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FLUTUA OU AFUNDA? CIENTISTAS MIRINS NO ENSINO FUNDAMENTAL I

Angelita Vieira De Morais, Márcia Da Costa

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
10/11/2023
Linha de pesquisa
Divulgação científica e práticas educativas em espaços educativos formais, informais e não formais e o ensino de física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## FLUTUA OU AFUNDA? CIENTISTAS MIRINS NO ENSINO FUNDAMENTAL I

## Angelita Vieira de Morais 1 , Márcia da Costa 2

- 1 Universidade Federal do Espírito Santo/Departamento de Química e Física/angelita.morais@ufes.br
- 2 Universidade Federal do Espírito Santo/Departamento de Química e Física/marcia.costa.21@ufes.br

Palavras-chave : Ensino de Física; Ensino Fundamental I; Experimentação.

## Introdução

Este trabalho apresenta um relato de experiência de uma atividade da disciplina 'Instrumentação para o Ensino de Física I' (UFES/Alegre), na qual os cinco licenciandos matriculados na disciplina desenvolveram atividades experimentais, com base nos materiais do programa 'ABC na Educação Científica - Mão na Massa', com uma turma de alunos do terceiro ano do Ensino Fundamental I. Foram escolhidas atividades do módulo 'Flutua ou Afunda' 1 e, além delas, também foram apresentadas mais duas atividades 2 : a torre de líquidos e a lava efervescente.

De acordo com Carvalho (1997), é no ensino fundamental que as crianças terão o primeiro contato com alguns conceitos científicos e essa primeira experiência pode influenciar o engajamento e as aprendizagens futuras em ciências. Quando a ênfase do ensino de ciências está na memorização e em abordagens de conceitos fora do entendimento e da realidade das crianças há possibilidades de que elas desenvolvam uma aversão às ciências. Enquanto, se essas primeiras experiências forem agradáveis e fizerem sentido para elas, há possibilidades de que gostem de ciências e se interessem por atividades de natureza científica.

Dentre as unidades temáticas previstas para o ensino de Ciências, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, está a unidade 'matéria e energia' que tem como objeto de estudo as características dos materiais, suas propriedades e usos, entre outros. Além disso, dentre as competências previstas, podemos citar a exploração de ' fenômenos da vida cotidiana que evidenciem propriedades físicas dos materiais' (BRASIL, 2018, p.341). Alguns desses fenômenos podem ser abordados experimentalmente, pois as práticas experimentais podem se caracterizar como um material potencialmente significativo e com isso despertar o interesse dos alunos.

Por meio das atividades experimentais é possível ampliar a participação dos alunos nas aulas de ciências. O projeto Mão na Massa (CDCC/USP), por exemplo, propõe atividades que levam os alunos a levantar hipóteses, argumentar e registrar os resultados observados. Esse tipo de atividade possibilita uma maior familiarização

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com a ciência e a interação entre os alunos, podendo despertar o interesse deles pela área.

## Caminho percorrido

As atividades foram desenvolvidas com 22 alunos, de uma turma do terceiro ano do Ensino Fundamental I, de uma escola municipal do município de Alegre/ES. As atividades ocorreram em dois dias (16/06/2023 e 03/07/2023), tendo, cada encontro, uma duração de duas horas. Os licenciandos participaram como monitores das atividades, sob orientação das professoras da disciplina 'Instrumentação para o ensino de Física I' e da professora da turma.

No primeiro encontro foram realizadas as seguintes atividades:

- 1. Discussão a respeito da classificação da palavra 'flutuabilidade': a turma estava estudando o conteúdo de classificação das palavras quanto ao número de sílabas. Então, optou-se por apresentar essa nova palavra e fazer uma relação com aquilo que estavam estudando, para, em seguida, começar as discussões relacionadas à atividade que seria realizada.
- 2. Flutua ou afunda: nessa atividade os alunos foram questionados se os objetos apresentados (frutas, pedra, tampinha de garrafa, palito de dente, isopor…) flutuariam ou afundariam ao serem colocados em recipiente com água. Eles observaram, manusearam e em seguida levantaram as suas hipóteses. As respostas foram anotadas no quadro e depois fizeram os testes para comparar as suas hipóteses com os resultados do experimento.
- 3. Influência da forma do objeto sobre a flutuabilidade: os alunos receberam massa de modelar e puderam moldá-la em diferentes formatos para verificar quais deles afundariam e quais flutuariam.
- 4. Influência da massa do objeto na flutuabilidade: os alunos receberam materiais de diferentes massas, que foram colocados dentro de potes com a mesma forma, para realizarem os testes. Assim, eles puderam verificar a influência da massa na flutuabilidade dos objetos, em situações em que o formato foi mantido.
- 5. Influência de diferentes líquidos na flutuabilidade: os alunos puderam verificar o comportamento de um densímetro (feito de canudo e massinha de modelar) em dois líquidos com densidade diferentes, água e álcool.

As atividades 1, 2, 3, 4 e 5 foram realizadas no primeiro encontro. Ao final, foi solicitado aos alunos que registrassem em uma folha, por meio de texto ou desenho, aquilo que aprenderam. Parte desses registros será apresentada no próximo tópico.

No segundo encontro foram realizados mais 3 experimentos: a influência da água na flutuabilidade (empuxo), a torre de líquidos e a lava efervescente. Entretanto, não serão descritos porque os dados que serão apresentados são referentes ao primeiro momento.

## Análise do diário de campo e dos registros dos alunos

Dentre as reações dos alunos pode-se destacar o entusiasmo e a curiosidade perante as atividades que foram realizadas. Notou-se a participação ativa deles no levantamento de hipóteses, bem como na realização dos experimentos. Todos tinham interesse em testar suas hipóteses e estas iam sendo re-elaboradas por eles durante

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as atividades. Como exemplo: alguns alunos questionaram a influência dos corantes, usados para diferenciar água e álcool, na flutuabilidade.

Na atividade 'flutua ou afunda', no momento de comparar as hipóteses com os resultados do experimento, os alunos comemoravam quando a hipótese estava correta e ficavam surpresos quando suas hipóteses eram refutadas.

No decorrer das atividades, alguns alunos, ao realizarem os experimentos, ficavam empolgados e perguntavam se voltaríamos na escola, pois estavam gostando muito das atividades. Um deles disse que queria ser um 'cientista mirim'.

No que tange aos registros feitos pelos alunos, apenas sete deles apresentavam informações claras sobre aquilo que haviam aprendido na forma de texto ou imagem. A maioria dos alunos preferiu fazer um desenho. Poucos fizeram registros textuais.

Na figura 01 estão representados os registros de três alunos. Na imagem da esquerda percebe-se que o aluno compreendeu a influência do formato do objeto na flutuabilidade. Nas imagens seguintes é possível observar uma representação positiva da ciência e da atividade desenvolvida evidenciada pela presença dos corações. Em um dos desenhos a palavra 'ciência' foi escrita dentro de um coração. Na terceira imagem também é observado um melão flutuando e um prego no fundo do recipiente.

Figura 01: Registros de três alunos da turma .

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## Considerações

A partir da reação positiva dos alunos, perante as atividades realizadas, evidencia-se a potencialidade das atividades experimentais investigativas nas séries iniciais. Os registros feitos por eles também trazem indícios de um contato prazeroso com a ciência, bem como a compreensão de alguns fatores que influenciam na flutuabilidade.

Pretende-se, a partir dessa experiência, organizar um projeto de extensão a fim de possibilitar que outras crianças tenham esse contato com a ciência. Espera-se que este trabalho possa inspirar outros professores a realizarem atividades experimentais nas séries iniciais.

## Referências

CARVALHO, Ana Maria P. Ciências no ensino fundamental. Cadernos de Pesquisa, (101), 152-168. 1997. Disponível em:

http://publicacoes.fcc.org.br/ojs/index.php/cp/article/view/757/769. Acesso em 13 de julho de 2023.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.