Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

PLANEJAMENTO E ATIVIDADES TEÓRICO-PRÁTICAS: MOTIVAÇÃO INTRÍNSECA PARA O ENSINO SOBRE TRANSFORMAÇÃO DE ENERGIA

Fernando Iglesias Antunes, Leonardo Bastos De Assis, Jorge Luiz Fernandes Cardoso, Katleen Suliany Scoca Rocha, Cecília Maria Pinto Do Nascimento

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
08/11/2023
Linha de pesquisa
Formação, práticas e desenvolvimento profissional docente no ensino de física
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2023

Texto completo

## PLANEJAMENTO E ATIVIDADES TEÓRICO-PRÁTICAS: MOTIVAÇÃO INTRÍNSECA PARA O ENSINO SOBRE TRANSFORMAÇÃO DE ENERGIA

Fernando Iglesias Antunes 1 , Leonardo Bastos de Assis 2 , Jorge Luiz Fernandes Cardoso 3 , Katleen Suliany Scoca Rocha 4 , Cecília Maria Pinto do Nascimento 5

- 1 Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), feriglesiasfisica@gmail.com
- 2 Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), leonardoassis.1442@gmail.com
- 3 Escola Estadual Floriano Viegas Machado, jorgedafisica@gmail.com
- 4 Escola Estadual Professora Floriana Lopes, katleensuliany@gmail.com
- 5 Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), cissa@uems.br

Palavras-chave : Planejamento; Ensino de Física; Atividades teórico-práticas.

## Resumo expandido

O Planejamento na educação, segundo Gandin & Cruz (1995), é uma oportunidade de resgatar o sentido social do trabalho escolar a fim de superar o ensino pautado no domínio de informações. Para os autores, o planejamento deve orientar os professores, ao considerarem pelo menos nove metas, entre elas: organizar; definir etapas; oferecer alternativas; introduzir novas estruturas; propor uma nova realidade social contribuindo para sua construção. A partir disso, o professor poderá identificar o que é preciso investigar e estabelecer indicadores para realizar sua prática. Para Gandin & Cruz (1995), o planejamento deveria ser realizado na escola como um todo, desde o Projeto Político Pedagógico (PPP) até às práticas educacionais dos professores.

Entretanto, considerando a implementação do Novo Ensino Médio (NEM) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), os tempos dedicados às disciplina do modelo anterior, foram distribuídos, em Mato Grosso do Sul, entre: Formação Geral Básica, Itinerários Formativos, Projeto de Vida, Recomposição da Aprendizagem. E os PPPs não foram problematizados ou utilizados como problematização para (re)pensar as novas propostas. Portanto, o contexto atual proporciona novos desafios ao planejamento, tanto na ordem do todo, como Gandin & Cruz (1995) apontam, quanto na ordem do planejamento de uma aula de um professor. Neste sentido, pensar o planejamento no ensino de física, no contexto do NEM, para uma prática educativa, é essencial para identificar e compreender os novos desafios da relação ensinoaprendizagem, e para propor enfrentamentos a eles.

- O planejamento, concretizado em planos de aula, proporciona confiança aos professores e clarifica aspectos imediatos e imprevisíveis, e, também, possibilita a improvisação e a criatividade na ação da prática docente (SACRISTAN, 1998). Portanto, este relato tem a intenção de identificar possibilidades e tensionamentos na realização de uma sequência didática, na temática Energias Renováveis, considerando o planejamento e o papel motivador das atividades teórico-práticas.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Optou-se por uma sequência didática com a prática como elemento de motivação intrínseca (TAPIA & FITA, 2015) para promover interesse e participação do aluno.

Esta sequência didática fez parte do itinerário formativo Ciências da Natureza e suas Tecnologias, e a temática proposta pela Secretaria Estadual de MS, realizada no primeiro semestre de 2023. A sequência didática foi planejada no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), subprojeto Física, e realizada em uma escola pública da cidade de Dourados/MS. Como metodologia, assumiu-se a proposta de Ferreira et al. (2019), em uma perspectiva de planejamento de práticas individuais menos complexa, comparada a de Gandin & Cruz (1995). Para Ferreira et al . (2019), os cursos de formação de professores, em particular as disciplinas de didática da educação e específicas da área, não têm sido suficientes para proporcionar condições de reflexão e de organização de aulas. Portanto, projetos como o PIBID podem contribuir para criar espaços nos quais as práticas pedagógicas podem ser planejadas com tempo, fundamentação e utilização de recursos diversos. Para estes autores, nove tópicos servem de referência para elaboração dos planos de aula, que foram adequados para o planejamento da sequência didática proposta, são eles: Identificação, Temática Principal, Objetivos Geral e Específicos, Conteúdos, Desenvolvimento do Tema e Atividades, Recursos Didáticos, Avaliação, Referências.

A sequência didática consistiu em 04 aulas teórico-práticas, de 50 minutos cada, cujo planejamento contou com a elaboração dos tópicos apresentados no Quadro 01. Assim, o Quadro 01 apresenta 3 destes principais tópicos.

Quadro 01: Para cada aula da sequência didática proposta, apresenta 3 dos principais tópicos de Ferreira et al . (2019) para a elaboração do plano de aula, .

A sequência didática foi realizada em quatro turmas distintas (A, B, C e D), com aproximadamente trinta alunos. Em relação à Aula 1, nas turmas A e B houve participação, com algumas perguntas, questionamentos e curiosidades. Nas turmas

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

C e D houve uma menor participação e pouco interesse. Considerando o planejamento, foram definidos momentos com uso de questões para levantamento de conhecimentos prévios, motivadoras e contextualizadoras dos conhecimentos a serem construídos. Entretanto, durante a realização da Aula 1, foi feita apenas uma explanação na qual as perguntas se tornaram retóricas, e foi visível o nervosismo dos pibidianos. Acredita-se que, a partir da primeira experiência com a regência, o nervosismo fez com que o planejamento, realizado recentemente, fosse suprimido pelos anos de experiência como alunos imersos em aulas tradicionais expositivas.

Um aspecto importante observado da relação planejamento e ação, foi a utilização do tempo. Nas turmas A e B, a Aula 1 seguiu estritamente 40 minutos, sendo 10 minutos de organização dos estudantes e dos recursos didáticos. Nas turmas C e D, a Aula 1 teve 30 minutos, e os 20 minutos restantes foram utilizados com improvisos para não configurar horário vago. Esta sobra de tempo está relacionada com a mudança na prática de uma aula planejada participativa para uma aula expositiva. Assim, para as turmas C e D a aula expositiva teve maior impacto, conduzindo à reflexão sobre: a dificuldade dos pibidianos em se entenderem como futuros professores, quais conhecimentos e saberes precisam ser construídos para a prática docente, qual o papel do PIBID na superação destas dificuldades iniciais, considerando que os bolsistas são licenciandos dos primeiros e segundos anos.

Em relação às Aulas 2, 3 e 4, práticas, notou-se interesse crescente à medida que os alunos resolviam problemas experimentais, aprendiam habilidades manuais e eram confrontados com a necessidade de adquirir conhecimentos técnicos, mas também construir conhecimentos científicos. As turmas C e D, negligenciadas durante a Aula 1, expositiva, puderam ser confrontadas com as questões planejadas a fim de sanar suas dúvidas. O que demonstra o caráter de motivação intrínseca das atividades práticas propostas. Por fim, foram construídos 25 geradores de energia, cada um com montagens diferentes e 20 com estratégias diversas. Verificou-se que o interesse na prática ultrapassou os muros da escola, e alguns estudantes trouxeram motores e outros componentes mecânicos não requisitados, ampliando, assim, a proposta planejada. Por fim, percebe-se a relevância do planejamento, dos espaços de iniciação à docência e o caráter motivador da referida atividade teórico-prática.

## Referências

GANDIN, D.; CRUZ, C. H. C. O Planejamento na Sala de Aula, 1995.

FERREIRA, Marcello; DA SILVA FILHO, Olavo Leopoldino. Proposta de Plano de Aula para o Ensino de Física. Physicae Organum-Revista dos Estudantes de Física da UnB, v. 5, n. 1, p. 39-44, 2019.

SACRISTAN, G. Plano do currículo, plano do ensino: o papel dos professores/as. In: SACRISTÁN, G.; PÉREZ GÓMEZ, A. Compreender e Transformar o Ensino [livro eletrônico]. Porto Alegre: Artmed, 2007.

TAPIA, J. A.; FITA, E. C. A motivação em sala de aula - o que é, como se faz. São Paulo: Edições Loyola, 2015.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.