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PESQUISAS SOBRE O ENSINO POR INVESTIGAÇÃO NA EDUCAÇÃO SUPERIOR: UM RECORTE A PARTIR DO EPEF

José Henrique Piãotquewicz, Caroline Dorada Pereira Portela, Ivanilda Higa

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
09/11/2023
Linha de pesquisa
Formação, práticas e desenvolvimento profissional docente no ensino de física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## PESQUISAS SOBRE O ENSINO POR INVESTIGAÇÃO NA EDUCAÇÃO SUPERIOR: UM RECORTE A PARTIR DO EPEF

José Henrique Piãotquewicz 1 , Caroline Dorada Pereira Portela 2 , Ivanilda Higa 3

1 UFPR/PPGE/GEPCED-CN, bolsista PROEX/CAPES, jose.henrique@ufpr.br 2 IFPR/Campus Paranaguá / UFPR/PPGE/GEPCED-CN, caroline.portela@ifpr.edu.br 3 UFPR/DTPEN/PPGE/GEPCED-CN, ivanilda@ufpr.br

Palavras-chave : Ensino de Física; Ensino por Investigação; EPEF.

## Resumo expandido

Ao observar as práticas docentes relacionadas à educação em ciências da natureza, são encontradas diferentes abordagens didáticas, que podem variar desde aulas tradicionais e expositivas, até aulas que apresentam maior possibilidade de participação dos alunos, fomento a discussões e atividades práticas. Dentro deste espectro, encontra-se o Ensino por Investigação (EPI), sendo este uma abordagem didática que potencialmente aproxima o aluno do objeto de estudo, orientada por uma intencionalidade do professor, que assume o papel de incentivar a prática do aluno no decorrer da construção do seu conhecimento a partir do levantamento de um problema por parte do educador (SASSERON, 2015; CARVALHO, 2013).

O EPI, mais especificamente no âmbito do estudo das ciências da natureza, historicamente, tem como um de seus pontos de inflexão as propostas e pensamentos de John Dewey que datam do início do século XX, com princípios de que, no seu modelo, os alunos estariam ativamente envolvidos e ao professor é atribuída uma nova função: a de facilitador. Além disso, o método teria como objetivo fundante o desenvolvimento de um pensamento reflexivo nos alunos (BARROW, 2006). A concepção de Dewey muito se relaciona com a ideia de ciência coerente com a época em questão, e que hoje é vista como "tradicional", com uma forma procedimental e linear de construção do conhecimento: formulação de um problema, levantamento de hipóteses, coleta de dados e elaboração de uma conclusão. Sob a ótica atual, isso pode ser visto como um aspecto reducionista de o que é ciência e de como ela pode ser ensinada, de forma que a investigação limita-se a uma sequência de tarefas realizadas de forma mecânica (BEVINS; PRICE, 2016).

A abordagem didática sofreu alterações nos anos posteriores, que se deram, em partes, pelo contexto sociocultural das décadas de 50 e 60 do século XX, onde se desejava que os alunos pensassem tal qual cientistas, culminando na elaboração de propostas curriculares como o Physics Science Curriculum Study (PSSC) (BARROW, 2006). No Brasil, a abordagem foi estudada de modo que algumas das definições atuais contemplam de forma mais detalhada o papel do professor e o ambiente da sala de aula, o que resulta em atitudes diferentes por parte dos alunos. O EPI, como entende-se hoje, é visto sob uma ótica na qual o educador garante aos alunos um espaço seguro, pautado na valorização do erro, e aos alunos é garantido maior grau de liberdade intelectual (CARVALHO, 2018).

Além de estudos de cunho teórico-metodológico, as possibilidades de aplicação e de pesquisa do EPI emergem como potencial campo de aprofundamento. Sob essa perspectiva, propõe-se então uma análise dos trabalhos

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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física

apresentados nas últimas cinco edições do Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF), compreendidas no período entre 2014 e 2022, com o objetivo de apresentar um panorama das pesquisas nacionais sobre EPI na área de Pesquisa em Ensino de Física, em especial na Educação Superior (ES). O recorte temporal foi estabelecido com a intenção de corresponder a uma perspectiva inicial a respeito do objeto de estudo, de modo que, após elaborado um panorama inicial e verificada a pertinência da proposta, possamos ampliar o intervalo de tempo pesquisado, bem como expandir para outros eventos científicos e periódicos da área de pesquisa em Ensino de Física.

Desta forma, a busca por trabalhos que se encaixam nesta proposta de análise iniciou por uma seleção nas edições do EPEF supracitadas, utilizando-se os seguintes termos de busca: investigação, ensino por investigação, investigativo, ensino investigativo e atividade investigativa. Nas cinco edições pesquisadas, foram encontrados 34 trabalhos, os quais foram categorizados de acordo com o nível de escolarização abordado, conforme o Quadro 1.

Quadro 01: Distribuição dos trabalhos de acordo com nível de escolarização.

Fonte: Os autores (2023)

Identificou-se uma prevalência de trabalhos com foco de estudo na Educação Básica, particularmente no Ensino Médio (EM) e quantidades iguais de trabalhos centrados no Ensino Fundamental (EF) e ES, sendo este último o ponto de interesse para o desenvolvimento do presente trabalho. Uma vez feito este recorte, foram selecionados os 7 trabalhos do ES e procedeu-se para uma leitura dos trabalhos na íntegra, buscando similaridades entre si e aspectos para identificar de que forma o EPI era encontrado, resultando em uma categorização em relação à sua natureza: se consiste em uma proposta de Sequência de Ensino Investigativo (SEI) ou atividade investigativa (AI), se é uma análise de uma SEI ou AI ou se é referente a concepções e práticas dos licenciandos. Os resultados podem ser observados no Quadro 02.

Quadro 02: Categorização dos trabalhos de ES conforme sua natureza.

Fonte: Os autores (2023)

Ainda, procuramos analisar as 7 produções com foco no ES, em busca apenas daqueles realizados com sujeitos de cursos de Licenciatura em Física. Apenas 3 entraram nesta análise, sendo dois trabalhos durante o Estágio Curricular Supervisionado (ECS) e um no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). Destes, um apresenta a análise da prática pedagógica de uma estagiária no desenvolvimento de uma SEI durante o ECS. Os outros dois trabalhos realizam pesquisas com licenciandos sobre suas percepções a respeito do EPI. Percebe-se, assim, que nenhum trabalho na licenciatura foi desenvolvido almejando a aprendizagem do conhecimento físico pelos licenciandos, a partir do EPI.

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Com base no levantamento realizado é possível perceber uma presença pouco expressiva de trabalhos sobre o EPI desenvolvido no ES quando comparado à quantidade de produções sobre a etapa do EM, sendo apenas três desenvolvidos na Licenciatura. Observa-se, então, que nas investigações sobre o EPI na formação inicial de professores que se enquadram no escopo designado para este trabalho, estudam-se as concepções dos licenciandos sobre o EPI ou analisam-se as práticas pedagógicas dos licenciandos em uma SEI, porém não se estudam ou se desenvolvem SEI almejando que os licenciandos aprendam Física através do EPI. Ou seja, fala-se e estuda-se sobre a importância do EPI na aprendizagem de Física na Educação Básica, mas os licenciandos não vivenciam, eles próprios, uma aprendizagem de Física através de um EPI.

Uma vez que a formação de professores é apresentada como perspectiva de pesquisa futura, conhecer o estado das produções em um dos maiores eventos de pesquisa em Ensino de Física no país fornece informações valiosas no que diz respeito à forma como a abordagem didática é vista por professores universitários e licenciandos. O contato prático e o estudo teórico-metodológico do EPI enquanto abordagem de ensino durante os anos de formação inicial possibilitaria ao professor, após formado, vislumbrar a sua implementação ao longo dos seus anos futuros de docência a partir desta perspectiva.

Como perspectivas de investigações futuras e aprofundamentos, indica-se a busca em demais eventos de Ensino e de Pesquisa em Ensino de Física e demais Ciências da Natureza, além de periódicos e outras formas de publicação, de forma a ampliar o corpus de pesquisa.

- O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior -Brasil (CAPES) -Código de Financiamento 001.

## Referências

BARROW, L. H. A brief history of inquiry: from Dewey to standards. Journal of Science Teacher Education , v. 17, n. 3, p. 265-278, 2006.

BEVINS, S.; PRICE, G. Reconceptualising inquiry in science education. International Journal of Science Education , v. 38, n. 1, p. 17-29, 2016.

CARVALHO, A. M. P. de. Fundamentos Teóricos e Metodológicos do Ensino por Investigação. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , [S. l.] , v. 18, n. 3, p. 765-794, 2018.

CARVALHO, A. M. P. de. O ensino de Ciências e a proposição de sequências de ensino investigativas. In : CARVALHO, A. M. P. de et al . Ensino de ciências por investigação: Condições para implementação em sala de aula . 1. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2013. cap. 1, p. 1-20.

SASSERON, L. H. Alfabetização científica, ensino por investigação e argumentação: relações entre ciências da natureza e escola. ENSAIO: Pesquisa em Educação em Ciências (Belo Horizonte) , Belo Horizonte, v. 17, n. especial, p. 49-67, 2015.

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