A PRESENÇA DE LUDWIK FLECK EM PERIÓDICOS INTERNACIONAIS
Gustavo K. Da Silva Guilherme, André Ferrer P. Martins
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 09/11/2023
- Linha de pesquisa
- História, filosofia e sociologia da ciência no ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A PRESENÇA DE LUDWIK FLECK EM PERIÓDICOS INTERNACIONAIS
## Gustavo K. da Silva Guilherme 1 , André Ferrer P. Martins 2
- 1 Universidade Federal do Rio Grande do Norte/Departamento de Física Teórica e Experimental, gustavo.guilherme.098@ufrn.edu.br
Palavras-chave : Ludwik Fleck; epistemologia; revisão da literatura.
O objetivo desse trabalho é apresentar os resultados parciais de uma revisão da literatura, realizada em periódicos internacionais, acerca da presença de Ludwik Fleck (1896-1961). A epistemologia de Ludwik Fleck, resgatada nas últimas décadas tanto no Brasil como no exterior, tem apontado o valor e as potencialidades da obra desse autor para a caracterização das ciências da natureza, em geral, com consequências importantes para o seu ensino. Em particular, trabalhos na área da história, filosofia e sociologia da ciência (HFSC), bem como discussões acerca da chamada 'natureza da ciência' (NdC), podem ser beneficiados em um diálogo com o referencial fleckiano.
Fleck foi um médico polonês nascido na cidade de Lwów, atualmente parte do território ucraniano. Publicou apenas sete artigos sobre epistemologia ao longo da vida. Neles estão os principais fundamentos da sua teoria do conhecimento, aprofundados na sua obra mais conhecida, o livro 'Gênese e desenvolvimento de um fato científico' (FLECK, 2010). Para ele, o conhecimento é uma construção coletiva fortemente dependente do contexto histórico e social, o que torna impossível a compreensão do mesmo através de uma abordagem puramente lógica. Crítico do chamado 'Círculo de Viena', Fleck antecipa, de certo modo, muito daquilo que será tratado por autores como Thomas Kuhn, Paul Feyerabend, e pelo chamado 'programa forte' da sociologia da ciência, já na segunda metade do século XX.
Os conceitos centrais da sua teoria do conhecimento são: estilo de pensamento e coletivo de pensamento , sendo o primeiro relativo a uma predisposição para um olhar direcionado ao abordar e interpretar fenômenos. Corresponde a uma ' percepção direcionada em conjunção com o processamento correspondente no plano mental e objetivo ' (FLECK, 2010, p.149, grifos do autor). Já o coletivo refere-se ao grupo de indivíduos que compartilham um mesmo estilo de pensamento, ele é o portador comunitário do estilo. Quando confrontados com novas experiências ou observações, o coletivo de pensamento tende a analisá-las à luz do seu estilo de pensamento e repudiar interpretações alternativas. Esse estilo de pensamento, por sua vez, não é estático, e se transforma com o passar do tempo.
Há diversos outros conceitos que compõem a epistemologia fleckiana, tais como: acoplamento ativo, acoplamento passivo, círculo esotérico, círculo exotérico, tráfegos intracoletivo e intercoletivo de ideias, harmonia das ilusões, protoideias, dentre outros.
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Alguns trabalhos da literatura já trazem revisões da presença da epistemologia de Fleck na área de pesquisa em ensino de ciências, seja em dissertações e teses ( LORENZETTI et al., 2018), seja em periódicos nacionais (SOUZA e MARTINS, 2021). Esse trabalho pretende ampliar esse panorama, incorporando periódicos internacionais. Trata-se, portanto, de uma pesquisa de natureza bibliográfica, como descrita por Marconi e Lakatos (2002).
Inicialmente, foi realizada uma busca em diversas bases de dados de periódicos internacionais (ERIC, SAGE, ScienceDirect, SpringerLink) por trabalhos contendo o termo de busca 'Fleck'. A pesquisa foi limitada a um período de tempo de 12 anos (2010-2021). Em uma rodada posterior, observou-se o título, resumo e palavras-chave dos artigos para limitar a busca, uma vez que nem todos os trabalhos estavam vinculados ao autor pretendido. No total, 104 artigos foram encontrados. Na Figura 01 é possível observar o número de artigos publicados em cada ano 1 . Nota-se que o ano de 2013 foi o que mais apresentou publicações, enquanto que o ano de 2017 foi o que apresentou o menor número.
Figura 01: Número de publicações por ano entre 2010 e 2021.
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Em seguida, cada artigo encontrado foi examinado usando a função de busca interna do leitor de PDF para identificar onde (título, resumo, palavras-chave, corpo do texto) e como (citação direta, citação indireta) os principais conceitos fleckianos apareciam. Os resultados foram registrados em uma planilha do Excel, usando uma classificação binária, em que 0 indicava ausência do termo e 1 indicava presença. Com base nesses resultados, outra planilha foi criada para registrar a frequência e o percentual de ocorrência dos termos fleckianos nos artigos selecionados (ver Quadro 01).
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Quadro 01: Levantamento da frequência e percentual de ocorrência dos conceitos fleckianos.
Podemos perceber, a partir desses números, que os termos mais citados são os de coletivo de pensamento e estilo de pensamento. Ambos aparecem em 56 e 55 dos 104 artigos selecionados, respectivamente. Já os conceitos de tráfego intracoletivo, tráfego intercoletivo, acoplamento passivo e acoplamento ativo são os que menos aparecem, só em 7, 5, 5 e 5 trabalhos, respectivamente. Esses resultados reproduzem, parcialmente, o que está presente na literatura nacional (ver SOUZA e MARTINS, 2021) em relação aos termos mais citados. A maior diferença, aqui, deveuse à baixa ocorrência relativa dos conceitos de tráfego intracoletivo e intercoletivo.
Considerando esses resultados e a importância crescente do referencial de Ludwik Fleck para a área da história, filosofia e sociologia da ciência (HFSC), cabe sinalizar, ainda, os rumos futuros da pesquisa, que pretende investigar de que maneira os conceitos fleckianos são abordados nos artigos selecionados, buscando identificar compreensões variadas e 'desvios de significado'.
## Referências
FLECK, L. Gênese e desenvolvimento de um fato científico . Belo Horizonte: Fabrefactum, 2010.
LORENZETTI, L.; MUENCHEN, C.; SLONGO, I. I. P. A crescente presença da epistemologia de Ludwik Fleck na pesquisa em educação em ciências no Brasil. R. Bras. Ens. Ci. Tecnol. , Ponta Grossa, v. 11, n. 1, p. 373-404, 2018.
MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E. M. Técnicas de pesquisa . 4.ed. São Paulo: Atlas, 2002.
SOUZA, B. de; MARTINS, A.F.P. Um panorama da epistemologia de Ludwik Fleck em periódicos brasileiros da área de pesquisa em ensino de ciências. Revista Insignare Scientia - RIS , v. 4, n. 6, p. 84-105, 7 out. 2021.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.