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POSSIBILIDADES ENCONTRADAS EM UM MUSEU DE CIÊNCIAS PARA ACESSIBILIDADE DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL

Ana Beatriz Vaz De Azevedo, Ana Luiza Vaz De Azevedo, Eduardo Oliveira Ribeiro De Souza, Maria Da Conceição De Almeida Barbosa-Lima

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
09/11/2023
Linha de pesquisa
Equidade, inclusão, diversidade, direitos humanos e estudos culturais no ensino de física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## POSSIBILIDADES ENCONTRADAS EM UM MUSEU DE CIÊNCIAS PARA ACESSIBILIDADE DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL

Ana Beatriz Vaz de Azevedo 1 , Ana Luiza Vaz de Azevedo 2 , Eduardo Oliveira Ribeiro de Souza 3 , Maria da Conceição de Almeida Barbosa-Lima 4

1 Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz, ana.beatriz.v@hotmail.com

- 2 Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, anavazazevedo@edu.unirio.br
- 3 Universidade Federal Fluminense e Instituto Oswaldo Cruz/FIOCRUZ, eduardoors@id.uff.br
- 4 Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Instituto Oswaldo Cruz/FIOCRUZ, mcablima@uol.com.br

Palavras-chave : museu de ciências; deficiência visual; ensino de ciências.

## Resumo expandido

Este estudo busca apresentar as possibilidades existentes e encontradas para o ensino de pessoas com deficiências visuais em um museu de ciências da cidade de São Paulo considerando as atuais políticas públicas de acessibilidade a partir de uma perspectiva sócio interacionistas. Foi realizada uma visita espontânea com uma pessoa com deficiência visual neste museu para compreender como a instituição estava preparada para receber esse público em uma visita não agendada, com o objetivo de compreender as formas de acessibilidade encontradas.

Entendemos, como MARANDINO (2017), que por vezes a educação formal, não formal e informal se sobrepõem e a delimitação em uma ou outra categoria é limitante e irrelevante na perspectiva que buscamos abordar. O ensino em ambientes diversos às salas de aula tradicionais tem o potencial de criar memórias e momentos de descontração que podem aproximar os estudantes dos saberes científicos. Esses ambientes mais interativos geram nos estudantes uma curiosidade maior e se tornarem agentes mais ativos no processo de aprendizagem.

No que se refere a exposições dos museus de ciências, o processo relaciona-se tanto com a necessidade de tornar as informações apresentadas em textos, objetos e multimídias acessíveis ao público visitante, quanto a proporcionar momentos de prazer e deleite, ludicidade e contemplação. Além disso, a transformação do saber que ocorre no espaço expositivo é também determinada pelas especificidades do museu quanto aos seus aspectos de tempo, espaço e objeto e deve ser vista no contexto dessa cultura institucional particular (MARANDINO, 2005, p. 163)

Os museus de ciências vêm se constituindo como espaços de ensino não formais, de lazer e de apoio ao ensino formal nas últimas décadas. A definição do que são os museus ainda se encontra em aberto nos debates ao redor do globo, mas para este trabalho adotaremos a definição encontrada na Lei n. 11.904/09 que institui o Estatuto de Museus. A partir desta definição sobre o espaço museal podemos inferir que tais espaços devem ser compartilhados por todos independentemente de características particulares como as socioeconômicas. Para direcionar as políticas de acessibilidade aos aparatos de divulgação cientificas foram criados manuais e guias tanto no Brasil quanto no exterior.

Para elaboração deste trabalho foi realizada uma visita ao museu Catavento no mês de setembro de 2022. Este espaço foi criado em 2009 com o objetivo de ser um museu de ciências interativo. Desde sua criação recebe milhares de visitantes

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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física

anualmente. Foi feita, por meio da teoria sociointeracionista de Vigotski, uma análise das exposições disponíveis no museu à época. A perspectiva inclusiva entende que o aprendizado deve ser realizado em ambientes onde se priorize a heterogeneidade dos educandos e suas especificidades de ensino sejam contempladas.

A teoria vigotskiana sobre a formação dos significados e conceitos considera como uma parte primordial desse processo a interação com outros com quem se possa apreendê-los (VIGOTSKI, 2001). A partir desse primeiro contato com os saberes a pessoa estaria dentro da zona de desenvolvimento iminente do qual pode se alcançar a significação interna dos significados.

A interação com diversas metodologias, formas de se aprender, artefatos multissensoriais e experimento interativos mostra-se mais necessária para uma compreensão mais global dos fenômenos e objetos estudados pelas ciências naturais. Nesse contexto os centros e museus de ciências ganham um papel maior de contribuição para os saberes científicos da sociedade em geral. Quando da visita, apenas as exposições Biomas do Brasil, Vida e Engenho estavam abertas ao público. Por este motivo, analisaremos aqui os potenciais interacionistas segundo uma abordagem vigotskiana das três exposições anteriormente citadas.

A exposição 'Biomas do Brasil' foi criada em 2017 e nasce com uma perspectiva inclusivista (ANDRADE, 2020). Ela conta com alguns recursos de acessibilidade como piso tátil, mapa tátil, fontes ampliadas com alto contraste em todos os painéis, uso do sistema Braille de escrita e materiais com texturas diversas para representação de cada bioma e de sua flora característica.

Fica nítida a preocupação com a acessibilidade para locomoção das pessoas com deficiência visual em todo esse espaço. Como a exposição foi criada após a Lei brasileira de Inclusão (Lei1346/2015) era de se supor que o ambiente atenderia as normas vigentes apesar de não ser uma regra geral. Na perspectiva interacionista é possível sentir a carência de interatividade com os aparatos em comparação ao restante do espaço museológico e sua proposta. Nesta exposição, é possível tocá-la e ter acesso às informações que anteriormente estavam inacessíveis, mas carece-se de interatividade com o material por meio de outros sentidos.

A exposição Vida é a que carece de mais recursos acessíveis. Essa exposição baseia-se quase que exclusivamente na via visual de aquisição do conhecimento. Isso obviamente torna quase impossível qualquer tipo de interação de uma pessoa com deficiência visual com o meio. A maior parte dos artefatos museais encontram-se em redomas de vidro que se tornam inacessíveis a pessoas cegas e pouco acessíveis aquelas com baixa visão. A iluminação dos objetos é feita com a luz surgindo de baixo para cima que dificulta ainda mais sua visualização.

Os objetos de museus interativos de ciências geralmente não se constituem de artefatos com importância histórica e geralmente são elaborados e confeccionados para tal fim. Encontramos modelos tridimensionais da fisiologia humana feitos de forma não artesanal que tem o potencial de serem compreendidos também pelo tato apesar de não ser este o objetivo pelo qual foi criado. Em outros museus modelos semelhantes a estes não se encontram longe do alcance da mão dos visitantes e permite que esses tenham a interação tátil.

A exposição 'Engenho' abriga diversos experimentos científicos com ênfase nos conceitos abordados tradicionalmente pela Física. Nela não encontramos nenhum experimento pensado desde o início de sua formulação para ser acessível às pessoas

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com deficiência visual, mesmo assim encontramos alguns recursos em potencial. Para além do desenho universal e de planejar artefatos que sejam projetados já com um designer acessível temos que enxergar as possibilidades nos aparatos já existentes. A LBI traz o conceito das adaptações razoáveis que em certa medida podem ser feitas a qualquer tempo para viabilizar acesso aos materiais.

Essa exposição abriga uma série de experimentos, para exemplificar as potencialidades encontradas analisa-se dois, que em um primeiro momento podem parecer inacessíveis a pessoas com deficiências visuais, mas que com as devidas adaptações podem se tornar importantes para auxiliar na divulgação cientifica. O experimento mesmo tamanho e pesos diferentes e o de polias não são acessíveis, ' ' porém observar-se seus potenciais por abordarem diferentes sentidos. Através da interação o visitante tem suas próprias percepções, diferencia pesos, percebe diferentes barulhos em relação ao movimento e consegue diferenciar os materiais. Adaptações razoáveis como colocar legendas em braille e fontes ampliadas tornariam esses acessíveis e possíveis de serem utilizados com autonomia pelas pessoas. Nesse sentido, através da mediação, do olhar atento as questões envolvendo pessoas com deficiência visual, e da interação com os experimentos que compõem a museografia do espaço, estes podem tornar-se acessíveis.

Para proporcionar acesso as pessoas com deficiências visuais não é necessário apenas transpor aquilo que é visual para o tato, mas a pessoa com deficiência visual tem outras formas de interação com o ambiente. O tato e a visão são sentidos por natureza diferentes, enquanto a visão é sintética o tato é analítico (BALLESTERO, 2006), e por isso um não substitui o outro automaticamente.

É preciso para além de pensar na criação de novas exposições acessíveis entender e diagnosticar as possibilidades acessíveis dos objetos e exposições já existentes. Por meio da inclusão de pessoas com deficiências é possível uma sensibilização maior da equipe quanto as reais necessidades dos públicos diversos assim como proposto por Rocha e Colaboradores (2021). Faz se necessário ir além das acessibilidades arquitetônica, comunicacional e atitudinais. As pessoas com deficiência visual têm que ser parte integrante do processo de acessibilidade dos espaços culturais.

## Referências

ANDRADE, P. S. G. Acessibilidade no Museu Catavento. [s.l: s.n.]. Disponível em: https://museucatavento.org.br/sites/default/files/202109/Artigo%20Acessibilidade%20no%20Museu%20Catavento.pdf>. Acesso em: 15 out. 2022.

BALLESTERO, A. Multissensorialidade no Ensino. Semana de artes visuais do Recife, 10 a 16 de setembro de 2006.

MARANDINO, M. A pesquisa Educacional e a produção de saberes nos museus de ciências. Revista: História, Ciência, Saúde - Manguinhos. Rio de Janeiro. v. 12 (suplemento), p. 161-181. 2005.

MARANDINO, M.. Faz sentido ainda propor a separação entre os termos educação formal, não formal e informal?. CIÊNCIA & EDUCAÇÃO (ONLINE), v. 23, p. 811-816, 2017.

VIGOTSKI, L. S. Construção do Pensamento e da Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

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