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Atividade prática para o ensino de física: um relato de experiência sobre a mostra brasileira de foguetes

João Pedro Lombardi, Heitor Cardoso

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
09/11/2023
Linha de pesquisa
Divulgação científica e práticas educativas em espaços educativos formais, informais e não formais e o ensino de física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ATIVIDADE PRÁTICA PARA O ENSINO DE FÍSICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE A MOSTRA BRASILEIRA DE FOGUETES

## João Pedro Lombardi 1 , Heitor Cardoso 2

1 Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - Campus Bauru, joao.bertonha@unesp.br

2 Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - Campus Bauru, heitor.bergamin@unesp.br

Palavras-chave

: MOBFOG; Atividade Prática; Ensino de Física

## Resumo expandido

As disciplinas que pertencem à área de Ciências da Natureza, muitas das vezes, são questionadas por serem baseadas em metodologias tradicionais de ensino, resultando em uma caracterização da ciência como desmotivadora e extremamente abstrata. Essa percepção se deve, em grande parte, ao fato de tais metodologias possibilitarem a transmissão de conceitos incompletos e desconexos com a realidade que os alunos vivem e percebem fora da sala de aula.

Posto isto, pode-se entender que, para ampliar o interesse e o envolvimento científico, é necessário organizar e estruturar atividades cooperativas baseadas nos pilares da aprendizagem significativa que proporcionam um estímulo contínuo e progressivo. Mas, afinal, o que é essa tal aprendizagem significativa? Segundo Jorge Valadares:

Mais do que o simples resultado de atribuição de um significado a uma informação nova, a aprendizagem significativa é um processo dinâmico em que, através de atividades de ensino bem planeadas, os alunos aprofundam, modificam e ampliam os seus subsunçores (VALADARES, 2011, p. 38).

As atividades práticas, definidas como tarefas educacionais que exigem que o estudante tenha experiências diretas com materiais físicos, fenômenos e/ou dados brutos provenientes do mundo natural ou social, juntamente com os conhecimentos fundamentais e o conteúdo transmitido, contribui para a compreensão e colabora para a promoção de uma aprendizagem significativa (ANDRADE; MASSABNI, 2011).

Diante desse cenário, para atender esses pressupostos, surge o presente trabalho, que consiste em um relato cujo tema foi descrever e expor a participação dos alunos de ensino médio de uma escola pública estadual na Mostra Brasileira de Foguetes (MOBFOG), uma olimpíada inteiramente experimental que traduz-se em construir, por meio de materiais de baixo custo, e lançar, obliquamente, foguetes.

O projeto foi realizado na Escola Estadual Azarias Leite, em Bauru - SP, como parte do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) de Física da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP), campus de Bauru. Sua estrutura foi elaborada para os alunos matriculados em qualquer uma das três

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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física

séries integradoras do ensino médio da escola. Por pertencerem ao ensino médio, os 22 alunos que se inscreveram, participaram do nível 4, cujo propelente dos foguetes é produzido a partir de uma reação química ácido-base entre o bicarbonato de sódio e o vinagre.

As intervenções, planejadas cuidadosamente para que todos os que manifestaram interesse pudessem participar, foram divididas em quatro etapas principais: a primeira consistiu no embasamento teórico e na apresentação de informações gerais; a segunda envolveu a montagem das bases e dos foguetes; a terceira foi dedicada aos lançamentos testes; e, por fim, na quarta, ocorreu o lançamento oficial.

A primeira etapa iniciou-se com uma aula conceitualmente introdutória, direcionada principalmente à explicação física do movimento do foguete, no entanto, além dos conhecimentos científicos aplicados para se obter o melhor desempenho, foram apresentadas as normas gerais da competição, assim como todas as instruções de segurança.

Posteriormente, teve início o processo de desenvolvimento e implementação da primeira atividade prática, que consistia na construção dos foguetes e das bases de lançamento. Nesta fase, as equipes tiveram que combinar criatividade com a aplicação dos conhecimentos adquiridos na etapa anterior, além de realizar um trabalho cooperativo, já que cada equipe era responsável pela construção do seu próprio foguete.

Após a montagem dos foguetes e das bases de lançamento, as equipes estavam propícias a realizar seus respectivos lançamentos teste. Essa etapa é extremamente importante no projeto, pois serve como base para analisar o desempenho do foguete e seu comportamento em uma situação real. Isso inclui a estabilidade durante o voo e outros aspectos relevantes que impactam sua trajetória.

No quarto e último estágio aconteceram os lançamentos oficiais, como podemos observar na Figura 1, que foram realizados na Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP), campus de Bauru. Antes de proceder com os lançamentos, foi realizada uma revisão das normas de segurança adotadas para prevenir acidentes, uma última verificação das partes integrantes do lançamento e, por fim, a execução oficial dos lançamentos.

Figura 1: Lançamento dos foguetes.

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A primeira etapa, destinada ao embasamento teórico, iniciou-se no dia 26 de abril de 2023 e estendeu-se até o dia 11 de maio de 2023, contabilizando um total de três semanas. Ao longo deste período, efetuamos ao todo seis visitas, sendo duas por semana, e durante o desenvolvimento das atividades propostas, percebeu-se uma evolução dos alunos que frequentaram regularmente os encontros e as atividades experimentais.

Dentre todos os grupos registrados que efetuaram o lançamento oficial, apenas um alcançou a meta estabelecida pela organização da competição, habilitando-se para a fase nacional. Essa conquista rendeu-lhes um convite para a etapa presencial da MOBFOG, a Jornada Brasileira de Foguetes, realizada anualmente no Rio de Janeiro. Lamentavelmente, devido a questões financeiras e administrativas, o grupo contemplado não pôde participar presencialmente dessa empolgante competição.

Dessa forma, podemos afirmar que o propósito de fomentar o engajamento científico por meio da Física, e suas interconexões com Astronomia e Matemática, foi alcançado de maneira significativa. Conforme observado, a MOBFOG desempenhou um papel crucial ao facilitar a aprendizagem de diversos conteúdos e temas relacionados à Física pelos estudantes, constatando também que houve aquisição de conhecimentos específicos em outras áreas e/ou seções do saber, evidenciando que as inter-relações previamente estabelecidas foram efetivamente alcançadas.

Diante das breves articulações acima apresentadas, espera-se ter fornecido um panorama geral da atividade e embora seja difícil prever o momento em que essa aprendizagem se consolidará, foi evidente, por meio das manifestações dos alunos ao longo dos dias, que houve uma crescente compreensão dos conceitos relacionados às Leis de Newton e o lançamento oblíquo, conteúdos que integram o movimento físico dos foguetes.

## Referências

ANDRADE, Marcelo Leandro Feitosa de; MASSABNI, Vânia Galindo. O desenvolvimento de atividades práticas na escola: um desafio para os professores de ciências. Ciência &amp; educação, v. 17, n. 04, p. 835-854, 2011.

HORVATH, J. E. Uma proposta para o ensino da astronomia e astrofísica estelares no Ensino Médio . Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 35, n. 4, p. 4501, out. 2013.

VALADARES, Jorge. A teoria da aprendizagem significativa como teoria construtivista . Aprendizagem Significativa em Revista, v. 1, n. 1, p. 36-57, 2011.

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