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Divulgação científica em rede social: uma prática no Instagram para comunicar a mecânica quântica

Gabriel Adriano De Jesus Reis, Rafaelle Da Silva Souza

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
09/11/2023
Linha de pesquisa
Divulgação científica e práticas educativas em espaços educativos formais, informais e não formais e o ensino de física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## Divulgação científica em rede social: uma prática no Instagram para comunicar a física quântica

## Gabriel Adriano de Jesus Reis 1 e Rafaelle da Silva Souza 2 .

1 IFBA/DEFIS/Instituto Federal da Bahia, rafaellesilva@ifba.edu.br 2 IFBA/DEFIS/Instituto Federal da Bahia, gabrieladriano.jr@gmail.com

Palavras-chave : Física Quântica; Divulgação Científica; Redes Sociais.

A Ciência atua como uma maneira de enxergar o mundo e, consequentemente, produz conhecimento para a sociedade de maneira concatenada mediante metodologias e estudos específicos. No entanto, devido à popularização dos meios de comunicação e a possibilidade de atingir diversos públicos, não todas as pessoas reconhecem a Ciência como fonte segura do conhecimento. Tem-se observado uma onda de negacionismo e anti cientificismo com ampla desinformação sem a devida preocupação para as consequências agnotológicas (MANSUR et al., 2021).

Nesse contexto, surge uma necessidade urgente por divulgação científica, para além das relações nos espaços acadêmicos, que tem sido incentivada para a sociedade, considerando os ganhos econômicos, políticos e sociais que os estudos produzidos em áreas da ciência podem trazer à população (CRIVELENTE, 2023). Para além da divulgação científica e sua comunicação com a sociedade, é preciso considerar o estado que a sociedade se encontra hodiernamente, o que seria conhecido como a 'Pós-Modernidade', discutida por Stuart Hall no seu livro 'A identidade cultural na pós-modernidade'.

Hall, afirma que "As identidades nacionais estão se desintegrando, como resultado do crescimento da homogeneização cultural e do 'pós-moderno global'" (HALL, 2006, p. 69), nesta passagem ele tenta explicar como a modernidade está cada vez mais sujeita aos vários caminhos que a globalização traz à formação dos conscientes modernos.

O capitalismo está inerentemente associado à característica de estímulos aos avanços tecnológicos constantes e através da revolução técnico-científico-informacional, pessoas entre os mais diversos lugares do mundo presenciam a diversidade dos meios de comunicação (RUBIM, 2009), podendo interagir em ciberespaços, por meio de um processo de popularização e progresso tecnológico, seja isso um bem produtivo socialmente, ou não. Destaca-se que a rede social como ciberespaço tornou-se um instrumento de fácil acesso às pessoas e um elemento que, cada vez mais, atua na propagação de saberes da ciência (PORTO e MORAES, 2009).

Nessa onda de negacionismo e desinformação, um tema muito presente, explorado erroneamente, é a Física Quântica (FQ) - uma área do conhecimento que aborda fenômenos que ocorrem além do tamanho do átomo, são as partículas que só aparecem em altas energias, aquelas que explicam o núcleo do átomo ser formado de prótons e eles não necessariamente se repelirem.

No meio de tantas revoluções e avanços tecnológicos, a FQ é uma das teorias mais bem elaboradas no mundo pós-moderno da Física Contemporânea que estuda a quantização de energia das partículas para além do átomo, suas forças de interação, como esses processos ultrapassam o mundo microscópico e conseguem

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influenciar eventos macroscópicos, como, por exemplo, o experimento da Dupla Fenda de Thomas Young e seu padrão ondulatório de interferência.

Dito isso, a FQ é um conhecimento desvencilhado da mecânica clássica e dos fenômenos cotidianos em que se observa "A Física" acontecer, normalmente, o tipo de conhecimento produzido pela mecânica quântica (MQ) tem como necessidade a abstração dos ensinos produzidos (LIMA e RICARDO., 2019.). Consequentemente, as abordagens devem ser aprimoradas ao público receptor da informação com mais elaboração. Existem acontecimentos da MQ definidos por equações probabilísticas, tornando-a uma área contraintuitiva que influencia nosso mundo, mas possui particularidades quando a questão é a transmissão do conhecimento produzido através dela.

Ser contraintuitiva não significa que não deva ser ensinada e o presente trabalho pretende produzir divulgação científica para as redes sociais sobre FQ. Um dos passos realizados para a divulgação científica foi o evento da 'Semana Quântica' onde se passou uma semana com postagens na rede social Instagram trazendo abordagens contextualizadas de FQ, curiosidades numa tentativa de trazer métricas e estudos de caso sobre o que foi produzido.

Em seguida, criou-se um Livro eletrônico (E-book) com informações de FQ cotidiana e que pudesse interessar o público mais leigo e atuar nos espaços informais e não-formais do conhecimento, adequando a transmissão do conhecimento ao próprio receptor e os meios que ele provavelmente utilizará para entender o assunto (redes sociais).

Posteriormente, foi planejado utilizar essas criações que possuem embasamento científico como referência para desenvolvimento de artigo científico que aborda o Estado da Arte de produções da comunidade científica sobre divulgação científica de FQ, utilizando parâmetros metodológicos que revisam as literaturas produzidas sobre o assunto e categoriza quais os artigos realmente produzem divulgação científica e quais não. Através disso, será possível criar um estudo de caso nos artigos lidos e revisados após os critérios de exclusão serem aplicados e for possível contabilizar quais artigos abordam física/mecânica quântica visando fazer divulgação científica e se inclusive essa divulgação científica é externalizada para o público não-acadêmico.

Apesar dos ciberespaços terem se tornado um ótimo ambiente para divulgar, propagar, informar e produzir conhecimentos sobre ciências, a dinâmica das redes com a influência do capitalismo cada vez mais requer que seja injetado dinheiro na aplicação para divulgação científica através das plataformas digitais. O uso dessas plataformas de acompanhamento de resultados auxiliou no controle, regulação e assistência aos usuários que iriam consumir o conteúdo da página. Apesar disso, a publicação dos conteúdos de divulgação científica na plataforma do Instagram aconteceu de forma orgânica, sem o uso de dinheiro para impulsionar os resultados da pesquisa. A despeito disso, foi possível observar um crescimento no engajamento, alcance e visitas ao perfil. A Semana Quântica, que ocorreu entre o sétimo e o décimo quarto dia do mês de abril, em comparação com a semana anterior, obteve 54,6% a mais de alcance entre as publicações e stories utilizadas na época.

Ainda assim, ao longo do acompanhamento desses indicadores foi possível perceber que mesmo durante a Semana Quântica e a elaboração de um conteúdo com embasamento científico, a publicação que consta mais curtidas pelo público é um dos famigerados "memes". Este tipo de informação denota que informações que existem em ciberespaços não necessariamente serão tomadas como relevantes

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considerando a pesquisa e a adequação de linguagem para o receptor que não está nos meios acadêmicos, mas sim, aquela publicação que não possui tanto embasamento teórico, mas que informa o usuário acerca de algum conhecimento científico, por mais raso que seja.

Por fim, ao estudar sobre divulgação científica de FQ percebe-se a frequência de termos como 'abstração' e 'adequação de linguagem' para poder produzir conhecimentos sobre a área e a consequência disso é a não-produção, ou menor produção de trabalhos com esse objetivo. Consequentemente, trabalhos sem esse enfoque deixam a população à parte dos conhecimentos produzidos na academia e de vários fenômenos sociais como o misticismo e charlatanismo quântico, ou mesmo atuações práticas de criações com FQ que atuam nos avanços tecnológicos. Portanto, é importante considerar que esses conhecimentos necessitam de abstração e podem tornar a sociedade ciente do que a ciência produz, aumentando a confiança da produção acadêmica com a população. Ademais, sendo informadas, de modo formal, informal ou não-formal, estas pessoas podem ser inspiradas a conhecer mais sobre a área, de maneira a criarem entusiasmo, e assim, a Educação estará agindo como elemento transformador na vida das pessoas.

## Referências:

CRIVELENTE, Dimas Ramos. Configuração de um programa de divulgação científica para educação ambiental : contribuições da Ciência da Informação. 2023. Dissertação (Mestrado em Cultura e Informação) - Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2023.

Disponível em: https://doi.org/10.11606/D.27.2023.tde-10072023-101011. Acesso em: 17 set. 2023.

Hall, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade / Stuart Hall; tradução Tomaz Tadeu da Silva, Guaracira Lopes Louro-11. ed. - Rio de Janeiro: DP&A, 2006. p. 69.

LIMA, L. G. DE; RICARDO, E. C. O Ensino da Mecânica Quântica no nível médio por meio da abstração científica presente na interface Física-Literatura . Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 36, n. 1, p. 8-54, 13 maio 2019.

Mansur, V., Guimarães, C., Carvalho, M. S., Lima, L. D. de, & Coeli, C. M. (2021). Da publicação acadêmica à divulgação científica . Cadernos de Saúde Pública, 37(7).

PORTO, CM., and MORAES, DA. Divulgação científica independente na internet como fomentadora de uma cultura científica no Brasil: estudo em alguns blogs que tratam de ciência . In PORTO, CM., org. Difusão e cultura científica: alguns recortes [online]. Salvador: EDUFBA, 2009. pp. 93-112.

RUBIM, A. A. C. Políticas culturais e novos desafios . Revista Matrizes, p. 93-112, 2009.

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