE GUERRA ELETROSTÁTICO: UMA ALTERNATIVA LÚDICA AO ENSINO DE FÍSICA

## *Dyego Vinícius dos Santos Feijó 1 , José Micael Gonçalves de Arruda 2 , Júlio César Santos Nascimento 3 , Mirleide Dantas Lopes 4

- 1
- Universidade Federal de Campina Grande/Unidade Acadêmica de Física,

dyegoviniciusking@gmail.com

- ² Universidade Federal de Campina Grande/ Unidade Acadêmica de Física, jose.micael@estudante.ufcg.edu.br

³ ECIT Williams de Sousa Arruda, jcsnascimento01@gmail.com

Palavras-chave : eletrostática; jogos; ensino.

Atualmente, analisando a realidade do ensino de física na sala de aula, pode-se notar que este ensino quando baseado no simples discurso do professor para o aluno não produz resultados satisfatórios quanto ao aprendizado, o entendimento e o interesse pela ciência. Para Ferreira (2021), o professor deve ser o mediador entre o conhecimento e o aluno, e a escola o agente responsável por auxiliar o estudante a conhecer e interpretar o mundo ao seu redor de forma crítica. Quando estes agentes simplesmente seguem modelo tradicional de ensino, não cumprem seu papel adequadamente, fazendo-se necessário recorrer a outras alternativas metodológicas.

Nesse ínterim, o uso de jogos no ensino da física é um importante artifício na dinamização da aprendizagem, e, portanto, um forte instrumento a ser utilizado na sala de aula das mais diversas disciplinas científicas. Em se tratando da física, a abordagem baseada na exposição de conceitos e fórmulas é regra na maioria das práticas de ensino. Tal modus operandi faz com que a imagem que se tenha da física seja a de uma disciplina enfadonha, difícil e inútil. Peres et al. (2019) afirmam que o uso dos jogos no ensino da física são uma alternativa ao ensino tradicional, buscando com isso uma dimensão lúdica da aprendizagem, amenizando assim os problemas acarretados pelo ensino vigente e procurando fazer da sala de aula um ambiente instigante e cativante para o ensino e aprendizagem da física.

Para Ramos e Ferreira (2004) a aprendizagem não pode ser resumida a uma espécie de determinismo no ensino, no qual o ato mecânico de expor o conteúdo e realizar testes avaliativos seja garantia de conhecimento adquirido pelos alunos. Por outro lado, os jogos são fortes aliados do ensino e da aprendizagem, por conceber que o sujeito enquanto aluno não aprende linearmente. As diversas experiências proporcionam o aprendizado por múltiplas vias e de forma mais satisfatória a longo prazo, tendo em vista que a ludicidade proporciona ao aluno uma atividade mais divertida, dinâmica, versátil e interativa; favorecendo de forma satisfatória a aprendizagem dos conceitos ensinados.

Nesta perspectiva, o presente trabalho objetiva descrever como se deu o desenvolvimento de uma atividade que buscou aliar jogos ao ensino de conteúdos da física, como a eletrostática, procurando com isso lograr êxito em uma aprendizagem divertida e de melhor assimilação dos saberes por parte dos

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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física

estudantes. Seguindo essa temática, foi aplicada em uma sala de aula do 3 ⁰ ano do ensino médio na ECITE Williams de Souza Arruda uma atividade que utilizava um jogo chamado de cabo de guerra eletrostático. Nesta atividade trabalhou-se os conceitos de carga elétrica, eletrização de corpos e objetos, força elétrica e campo elétrico. O jogo objetivava mover uma latinha de metal vazia, que seria atraída por balões, eletrizados através do atrito com a pele humana, o cabelo humano ou um papel toalha. A latinha deveria ser movida pelo balão eletrizado, sem que ele a tocasse. Quem primeiro movesse a latinha até uma linha que previamente delimitada, ganharia um ponto na brincadeira.

A turma foi dividida em dois grupos equivalentes, dos quais, 5 candidatos ou candidatas seriam escolhidos para competirem no cabo de guerra eletrostático. Essa abordagem motivou os alunos a participar ativamente e explorar os princípios básicos da física que estavam envolvidos naquela situação. O jogo começou e os alunos atritavam os balões no cabelo, pele ou no papel para que o balão fosse eletrizado e a latinha fosse movida, cumprindo o objetivo de vencer a disputa. Os alunos se mostraram bastante interessados e surpresos à medida que a atividade acontecia e a experiência se realizava.

Completada a realização da atividade, os alunos retornaram a suas carteiras e assim foi dado início a uma discussão reflexiva sobre o que acontecia naquela situação para o balão poder mover a latinha sem tocá-la. Os alunos, resgatando conceitos antes vistos sobre carga e força elétrica, começaram a levantar hipóteses e chegaram à conclusão de que o ato de atritar o balão, fazia com que ele ficasse com uma quantidade maior ou menor de elétrons, e, portanto, eletrizado ou carregado.

Sabendo disso, eles concluíram que o que movia a latinha quando o balão era aproximado era uma força surgida da interação com o balão eletrizado, chamada de força elétrica. Esta força influenciava a latinha neutra a ter suas cargas separadas por meio da eletrização por indução. Por isso, o balão agia e fazia com que a lata se movesse. Ainda nesta discussão, os alunos indagaram sobre a razão de haver um espaço delimitado ao redor do balão, que fazia com que essa interação acontecesse, segundo eles, deveria haver uma região até onde essa influência pudesse chegar. Pensando nessa região do espaço onde ocorrem os fenômenos elétricos, o conceito de campo elétrico foi discutido. Concluiu-se que tanto a força quanto o campo diminuem de intensidade com a distância, sendo necessária para uma forte intensidade de ambos uma distância pequena ou uma quantidade enorme de cargas. Durante este momento reflexivo e de indagação dos fenômenos, os conceitos que, em geral, são apenas descritos em sala de aula, foram vistos na prática e assimilados de uma maneira mais lúdica e divertida.

A utilização de jogos na prática educativa do ensino de Física se mostra como uma alternativa de grande valia na elevação da qualidade do ensino e aprendizagem de ciências e do pensamento científico. Seu uso faz com que alunos observem as aulas de física como um momento lúdico e instigante. Isso faz com que eles se interessem e vejam os fenômenos físicos sob uma ótica diferente, tanto na sala de aula como também na vida cotidiana. É com base em perspectivas como esta que será possível mitigar os problemas apresentados pelo ensino tradicional, buscando promover uma educação formativa e instigante com qualidade e competência. Posteriormente, outras modalidades de jogos podem ser introduzidas para os mais diversos assuntos da física, além da eletrostática, ampliando a

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presença dos jogos no espaço escolar, e diversificando os conteúdos de física da educação básica trabalhados a partir desta proposta.

## Referências

FERREIRA, Adelaide; BERTOTTO, Fernanda. Uso de jogos e materiais manipuláveis no ensino de física . TCC (Graduação em Física), Centro Universitário Internacional Uninter. Curitiba, PR. p. 11. 2021. Disponível em: https://repositorio.uninter.com/handle/1/1183. Acesso em: 13 de Jul 2023.

PERES, Teixeira Sibele; PACHECO, Elizabete Porto; OLIVEIRA, Carlos Eduardo Lorenzo Diaz de; ESLABÃO, William Borges; CARDOSO, Daniel Souza. Jogos Didáticos Voltados ao Ensino de Física: Corrida de Latas Eletrostaticamente Móveis. Revista Sociedade Científica . Pelotas, v.02, n.01, p.48-51, jan.2019. Disponível em:

https://show.scientificsociety.net/2019/07/jogos-didaticos-voltados-para-o-ensino-de-fi sica-corrida-de-latas-eletrostaticamente-moveis/. Acesso em: 13 jul 2023.

RAMOS, Eugenio Maria de Franca; FERREIRA, Norberto Cardoso. Brinquedos e jogos no ensino de Física. In : NARDI, Roberto. Pesquisas no Ensino de Física. 3 ed. São Paulo, 2004, p.137-148.

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