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FÍSICA EM CUBINHOS: UMA UTILIZAÇÃO INCLUSIVA DOS QUADRINHOS

Eduardo Oliveira Ribeiro De Souza, Maria Da Conceição De Almeida Barbosa-Lima

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
09/11/2023
Linha de pesquisa
Equidade, inclusão, diversidade, direitos humanos e estudos culturais no ensino de física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## FÍSICA EM CUBINHOS: UMA UTILIZAÇÃO INCLUSIVA DOS QUADRINHOS

## Eduardo Oliveira Ribeiro de Souza 1 , Maria da Conceição de Almeida BarbosaLima 2

1 Faculdade de Educação/UFF, eduardoors@id.uff.br 2 Instituto de Física/UFF, mcablima@uol.com.

Palavras-chave : Ensino de Física; Educação Inclusiva; Quadrinhos

## Resumo expandido

A arte sequencial é uma linguagem que combina dois signos - textual e visual - em prol de um significado. Sousanis (2017) diz que essa união intensifica a transmissão de nossos pensamentos, pois faz nosso cérebro trabalhar com os dois hemisférios: 'enquanto o esquerdo volta-se para dentro, focando-se estritamente em questões imediatas, o direito segue aberto, voltado para o externo, e alerta ao geral' (op. cit., p. 83). O que enriquece a percepção e dá maior profundidade para o significado, tendo cada um seu papel a cumprir com o todo.

O texto e a imagem são as constituintes básicas das artes sequenciais. Combinadas, elas podem assumir diversas formas para representar e expressar várias sensações a partir do sentido da visão. 'Os quadrinhos são uma mídia de fragmentos, um pouco de texto aqui, uma figura recortada ali, mas quando dão certo, seus leitores combinam esses fragmentos conforme leem e experimentam sua história como um todo contínuo' (MCCLOUD, 2008, p. 129). Os balões e as onomatopeias simulam sensações auditivas através dos olhos. Se um quadrinista precisa que o leitor tenha a sensação de cheiro, de que um objeto está quente ou frio, o gosto bom ou ruim de uma comida, ele vai usar recursos gráficos e textuais para isso.

Neste trabalho pretendemos oportunizar que alunos deficientes visuais possam apreciar essa forma de arte e receber os benefícios dessa interação da linguagem dos quadrinhos. Acreditamos que do mesmo modo que a essa linguagem simula as sensações de sentidos como audição ou olfato na visão, que é possível simular essas sensações com o sentido do tato através de texturas e formas. A arte é para todos, como já nos mostrou a exposição alemã 'Sentir contornos', (SENTIR, 2002):

Segundo Michael Kortz, o segredo da arte para os cegos está na matériaprima dos trabalhos. Pessoalmente, ele prefere as obras feitas de metal, pedra e plástico. No entanto, relembra que para a produção de quadros em alto-relevo, a madeira é mais indicada, pois "sempre transmite mais calor".

(...)

Futuramente, os cegos poderão não só se valer do tato para conhecer a arte. Um estudante alemão tem um projeto para criar obras que possam ser percebidas pelo olfato. Se o projeto se concretizar, todos os sentidos humanos serão solicitados frente a uma obra artística. (op. cit.)

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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física

A possibilidade de apreciar a arte através do tato e de outros sentidos nos estimula a pensar e discutir com os elementos da linguagem dos quadrinhos podem ser percebidos além dos olhos. Projetos como Life (Meyer, 2013) corroboram mais ainda com a possibilidade de implementação e desenvolvimento de histórias em quadrinhos no ensino de Física para alunos deficientes visuais.

Por esse motivo, desenvolvemos tirinhas que possam ser lidas através de outros sentidos que não a visão. Foram criados dioramas dos quadrinhos produzidos por SOUZA (2012).

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Figura 1: 'Inversão' da Imagem I

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Com a ressignificação dos elementos da linguagem dos quadrinhos desenvolvemos e produzimos os quadrinhos para os alunos com deficiência visual. Após a construção das tirinhas adaptadas faremos intervenções com o público-alvo para validar se o material é compreensivo para participantes e se ele promove a argumentação na sala de aula e a alfabetização científica dos alunos. Com os resultados apontados pela análise da intervenção ajustaremos as tirinhas adaptadas. Vygotsky (2012) explica: '(...) a cegueira não é apenas a falta da visão (o defeito de um órgão específico), mas que, além disso, provoca uma grande reorganização de todas as forças do organismo e da personalidade.' Essa reorganização está sendo orientada para que possamos relacionar os elementos da linguagem dos quadrinhos com a necessidades e adaptações que esses alunos fazem naturalmente para suprir a ausência da visão.

Com as tirinhas adaptadas esperamos encontrar evidências de que as tirinhas cumprem seu objetivo de promover a discussão entre os alunos e com isso, construir seu conhecimento. Como conclui Hatwell (2003):

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As imagens mentais não visuais dos cegos têm as mesmas propriedades gerais funcionais que as dos videntes. Elas são, entretanto, em parte específicas por causa do peso das percepções auditivas e táteis de que delas derivam e é evidentemente mais importante que para os videntes. (op. cit.)

Através dos diálogos dos alunos sobre as questões e as situações apresentadas nos quadrinhos esperamos encontrar uma qualidade no argumento do aluno e a construção do conhecimento através dessas discussões semelhante, como as devidas limitações e adaptações, aos resultados dos alunos videntes de SOUZA (2012a, b, 2013, 2014).

## Referências

HATWELL, Y. Psychologie Cognitive de la Cécité Précoce, 213p. Dunod: Paris, 2003.

MCCLOUD, S. Desenhando Quadrinhos: Os segredos das narrativas de quadrinhos, mangás e graphic novels. São Paulo: Makron Books, 2008.

MEYER, Philipp. Life: A tactile comic for blind people. 2013. Disponível em: &lt;http://www.hallo.pm/life/&gt;. Acesso em: 15 jan. 2019.

"SENTIR contornos": uma mostra de arte para cegos. 2002. Disponível em: &lt;https://p.dw.com/p/1rv9&gt;. Acesso em: 14 jan. 2019.

SOUSANIS, N. Desaplanar. São Paulo: Veneta, 2017.

SOUZA, E. O. R. Física em Quadrinhos: Uma abordagem de ensino. Trabalho de Conclusão de curso de Licenciatura em Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2012.

SOUZA, E. O. R. Física em Quadrinhos: Uma abordagem de ensino. Dissertação (Mestrado em Ensino em Biociências e Saúde) - Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2014. 153 p.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_; VIANNA, D. M. Usando A Física em Quadrinhos para discutir CTS. Trabalho apresentado ao XX Encontro Nacional de Ensino de Física, São Paulo,

2013.

VYGOTSKI, L. S. Obras Escogidas V Fundamentos de defectologia Madrid: Machado Libros, 2012

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.