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Divulgação científica e ensino de física por meio da abordagem CTS numa escola pública do Paraná

Gustavo Brizola Da Silva, Bruno Vinícius Negrelo Gonçalves, João Otávio Pauluk Trindade, Marcelo Chuvai Tercero, Débora Larissa Brum, Jeimeson Roberto França

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
09/11/2023
Linha de pesquisa
Ciência, tecnologia, sociedade e ambiente no ensino de física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E ENSINO DE FÍSICA POR MEIO DA ABORDAGEM CTS NUMA ESCOLA PÚBLICA DO PARANÁ

Gustavo Brizola da Silva 1 , Bruno Vinícius Negrelo Gonçalves 2 , João Otávio Pauluk Trindade 3 , *Marcelo Chuvai Tercero 4 , Jeimeson Roberto França 5 , Débora Larissa Brum 6

1 Universidade Federal do Paraná, gustavo.brizola@ufpr.br

2 Universidade Federal do Paraná, bruno.negrelo@ufpr.br

- 3 Universidade Federal do Paraná, joao.trindade@ufpr.br

4 Universidade Federal do Paraná, marcelochuvai@ufpr.br

5 Colégio Estadual Pedro Macedo (Curitiba/PR), jeimeson.franca@escola.pr.gov.br

6 Universidade Federal do Paraná, dlarissa.br@gmail.com

Palavras-chave : Feira de ciências; Ensino de Física; abordagem CTS.

## Resumo expandido

Neste trabalho temos como objetivo relatar aspectos de uma Feira de Ciências que está sendo desenvolvida no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) subprojeto Física em um colégio estadual da cidade de Curitiba. A motivação para a realização do trabalho se deu a partir de um diagnóstico inicial sobre os sujeitos escolares realizado por meio de questionários e entrevistas, onde observou-se que os estudantes possuem dificuldade em relacionar os conceitos trabalhados em sala de aula com situações do cotidiano. Diante disso, buscamos, com princípios da abordagem Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), contribuir para a superação do quadro constatado e promover a alfabetização científica e tecnológica dos estudantes, auxiliando-os no processo de construção do conhecimento científico, bem como de habilidades e valores para a tomada de decisões responsáveis diante de questões envolvendo a ciência e tecnologia, tal como defendido por Santos (2007) com base em autores da Educação CTS no ensino de Ciências.

A Feira tem o intuito de aproximar os estudantes de conceitos que foram ou ainda serão trabalhados no Ensino Médio. Entende-se que ela permite que os estudantes tenham contato com diferentes experimentos pertencentes aos campos de Mecânica e Eletromagnetismo. Os experimentos estão sendo organizados de modo que proporcionem aos estudantes uma experiência de aprendizado que integre o que foi trabalhado em sala de aula com situações do cotidiano dos estudantes.

A proposta é que a prática seja desenvolvida em duas etapas. Na primeira será feita uma apresentação dos experimentos pelos bolsistas do PIBID nas turmas matutinas de primeiro a quarto ano, compostas por alunos do novo ensino médio e do ensino técnico. Na segunda, haverá a apresentação de outros experimentos, desta vez pelos próprios estudantes da Educação Básica, aos seus pares; sendo a escolha e a exibição das práticas ali desenvolvidas, conduzidas pelos integrantes do projeto.

Para a primeira etapa, selecionou-se os seguintes experimentos: i. cabo de guerra eletrostático, ii. transmissor de rádio, iii. balança hidrostática, iv. guindaste hidráulico e v. hóquei de mesa, que já pertencia ao laboratório. A escola na qual o projeto ocorre tem boa estrutura, o que inclui um laboratório de física; entretanto, os

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bolsistas optaram por confeccionar quatro dos cinco experimentos, a fim de mostrar aos alunos a possibilidade deles mesmos construírem com materiais de fácil acesso. Ademais, os experimentos selecionados possuem especial importância para as turmas que participarão, e que pertencem ao Novo Ensino Médio, itinerário de Ciências da Natureza e itinerário profissionalizante de Desenvolvimento de Sistemas, uma vez que todas têm em suas matrizes curriculares a ênfase tecnológica e científica.

Através do desenvolvimento dos experimentos, busca-se instigar o desenvolvimento de percepções e questionamentos sobre as relações intrincadas entre ciência, tecnologia e sociedade, como categorizado por Strieder e Kawamura (2017), através dos parâmetros constituintes de racionalidade científica, desenvolvimento tecnológico e propósitos sociais. Cada parâmetro é composto por níveis de abordagens, da mais simples à mais complexa, partindo de noções prévias e/ou superficiais, até atingir discussões profundas sobre insuficiências na ciência, adequação social da tecnologia e a dimensão política relacionada às duas temáticas. Por meio da Feira de Ciências, almejamos alcançar o nível de complexidade relacionado a discussões sobre produtos do desenvolvimento científico, propósitos guiadores do avanço tecnológico e a análise da dinâmica de poder envolvida no acesso e detenção de ciência e tecnologia nas classes sociais.

No cabo de guerra eletrostático espera-se que os alunos compreendam os conceitos físicos de cargas elétricas e os meios de eletrização; e ao mesmo tempo que compreendam partes da história que culminaram em seu desenvolvimento, perpassando desde Tales de Mileto à Thomas Edison. Para desenvolver esse raciocínio, pretendemos problematizar como seria o mundo sem a energia elétrica e os equipamentos que dependem dela. Além disso, abordaremos os conhecimentos necessários para desempenhar a função de eletricista e compartilharemos algumas visões sobre essa profissão. Percebemos que há preconceitos derivados do modo platônico do pensamento que se desenvolveu no mundo ocidental, onde o intelectual é tomado como superior ao manual. Sendo o trabalho do eletricista mais visivelmente manual, percebemos a possibilidade de discutir a percepção deste trabalho e de expandi-la para outros ofícios. Objetivamos também apresentar conceitos de empuxo e pressão ao explorar os experimentos balança hidrostática e guindaste hidráulico. Neles buscamos trazer à luz as mesmas problemáticas supramencionadas, mas, desta vez, contextualizadas respectivamente no trabalho de encanadores e aplicações na sociedade do panorama histórico da construção civil. Dessa forma, buscamos pensar as inovações científicas dentro da abordagem CTS e relacionar o papel do avanço científico nas transformações sociais.

Através do transmissor de rádio, busca-se recriar o histórico do experimento de Hertz, embasado nos trabalhos de Maxwell e Faraday, que confirmou a existência de ondas eletromagnéticas. Procura-se, portanto, associar os propósitos e parâmetros da abordagem CTS ao que tange a descoberta das ondas eletromagnéticas, o desenvolvimento das telecomunicações e suas consequentes influências na globalização, na política e na transmissão de informações na sociedade atual.

Por fim, no experimento hóquei de mesa procura-se trabalhar sobre o conceito de força de atrito. Utilizamos uma mesa de ar para envolver os estudantes na atividade, de forma que eles possam interagir ao competir entre si em uma partida. O equipamento é composto por um compressor de ar junto à mesa, além do disco e dois empurradores. Objetiva-se mostrar aos alunos a diferença entre o movimento do disco

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em uma superfície com atrito e depois (com o compressor de ar ativado) em uma superfície com pouco atrito. Em seguida, abordaremos sobre a aquaplanagem em dias de chuva e o que deve ser feito neste tipo de situação. Também, pretende-se comentar sobre as viagens espaciais, que ocorrem no vácuo e, portanto, na ausência de atrito e a partir deste ponto discutir como eles pensam que isso poderá afetar o futuro da sociedade. Assim, os questionamentos feitos aos estudantes serão com base nos parâmetros CTS e nos revelarão se os mesmos conseguem perceber os conceitos de Mecânica em situações cotidianas e suas perspectivas sobre avanço científico levando em conta a intencionalidade e seu papel social.

Na feira, pretendemos dialogar ao máximo com os alunos, fazendo perguntas como: 'vocês já se sentiram mais leves na piscina?', 'sabem a relação entre celulares, rádios e o roteadores de wi-fi ?', assim como questionar se já presenciaram situações semelhantes àquelas propostas e discutidas. Tudo isso com o objetivo de criar um ambiente onde possam se sentir à vontade para levantarem questões sobre o funcionamento dos equipamentos e dos fenômenos ocorrentes.

- A partir disso, buscaremos identificar a evolução conceitual dos estudantes após a demonstração experimental, em relação à uma primeira coleta de dados. Portanto, iremos observar o interesse dos alunos no funcionamento dos experimentos e, principalmente, se haverá avanço na percepção da influência dos fenômenos físicos nos âmbitos tecnológicos e científicos e as reverberações destes na sociedade em que vivem. Iremos registrar os comentários a respeito da dinâmica para sistematizar um feedback sobre a mesma e aprimorá-la para reproduções futuras.
- A Feira se configura como instrumento valioso para melhorar a concepção dos estudantes sobre a disciplina de Física, ao mesmo tempo que para os bolsistas, torna um ambiente desafiador para aprimorar habilidades pertinentes ao trabalho docente, como a didática para as apresentações orais e a transposição didática dos conceitos para um público mais jovem. Pensamos esta atividade como oportunidade para fomentar diferentes ideias e compartilhar conceitos de uma forma lúdica para estudantes do Ensino Médio.

Além disso, esta é apenas uma de muitas atividades que temos realizado nesta escola. A Feira se desenvolve concomitantemente a um outro projeto de divulgação científica das contribuições de grupos minoritários à ciência e todos eles são iniciativas que partem das demandas da escola.

## Referências

SANTOS, W. L. P. dos. Educação científica na perspectiva de letramento como prática social: funções, princípios e desafios. Revista Brasileira de Educação , Rio de Janeiro, v. 12, n. 36, p. 474-550 dez. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci\_arttext&pid=S141324782007000300007&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 18 fev. 2023. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-24782007000300007.

STRIEDER, R. B.; KAWAMURA, M. R. D.; Educação CTS: parâmetros e propósitos brasileiros. Alexandria: Revista de Educação em Ciência e Tecnologia. UFSC, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, v. 10, n. 1, p. 27-56, mai. 2017. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/alexandria/article/view/19825153.2017v10n1p27>. Acesso em: 4 jul. 2023. https://doi.org/10.5007/19825153.2017v10n1p27.

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