IMPORTÂNCIA DOS CENTROS DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS PARA A APRENDIZAGEM DE TEMAS FÍSICOS
Elisângela De Andrade Santos, Divanízia Nascimento Souza
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIII
- Ano
- 2011
- Data
- 06/06/2011
- Linha de pesquisa
- Física E Comunicação Em Práticas Educativas Formais, Informais E Não-Formais
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## IMPORTÂNCIA DOS CENTROS DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS PARA A APRENDIZAGEM DE TEMAS FÍSICOS
## IMPORTANCE OF SCIENCE AND TECHNOLOGY CENTER FOR LEARNING OF PHYSICAL ISSUES
## Elisângela de Andrade Santos , Divanízia Nascimento Souza 1 2
1 Universidade Federal de Sergipe/Núcleo de pós-graduação em Ensino de Ciências Naturais e Matemática, zanzandrade@gmail.com
## 1. Introdução
Diversos projetos e parcerias com escolas surgiram dentro de universidades e centros de pesquisa em diferentes Estados do Brasil. Propostas de aperfeiçoamento no ensino por meio da educação não-formal, com atividades extraclasses, levaram os alunos a visitarem outros espaços, dentre eles, centros de ciência e as próprias universidades.
A metodologia de pesquisa consistiu de uma abordagem qualitativa por meio de produções de textos. Isso foi possível pela união dos professores de física e redação para uma melhor contextualização e aprendizagem de forma interdisciplinar. As atividades elaboradas tiveram como principal objetivo despertar o interesse do aluno pela ciência, como também destacar a necessidade de abordagens interdisciplinares e integradoras da física com outras áreas do conhecimento científico. E como a criatividade pode ser importante para o processo de ensino-aprendizagem, através da produção de textos, constituindo uma alternativa que valoriza o desenvolvimento do raciocínio do aluno e o senso crítico do mesmo.
## 2. Fundamentação Teórica
De acordo com os conceitos encontrados no livro Pesquisas em Ensino de Física, que foi organizado por Roberto Nardi: Alguns autores classificam os sistemas educacionais em três espécies: formal, não-formal e informal. Segundo DIB (1987), a educação formal está ligada à escola, 'corresponde a um método sistemático e organizado de ensino, estruturado segundo determinadas leis e normas, apresentando um currículo relativamente rígido em termos de objetivos, conteúdo e metodologias'. A educação não-formal se caracteriza por processos educativos com currículos e metodologias flexíveis, centrado no estudante, voltada a um ensino individualizado, auto-instrutivo. A educação informal não obedece a currículos, não oferece graus ou diplomas, não tem caráter obrigatório de qualquer natureza e não se destina apenas a estudantes, mas ao público em geral.
Os estudantes sentem-se desmotivados para o estudo de disciplinas relacionadas às ciências. Isso é causado, principalmente, pelas metodologias de ensino tradicionais utilizadas. Assim, é de extrema importância que haja um contínuo desenvolvimento e aperfeiçoamento de procedimentos de ensino, que sejam mais atrativos e, portanto mais eficazes do que os métodos convencionais.
- O comportamento do aprendiz está relacionado a causas internas e externas. De acordo com Piaget (1987), o interesse está relacionado à motivação intrínseca, pois envolve escolhas do aluno, o que favorece o progresso pessoal e a formação de uma auto-imagem de competência. Percepção análoga se encontra em Vygotsky (1993), que diz que o interesse, envolvendo escolhas pessoais não deve recair sobre objetos que estão além das possibilidades. O interesse deve, sim, situar o objeto numa região onde com alguma ajuda o sujeito possa realizar progressos.
Segundo Charlot (2000),
a mobilização implica mobilizar-se ('de dentro'), enquanto que a motivação enfatiza o fato de que se é motivado por alguém ou por algo ('de fora'). É verdade que, no fim da análise, esses conceitos convergem: poder-se-ia dizer que eu me mobilizo para alcançar um objetivo que me motiva e que sou motivado por algo que pode mobilizar-me. (p.55)
- O aluno mobiliza-se quando possui interesse numa determinada atividade para atingir uma meta, investindo nela, quando faz uso de si mesmo como de um recurso, quando é posto em movimento por motivos que remetem a um desejo, um sentido, um valor.
## 3. Metodologia
Primeiramente foram agendadas as visitas dos alunos, informando quantidade de visitante, datas e horários. Foram enviados ofícios requerendo visitação.
Para uma abordagem qualitativa da atividade, foi pedido que os alunos escrevessem um texto sobre os vídeos assistidos no planetário, explanassem sobre as teorias abordadas nos experimentos que mais lhes despertassem atenção relacionando com os conteúdos estudados em sala de aula e dissertassem sobre a importância da visita a este espaço.
## 4. Discussão e análise de dados
No relato dos alunos sobre os vídeos assistidos no planetário podemos destaca a escrita de alguns alunos:
'Conhecer a origem da vida e as possibilidades de existir vida em outro planeta no Planetário e a nossa diversão.'
'Visitamos o planetário onde mostra teorias do sistema solar, surgimento da vida na terra e possibilidades da existência de seres em outros planetas da nossa galáxia.'
'O planetário é algo de muita tecnologia, ao entrar lá, a primeira impressão foi de uma sala aconchegante e de muita curiosidade para saber como ia funcionar tudo lá. Uma experiência muito boa, tudo que passou lá foi de suma importância .... Resumindo, experiência única, gostei de tudo lá, tudo muito interessante.'
De acordo com os relatos, pode-se perceber que os estudantes identificaram a importância de conhecer a origem dos planetas e preservação da Terra, ficaram impressionados com o formato de exibição dos vídeos, e ainda como são feitas as imagens de eventos que acontecem nas galáxias.
Com relação aos experimentos, a maioria dos trabalhos citou: o gyrotec, experimento que simula ausência da gravidade; gerador de van der Graf, onde mostra a eletrização e o poder das pontas; espelhos esféricos, que produzem
imagens de diferentes naturezas. Houve também grandes citações dos experimentos mais perceptíveis ao cotidiano dos alunos.
Nas dissertações sobre a importância da CCTECA, foram destacados alguns textos que contribuíram para verificar a aprendizagem dos alunos:
'Todos os experimentos foram de surpreender e de muita curiosidade (...) pois alguns a gente nunca tinha visto e ao ver percebemos que tudo faz parte da física (...) A CCTECA está aprovada.'
'Foi importante para aprendermos alguns assuntos, que na teoria, eram chatos e difíceis, mas vendo todos aqueles experimentos interessantíssimos, se tornaram mais fáceis de ser entendidos. Podemos ver onde todas aquelas matérias se aplicam na prática. ... fazendo excursões como esta, os alunos se interessam pelo assunto, pois torna o aprendizado mais divertido.'
''A CCTECA é um ótimo local de conhecimento, vários dos experimentos que nunca ouvi nem falar, todos são ótimos, (...) essa viagem embora curta, foi marcante para todos.'
Nessas dissertações foi percebida a importância desta visita para a aprendizagem, pois alguns alunos que consideravam a física uma disciplina chata, mudaram a percepção após este trabalho, considerando-a de grande utilidade para suas vidas, relatando a importância no seu cotidiano e puderam perceber que a física está presente em tudo. Este trabalho também proporcionou um senso crítico dos mesmos. Foi citada, também, a importância dos conteúdos expostos fora do ambiente escolar, tornando a aprendizagem mais divertida e contribuir para uma maior interação entre professores e alunos.
## 5. Considerações finais
A capacidade de motivar o aluno para a aprendizagem em física tem desafiado os professores dessa disciplina. Percebeu-se que a realização de atividades fora do contexto escolar, contribui para despertar o interesse e motivar os alunos pelos conhecimentos físicos, desenvolvendo sua criatividade, sobretudo, de despertar o interesse do jovem pela ciência, além de ser uma excelente oportunidade para o desenvolvimento de atividades interdisciplinares, desde que sejam previamente organizadas. As atividades possibilitaram assim uma maior interação entre os professores e estudantes da comunidade escolar.
## Referências
Casa de Ciências e Tecnologia : <http://cctecaplanetario.blogspot.com> Acesso em: 20 de fevereiro de 2011.
CHARLOT, Bernard. Da relação com o saber: elementos para uma teoria . Tradução de Bruno Magne. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
NARDI, R (Org). Pesquisa no ensino de física . 3. Ed. São Paulo; Escrituras Editora, 2004.
PIAGET, J. & GARCIA, R. Psicogênese e História das Ciências . Lisboa: Dom Quixote.1987
VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1993.
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