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Reflexões sobre a aprendizagem de Física em tempos de pandemia: um estudo de caso no Instituto Federal do Paraná - Campus Paranaguá

Vitor Hugo Alexandrino Fávaro, Delane Nunes França, Caroline Dorada Pereira Portela

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
09/11/2023
Linha de pesquisa
Ensino, aprendizagem e avaliação em física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## Reflexões sobre a aprendizagem de Física em tempos de pandemia: um estudo de caso no Instituto Federal do Paraná - Campus Paranaguá

## Vitor Hugo Alexandrino Fávaro 1 , Delane Nunes França 2 , Caroline Dorada Pereira Portela 3

- 1 Departamento de Física, Universidade Federal do Paraná, vitor.favaro@ufpr.br
- 2 Colégio Estadual Regina de Mello, Paranaguá - PR, delanefnunes@gmail.com
- 3 Instituto Federal do Paraná Campus Paranaguá, caroline.portela@ifpr.edu.br

Palavras-chave : planejamento; avaliação; aprendizagem.

Devido a pandemia do COVID-19, que assolou o mundo em 2020, foram realizadas algumas medidas extraordinárias visando conter o avanço da doença, como a implementação do lockdown , que sujeitou a suspensão das atividades presenciais educacionais. Diante desse estado atípico na educação, visando dar continuidade no ensino, algumas flexibilizações foram adotadas, que resultaram no prosseguimento das aulas em caráter emergencial.

Diferente do ensino à distância, não há um grande planejamento para o ensino remoto emergencial (ERE). E devido a esta opção de ensino ser algo temporário, é necessário um replanejamento a todo momento, e por conta disto, não se tem um aprofundamento em todos os conteúdos abordados, mas sim, um enfoque naqueles que julgamos mais essenciais e indispensáveis para a aprendizagem (GIORNO; ROSA, 2020).

Segundo Zabala (1998), o ponto inicial de qualquer análise da prática, parte da determinação das finalidades ou objetivos da educação, pois é impossível avaliar o que acontece na aula, se não conhecemos a intenção do que ali se faz. Em relação à finalidade da educação, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), temos:

Art. 2º: A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 2002, p.24).

Esses propósitos são imprescindíveis, quando o objetivo é uma análise global do processo educacional durante um ciclo ou etapa. Porém, para Zabala (1998), quando nos situamos no âmbito da aula, é preciso buscar instrumentos mais definidos, propondo os conteúdos de aprendizagem como instrumentos de explicitação das intenções educativas.

Zabala (1998) esclarece que o termo conteúdo deixa de se relacionar unicamente com as disciplinas ministradas e passa a englobar um conjunto de ações educativas, as quais permitirão desenvolver no aluno suas capacidades cognitivas, motoras, afetivas, de relação interpessoal e de inserção social. Assim, um conteúdo de aprendizagem é tudo que se deve aprender para alcançar determinados objetivos, de modo a envolver todos os tipos de capacidades cognitivas (VIANA; MARTINS, 2020).

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Tendo em vista o cenário apresentado, esta pesquisa foi pensada e elaborada como requisito parcial para a disciplina de Estágio Supervisionado III, do curso de licenciatura em Física, do Instituto Federal do Paraná (IFPR) - Campus Paranaguá, e buscou investigar, em tempos de pandemia, como ocorreu o processo de aprendizagem na disciplina de física, sob a perspectiva de estudantes do 1º ano do ensino médio técnico integrado em Mecânica, do 2º ano do ensino médio técnico integrado em Meio Ambiente e em Informática.

Para tanto, analisou-se nos referenciais teóricos quais aspectos devem ser contemplados em um planejamento de aula, a forma que o ERE impactou o processo de ensino-aprendizagem e levantou-se elementos para a construção de um questionário, disponibilizado aos estudantes participantes da pesquisa, com o propósito de entender o que os educandos pensam sobre o ensino remoto e o ensino remoto de física no contexto da pandemia.

- O questionário continha 13 questões objetivas de cunho investigativo e um espaço para comentários que não foram contemplados nas outras perguntas, e obteve 49 respondentes. Vale ressaltar que o questionário foi realizado de forma anônima, garantindo o sigilo das respostas. Para esta pesquisa, foi feito um recorte, no qual foram analisados questionamentos a respeito: das expectativas dos estudantes perante às aulas síncronas de física; da compreensão dos conteúdos de física através do ensino remoto; da capacidade de entregar as atividades propostas na disciplina; e do tempo médio semanal dedicados às atividades assíncronas de física.

Em relação às expectativas dos estudantes nas aulas síncronas de física, aproximadamente 79% deles consideram que os conteúdos são explicados de forma clara. Além disso, mais de 55% não percebem falta de interatividade, comunicação ou uso de recursos de ensino, assim como, que a duração do encontro síncrono não seja satisfatória Por outro lado, 10% dos alunos não tiveram suas expectativas atendidas nessas aulas.

Na questão da compreensão dos conteúdos de física, verificou-se que 20% dos estudantes afirmam compreender completamente o conteúdo, enquanto 16% têm uma compreensão limitada e 2% não compreendem nada. Observou-se que os alunos que consideram que a explicação dos conteúdos não é clara tendem a ter dificuldades de compreensão em relação à disciplina de física.

Quanto à entrega das atividades propostas, 59% dos alunos entregam todas as atividades, enquanto 10% raramente as entregam no prazo e 2% nunca as entregam no tempo determinado. No que diz respeito ao tempo médio semanal dedicado pelos alunos às atividades assíncronas de física, a maioria (53%) utiliza de 1 a 2 horas por semana. Porém, também temos os que utilizam até 1 hora (18%), assim como os que usufruem de 2 a 3 horas (22%) e ainda os que dedicam de 3 a 4 horas (6%). Notou-se que os estudantes que raramente ou nunca entregam as atividades no prazo afirmam utilizar, no máximo, 2 horas semanais para realizá-las.

Apesar de todas as adversidades decorrentes da crise sanitária que afetou o mundo em 2020, o sistema educacional, bem como os professores se reinventaram, apropriando-se de um movimento tecnológico que ainda caminhava a pequenos passos nas escolas brasileiras e o transformaram na sua principal via de transposição de saberes.

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Se o processo de ensino e aprendizagem já era um ato desafiador em tempos não pandêmicos, com certeza isso foi intensificado ao viver-se em um. Não é novidade que o ensino de física nunca foi uma tarefa fácil, seja devido a necessidade do conhecimento das operações matemáticas ou da interpretação dos exercícios, então, como o fazê-lo? Não é o propósito desta pesquisa responder tal questionamento, no entanto cabe a reflexão.

Por meio da análise do questionário elaborado, foi possível investigar o que os alunos respondentes do ensino médio técnico integrado do Instituto Federal do Paraná - Campus Paranaguá pensam sobre o ensino remoto, como desenvolveram as atividades nesse período e também sobre como avaliam seu processo de ensino e aprendizagem de física no contexto da pandemia. Desta forma, percebeu-se que, predominantemente, os estudantes que entregam as suas atividades em dia, bem como os que não entregam, utilizam no máximo, 2 horas semanais para realizá-las.

Então, porque alguns destes discentes entregam, e outros não? A partir do questionário, não é possível concluir a causa deste fato. Entretanto, uma das possíveis justificativas para tal, pode estar relacionada ao tempo disponível do estudante, afinal, possivelmente esta não é a única disciplina que ele cursa no momento.

Embora os desafios persistam, a análise dos dados deste estudo indica que, apesar das dificuldades, a maioria dos estudantes conseguiu se adaptar ao ensino remoto e encontrar maneiras de compreender o conteúdo. Essa jornada, embora árdua, também trouxe à tona a importância de considerar as necessidades individuais dos alunos e aprimorar continuamente os métodos de ensino. O futuro da educação pode ser moldado pela experiência desafiadora de 2020, promovendo inovações no processo de ensino e aprendizagem.

## Referências

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. PCN. Ensino Médio . Brasília: Ministério da Educação; Secretaria de Educação Média e Tecnológica, 2002.

GIORNO, L.; ROSA, B. A percepção de alunos do ensino médio e técnico integrado no uso do ambiente virtual de aprendizagem. In: Congresso internacional de Educação e Tecnologias, encontro de pesquisadores a distância . São Carlos. 2020.

VIANA, G. C. de A; MARTINS, M. I. TIPOLOGIA DE CONTEÚDOS EM LIVROS DIDÁTICOS DE FÍSICA: UM ESTUDO EM COLEÇÕES DO PNLD 2015 E 2018. Revista Contexto & Educação . 2020, vol. 35, n. 111, p. 170-186.

ZABALA, A.. A prática educativa: como ensinar . Porto Alegre: Artmed, 1998.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.