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Alunos num observatório astronômico: uma análise quantitativa das visitas escolares

Fernando Roberto Da Costa Linhares, Alan Henrique José Dos Santos, Silvania Sousa Do Nascimento

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
06/06/2011
Linha de pesquisa
Física E Comunicação Em Práticas Educativas Formais, Informais E Não-Formais
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ALUNOS NUM OBSERVATÓRIO ASTRONÔMICO: UMA ANÁLISE QUANTITATIVA DAS VISITAS ESCOLARES

## STUDENTS IN ASTRONOMICAL OBSERVATORY: A QUANTITATIVE ANALYSIS OF EDUCATIONAL VISITS

Fernando Roberto da Costa Linhares 1 , Alan Henrique José dos Santos , 2 Silvania Sousa do Nascimento 3

1 UFMG/FAE, omset@ig.com.br 2 UFMG/FAE, alhjsbh@gmail.com 3 UFMG/FAE, silvania.nascimento@gmail.com

Palavras-chaves: Visitas escolares, Observatório Astronômico, Educação não-formal, Divulgação científica, Ensino de Astronomia.

## Justificativa e Objetivos

O ensino de astronomia tem sido utilizado freqüentemente para provocar interesse nos alunos da educação básica. Isto se deve principalmente pelo fato de a astronomia ter um grande potencial educativo, devido ao seu alto grau interdisciplinar e pela ampla presença que o assunto ocupa na mídia de forma geral. No entanto, ainda é uma disciplina pouco explorada em sala de aula pelos professores, já que estes não possuem formação adequada para isso, conforme constatado por Langhi (2005). Segundo Lattari et al (2005) e Bretones (1999) o aluno traz para a escola inúmeras dúvidas geradas pelo que ele viu ou ouviu através da imprensa, forçando o professor a discutir o assunto para o qual é despreparado.

Nesse sentido, os espaços não-formais de ensino e divulgação da astronomia, como observatórios astronômicos, planetários e museus de astronomia, que geralmente contam com um especialista na área, tornam-se importantes na busca de alternativas que contribuam para sanar algumas deficiências identificadas no processo de ensino-aprendizagem da astronomia (SCHIVANI e ZANETIC, 2008).

Neste contexto, o presente trabalho realiza uma análise quantitativa das visitas escolares ao longo de dois anos, a um destes espaços de ensino e divulgação da astronomia, a fim de determinar o perfil dos visitantes e o que eles sabem e esperam da visita. Esta análise, por ser inédita na área, contribuirá para o campo de ensino em espaços não-formais ao discutir questões relativas às visitas escolares em um destes espaços.

## Marco Teórico

A presente pesquisa se insere dentro dos campos de estudo de espaços não-formais de ensino, no caso particular da astronomia, e a divulgação científica presentes nestes locais. Segundo Marandino (2006), estes temas têm se tornado alvo dos pesquisadores da área, assim como a utilização de referenciais da educação levados para o contexto não-formal, formação de profissionais no campo da educação em museus, e pesquisas de público que visita esses locais, seja na perspectiva de levantar seus interesses, impressões, conhecimentos, seja para avaliar a efetividade das ações do ponto de vista do seu lazer e aprendizagem.

## Metodologia e Análise de pesquisa

O local escolhido para a realização da pesquisa é o Observatório Astronômico Frei Rosário (OAFR), órgão pertencente à Universidade Federal de Minas Gerais, que é um importante local de ensino e divulgação de Astronomia no Estado. As visitas escolares são uma das principais atividades promovidas pelo OAFR.

Foram analisadas 2740 fichas de inscrição, com a finalidade de colher as informações referentes às visitas escolares ao OAFR, relativas aos anos de 1997 e 1998. Estas fichas são preenchidas pelos alunos das escolas que realizam as visitas, e têm o objetivo de levantar informações relativas ao perfil do visitante escolar. A partir da análise destas fichas, foi possível obter informações relativas aos dados do perfil dos alunos visitantes (nome, data de nascimento, escola que estuda, série e nível de ensino, e disciplina que mais gosta de estudar), a relação que os estudantes têm com a astronomia (grau de conhecimento, onde aprendeu o que sabe e assuntos de interesses na área) e a relação deles com a visita ao OAFR (o que o aluno espera da visita e o que gostaria de observar pelo telescópio).

Os dados foram inseridos e analisados através de um software estatístico, o SPSS ( Statistical Package for the Social Sciences ), versão 17.0, que possibilitou a manipulação e o cruzamento dos dados, e a criação de tabelas e gráficos que resumiram os resultados obtidos. Uma planilha foi criada no programa para a inserção dos campos contidos na ficha de inscrição, que é composta por questões objetivas e perguntas discursivas. Os dados foram inseridos na planilha, de acordo com as respostas dos alunos, de forma direta (no caso das perguntas objetivas e quando a resposta do aluno às questões discursivas é objetiva) ou indireta (no caso das perguntas serem subjetivas ou quando a resposta precisava ser deduzida de acordo com o conhecimento dos pesquisadores).

Foram analisadas 2740 fichas relativas aos dois anos de visitas. O OAFR recebeu visitação de 50 escolas diferentes nos anos de 1997 e 1998, todas elas localizadas no estado de Minas Gerais. Quanto a séries e aos níveis de ensino, verificou-se que 46,2% dos alunos pertenciam aos nove primeiros anos do Ensino Fundamental, 38,6% eram do Ensino Médio e 5,8% do Ensino Superior. Não foi verificada nenhuma visita escolar de alunos do nível infantil naquele período. Ao ser perguntado sobre qual disciplina o aluno mais gosta de estudar, verificou-se que as respostas mais freqüentes foram Ciências, Matemática, Física, Química e Geografia. Tais disciplinas são justamente aquelas que têm maior intimidade com a astronomia.

Sobre a relação que os alunos possuem com a astronomia, a maioria deles (53,1%) dizia ter um grau de conhecimento médio em relação à astronomia. A tabela 1 resume os resultados que se referem às respostas mais freqüentes sobre onde aprenderam astronomia e qual o assunto de maior interesse dentro desta vasta área do conhecimento.

Tabela 1 - Freqüência de respostas relativas à relação do aluno com a astronomia

A tabela 2 aponta alguns resultados referentes aos anseios dos estudantes em relação à visita ao Observatório Astronômico Frei Rosário.

Tabela 2 - Freqüência das respostas relativas ao que o aluno espera da visita ao OAFR

## Conclusões

Pôde-se através dos resultados desta análise extrair algumas conclusões a cerca das visitas escolares ao OAFR, como o perfil dos visitantes, o que eles sabem de astronomia e o que eles esperam da visita ao espaço. Um exemplo é a freqüência maior de visitas do ensino fundamental e a ausência de visitas de escolas infantis. Outro resultado que nos chamou atenção é que a maioria dos alunos diz ter aprendido o que sabem de astronomia na escola. Se por um lado este resultado aponta que a astronomia vem sendo ensinada nas escolas, por outro lado indica que é muito provável que ela esteja sendo ensinada de forma errônea ou precária. Interessante notar também que observar pelo telescópio não é o anseio principal dos visitantes. Pode-se inferir com isso que uma parcela dos alunos talvez nem saiba que poderá realizar observações astronômicas no local. O cruzamento de informações também nos permitiu verificar relações entre dois ou mais resultados, como por exemplo, que existe uma relação entre o assunto de maior interesse dos alunos com o que eles gostariam de observar pelo telescópio.

É importante ressaltar que este trabalho faz parte de uma pesquisa de mestrado, e que estão sendo analisadas cerca de 27000 fichas, referentes a mais de dez anos de visitas escolares ao OAFR. Um dos objetivos desta investigação é verificar quais as tendências aparecem no decorrer deste período. Acreditamos que a originalidade deste trabalho e os resultados desta pesquisa sejam de extrema importância para o campo da educação não-formal e da divulgação científica, podendo estes ser estendidos a outros espaços de divulgação de astronomia.

## Referências

BRETONES, P. S. Disciplinas introdutórias de Astronomia nos cursos superiores do Brasil. Dissertação de Mestrado, Instituto de Geociências, UNICAMP, 1999.

LANGHI, R. . Idéias de senso comum em Astronomia. In: Laerte Sadre Jr.; Jane Gregorio-Hetem; Raquel Shida. (Org.). Observatórios Virtuais. São Paulo: Instituto de Astronomia, Geofisica e Ciencias - USP, 2005, p. 1-9.

LATTARI, C. J. B. ; TREVISAN, R. H. ; LIMA, E. J. M. ; PUZZO, D. . Construindo o Conhecimento do Universo a Partir do Indivíduo - Ensino de Astronomia no Ensino Fundamental. In: XVI Simpósio Nacional de Ensino de Física, 2005, Rio de Janeiro.

MARANDINO, M. Perspectivas da pesquisa educacional em museus de ciências. In: SANTOS, Flávia Maria Teixeira dos; GRECA, Ileana Maria (Orgs.). A pesquisa em ensino de ciências no Brasil e suas metodologias. Editora UNIJUÍ, 2006. p.89-122.

SCHIVANI , M ; ZANETIC, J. . O Ensino Não Formal da Astronomia: um estudo preliminar de suas ações e implicações. In: XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 2008, Curitiba - PR. Atas do XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 2008. p. 1-10.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.