ENSINO DE FÍSICA NO NOVO ENSINO MÉDIO EM ANAIS DE EVENTOS DA ÁREA DE PESQUISA EM ENSINO
Paloma Pauli, Luciana Bagolin Zambon
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 09/11/2023
- Linha de pesquisa
- Políticas públicas em educação e o ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ENSINO DE FÍSICA NO NOVO ENSINO MÉDIO EM ANAIS DE EVENTOS DA ÁREA DE PESQUISA EM ENSINO
Paloma Pauli 1 , Luciana Bagolin Zambon 2
- 1
Universidade Federal de Santa Maria/paloma-pauli@hotmail.coml
- 2 Universidade Federal de Santa Maria/ luciana.zambon@ufsm.br
Palavras-chave : Novo Ensino Médio; Ensino de Física; Políticas Públicas
O chamado 'novo Ensino Médio' foi apresentado em 2016 a partir da publicação da Medida Provisória nº 746. Apesar de polêmicas e manifestações contrárias pelo conteúdo e pelo uso questionável do referido mecanismo, as mudanças no Ensino Médio foram aprovadas, com algumas alterações, pela Lei nº 13.415/2017. Pela lei, ficou estabelecido, dentre outros aspectos, que o currículo do ensino médio deve ser organizado a partir de uma formação geral básica, relacionada com as áreas do conhecimento, para a qual se destinam até 1800 horas, e dos denominados itinerários formativos, atividades educativas escolhidas pelos estudantes conforme seu interesse, para aprofundar e ampliar aprendizagens em uma ou mais Áreas de Conhecimento e/ou na Formação Técnica e Profissional, com carga horária total mínima de 1.200 horas.
A implementação do 'novo Ensino Médio' iniciou em 2022, nas turmas de primeira série de todas as escolas brasileiras, públicas e privadas. Diante desse contexto, estamos realizando uma pesquisa mais ampla que busca compreender como a implementação do novo Ensino Médio implica mudanças na cultura disciplinar e condiciona o currículo escolar da física.
Mais especificamente, o presente trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa de revisão de literatura sistemática acerca da temática novo Ensino Médio realizada nos anais de eventos da área de pesquisa em Ensino de Física e Educação em Ciências, com o objetivo de estabelecer um panorama e caracterizar de que forma a temática vem sendo abordada pela comunidade de pesquisadores da área, identificando desafios, possibilidades e influências para a física escolar no Ensino Médio.
A busca de trabalhos foi realizada nos anais das edições de 2017 (ano de aprovação da lei 13.415) a 2022, dos eventos Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC), Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF) e Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF). Foram identificados 9 trabalhos sobre a temática Novo Ensino Médio, sendo 6 trabalhos publicados no ENPEC (3 na edição de 2019 e 3 de 2021) e 3 trabalhos publicados na edição de 2022 do EPEF. Nenhum trabalho foi identificado sobre a temática nos anais do SNEF.
Para análise, foi elaborado um quadro-síntese, contendo informações sobre localização, título, palavras-chave, foco, natureza (pesquisa empírica ou ensaio teórico) e intenções de pesquisa (objetivo e problema de pesquisa). A análise foi realizada seguindo orientações da Teoria Fundamentada (CHARMAZ, 2006),
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conduzindo à construção de categorias analíticas sobre o foco de pesquisa. Destaca-se que dos 9 trabalhos, 5 são pesquisas empíricas com foco em analisar informações coletadas mediante utilização de instrumentos diversos, enquanto 4 destes são ensaios teóricos, nos quais os autores se envolvem em discussões teóricas sustentadas em teses e argumentos.
Partimos do pressuposto de que as políticas são um processo, composto por um conjunto de dimensões, que constituem-se de sistemas complexos de discussões, tomadas de decisão e ação (RODRIGUES, 2010). Assim, assumimos os pressupostos da abordagem do ciclo de políticas de Stephen Ball, o qual permite considerar esse processo cíclico, ou seja, não linear, que envolve a formulação, implementação e avaliação de políticas. Assim, é possível considerar a complexidade envolvida em todas as dimensões, bem como enfatizar o que Mainardes (2006) denomina de processos micropolíticos, incluindo a ação dos profissionais que lidam com as políticas no nível local.
Na proposição, Ball e colaboradores propõe três contextos envolvidos na abordagem do ciclo de políticas: contexto da influência (interesses dos mais diversos envolvidos na concepção da política), contexto da produção de texto (estruturação do texto, oficial ou não, primários e secundários) e contexto da prática (processo de implementação da política, a qual fica suscetível a diferentes interpretações).
Considerando essa abordagem, constatamos que um dos trabalhos selecionados enfoca o contexto de produção de texto, enfatizando a análise sobre as ações realizadas para construir uma retórica favorável à política do novo ensino médio. No trabalho 'O Novo Ensino Médio como ideologia: análise crítica das propagandas do governo federal brasileiro' os autores analisam os contextos, discursos e contradições das propagandas do Governo Federal sobre o Novo Ensino Médio, concluindo que as propagandas governamentais desinformam a população, sendo que a essência desse novo formato de currículo não condiz com o que foi ofertado atualmente.
No trabalho com a temática : 'Reforma do Ensino Médio: uma discussão entre Filosofia, Epistemologia e o Ensino de Ciências' cujo foco da pesquisa foi a importância da disciplina de Filosofia no atual currículo tratam acerca do contexto da influência, tendo em vista que problematiza argumentos para questionar a ausência da disciplina. Entretanto, não é o intuito principal de análise do trabalho realizado.
Os demais trabalhos (7) focalizam o contexto da prática, analisando o perfil desejado de docente da área de ciências da natureza na proposta do novo Ensino Médio, bem como implicações da reforma para as disciplinas dessa área, além do envolvimento dos professores na implementação do novo Ensino Médio.
Os artigos publicados no EPEF publicados no ano de 2022 tratam como temáticas percepção de professores de Física sobre a implementação da Reforma do Ensino Médio em São Paulo e análise da Física nos Itinerários Formativos no estado de São Paulo e na região Sul do Brasil. Nessas análises, é notória a discussão frente a necessidade de ampliação de pesquisas dentro da perspectiva de currículo e como as alterações curriculares acarretaram redução da carga horária da disciplina de Física.
Os artigos publicados no ENPEC 2021 trazem um panorama acerca da área ciências da natureza dentro do novo Ensino Médio, tendo como foco: 'Estabilidade e mudança das disciplinas das Ciências da Natureza em políticas curriculares para o
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Ensino Médio (1996 - 2018)', 'Análise do itinerário formativo 'Ciências da Natureza e suas Tecnologias' no Novo Ensino Médio' e 'O Novo Ensino Médio na perspectiva dos propósitos da Educação CTS'. Em geral, esses trabalhos focalizam competências e habilidades que o estudante desenvolverão durante sua trajetória educacional, concluindo o quanto as disciplinas da área estão perdendo espaço com a reforma, conforme citado: '[...] as disciplinas escolares Biologia, Física e Química podem estar perdendo status e território[..]'(OLIVEIRA.A, SELES.S) .
E, por fim, na pesquisa empírica publicada no ENPEC 2019 trata do perfil docente para as áreas de ciências da Natureza no novo Ensino Médio. É possível identificar uma forte crítica em relação ao que o novo ensino Médio propõem através do notório saber, o autor ainda destaca: 'O perfil docente nos termos da lei é, no mínimo, pífio, especialmente para os docentes de Química, Física e Biologia'. Outro ponto levantado pelos autores é com relação às desigualdades educacionais que irão derivar a partir dessa política no ensino privado e no público: 'Projeto no qual as classes menos favorecidas não têm vez ou voz. Pois, se inicialmente havia alguma dúvida quanto a quem se destinava a reforma, ou a quem ela beneficia, a exposição das redes de sociabilidades contribui para desvelá-los'. (SILVA, C. L. C., CASAGRANDE, O., OLIVEIRA, A. C., & SELLES, S. E. (2019)
Diante dos fatos elencados, considerando as inúmeras manifestações e polêmicas contrárias à Lei 13.415/2017 torna-se fundamental, na área educacional, analisar essa política pública, seus efeitos e implicações. Esse trabalho permitiu estabelecer uma primeira caracterização sobre a forma como a temática está sendo abordada pela comunidade de pesquisadores na área de ensino de física/educação em ciências, quais desafios estão sendo enfrentados pelos docentes e quais influências essa política pública vem promovendo na física escolar no Ensino Médio.
## Referências
CARNIO, M. P., & NEVES, M. C. D. (2019). O Novo Ensino Médio como ideologia: análise crítica das propagandas do governo federal brasileiro. XII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, p. 01-07 junho. 2019.
PANTOJA, A. L. P., & VIEIRA, E. P. P. (2019)Reforma do Ensino Médio: uma discussão entre Filosofia, Epistemologia e o Ensino de Ciências.XII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, p. 01-07 junho. 2019.
SILVA, C. L. C., CASAGRANDE, O., OLIVEIRA, A. C., & SELLES, S. E. (2019).Reforma do Ensino Médio: redes de sociabilidade e produção de nova identidade docente.XII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, p. 01-08 junho. 2019.
OLIVEIRA, A. C., & SELLES, S. E. (2021).Estabilidade e mudança das disciplinas das Ciências da Natureza em políticas curriculares para o Ensino Médio (1996 - 2018).XII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, p. 01-07 setembro/outubro. 2021.
RODRIGUES, Marta Maria Assumpção. Políticas públicas. São Paulo: Publifolha, 2010.
CHARMAZ, Kathy. A Construção da Teoria Fundamentada: guia prático para análise qualitativa. Tradução: Joice Elias Costa. Porto Alegre: Artmed, 2009.
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