O ENSINO DE ÓPTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS DO PARANÁ: UM ESTUDO DO CURRÍCULO DE FORMAÇÃO GERAL BÁSICA
Josiane Carvalho Da Silva, Alisson Antonio Martins
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 09/11/2023
- Linha de pesquisa
- Currículo e ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## O ENSINO DE ÓPTICA EM ESCOLAS PÚBLICAS DO PARANÁ: UM ESTUDO DO CURRÍCULO DE FORMAÇÃO GERAL BÁSICA
## Josiane Carvalho da Silva 1 , Alisson Antonio Martins 2
1
UTFPR/PPGFCET/GEPEF jsilva@alunos.utfpr.edu.br
2 UTFPR/DAFIS/PPGFCET/GEPEF; UFPR/PPGE/NPPD, amartins@utfpr.edu.br
Palavras-chave : ensino de óptica; análise curricular; BNCC.
Este trabalho tem como objetivo apresentar as mudanças que ocorreram no currículo da educação básica paranaense, tendo como foco as áreas da Física que são tradicionalmente ensinadas nas escolas públicas do estado, tendo especial atenção a Óptica. Para isto foram consultados os documentos orientadores e normativos para a Educação Básica. Por fim, são apresentadas algumas alternativas a serem discutidas visando obter um ensino adequado ao proposto pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
A BNCC é um documento de caráter normativo que estabelece os conhecimentos, competências e habilidades que todos os estudantes devem desenvolver ao longo da Educação Básica no Brasil. Com a sua implementação por meio do Novo Ensino Médio (NEM), o currículo escolar passou por atualizações significativas, visando a uma formação mais completa e alinhada às demandas contemporâneas.
Nesta investigação não se compreende o currículo como uma lista padronizada de conteúdos, mas, como algo mais amplo que envolve todas as atividades escolares. Segundo Lopes e Macedo (2011), a definição de currículo é complexa e tem sido objeto de debate por décadas, sendo o currículo entendido, em geral, como a organização de experiências/situações de aprendizagem realizadas por docentes/redes de ensino de forma a levar a cabo um processo educativo. Nele estão delineados os objetivos educacionais, conteúdos programáticos e métodos de ensino de uma instituição de ensino. Ele representa a estrutura fundamental que orienta o processo educacional, delineando as matérias a serem abordadas, as habilidades a serem desenvolvidas e os métodos pedagógicos a serem empregados. Além disso, o currículo reflete as metas mais amplas da educação, moldando a formação dos estudantes e influenciando seu desenvolvimento cognitivo, social e emocional.
No estado do Paraná, em função do Novo Ensino Médio, para além das disciplinas obrigatórias, que compõem a Formação Geral Básica (FGB), os estudantes têm uma maior flexibilidade para escolher outras disciplinas a serem cursadas, que compõem os Itinerários Formativos (IF) e, caso a escola oferte, também podem cursar disciplinas eletivas, de forma que atendam às suas aptidões e interesses, como aprofundamento em áreas específicas, formação técnica e profissionalizante, além do desenvolvimento de competências socioemocionais. De acordo com os documentos oficiais, essa mudança busca promover um ensino mais contextualizado, que valorize a interdisciplinaridade, o protagonismo do aluno e a preparação para os desafios do século XXI, proporcionando uma educação mais inclusiva e voltada para o desenvolvimento integral dos estudantes.
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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física
Na prática os IF ofertados em escolas públicas do Paraná, para os estudantes do ensino regular, são divididos em dois eixos: (I) Linguagens e Suas Tecnologias e Ciências Humanas, Sociais e Aplicadas e (II) Matemática e Ciências da Natureza. Os IF são compostos por Trilhas de Aprendizagem, que são 'unidades temáticas, que integradas, visam o aprofundamento de saberes por meio da problematização, da investigação científica e da intervenção social' (PARANÁ, 2023, p. 609).
As Trilhas de Aprendizagem do IF I, ofertadas para a segunda série do NEM, são: Liderança e Ética, Práticas Esportivas, Mídias Digitais e Processos Criativos, Oratória e Comunicação I. As Trilhas de Aprendizagem do IF II, ofertadas para a segunda série do NEM, são: Empreendedorismo, Robótica I, Biotecnologia, Programação I. Destas, a que é prioritariamente ministrada por um docente de Física é Robótica I, que abrange conteúdos de Eletrodinâmica, Eletromagnetismo e Programação com foco no uso do Arduíno.
Em relação a FGB, os conteúdos que eram tradicionalmente trabalhados ao longo da Educação Básica foram reorganizados, redistribuídos ou retirados do currículo quando o mesmo foi reformulado com base na BNCC. Dentre os conteúdos de Física da FGB temos: na primeira série do NEM os conteúdos de Astronomia, Mecânica Clássica e Termologia e, na terceira série, os conteúdos de Ondulatória, Eletricidade, Magnetismo e Física Moderna. Na segunda série, os alunos não têm aulas de Física na FGB. Em resumo, além de redistribuição dos conteúdos tradicionais dos três anos do Ensino Médio em duas séries no NEM também tivemos a adição de Astronomia e a retirada de Óptica.
Com o objetivo de verificar em qual etapa do ensino foram alocados os conteúdos de Óptica e como eles aparecem, foram estudados os documentos norteadores da Educação Básica paranaense, nos quais localizamos os conteúdos de Óptica a serem trabalhados na disciplina de Ciências no sexto ano do Ensino Fundamental (EF), sendo o objeto de conhecimento 'Visão e audição' com os seguintes objetivos: 'Explicar a importância da visão (captação e interpretação das imagens) na interação do organismo com o meio e, com base no funcionamento do olho humano' (PARANÁ, 2021, p. 17).
Além deste, no nono ano do EF são trabalhados os conteúdos de 'Radiações e suas aplicações na saúde', em que o conteúdo sobre luz possui o objetivo de aprendizagem 'planejar e executar experimentos que evidenciem que todas as cores de luz podem ser formadas pela composição das três cores primárias da luz e que a cor de um objeto está relacionada também à cor da luz que o ilumina' (PARANÁ, 2021, p. 35).
Além destas duas situações, não são localizados outros tópicos de Óptica ao longo do currículo da Educação Básica, seja na etapa do Ensino Fundamental ou do Ensino Médio. Em relação ao Ensino Médio, dentro do conteúdo de Ondulatória, na terceira série do NEM, o professor pode trabalhar os conceitos de ondas eletromagnéticas e abrir espaço para discutir os conceitos de Óptica, como os fenômenos ondulatórios, lentes e instrumentos ópticos, porém, esta é uma remota possibilidade, visto que as aulas de Física na FGB são com carga horária de 100 minutos semanais e a lista de conteúdos a serem trabalhados é extensa. Portanto, fica a cargo do professor de Ciências das séries finais do EF o trabalho deste ramo da Física.
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Para auxiliar o docente de Ciências, visto que no Paraná o responsável pela disciplina é o licenciado em Ciências Biológicas e sua formação possui pouco foco nos conteúdos de Física, sendo, na maioria das vezes, restritos aos tópicos de Mecânica Clássica (SILVA; MARTINS, 2021), é necessário o fornecimento de materiais de apoio como livros didáticos e cursos de formação continuada, visando capacitá-los para trabalhar com conteúdos para os quais não foram formados durante a graduação, pois, como dito anteriormente, os conceitos de Óptica podem vir a serem vistos pelo aluno apenas no EF.
Além destas possibilidades, também há a necessidade de se discutir a divisão da disciplina de Ciências ser ministrada por outros docentes que não apenas o licenciado em Ciências Biológicas, abrindo espaço para que os especialistas de cada área - licenciados em Química e em Física - também possam atuar nas séries finais do EF, a reformulação do currículo das séries finais do EF para agregar os conteúdos de Óptica que não são vistos no NEM uma vez que eles possuem relevante aplicação em nossa vida, além de estarem presentes na maioria dos processos seletivos para ingresso no Ensino Superior.
## Referências
BRASIL. Lei nº 12796, de 4 de abril de 2013 . Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para dispor sobre a formação dos profissionais da educação e dar outras providências. Brasília, 4 abr. 2013.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular . Brasília, 2018.
BRASIL. PARECER CNE/CES 1.301/2001 . Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Ciências Biológicas. Brasília, 6 nov. 2001.
BRASIL. RESOLUÇÃO CNE/CES 7, DE 11 DE MARÇO DE 2002 . Estabelece as Diretrizes Curriculares para os cursos de Ciências Biológicas. Brasília, 11 mar. 2002.
FLICK, Uwe. Métodos de Pesquisa - introdução à pesquisa qualitativa. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.
LOPES, Alice Ribeiro Casimiro; MACEDO, Elizabeth. Teorias de currículo . São Paulo: Cortez, 2011.
PARANÁ. SECRATARIA DA EDUCAÇÃO DO GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ. 2021. Currículo da Rede Estadual Paranaense (CREP) : Ciências, [ S. l. ], 2021.
PARANÁ. SECRATARIA DA EDUCAÇÃO DO GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ. 2023. CADERNO DE ITINERÁRIOS FORMATIVOS : EMENTA DAS UNIDADES CURRICULARES OFERTADAS, [S. l.], 2023.
SILVA, Josiane Carvalho da; MARTINS, Alisson Antonio. A FORMAÇÃO INICIAL DO DOCENTE QUE ENSINA FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL: UMA ANÁLISE DOS CURSOS DE LICENCIATURA. XXIV Simpósio Nacional de Ensino de Física , online, 2021.
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