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EM BUSCA DE AÇÕES TRANSFORMADORAS NA FORMAÇÃO DOCENTE: RELATO DE EXPERIÊNCIA NO PIBID EM FÍSICA

Ivanilda Higa, Debora Larissa Brum, Karine Karsten, Jeimeson Roberto França, Paulo Henrique Taborda, Raquel Maistrovicz Tomé Gonçalves

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
09/11/2023
Linha de pesquisa
Currículo e ensino de física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## EM BUSCA DE AÇÕES TRANSFORMADORAS NA FORMAÇÃO DOCENTE: RELATO DE EXPERIÊNCIA NO PIBID EM FÍSICA

Ivanilda Higa 1 , Jeimeson Roberto França 2 , Paulo Henrique Taborda 3 , Raquel Maistrovicz Tomé Gonçalves 4 , Karine Karsten 5 , Debora Larissa Brum 6

- 1 Universidade Federal do Paraná/DTPEN/PPGE/GEPCED-CN, ivanilda@ufpr.br
- 2 Colégio Estadual Pedro Macedo, jeimeson.franca@escola.pr.gov.br
- 3 Colégio Estadual João Bettega, paulinhotaborda@gmail.com
- 4 Colégio Estadual Jayme Canet, raquelmtome@gmail.com
- 5 Escola Municipal Castro Alves e UFPR/PPGE/GEPCED-CN, karstenkarine@ufpr.br
- 6 Universidade Federal do Paraná/PPGE/GECPCED-CN, dlarissa.br@gmail.com

Palavras-chave : PIBID; Formação inicial de professores; Ensino de Física.

- O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) tem como finalidade 'fomentar a iniciação à docência, contribuindo para o aperfeiçoamento da formação de docentes em nível superior e para a melhoria da qualidade da educação básica pública' (Capes, 2013). Pesquisas indicam que o PIBID tem contribuído para a formação inicial de professores(as), para formação dos(as) professores(as) supervisores(as) e na aprendizagem dos(as) estudantes das escolas conveniadas (Cordeiro, 2017). Defendendo a importância de que as contribuições do PIBID à formação docente sejam em perspectivas críticas (Diniz Pereira, 2014), neste trabalho temos como objetivo relatar e refletir sobre ações que se intencionam ter vieses críticos e transformadores, que vêm sendo desenvolvidas no âmbito do PIBID - Física da Universidade Federal do Paraná.
- O projeto é desenvolvido colaborativamente entre supervisores de três escolas (que chamaremos respectivamente de A, B e C a fim de preservar a identidade dos locais), licenciandos, uma coordenadora e duas colaboradoras doutorandas. Há alguns princípios e atividades que são comuns a toda a equipe, ao mesmo tempo que se incentivam ações considerando a especificidade de cada contexto escolar.

Como atividades em comum, inicialmente foram realizados diagnósticos com o intuito de coletar informações para direcionar as ações para o ensino de Física a partir da realidade escolar. Iniciou-se com um diagnóstico sobre os espaços escolares, subsidiado pela leitura de artigos científicos (Azevedo e Rheingantz, 2000; Beltrame e Moura, 2009), com o intuito de fundamentar teoricamente as ações a serem desenvolvidas. os(as) bolsistas responderam um questionário sobre os textos lidos e criaram vídeos curtos apresentando e analisando, a partir das leituras indicadas, o espaço escolar no qual estão atuando. Também foram realizados diagnósticos sobre os sujeitos escolares, subsidiados pelo texto de Milani (2021) e Melo (2012). Foram elaborados e aplicados questionários e entrevistas com o intuito de conhecer os sujeitos das escolas nas quais eles estavam atuando. As ações a serem desenvolvidas em cada escola parceira foram então planejadas, considerando as especificidades identificadas em cada contexto.

No Colégio A, os diagnósticos iniciais indicaram entre alguns estudantes atitudes de preconceitos e discriminação de gênero. Diante desta constatação

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pensou-se coletivamente em ações que poderiam ser desenvolvidas com potencial de incentivar os(as) estudantes a se interessar por ciência e, ao mesmo tempo, perceber que o desenvolvimento da ciência deve ser para todos, independente de gênero, raça, credo ou condição socioeconômica. No caso específico, devido ao diagnóstico inicial, deu-se ênfase à representatividade feminina na ciência. O trabalho sobre as diversidades na ciência começou com uma pesquisa e, por iniciativa de uma das bolsistas, ocorreu o contato com o projeto de extensão Mulheres e Meninas nas Ciências (MMC) da Universidade Federal do Paraná. Esse grupo realizou uma oficina, nas aulas de Física, sobre as mulheres ganhadoras do Prêmio Nobel, a fim de mostrar para os(as) estudantes a contribuição das mulheres nas Ciências e problematizar questões de gênero. Pretende-se ainda elaborar junto aos estudantes de toda escola uma pesquisa sobre mulheres, comunidade LGBTQIA+ e a comunidade negra e seus trabalhos na ciência. O resultado da pesquisa será exibido na forma de cartazes para as turmas de 1º ano, e no formato de páginas na internet para as turmas de 2º ano. Outra atividade em andamento nessa escola é a proposta de duas oficinas de experimentos de Física. Na primeira, os(as) bolsistas do PIBID selecionaram e elaboraram cinco experimentos para realizar uma Feira de Ciências, com apresentações de experimentos pelos(as) bolsistas do PIBID aos estudantes. Na segunda etapa, os(as) bolsistas vão atuar como orientadores dos estudantes da escola, para que, desta vez, os próprios estudantes produzam e apresentem experimentos para o restante da escola.

Já no Colégio B, durante a etapa de diagnóstico sobre os espaços escolares, os(as) bolsistas perceberam que a matriz curricular do colégio dispõe de uma carga horária destinada a práticas experimentais em laboratório. Apesar disso, a escola não tem um profissional com habilitação em Física para esse espaço, dificultando a prática de experimentos nesta disciplina. Na tentativa de sanar esse problema, os(as) bolsistas, com o auxílio do supervisor, estão desenvolvendo materiais didáticos de apoio: uma apostila de experimentos para apoio ao professor e outra consumível para os estudantes. A apostila contará com seis experimentos de cada ano/série, desde o sexto ano do Ensino Fundamental 2 até o terceiro ano do Ensino Médio. Os experimentos consideram o nível de maturidade e conhecimento dos estudantes e envolvem uma ou mais habilidades previstas na BNCC para a respectiva série. Paralelamente, os(as) bolsistas assistem às aulas do supervisor, auxiliam os estudantes com exercícios e projetam intervenções nas aulas com determinadas turmas.

Finalmente, no Colégio C, após a etapa de diagnóstico dos sujeitos da escola, os(as) bolsistas observaram que poderiam colaborar para elementos da dimensão cognitiva dos estudantes (Milani, 2021). Isso a partir do planejamento de uma intervenção com foco em atividades experimentais, com temas indicados pelos sujeitos escolares, relacionados à mecânica, eletromagnetismo e física moderna, propiciando a alfabetização científica a partir da interação entre alunos e o conteúdo de Física, na prática. Para o próximo semestre, a intervenção será organizada em forma de uma Mostra Interativa de Física, com duração de uma semana e dividida em três momentos pedagógicos. No primeiro momento, será desenvolvido um caderno de atividades, no formato e-book , com apoio teórico e uma proposta de avaliação para professores e estudantes. No segundo momento, terá a demonstração de experimentos por Rotações de Estações de Aprendizagem com sete experimentos que serão trazidos para a escola por meio da parceria com o projeto de extensão da Universidade Federal do Paraná, o FIBRA (Física Brincando e Aprendendo), e um experimento elaborado pelo grupo, que aborda os conceitos da

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interferência entre massa e espaço. Para o terceiro momento, pensou-se em uma gincana interativa, em que os estudantes farão dentre outros experimentos a montagem de uma ponte romana.

Em todas as escolas, para organizar e sistematizar as atividades dos(as) bolsistas, é feito um acompanhamento por um diário remoto das atividades, apresentações periódicas coletivas das atividades em desenvolvimento nas escolas. Tal organização objetiva o compartilhamento, orientação e colaboração para as nas ações desenvolvidas, mantendo o princípio da produção colaborativa na equipe.

Indícios de que a formação e desenvolvimento do grupo podem estar se dando em perspectivas críticas são as ações em desenvolvimento nas escolas e os objetivos do grupo de bolsistas em sua totalidade. Os(as) bolsistas se preocupam em propiciar uma formação cidadã, através do letramento científico, aos estudantes, a partir da criação de momentos em que os estudantes podem associar conceitos científicos a elementos lúdicos, como filmes, jogos, feiras, gincanas, discussões de gênero, entre outros. Os diagnósticos iniciais, realizados fundamentadamente teoricamente, se mostraram uma importante estratégia no direcionamento das ações de forma contextualizada e respeitando cada contexto escolar, uma importante (mas, não suficiente) característica de ações formativas críticas. Espera-se, com a continuidade do trabalho, aprofundar as reflexões dentro desta perspectiva.

## Referências

AZEVEDO, G. A. N.; RHEINGANTZ, P. A.; BASTOS, L. E. G. - 2004. O espaço da escola como o "Lugar" do Conhecimento: Um estudo de avaliação de desempenho com abordagem interacionista. Anais do NUTAU'2004. São Paulo: FAUUSP, 2000. CD-ROM. Disponível em: https://encurtador.com.br/ekJLN. Acesso em: 15 Jul. 2023.

BELTRAME, M. B.; MOURA, G. R. S. Edificações escolares: infra-estrutura necessária ao processo de ensino e aprendizagem escolar. Revista Travessias , vol. 3, n.2. 2009. Disponível em: https://encurtador.com.br/gvCGN. Acesso em: 15 Jul. 2023.

CAPES. Pibid - Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência . 2013. Disponível em: https://encurtador.com.br/ctuMZ. Acesso em: 15 jul. 2023.

CORDEIRO, D. G. Revisão de literatura sobre os trabalhos do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) Física presentes em eventos nacionais . 2017. 122. TCC (Graduação) - Graduação em Física, Centro de Ciências Físicas e Matemáticas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. 2017. Disponível em: https://encurtador.com.br/qyzGP. Acesso em: 10 Jul. 2023.

DINIZ-PEREIRA, J. E. Da racionalidade técnica à racionalidade crítica: formação docente e transformação social. Perspectivas em Diálogo: Revista de Educação e Sociedade, v. 1, n. 1, p. 34-42, 12 jun. 2014.

MELO, L. C. M.; Souza, Gilmara Silva ; DAYRELL, Juarez . Escola e Juventude: uma relação possível? Revista Paidéia XXI, v. 12, p. 161-186, 2012. Disponível em: http://revista.fumec.br/index.php/paideia/article/view/1584. Acesso em: 15 jul. 2023.

MILANI, I. G. Dimensões constituintes dos alunos: elementos para uma formação de professores de Física à luz dos modelos críticos. Dissertação (mestrado em Educação) - UFPR, Curitiba, 2021.

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