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O DESENVOLVIMENTO DE UMA SEQUÊNCIA DIDÁTICA DE ASTRONOMIA PARA O ENSINO MÉDIO: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Artur De Meira Deslandes De Souza, Giovanni Becker, Silmara Alessi Guebur Roehrig, Noemi Sutil, Eduardo Masahiko Higashi

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
09/11/2023
Linha de pesquisa
História, filosofia e sociologia da ciência no ensino de física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O DESENVOLVIMENTO DE UMA SEQUÊNCIA DIDÁTICA DE ASTRONOMIA PARA O ENSINO MÉDIO: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Artur de Meira Deslandes de Souza , Giovanni Becker , Silmara Alessi Guebur 1 2 Roehrig 3 , Noemi Sutil , Eduardo Masahiko Higashi 4 5

- 1 UTFPR - Licenciatura em Física/Residência Pedagógica - artursouza@alunos.utfpr.edu.br
- 2 UTFPR - Licenciatura em Física/Residência Pedagógica - giovanni.1998@alunos.utfpr.edu.br
- 3
- UTFPR - Departamento Acadêmico de Física - roehrig@utfpr.edu.br
- 4 UTFPR - Departamento Acadêmico de Física - noemisutil@utfpr.edu.br
- 5 SEED/PR - Colégio Estadual Santa Cândida - eduhigashi@hotmail.com

Palavras-chave : Astronomia; História da Ciência; Ensino de Física.

O Programa Residência Pedagógica (PRP) é um programa de inserção de alunos dos anos finais da graduação em licenciatura na sala de aula da educação básica, que possibilita aos estudantes o desenvolvimento de regências e intervenções pedagógicas. Este trabalho consiste num relato de experiência de licenciandos de Física participantes do PRP e aborda o desenvolvimento de uma sequência de aulas sobre ensino de astronomia, com elementos de história da ciência, para uma turma de primeiro ano do ensino médio regular de uma escola da rede estadual de ensino localizada em Curitiba/PR.

No estado do Paraná, de acordo com a Resolução Nº 3550/2022 GS/SEED, as escolas estaduais devem usar um sistema eletrônico para o registro online de frequências, conteúdos/planejamentos e avaliações dos estudantes. Junto a esse sistema está o RCO+ Aulas , que é um módulo de planejamento que os professores 1 da rede estadual podem usar para orientar suas aulas. Neles estão presentes planos de aulas, orientações e sugestões de encaminhamentos metodológicos. Para as atividades descritas e analisadas, neste trabalho, foram usadas como base as sequências recomendadas no RCO+, com adaptações para contemplar o calendário escolar e as propostas trazidas pelos residentes.

A astronomia foi escolhida como tema para a proposição da sequência didática pois, como evidenciado na pesquisa de Langhi e Nardi (2014), o ensino de astronomia nas aulas de física vem recebendo cada vez mais atenção de professores e pesquisadores desde o início dos anos 2000. Esta tendência se reflete nos documentos normativos oficiais da educação do país e do estado do Paraná. A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) estabelece uma competência específica para o ensino das ciências da natureza e diversas habilidades que podem ser relacionadas no ensino de astronomia. Consequentemente, o Referencial Curricular para o Ensino Médio do Paraná (PARANÁ, 2021) apresenta unidades temáticas relacionadas à Astronomia, como 'movimento - conservação e variações' e 'cosmologia'.

Tais parâmetros são estabelecidos pelos documentos oficiais com o objetivo de formar cidadãos com uma base científica, para que tenham condições de

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desenvolver o senso crítico, a capacidade de argumentação e a busca por soluções de problemas presentes no meio ambiente e na sociedade (PARANÁ, 2021). Porém, a efetivação destas necessita de uma abordagem de ensino condizente, que priorize tais aspectos. De acordo com Neves (1998, p. 74), 'o que temos visto nas últimas décadas é a ciência sendo apreendida como um dado e não como uma possibilidade de construção e integração com as demais ciências e com as necessidades diárias do cidadão comum'. Desta forma, a proposta dos residentes para a construção da sequência didática envolveu a contextualização com abordagem de História e Filosofia da Ciência (HFC), mostrando a ciência como um processo de evolução contínua, coletiva e mutável, com suas origens no interesse do homem por observar o céu, evidenciando como alguns aspectos culturais influenciaram na evolução das suas ideias principais.

Para a construção da sequência didática foi tomado como base o planejamento presente no RCO+ Aulas e os conteúdos presentes no livro didático 'Física em Contextos: Volume 1' (PIETROCOLA et al., 2016). A sequência teve duração de 8 horas-aula de 50 minutos cada e foi desenvolvida com foco numa metodologia de ensino construtivista, com intencionalidade de colocar os alunos como protagonistas de sua aprendizagem, incentivando-os a participar ativamente das aulas por meio de atividades interativas com uso de recursos digitais. O desenvolvimento das atividades ocorreu em uma turma de primeiro ano do ensino médio, que contava com cerca de 40 alunos matriculados, sendo um deles autista, que tinha uma professora de atendimento especializado para acompanhá-lo durante as aulas.

As primeiras aulas tiveram como objetivo dar uma visão inicial sobre a história da ciência para os alunos. Foi desenhada no quadro uma linha do tempo para os alunos visualizarem, com a sequência de pensadores e cientistas que marcaram a evolução da construção do conhecimento sobre o funcionamento do universo, tais como: Aristóteles, Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Johannes Kepler e Isaac Newton. Buscou-se inicialmente mostrar as ideias da física aristotélica e suas limitações, em seguida abordou-se a mudança do modelo geocêntrico para o heliocêntrico e as contribuições de Galileu e do método científico, já que as ideias de Kepler e de Newton seriam vistas em breve com mais detalhes.

As duas primeiras atividades 2 atribuídas aos alunos foram realizadas visando complementar essas primeiras noções de desenvolvimento da ciência. A primeira delas consistiu numa atividade presente no livro didático, envolvendo a leitura do prefácio do texto De Revolutionibus Orbium Coelestium (PIETROCOLA et al., 2016) escrito pelo teólogo luterano Andreas Osiander sobre a obra de Copérnico. Finalizada a leitura, foi solicitado pelos residentes que fosse respondido um questionário sobre o texto. A outra atividade, que envolveu o uso do software Stellarium, foi realizada com o objetivo de recriar a configuração do céu e fazer observações que remetem às principais descobertas de Galileu com a utilização da luneta. Para isso, os alunos instalaram o aplicativo Stellarium no celular de alguém do grupo, a fim de utilizá-lo para responder cinco questões de um roteiro fornecido a eles em papel. Com o uso do roteiro, os alunos eram orientados a explorar as funções do aplicativo, para que encontrassem formas de responder às questões. Por não ser um roteiro fechado, para ser seguido rigorosamente, considerou-se que esta

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atividade teve um cunho investigativo e permitiu os estudantes chegarem às respostas a partir da curiosidade e da motivação em concluir a proposta.

Em seguida, foram planejadas e desenvolvidas regências sobre as leis de Kepler e lei da Gravitação Universal, com foco maior nos conceitos, usando as equações matemáticas para ajudar na visualização das ideias discutidas juntamente aos desenhos. Não era objetivo principal destas aulas exigir dos alunos a apreensão dos conceitos matemáticos envolvidos, mas entender o que estas expressões significam e como foram importantes para a compreensão dos fenômenos astronômicos.

As últimas aulas da sequência foram realizadas com base no aplicativo do Stellarium, para abordar os movimentos dos corpos celestes no sistema solar, as interações terra-lua e as fases da lua. Foram feitas explicações sobre os movimentos como o de translação e revolução e, por fim, foi proposta uma atividade na qual os alunos deveriam pesquisar datas e locais de eclipses lunares, anotá-los e observá-los através do Stellarium.

Como considerações sobre o desenvolvimento da sequência didática, podese elencar as seguintes: 1) chamou a atenção o desinteresse de alguns alunos nos momentos de uso do Stellarium, esperava-se maior motivação e envolvimento nestas etapas; 2) durante o desenvolvimento das atividades, percebeu-se que alguns demonstraram somente querer concluir o que foi solicitado e entregar a folha para garantir a nota; 3) por outro lado, em alguns momentos houve questionamentos interessantes sobre assuntos de astronomia que não estavam previstos na sequência, com dúvidas sobre cometas e asteroides por exemplo. Nestes momentos os residentes responderam e motivaram os estudantes a fazerem mais perguntas.

Após algumas semanas da finalização da sequência didática, foram retomados alguns assuntos abordados e percebeu-se que a maioria dos estudantes conseguiu fazer associações, o que remete a uma evidência de que aprenderam os conceitos. Foi também questionado sobre o que acharam da proposta e obteve-se como retorno que a abordagem da astronomia e os recursos utilizados foram muito interessantes. De modo geral, pode-se concluir que o desenvolvimento da sequência didática sobre astronomia foi produtiva e trouxe muitas reflexões aos residentes, contribuindo para a formação dos futuros professores de física.

O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.

## Referências

LANGHI, R.; NARDI, R. Justificativas para o ensino de Astronomia: o que dizem os pesquisadores brasileiros?. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , [S. l.] , v. 14, n. 3, p. 041-059, 2015.

NEVES, M. C. D. A história da ciência no ensino de física. Ciência & Educação (Bauru), v. 5, n. 1, p. 73-81, 1998.

PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação. Referencial Curricular para o Ensino Médio do Paraná . Curitiba, PR: SEED/PR, 2021.

PIETROCOLA, M. et al. Física em Contexto 1: Ensino Médio. 1 ed. São Paulo: Editora do Brasil, 2016.

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