O LABORATÓRIO DE MUDANÇA COMO UMA FERRAMENTA PARA O DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DOCENTE NO CONTEXTO DE UM CURSO INTEGRADO: A ETAPA DAS REUNIÕES.
Suelen Pestana Cardoso, Gloria Regina Pessoa Campello Queiroz, Suelen Pestana Cardoso, Gloria Regina Pessoa Campello Queiroz
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 08/11/2023
- Linha de pesquisa
- Formação, práticas e desenvolvimento profissional docente no ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## O LABORATÓRIO DE MUDANÇA COMO UMA FERRAMENTA PARA O DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DOCENTE NO CONTEXTO DE UM CURSO INTEGRADO: A ETAPA DAS REUNIÕES.
## SUELEN PESTANA CARDOSO 1 , GLORIA REGINA PESSOA CAMPELLO QUEIROZ 2
1 CEFET/RJ, suelenpestana@yahoo.com.br
2 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, gloriapcq@gmail.com
Palavras-chave : Ensino Médio Integrado, Formação de professores, Laboratório de Mudança.
## Resumo expandido
Este estudo tem por objetivo o compartilhamento das reflexões de parte de uma pesquisa sobre o desenvolvimento profissional no exercício da docência na Educação Profissional e Tecnológica (EPT). O alvo é a atividade docente, no contexto de uma escola técnica federal, localizada na Baixada Fluminense (RJ), especificamente, em um curso técnico de Mecânica Industrial integrado ao médio. A vivência profissional da pesquisadora enquanto professora no referido curso integrado propiciou a observação e o levantamento de várias questões relativas à formação e à prática pedagógica dos professores que atuam na EPT.
Sem desconsiderar a relevância de outras questões no campo da EPT, esta pesquisa voltou-se para a investigação da prática docente e do desenvolvimento profissional dos docentes que atuam especificamente na Ensino Médio Integrado, elemento integrante da Educação Profissional e Tecnológica, que foi instituído no Brasil a partir da publicação do Decreto nº 5.154/2004 e permitiu a oferta da educação básica de forma integrada à educação profissional.
Diante das necessidades do curso integrado e dos docentes que nele atuam, a pesquisa envolveu a realização de uma intervenção formativa como forma de promover um espaço para um maior engajamento dos professores na discussão sobre os problemas e desafios do curso integrado, numa tentativa de construção de uma nova forma de realização da prática docente no âmbito do curso investigado.
Diante do cenário encontrado pela pesquisadora, optou-se por um posicionamento teórico que compreendesse a aprendizagem docente e, consequentemente, seu conhecimento, como um produto sócio-histórico.Com o auxílio da Teoria da Atividade, apresentada com foco maior nas ideias e conceitos defendidos por Yrjö Engeström, tentamos construir, coletivamente entre os docentes convidados a participar da pesquisa, conhecimento capaz de auxiliar em decisões fundamentadas sobre questões de sua rotina, buscando assim tornar a pesquisa um instrumento capaz de possibilitar mudança e ativismo entre os docentes frente às dificuldades identificadas por eles, de forma a promover o desenvolvimento profissional docente.
A investigação foi pensada com o suporte metodológico do modelo de intervenção formativa do Laboratório de Mudança proposto por Engeström (2007) e por Virkkunen e Newnham (2015), desenvolvido através de sessões, reuniões em que os docentes participantes e a pesquisadora analisaram e construíram alternativas para aperfeiçoamento das atividades. Neste contexto, o Laboratório de Mudança (LM) pode ser visto como uma metodologia de intervenção formativa
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fundamentada na Teoria da Atividade, tendo como principal objetivo conceber, projetar e testar novas formas de trabalho em um contexto social. Tal proposta foi ao encontro das especificidades do nosso problema de pesquisa por ser um 'instrumento de diálogo e de colaboração para o desenvolvimento entre os investigadores que trabalham para o desenvolvimento de determinadas atividades (atividades de ensino, por exemplo)' ( Querol; Cassandre; Bulgacov, 2014, p. 412).
O LM diferencia-se de outros métodos intervencionistas ao dar destaque para a abordagem histórica que possibilitou compreender a emergência das contradições no sistema de atividade.Na prática, o LM envolve a expansão de um sistema de atividade humana, em especial seu objeto, fenômeno denominado por Engeström (1987) como 'aprendizagem expansiva'. A aprendizagem expansiva envolve uma construção coletiva e refere-se a uma reconceituação do objeto da atividade.
A aprendizagem expansiva, durante o LM, requer que os participantes assumam o papel de liderança no processo de intervenção, ao aceitar, rejeitar ou reformular tarefas, ou seja, a aprendizagem expansiva está diretamente relacionada a manifestações de agência transformadora.
Em suma, a escolha pelo Laboratório de Mudança (Virkkunen; Newnham, 2015) como base metodológica para nossa investigação foi orientada pelas especificidades deste tipo de intervenção que não visa a produzir apenas uma solução intelectual ou uma alteração em práticas, mas também a amplificar a agência transformadora colaborativa e a motivação dos profissionais envolvidos, com base em uma nova compreensão acerca da ideia da atividade e em uma nova perspectiva com relação ao seu desenvolvimento profissional futuro.
A pesquisa foi dividida, para fins de facilitação da apresentação dos dados e das análises, em três etapas que juntas integram o chamado processo do LM: etapa 'pré-reuniões', etapa das reuniões e etapa 'pós-reuniões'.
Neste trabalho, será apresentada e discutida a etapa das reuniões que é composta por sete sessões, realizadas na presença dos docentes do curso integrado que se voluntariaram a participar da LM e da pesquisadora. A ideia da sequência das sessões do Laboratório de Mudança é executar colaborativamente um ciclo de ações de aprendizagem expansiva e dar um importante passo à frente, partindo da fase atual da atividade em seu desenvolvimento expansivo geral. Objetivou-se com este processo que os participantes conhecessem coletivamente os aspectos fundamentais do trabalho desenvolvido por eles, as contradições existentes, para então poderem propor sugestões do como aperfeiçoar esta atividade.
As quatro primeiras sessões do LM evidenciaram os pontos fortes e pontos fracos do curso integrado a partir da perspectiva dos egressos, dos alunos concluintes e de suas famílias, dos servidores que atuam no Setor Pedagógico e de um representante de uma empresa parceira da instituição de ensino, seguida da definição dos desafios centrais ao desenvolvimento da atividade docente no curso integrado e da realização de sua análise histórica, além da modelagem do atual sistema de atividade dos docentes e de suas das contradições centrais.
As três últimas sessões do LM compreenderam a procura de ideias para superar as contradições levantadas, a modelagem de uma nova forma da atividade docente com previsão de problemas, obstáculos e fontes de auxílio à resolução, além do planejamento da experimentação e da implementação das novas práticas docentes dentro do curso integrado.
Com relação às discussões relativas a aspectos do Ensino de Física presentes nas reuniões, destacamos a ocorrência de discordâncias de opinião entre
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professores de Física e professores de disciplinas técnicas acerca da ementa da disciplina de Física. Ficou acertado que seriam realizadas reuniões entre esses docentes para que fossem discutidos possíveis ajustes nessa ementa de forma a tentar atender às reivindicações apresentadas pelos docentes.
Como exemplo de algumas das contradições levantadas, podemos destacar aquelas que, segundo os participantes do LM, representavam as maiores necessidades de mudança no sistema de atividade docente à época das reuniões: aquelas que envolviam a falta de colaboração entre os docentes, o tamanho das turmas e a grande variação no nível de conhecimento e habilidades dos alunos e a falta de motivação dos alunos com o curso técnico integrado.
Engeström (2007) enfatiza que as soluções para resolver as contradições podem exigir ferramentas mais avançadas, a colaboração entre pessoas de uma mesma atividade ou mesmo a colaboração entre sistemas de atividade diversos e é neste contexto de busca de soluções para algumas das contradições levantadas que foi desenvolvido, em 2022, pelos docentes participantes do LM, o projeto integrador 'Meninas na indústria'.
Após a análise da etapa das reuniões do LM, concluímos que a aprendizagem expansiva envolveu a expansão do objeto da atividade, a criação de novos conhecimentos para atividade docente que tornaram o currículo integrado uma realidade um pouco mais próxima, elementos que evidenciam que o LM promoveu o desenvolvimento profissional coletivo dos docentes participantes, uma vez que observou-se, por exemplo, uma mudança na relação professor -aluno e professorprofessor após a realização das sessões, conforme relatos feitos pelos participantes à pesquisadora, nos quais alguns docentes afirmaram terem vivido uma mudança na maneira de se relacionar com os alunos considerados 'desinteressados' e com os professores de outras áreas.
Por fim, destacamos que algumas das transformações trazidas pelo LM puderam ser identificadas na mudança na forma como o sujeito da atividade (docente) olha e compreende o objeto (aluno), no estabelecimento de parceria entre docentes de diferentes áreas, parceiras entre docentes e outro setor da escola que oferece apoio aos docentes e discentes e a mudança na relação professor-professor após a desconstrução de alguns rótulos e da promoção de um convívio mais próximo, na mudança na forma de alguns docentes verem o ensino colaborativo, passando a considerá-lo como uma ferramenta de melhoria do ensino ofertado aos alunos.
## REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ENGESTRÖM, Y. Learning by expanding: an activity-theoretical approach to developmental research. Helsinki: Orienta-Konsultit, 1987.
ENGESTRÖM, Y. Putting Vygotsky to work: the Change Laboratory as an application of double stimulation. In: DANIELS, H.; COLE, M.; WERTSCH, J. V. (Org.) The Cambridge Companion to Vygotsky. New York: Cambridge University Press, 2007.
QUEROL, M. A. P., CASSANDRE, M. P.e BULGACOV, Y. L. M.. Teoria da Atividade: contribuições conceituais e metodológicas para o estudo da aprendizagem organizacional. Gestão & Produção [online]. 2014.
VIRKKUNEN, J.; NEWNHAM, D.S. O laboratório de mudança: uma ferramenta de desenvolvimento colaborativo para o trabalho e a educação. Tradução de Pedro Vianna Cava. Belo Horizonte: Fabrefactum, 2015.
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