REFLEXÕES SOBRE O ENSINO DE FÍSICA PARA O 9o DO ENSINO FUNDAMENTAL: UM RELATO DE ATIVIDADES REALIZADAS EM UMA DISCIPLINA DA GRADUAÇÃO.
Giulia Garcia Meira Reis Lourenço, Adriana Aparecida Da Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 10/11/2023
- Linha de pesquisa
- Formação, práticas e desenvolvimento profissional docente no ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
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## REFLEXÕES SOBRE O ENSINO DE FÍSICA PARA O 9º DO ENSINO FUNDAMENTAL: UM RELATO DE ATIVIDADES REALIZADAS EM UMA DISCIPLINA DA GRADUAÇÃO.
## Giulia Garcia Meira Reis Lourenço 1 , Adriana Aparecida da Silva 2
- 1 Universidade Federal de Juiz de Fora/Faculdade de Educação, giulia.lourenco@estudante.ufjf.br
Palavras-chave : Unidade teoria-prática; Reflexão crítica; Caso para estudo.
Neste trabalho relatamos as reflexões realizadas no contexto da componente de prática de uma disciplina da Licenciatura em Física da Universidade Federal de Juiz de Fora. Ela foi composta de uma parte teórica na qual textos foram estudados e debatidos em sala de aula e de parte em que, a partir de observações de aulas realizadas em um espaço escolar, ocorreram reflexões sobre aspectos relativos ao Ensino de Física. Assim, a disciplina caracterizou-se pela perspectiva da unidade teoria-prática (BRASIL, 2015) e da reflexão crítica (TARDIF; MOSCOSO, 2018). A reflexão crítica caracteriza-se como aquela na qual o processo reflexivo sobre as práticas escolares se dá pautado em referenciais teóricos estudados; coloca-se assim em divergência ao praticismo em que a prática do professor seria suficiente para a construção do conhecimento profissional docente (PIMENTA; LIMA, 2006). Nesse sentido, as observações na escola estiveram em diálogo constante com a teoria estudada no âmbito acadêmico.
Para tanto, a professora da disciplina da graduação, na componente teórica, promovia semanalmente discussões a respeito de diversos temas os quais balizaram as observações e reflexões sobre o cotidiano escolar. Os textos estudados versaram sobre as condições estruturais da escola, a matematização no Ensino de Física, a formação do professor de Ciências Naturais que atua no 9 o ano do Ensino Fundamental e a importância dos conhecimentos cotidianos dos estudantes. Além deles, em função de diálogos com a professora da Educação Básica, também nos debruçamos na discussão acerca das adversidades das mulheres na ciência.
As aulas foram observadas a cada quinze dias, com a tomada de notas e diálogo com a docente, para posterior escrita de um relato e elaboração de uma Sequência Didática (SD). Ao longo de dois meses, acompanhamos aspectos relacionados ao ensino de conteúdos de Física, se ele ocorria e como.
Caracterizando o espaço escolar, informamos que as aulas consideradas foram as de Ciências do 9º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública estadual, no horário matutino, ministradas por uma docente com formação acadêmica nas áreas de Química e Biologia. A escola fica em um bairro residencial-comercial, recebendo estudantes de diferentes regiões do seu entorno, assim como de diferentes condições socioeconômicas e as turmas tinham em torno de 30 estudantes.
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Em consonância com os aportes teóricos discutidos, destacamos nossa observação da ausência e/ou pouca capacitação da professora para a utilização de subsídios fornecidos pela instituição, como data show , sala de informática e laboratórios. Entendemos que isso impactou negativamente no trabalho docente, reduzindo o leque de metodologias adotadas pela docente (NESI et al. , 2021). Ademais, observamos o trabalho de cunho matematizado dos conteúdos da Física escolar, como por exemplo no uso de fórmulas para introduzir a ideia de densidade sem a devida contextualização do fenômeno físico (VOIGT; CARLAN, 2020). Tal abordagem, pode ter ocorrido em função de, como ocorre com diferentes professores com formação em Ciências Biológicas, não terem uma formação mais ampla no campo da Física gerando limitações de ordem teórico-metodológica (CARVALHO JÚNIOR, 2002).
Notamos pouca articulação dos conhecimentos cotidianos e científicos dos alunos, contribuindo para a existência de uma escola que é conteudista, mas pouco contribui para a formação da sua cidadania (BEZERRA; OLIVEIRA, 2011). Disso decorre o seguinte questionamento: se a maioria dos alunos de escola pública que questionamos não almejam fazer um vestibular ou entrar em uma Universidade Pública, por que os professores continuam perpetuando a ideia do conhecimento científico como o único 'correto' e permanecem oferecendo um ensino focado em vestibulares? Assumimos a defesa de um ensino de ciências da natureza que não se paute apenas pelos exames admissionais às universidades e institutos federais de ensino, mas que contemple as interrelações entre as esferas da Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), compreendendo que os conteúdos escolares da Física devem ser abordados de forma a não buscar
- (…) uma alfabetização em termos de propiciar somente a leitura de informações científicas e tecnológicas, mas a interpretação do seu papel social. Isso implica mudanças não só de conteúdos programáticos como também de processos metodológicos e de avaliação. (SANTOS, 2007, p. 487).
Também problematizamos sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na pós-graduação, que, por abdicarem de passar horas em pesquisa para se concentrarem em suas famílias, acabam tendo suas carreiras interrompidas em alguma medida (SAITOVITCH et al. , 2015).
Como produto do processo de reflexão crítica, a SD elaborada com perspectiva interdisciplinar foi composta por cinco aulas. Os conteúdos tratados foram radiação e radioatividade e o tema 'Radiação: malefícios e benefícios'. Nela, dentre outros aportes metodológicos, adotamos o Caso para Estudo, por meio do qual as visões sobre tecnologia foram abordadas. Entendemos que ele permite que a Física seja vista como uma Ciência não neutra ao tratar casos relevantes para a sociedade brasileira. Ao fazermos a devolutiva da SD à professora da escola pública esperamos contribuir com um material didático-metodológico que avance em aspectos identificados no processo de reflexão, como a necessidade de uma abordagem contextualizada dos conteúdos físicos, por exemplo. Em outra perspectiva, a SD pode colaborar para que os alunos formem suas opiniões críticas a respeito da Ciência, e não simplesmente aceitem o desenvolvimento científico como uma imposição. Dessa forma, estaremos contribuindo para o desenvolvimento crítico dos alunos a respeito da ética científica.
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A partir disso, em síntese, concluímos através das reflexões realizadas que foi visível que fatores sociais, econômicos, psicológicos e familiares interferem no aprendizado dos estudantes, reconhecendo que ensinamos para seres humanos acima de tudo. Assim, vislumbramos a interculturalização como um dos objetivos da escola. Ademais, foi perceptível a importância do autoreconhecimento de uma das autoras como uma profissional em formação que, no futuro, deseja contribuir com a construção da cidadania dos alunos, e não os afastar cada vez mais dos objetos de conhecimento das ciências da natureza.
## Referências
BEZERRA, H. J. S.; OLIVEIRA, A. A. S.. A valorização dos saberes cotidianos em escolas litorâneas do estado de Alagoas. Anais V Colóquio Internacional 'Educação e Contemporaneidade'. São Cristóvão, 2011.
BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP nº 2/2015 , de 1º de julho de 2015. Disponível em http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com\_docman&view=download&alias=17 7 19-res-cne-cp-002-03072015&category\_slug=julho-2015-pdf&Itemid=30192. Acesso em 12 jul. 2023.
CARVALHO JÚNIOR, G. D. As concepções de Ensino de Física e a construção da cidadania. Cad. Cat. Ens. Fís ., v. 19, n. 1: p. 53-66, abr. 2002.
NESI, E. R.; CANOLA, K. M.; MARQUEZIN, V. A. N.; OLIVEIRA, E. C. S.; MARTINES, L.; MAGRON, A. A.; VIEIRA, T. F.; BATISTA, M. C. Perspectivas e desafios atuais no ensino de física. Brazilian Journal of Development . v. 7, n.2, p.17285-17298 feb. 2021.
PIMENTA, S.G.; LIMA, M. S. L. Estágio e docência: diferentes concepções. Revista Poíesis -Volume 3, Números 3 e 4, pp.5-24, 2006.
TARDIF, M.; MOSCOSO, J. N. A noção de 'profissional reflexivo' na educação: atualidade, usos e limites. Tradução Cláudia Schilling. Cadernos de Pesquisa v. 48 n.168 p.388-411 abr./jun. 2018.
SANTOS, W. L. P. dos. Educação científica na perspectiva de letramento como prática social: funções, princípios e desafios. Revista Brasileira de Educação , vol. 12, n. 36, p. 474-550, 2007.
SAITOVITCH, E. B.; LIMA, B. S.; BARBOSA, M. C. Mulheres na Física : análise quantitativa. Google Academy, 2015. Disponível em:
Uma
http://www1.fisica.org.br/gt-genero/images/arquivos/Apresentacoes\_e\_Textos/livro - mulheres.pdf. Acesso em 15 abr. 2023.
VOIGT, P. K.; CARLAN, F. A. A prática pedagógica de professores de Ciências: investigação com o 9 ano do Ensino Fundamental na Cidade de Canguçu-RS. Revista Insignare Scientia , Vol. 3, n. 2. Mai./Ago.2020.
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