ASTRONOMIA EM 3, 2, 1: UM PROJETO NA CURRICULARIZAÇÃO DA EXTENSÃO NO CURSO DE FÍSICA DA UFRRJ
Thainá Batista Neves, Rodrigo De Sousa Gonçalves
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 09/11/2023
- Linha de pesquisa
- Divulgação científica e práticas educativas em espaços educativos formais, informais e não formais e o ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ASTRONOMIA EM… 3, 2, 1: UM PROJETO NA CURRICULARIZAÇÃO DA EXTENSÃO NO CURSO DE FÍSICA DA UFRRJ
## Thainá Batista Neves 1 , Rodrigo de Sousa Gonçalves 2
1 Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro/Departamento de Física & PET-FÍSICA, thainaneves@ufrrj.br
Palavras-chave : Extensão Universitária; Astronomia; Produção audiovisual.
## Resumo expandido
Recentemente o curso de Física da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) inseriu o Bacharelado, que só contava com a modalidade Licenciatura. Naturalmente, com a introdução do Bacharelado, houve a criação de um novo Projeto Político Pedagógico do Curso (PPPC), e este precisou conter a extensão na forma de componente curricular.
As diretrizes que regulam as atividades de extensão na Educação Superior Brasileira estão descritas na Resolução nº7 de 18 de dezembro de 2018, por meio dela fica estabelecido que 10% da carga horária dos cursos de graduação devem ser destinadas a atividades de extensão. Segundo a mesma, consideram-se atividades de extensão: programas, projetos, cursos, oficinas, eventos e prestação de serviço (BRASIL, 2018). Para cumprir a carga horária, exigida aos discentes na resolução, o curso deve fornecer atividades de extensão suficientes para os alunos das duas modalidades. Entre as atividades acessíveis podemos citar o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), Monitoria de disciplinas, Projetos de Extensão da Pró-reitoria de Extensão da UFRRJ e o Programa de Educação Tutorial da Física (PET - Física). (DEPARTAMENTO, 2023)
A atividade de extensão deve promover uma interação transformadora, transpondo a interdisciplinaridade, articulado ao ensino e a pesquisa pelo princípio da indissociabilidade (Art. 207 da Constituição Brasileira), e direcionada a uma relação dialógica entre a comunidade acadêmica e a sociedade de modo que promova mudanças tanto na instituição de Ensino Superior quanto na comunidade externa.
De modo a ampliar a oferta de extensão, o Professor Doutor Rodrigo de Sousa Gonçalves propôs o Projeto Astronomia em… 3, 2, 1! . Engrandecendo ainda mais o projeto, o mesmo foi implementado em colaboração com o PET Física da UFRRJ. Com isto o projeto tem como coordenadores, além do professor Rodrigo, os Professores Doutores Marcelo Azevedo Neves (tutor do PET Física) e Francisco Laudares. Ainda, a execução do projeto conta com discentes do departamento de física, sendo alguns ligados, e outros não, ao PET - Física.
A ciência base do projeto é a Astronomia, campo que sempre despertou interesse na humanidade, incitando nossa curiosidade desde os primórdios. Por seu caráter transdisciplinar pode ser uma ferramenta para atrair os estudantes para o
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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física
estudo de outras áreas, entre diversos outros ganhos que o ensino da Astronomia pode oferecer. (BATISTA, 2016)
Grande parte dos formados em Física no Brasil não estão preparados para ministrar conteúdos de Astronomia no Ensino Fundamental e Médio. Slovinscki, Alves-Brito e Massoni mapearam os cursos de Física do Brasil revelando que em 2019, cada curso, formou em média menos de 10 alunos por ano. Ainda, relatou que, em 2020, 38,1% dos cursos de Física do Brasil não ofereciam nenhuma disciplina relacionada à Astronomia, sendo que 36,2% dos cursos ofereciam a disciplina, todavia de forma optativa. (SLOVINSCKI, ALVES-BRITO e MASSONI, 2021).
Tendo em vista o cenário da formação de professores em Física no Brasil, o Projeto visa por meio da extensão conectar o conhecimento científico, sobretudo de Astronomia, à comunidade. É esperado que tal conexão seja feita de maneira atual e que chame atenção do público, pois as produções audiovisuais, sobretudo as que são dispostas em mídias sociais, estão em alta, e podem ser métodos alternativos para a divulgação científica. Vale notar que a produção do material, apesar de inicialmente contar com as ações unilaterais dos estudantes e professores, criando apenas a direção Universidade -> Sociedade, posteriormente irá encerrar o ciclo com a direção Sociedade -> Universidade, haja vista a relação íntima entre o material produzido pelos estudantes e a resposta da sociedade, através dos comentários e sugestões das próprias redes sociais. Em outras palavras, por mais que pensemos em uma produção inicial dos discentes da física da UFRRJ, a partir do momento que os materiais se tornarem públicos eles se tornarão fonte de interação criativa entre a sociedade e a universidade, caracterizando ainda mais fundamentalmente a noção extensionista do projeto (NUNES e SILVA 2001).
O objetivo do projeto é produzir conteúdos audiovisuais de Astronomia com diferentes durações e metodologias. Por exemplo, vídeos de 1 minuto, 10 minutos e 100 minutos, de modo a promover um maior contato com a Astronomia. Respectivamente, os vídeos são referidos como "vídeo curto", "vídeo médio" e "vídeo longo". Cada vídeo carrega não apenas a noção de um tempo diferente, mas também de uma profundidade distinta. Deste modo, o objetivo do 'vídeo curto' é o de apresentar um conteúdo em formato extremamente chamativo -como nos formatos short ou reel -que permite captar a atenção ao falar de tópicos dos conteúdos desenvolvidos. Seu formato é basicamente o de animação. Já no 'vídeo médio' o conteúdo possui maior profundidade, os discentes têm uma participação de maior protagonismo, e seu propósito inclui ser uma componente que relacione o 'vídeo curto' com o 'vídeo longo'. Por fim, o 'vídeo longo' apresenta o conteúdo com a maior profundidade e se assemelha à difusão clássica de conhecimento em uma aula, ministrada por um professor ou professora. Apesar da ordem descrita anteriormente, indicando o aprofundamento em cada tema, a produção dos vídeos ocorreu de maneira inversa, como segue.
Para a realização do objetivo mencionado o trabalho foi dividido em três etapas principais, levantamento dos temas (Etapa 1) , produção e edição de conteúdo (Etapa 2) e publicação e aprendizado (Etapa 3) . A Etapa 1 foi realizada com a enumeração de possíveis temas, seguido de uma discussão para a escolha dos temas que de fato foram trabalhados.
A Etapa 2 foi realizada para cada tema selecionado anteriormente. Tal etapa foi separada em três fases, respectivos ao "vídeo longo", "vídeo médio" e "vídeo
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curto", nesta ordem. Deste modo, em um primeiro momento, os "vídeos longos" foram desenvolvidos pelo professor Rodrigo Gonçalves. Estes foram produzidos através de gravação individual, com narração captada ao vivo, em equipamento próprio. Em si, as gravações foram realizadas diretamente da tela do computador, ou seja, não sendo através de câmera gravando a tela.
Após isso houve o desenvolvimento do 'video médio'. Para seu desenvolvimento os discentes assistiram as aulas gravadas e marcaram o que mais chamou sua atenção, indicando quais temas deveriam estar contidos nos 'vídeos médios'. Em seguida foram definidos os pontos a serem explorados e os discentes realizaram reuniões e procederam com a criação de roteiros.
A seguir, novamente houve reuniões e separações para os 'vídeos curtos'. De modo semelhante ao processo anterior, o material desenvolvido foi analisado, foram indicados que pontos deveriam ser parte dos 'vídeos curtos', bem como nova separação de equipes e produção. Foi necessário reforçar que os vídeos curtos não são exposições completas sobre o tema, mas sim um material com aprofundamento mais superficial, apenas tangenciando alguns pontos considerados pelo grupo mais interessantes. Com isto foram encerradas as produções audiovisuais. É importante mencionar que o papel dos extensionistas é separado por eles mesmos. Ou seja, a separação entre aqueles que se dispõem a gravar os vídeos, roteirizar e editar, fica disposta de maneira orgânica.
Até a feitura do presente resumo, a Etapa 3 ainda estava inconclusiva. Porém, haja visto que o próprio programa PET Física já conta com um canal 1 e anteriores vídeos foram publicados, esta é exequível. Ainda, vale mencionar que o Projeto foi aprovado pelo departamento e, nesta, contava com a participação de 11 discentes integrantes do Projeto, além dos três docentes coordenadores. Por fim, dado o caráter pioneiro do projeto muitos outros projetos são esperados. Este trabaho foi parcialmente financiado por: Programa de Educação Tutorial (5741802), FNDE e SESU/MEC.
## Referências
BATISTA, Michel Corci. Um estudo sobre o ensino de Astronomia na formação inicial de professores dos anos iniciais . Orientador: Profa. Dra. Polonia Altoé Fusinato. 2016. 183 f. Tese (Doutorado em Educação para Ciência e a Matemática) - Centro de Ciências Exatas, da Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2016.
BRASIL, Ministério da Educação. Resolução CNE/CES nº 7, de 18 de dezembro de 2018. Estabelece as Diretrizes para a Extensão na Educação Superior Brasileira e regimenta o disposto na Meta 12.7 da Lei no 13.005/2014, que aprova o Plano Nacional da Educação - PNE 2014 - 2024 e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 19 de dezembro de 2018.
DEPARTAMENTO DE FÍSICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO. Projeto Pedagógico do Curso de Física . Seropédica, 2023.
SLOVINSCKI, Luciano; ALVES-BRITO, Alan; MASSONI, Neusa Teresinha. A Astronomia em currículos da formação inicial de professores de Física: Uma análise diagnóstica. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 43, 2021.
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