Dia das crianças com Astronomia
Daisy Andrews Pereira, Ketlyn Teixeira De Oliveira Silva, Alessandro Damásio Trani Gomes
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 10/11/2023
- Linha de pesquisa
- Divulgação científica e práticas educativas em espaços educativos formais, informais e não formais e o ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## DIA DAS CRIANÇAS COM ASTRONOMIA
## Daisy Andrews Pereira 1 , Ketlyn Teixeira de Oliveira Silva 2 , Alessandro Damásio Trani Gomes 3
- 1 Universidade Federal de São João del-Rei/Curso de Física, andrewss.daisy@gmail.com 2 Universidade Federal de São João del-Rei/Curso de Física, kty34@live.com
- 3 Universidade Federal de São João del-Rei/ Departamento de Ciências Naturais, alessandrogomes@ufsj.edu.br
Palavras-chave : Planetário; Divulgação Científica; Extensão.
## Resumo expandido
O presente trabalho tem por objetivo divulgar e analisar os resultados obtidos com a realização do evento 'Astronomia Divertida', uma ação extensionista destinada à divulgação científica em comemoração ao dia das crianças, realizada em outubro de 2022, no planetário da Universidade Federal de São João del-Rei.
Os planetários constituem-se em ambientes imersivos que contam com uma cúpula semiesférica, onde são projetados o céu e os corpos celestes com projetores optomecânicos ou digitais de última geração. O programa de simulação dos movimentos dos corpos celestes permite avançar e retroceder no tempo e mudar o ponto de observação para qualquer corpo do Sistema Solar, o que permite a visualização de fenômenos como eclipses e chuvas de meteoros de vários pontos de vista, facilitando sua compreensão.
Abordar adequadamente assuntos astronômicos com as crianças é muito importante. Hannust e Kikas (2006) afirmam que antes das crianças terem o contato formal com a Astronomia na escola (educação formal), elas aprendem sobre fenômenos físicos (e astronômicos) informalmente, por meio de observações, do convívio com pessoas e contato direto com fenômenos. Como resultado desse contato informal com a Astronomia, as crianças desenvolvem ideias intuitivas e pouco científicas, que podem prejudicar e/ou dificultar a aprendizagem adequada destes fenômenos quando abordados durante a educação formal (KALLERY, 2011).
A Astronomia é uma das áreas que mais chamam a atenção dos jovens quando se trata de ciência, mas, ao mesmo tempo, não deixa de ser um conteúdo complexo para a aprendizagem. Dessa forma, a extensão se torna uma importante ferramenta para a popularização e divulgação desta área da Ciência. As atividades de extensão criam e estimulam a criação de novas formas para promover a educação científica e cultural nas mais variadas áreas do conhecimento, se utilizando de atividades em ambientes não formais de educação, sejam fixos ou itinerantes, os quais possuem características muito diferentes se comparados aos ambientes escolares (ALHO et al., 2021).
Com crianças, os espaços não formais podem ser utilizados para despertar a curiosidade e a imaginação, propiciando que elas apresentem suas experiências cotidianas ao entrar em contato com o conhecimento científico. Ao trabalhar o tema Astronomia nesses espaços, é possível verificar os conhecimentos que as crianças
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já têm sobre o céu e também facilitar a construção de novos conceitos sobre o tema (CARVALHO, ALCANTRA, 2017).
O evento 'Astronomia Divertida' aconteceu no dia 15 de outubro de 2022, um sábado, em comemoração ao dia das crianças. O evento foi divulgado por meio de cartazes e publicações em redes sociais. O público participante de 105 pessoas superou as expectativas, sendo realizadas 4 sessões de cúpula, com a presença de 51 crianças, com idades variando entre 2 e 12 anos, incluindo um grupo de crianças da Casa Lar, abrigo provisório que cuida dos direitos das crianças/adolescentes que se encontram em situação de risco em São João Del-Rei
As sessões realizadas no evento possuíram dois momentos distintos. Num primeiro momento, dentro do planetário, as bolsistas do programa realizavam uma exposição dialogada, contando um pouco da história da Astronomia, mostrando o movimento aparente do Sol, as estrelas e constelações, os planetas do Sistema Solar e a Lua. Nesta etapa, as crianças eram incentivadas a fazer perguntas sobre o que gostariam de aprender sobre os tópicos abordados. À medida em que as perguntas eram feitas, as bolsistas respondiam as perguntas, sempre de forma que as crianças pudessem compreender. Depois, foi exibido o filme Filhos do Sol, que faz uma viagem pelo Sistema Solar e dá um pouco mais de informações sobre cada um dos planetas. Num segundo momento, já fora do planetário, as crianças eram convidadas a fazer desenhos ilustrando o que viram e aprenderam na sessão. Enquanto as crianças produziam os desenhos, as bolsistas fizeram pequenas entrevistas com elas sobre Astronomia e a atividade realizada. As perguntas foram: (i) Você gostou da visita ao Planetário? (ii) O que você mais gostou? (iii) O que você aprendeu hoje? As respostas foram gravadas em áudio.
Todas as 51 crianças que participaram das quatro sessões responderam que gostaram da visita ao planetário. Isso é elemento motivador para que possamos desenvolver novas atividades destinadas a esse público, em especial.
Sobre a segunda pergunta, as crianças responderam que gostaram dos planetas, especialmente o planeta Terra e os planetas anões, das estrelas, do Sol, da Lua, dos satélites naturais dos demais planetas e das constelações.
Quando solicitadas a dizer o que aprenderam, a maioria das crianças responderam sobre os planetas de forma geral; sobre os satélites naturais dos planetas; sobre a existência de planetas anões; que os nomes dos planetas estão relacionados a deuses da mitologia greco-romana; sobre as constelações e seus formatos. As falas abaixo ilustram alguma das respostas das crianças:
- · Aprendi sobre o nome dos planetas e que o Sol é uma estrela.
- · Aprendi que existem planetas com anéis.
- · Aprendi que os nomes dos planetas têm haver com os deuses.
- · Que o Sol é uma bola de fogo.
- · Aprendi que existem planetas anões e os nomes deles.
- · Quase todos os planetas têm pelo menos uma Lua.
Para identificarmos mais indícios de aprendizagem, analisamos os desenhos feitos pelas crianças (Figura 1). Nos desenhos, percebe-se que as crianças se impressionaram com a beleza de nosso planeta visto do espaço, com sua cor predominantemente azul devido aos oceanos (a). Os desenhos, em sua maioria, apresentam detalhes que demonstram que as crianças aprenderam, por exemplo, que cada planeta tem uma cor predominante (b), que o Sol é bem maior que os planetas (d), que esses astros têm o formato esférico etc.
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Destaca-se o desenho de uma criança que representou um planeta azul com seus anéis (c). Pela cor do planeta, possivelmente seria Urano ou Netuno. Normalmente, a imensa maioria das pessoas de qualquer idade tem a crença de que apenas Saturno possui anéis. Durante a sessão de cúpula, é enfatizado que todos os planetas gigantes gasosos do Sistema Solar (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) possuem anéis. Portanto, é significativo o fato de a criança ter desenhado o planeta na cor azul.
(d) Figura 01: Exemplos de desenhos feitos. Mais importante do que buscar identificar as informações que as crianças absorveram da sessão ou eventuais aprendizagens, foi propiciar (c)
a elas um contato de qualidade com o conhecimento científico e, ainda, de forma agradável, imersiva e participativa, despertar nelas a curiosidade por temas científicos e astronômicos.
Os resultados apresentados neste trabalho confirmam o potencial do planetário para o ensino de Astronomia e para a divulgação científica, utilizando-se da imersão, da abordagem lúdica e divertida, reafirmando, também, o papel da extensão universitária no processo de difusão e integração do conhecimento científico junto à comunidade. Para o futuro, há a expectativa de outras edições do mesmo evento, para que mais crianças tenham a oportunidade de se deslumbrarem e se encantarem com a Astronomia e com a Ciência.
## Agradecimento
À UFSJ e à PROEX pela concessão das bolsas de extensão e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) pelo apoio financeiro no desenvolvimento do projeto (APQ-02650-22).
## Referências
ALHO, K. R.; ALBUQUERQUE, L. T.; RIBEIRO, P. Astronomia na escola: Um projeto de extensão em uma escola do interior do Amazonas. Revista Brasileira de Extensão Universitária , v. 12, n. 2, p. 269-285, 2021.
CARVALHO, A.; ALCANTARA, M. C. Desenhos na construção de sentidos no Ensino de Astronomia em Espaços não formais de aprendizagem. Enseñanza de las ciencias , n. Extra, p. 1549-1554, 2017.
HANNUST, T.; KIKAS, E. Children's knowledge of astronomy and its change in the course of learning. Early Childhood Research Quarterly , v. 22, n. 1, p. 89104, 2007.
KALLERY, M. Astronomical concepts and events awareness for young children. International Journal of Science Education , v. 33, n. 3, p. 341-369, 2011.
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