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O ENSINO DE FÍSICA E O ''B R O BRÓ": POR UMA EDUCAÇÃO CONTEXTUALIZADA PARA A CONVIVÊNCIA COM O SEMIÁRIDO

Carlos Henrique Bezerra, Alexandre Leite Dos Santos Silva

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
09/11/2023
Linha de pesquisa
Ciência, tecnologia, sociedade e ambiente no ensino de física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O ENSINO DE FÍSICA E O 'B R O BRÓ': POR UMA EDUCAÇÃO CONTEXTUALIZADA PARA A CONVIVÊNCIA COM O SEMIÁRIDO

## Carlos Henrique Bezerra 1 , Alexandre Leite dos Santos Silva 2

1 Instituto Federal do Piauí, chenriquepi@hotmail.com

2 Universidade Federal do Piauí, alexandreleite@ufpi.edu.br

Palavras-chave : Física; Semiárido; Radiação solar.

## Introdução

Há um período, que ocorre em parte significativa do Nordeste, correspondente a 1/4 do ano, que se caracteriza por picos de temperatura e falta de chuva, causados por diversos fatores relacionados com o clima, como a posição e o movimento terrestres e a incidência da radiação solar. Somados aos problemas sociais, essas condições climáticas rigorosas dificultam a sobrevivência ou interferem na qualidade de vida para muitas comunidades no sertão. Esse período é chamado principalmente pelo povo piauiense de 'B R O BRÓ'. Uma possível explicação da expressão é a junção das últimas sílabas dos nomes dos meses mais quentes e secos do ano: setembro, outubro, novembro e dezembro (PIAUÍ HOJE, 2019).

Partindo dessa situação-problema, elencamos como problema de pesquisa 1 : como promover o ensino de Física adotando o 'B R O BRÓ' como tema? Para isso, foi contemplada a perspectiva freiriana (DELIZOICOV; ANGOTTI; PERNAMBUCO, 2011) com o objetivo de contribuir para uma educação contextualizada para a convivência com o Semiárido (FIGUEIREDO; MARQUES, 2017). É contextualizada porque parte da realidade dos educandos, mas transcendendo-a, ampliando-a e transformando-a (CARVALHO; REIS, 2013). É pela convivência com o Semiárido porque parte do paradigma da sustentabilidade e da visão de que este território, que ocupa cerca de 1/3 do espaço brasileiro, não é sinônimo de seca, de rusticidade e de atraso, mas possui potencialidades e especificidades. Possui uma população heterogênea com tradições e saberes que devem ser valorizados. Dessa forma, desde a década de 1980, a ideia de convivência com o Semiárido aponta que é possível para os sertanejos e sertanejas viverem com qualidade de vida e com desenvolvimento sustentável no seu território por meio de tecnologias adaptáveis e da educação contextualizada (DINIZ; PIRAUX, 2011).

Relatamos neste texto a primeira etapa desta pesquisa, constituída pela revisão de literatura abrangendo os descritores relacionados ao referido problema.

## Metodologia

A investigação, de cunho teórico e qualitativo, foi realizada por meio da pesquisa bibliográfica do tipo revisão de literatura (KÖCHE, 2015). O corpus foi constituído por teses e dissertações nacionais. A coleta de dados foi realizada com

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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física

as seguintes etapas: (i) definição da base de dados; (ii) escolha dos descritores, campos e operadores; (iii) buscas e leituras flutuantes dos títulos, palavras-chave e resumos dos resultados preliminares obtidos; (iv) seleção dos trabalhos com base nos critérios de inclusão; (v) arquivo e inventário dos trabalhos selecionados e (vi) análise descritiva dos dados. Com isso, elencamos como base a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações e adotamos o descritor 'ensino de Física' associado aos descritores 'radiação solar', 'B R O BRÓ', 'semiárido', 'sertão' e 'clima', submetidos ao operador booleano 'and'

## Resultados e discussões

Foram encontrados apenas quatro trabalhos publicados entre 2018 e 2021, com os descritores 'ensino de Física' e 'radiação solar' e seis trabalhos publicados entre 2010 e 2021 com os descritores 'ensino de Física' e 'clima'. Não encontramos trabalhos com os descritores 'B R O BRÓ', 'semiárido' e 'sertão', o que sublinha a relevância do nosso projeto de mestrado. Após a leitura dos trabalhos encontrados, apenas três deles (FRANCO, 2018; OLIVEIRA, 2019; CANEPPELE, 2019) foram selecionados para a análise por terem relação mais próxima com o nosso objeto de pesquisa, critério de inclusão adotado. Ambos são dissertações de mestrado profissional.

Franco (2018), da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), São Paulo, região Sudeste, desenvolveu, como produto educacional, uma sequência didática (SD) para o ensino de conceitos relacionados ao espectro eletromagnético e radiação solar ultravioleta (UV). Adotou como referencial teórico a teoria histórico-cultural de Vigotski. O produto foi aplicado em estudantes do segundo ano do ensino médio, na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA). Questionários foram aplicados como subsídio para a avaliação do produto. Foram elaborados cartazes e folders para a divulgação do assunto na comunidade. A SD teve um enfoque interdisciplinar, inserindo situações do cotidiano e conhecimentos que dessem subsídio para os estudantes assumirem uma nova postura sobre cuidados e medidas preventivas frente a situações de exposição à radiação UV.

Oliveira (2019), da Universidade Federal de Sergipe, região Nordeste, produziu uma SD com o enfoque Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS). O produto foi aplicado em estudantes do terceiro ano do ensino médio. Os conteúdos trabalhados foram radiação solar UV, energia, espectro eletromagnético, fotoproteção e espectrofotometria. No trabalho, foi dada ênfase na interferência da radiação UV na saúde das pessoas e foi utilizado um espectrofotômetro construído artesanalmente. Dessa forma, propôs-se o ensino de fenômenos físicos em articulação com questões sociais.

No trabalho de Canappele (2019), proveniente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na região Sul, produziu-se uma SD, com base na Teoria da Aprendizagem Significativa. Foi desenvolvido com estudantes do segundo ano do ensino médio, do ensino regular, com dados coletados por meio de questionários e relatórios de aulas. A proposta de ensino de Física foi inserida com temas como efeito estufa, aquecimento global e radiação solar, voltados para a Educação Ambiental.

Nos três trabalhos analisados, há o diálogo entre o conhecimento físico e questões sociais, ambientais e sanitárias. No entanto, não há menção dos conceitos envolvendo radiação solar e clima com o território Semiárido.

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## Considerações Finais

A pesquisa foi realizada em apenas uma base de dados e com descritores limitados. Assim, planejamos e apontamos para outros pesquisadores a possibilidade de investigações similares em outras bases e com mais descritores.

Como desdobramento dos nossos resultados para a área ensino de Física, identificamos a lacuna na pesquisa e na elaboração de produtos educacionais sob o viés da convivência com o Semiárido e na perspectiva freiriana. Para a prática de ensino, os trabalhos mostram o potencial de diálogos possíveis entre o ensino de Física e questões sociais, ambientais e da área da saúde.

## Referências

B-R-O-BRÓ: por que ocorre o fenômeno e o que fazer para conviver melhor com o calor. Piauí Hoje , Teresina, 20 out. 2019. Notícias Especiais. Disponível em: https://piauihoje.com/noticias/especiais/b-r-o-bro-a-onda-de-calor-que-veio-paraficar-como-conviver-melhor-com-o-fenomeno-337540.html. Acesso em: 11 jul. 2023.

CANEPPELI, A. C. G. Uma sequência didática facilitadora da aprendizagem significativa no estudo do efeito estufa e do aquecimento global . 2019. Dissertação (Mestrado em Ensino de Física) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Tramandaí, RS, 2019.

CARVALHO, L. D.; REIS, E. S. Educação contextualizada para a convivência com o semiárido brasileiro: fundamentos e práticas. In: REIS, E. S. et al . (Coords.). Convivência e Educação do Campo no Semiárido Brasileiro . Juazeiro: RESAB, 2013. p. 23-42.

DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, J. A.; PERNAMBUCO, M M. Ensino de Ciências : fundamentos e métodos. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2011.

DINIZ, P. C. O.; PIRAUX, M. Das intervenções de combate à seca às ações de convivência com o semiárido: trajetória de 'experimentalismo institucional' no semiárido brasileiro. Cadernos de Estudos Sociais , Recife, v. 26, n. 2, p. 227-238, 2011.

FIGUEIREDO, G. A.; MARQUES, J. A. Ensino da Física e a (des)contextualização com o Semiárido brasileiro. In: Congresso Internacional da Diversidade do Semiárido, 2, 2017, Campina Grande, PB. Anais [...] Campina Grande: Editora Realize, 2017.

FRANCO, L. W. Radiação UV : efeitos, riscos e benefícios à saúde humana: proposta de sequência didática para o ensino de física. 2018. Dissertação (Mestrado em Ensino de Física) - Universidade Estadual Paulista, Presidente Prudente, SP, 2018.

KÖCHE, J. C. Fundamentos de metodologia científica : teoria da ciência e iniciação à pesquisa. 34. ed. Petrópolis: Vozes, 2015.

OLIVEIRA, A. C. Sequência didática para abordagem em Física sobre radiações solares do tipo ultravioleta e fotoproteção . 2019. Dissertação (Mestrado em Ensino de Física) - Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE, 2019.

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