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ILHA INTERDISCIPLINAR DE RACIONALIDADE: CONSTRUINDO O CONCEITO DE ENERGIA NUCLEAR ATRAVÉS DA GUERRA ENTRE RÚSSIA E UCRÂNIA

Graziele Aparecida Correa Ribeiro, Thaís Rafaela Hilger, Vitor Luiz Campese Gonçalves De Almeida

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
09/11/2023
Linha de pesquisa
Ciência, tecnologia, sociedade e ambiente no ensino de física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ILHA INTERDISCIPLINAR DE RACIONALIDADE: CONSTRUINDO O CONCEITO DE ENERGIA NUCLEAR ATRAVÉS DA GUERRA ENTRE RÚSSIA E UCRÂNIA

## Graziele Aparecida Correa Ribeiro 1 , Thaís Rafaela Hilger 2 , Vitor Luiz Campese Gonçalves de Almeida 3

1 Centro Universitário Internacional Uninter/Setor de Exatas/ Escola Superior de Educação, graziele.r@uninter.com

, vitorcampese@ufpr.br

Palavras-chave : Ilha Interdisciplinar de Racionalidade; Ensino de Física; Guerra da Ucrânia.

O presente trabalho apresenta o relato de experiência de uma Ilha Interdisciplinar de Racionalidade (IIR), baseada na proposta de Gerald Fourez (1997) e formulada a partir da temática 'Guerra da Ucrânia', o objetivo portanto é apresentar o conteúdo de energia nuclear e radioatividade em uma abordagem questionadora, envolvendo diversas situações e problematização reais do estudante, visando responder o problema de pesquisa: Quais as contribuições das IIR com a temática Guerra da Ucrânia, para a aprendizagem dos conceitos de energia nuclear e radioatividade? O trabalho foi desenvolvido no ano de 2022, seguindo as 8 etapas propostas por Fourez (1997), procurando propor um ensino interdisciplinar, que favoreça a autonomia dos alunos e que conduza à Alfabetização Científica e Tecnológica (ACT).

Segundo Fourez (1997), uma das metodologias baseada na ideia de projeto interdisciplinar, que pode ser usada em sala de aula sendo capaz de favorecer a alfabetização científica e tecnológica é a Ilha Interdisciplinar de Racionalidade (IIR). A IIR 'visa produzir uma representação teórica apropriada em uma situação precisa e em função de um projeto determinado' (Fourez, 1997, p. 121), dando ao indivíduo meios de se comunicar e agir diante de uma situação problema. Siqueira e Gaertner (2015), complementam que as IIR, favorecem a formação de sujeitos críticos e autônomos.

Nesta perspectiva, a IIR foi desenvolvida e aplicada em uma turma de terceiro ano do ensino médio, constituída por 26 estudantes, em uma escola pública do estado do Paraná, nos meses de março a julho de 2022. A temática Guerra da Ucrânia foi escolhida por ser uma situação problema real vivenciada pelo mundo (23/02/2022 em continuidade até o momento), e potencializadora de discussões no que concerne ao contexto de energia nuclear. Para o desenvolvimento da proposta foram utilizadas 20 aulas de 50 min:

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Etapa1: Clichê da Situação Estudada: Nesta primeira etapa foi utilizada uma aula de 50 min, e questionado os estudantes sobre as consequências de uma guerra nuclear para a humanidade se houvesse confronto entre Rússia e Ucrânia. O objetivo desta etapa foi criar uma tempestade de ideias, a fim de que os estudantes expressem seus conhecimentos prévios. De acordo com Fourez (1997), esse processo deve ter questões mais simples e questões mais aprofundadas.Os questionamentos levantados foram: 1- O que é uma guerra nuclear? 2- Quais as consequências para a humanidade? 3- Qual o processo de funcionamento de uma bomba nuclear? 4- Qual a letalidade de uma bomba? Para essa etapa tivemos um total de 104 respostas, que foram suprimidas pela configuração do trabalho apresentado, mas que são consideradas a fim de discutir os resultados deste processo. Após esse momento, todos os questionamentos foram aprofundados com os estudantes.

Etapa 2: Elaborar um Panorama Espontâneo: Esta etapa foi constituída de quatro aulas de 50 min, nas quais foram abordadas a energia nuclear, o processo de decaimento radioativo o processo de decaimento do átomo, acidentes nucleares e Segunda Guerra Mundial, a fim de aprofundar os questionamentos apresentados na aula anterior. Após o aprofundamento teórico, definimos os autores da IIR que são os alunos do terceiro ano do ensino médio, e os especialistas, escolhidos pelos próprios estudantes que foram: um professor de química, um professor de biologia, um professor de história, um oficial do exército e um jornalista. Segundo o estudante A1 : escolhemos um professor de química para auxiliar na discussão da energia nuclear, um professor de biologia para falar do DNA e também das mutações das células expostas à radiação, um professor de história para nos auxiliar na construção de uma linha temporal sobre as armas nucleares e um oficial do exército para falar de como são os protocolos das forças armadas em caso de incidentes com armas nucleares. O estudante ao mencionar essas atribuições dos especialistas, acabou já antecipando a etapa 3 da IIR.

Etapa 3: Consulta aos especialistas e as especialidades: A professora responsável pela implementação da IIR, entrou em contato com os especialistas, os professores da mesma escola onde o projeto foi desenvolvido, e com o exército da mesma cidade, onde teve uma resposta positiva sobre a participação e agendou com o responsável uma entrevista a ser realizada pelos estudantes. Nesta entrevista foram aprofundadas as questões acima e traçado um panorama sobre as consequências da Guerra da Ucrânia para a humanidade. Esta etapa durou três aulas de 50 min para ser consolidada.

Etapa 4: Indo a Prática: Este momento em uma IIR é de extrema importância, pois os estudantes consolidam a teoria de forma prática, e neste caso, os mesmos foram visitar um hospital referência na região, onde fomos recebidos por um físico médico, que explicou as emissões se dão a partir de partículas denominadas Alfa (α) e Beta (β) e de emissões a partir de ondas eletromagnéticas denominadas Gama (γ), e suas interações com a matéria, mostrando aos estudantes o funcionamento de equipamentos e explicando o controle da radiação, mostrando os prós e contras da energia nuclear, durante 180 min.

Etapa 5: Abertura Aprofundada de algumas Caixas Pretas: Momento onde os especialistas voltam a interagir com os estudantes, pois o intuito é esclarecer as consequências de uma guerra nuclear para a humanidade. Neste momento usamos duas aulas de 50 min, e voltamos aos questionamentos da etapa 1 com os especialistas todos presentes, para que todas as dúvidas fossem esclarecidas.

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Etapa 6: Esquematização da Situação Pensada: Momento onde os estudantes elaboraram uma feira do conhecimento para compartilhar com a comunidade escolar os conhecimentos adquiridos no decorrer do desenvolvimento da IIR. Esse momento foi realizado em 3 aulas de 50 min.

Etapa 7: Abertura de caixas pretas sem ajuda de especialistas: Para concretizar essa etapa, foi mostrado aos estudantes recortes do documentário de Chernobyl 1 e do Césio 137 de Goiânia 2 , a fim de despertar nos envolvidos critérios para a tomada de decisões e a observação que os conhecimentos não são prontos e acabados. A ideia foi gerar um debate sobre o assunto, despertando nos alunos o posicionamento crítico em relação ao uso indiscriminado da energia nuclear. Para esse momento utilizamos 2 aulas de 50 min.

Etapa 8: Síntese da IIR: Nesta etapa, é concretizado o objetivo do trabalho, na qual os estudantes utilizam o jornal da escola para colocar as informações sobre a energia nuclear e as influências da radioatividade sobre a humanidade. A atividade foi desenvolvida em 2 aulas de 50 min.

Os resultados nos mostram que os estudantes foram protagonistas do processo de aprendizagem, pois sistematizaram e propuseram ações para resolver o problema. Neste relato o produto final foi a elaboração de um jornal com as informações discutidas durante o processo de construção da IIR. Ainda, pensando na questão do protagonismo, os estudantes escreveram uma carta para a Organização das Nações Unidas (ONU), solicitando paz no mundo e a não existência de guerras nucleares no mundo.

Dentro das salas de aula é fundamental que os professores promovam a ACT de forma promover a cidadania e a criticidade nos alunos. A Guerra da Ucrânia se coloca como uma ferramenta importante para a discussão de questões sobre ciência e tecnologia e isso influencia no processo de construção do conhecimento e do letramento proposto pela ACT. A proposta de IIR possibilita a ligação com a interdisciplinaridade, fazendo com que seja possível realizar a conexão com disciplinas consideradas isoladas, o que nos permite uma profunda reflexão teórica com questões reais do nosso cotidiano e que na maioria das vezes passa despercebida.

## Referências

FOUREZ, G. Alfabetización Científica y Tecnológica: acerca de las finalidades de la enseñanza de las ciencias . Buenos Aires: Ediciones Colihue S.R.L.1997.

SIQUEIRA, J; GAERTNER. Ilhas Interdisciplinares de Racionalidade: conceito de proporcionalidade na compreensão de informações contidas em rótulos alimentícios . Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia, v. 8, n. 2, 2015.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.