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AULA DE FÍSICA EM UMA TURMA DE ENSINO MÉDIO PROFISSIONALIZANTE EM PRODUÇÃO AUDIOVISUAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Vitória Beltrão Ribeiro, Thamires Borges Mauriz, Gabriella De Souza Sabrosa, Yann Clavery Macedo Soares, Glauco S F Silva, Francisléia Vieira Vidal

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
08/11/2023
Linha de pesquisa
Formação, práticas e desenvolvimento profissional docente no ensino de física
Tipo
Comunicação

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## AULA DE FÍSICA EM UMA TURMA DE ENSINO MÉDIO PROFISSIONALIZANTE EM PRODUÇÃO AUDIOVISUAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Vitória Beltrão Ribeiro , Thamires Borges Mauriz 2 1 , Gabriella de Souza Sabrosa 3 , Yann Clavery Macedo Soares 4 , Francisléia Vieira Vidal , Glauco S F 5 Silva 6

- 1 Licenciatura em Física, CEFET/RJ - Campus Petrópolis, vitoria.ribeiro@aluno.cefet-rj.br
- 2 Licenciatura em Física, CEFET/RJ - Campus Petrópolis, thamires.mauriz@aluno.cefet-rj.br
- 3 Licenciatura em Física, CEFET/RJ - Campus Petrópolis, gabriella.sabrosa@aluno.cefet-rj.br
- 4 Licenciatura em Física, CEFET/RJ - Campus Petrópolis, yann.soares@aluno.cefet-rj.br

5 Professora de Física, Colégio Estadual Dom Pedro II, franvvidal@gmail.com

Palavras-chave : Ensino de Física, Audiovisual; Estágio Supervisionado.

## Resumo expandido:

O projeto foi realizado por quatro estagiários (estágio supervisionado em disciplina obrigatória de prática docente do oitavo período da licenciatura em física do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca Campus Petrópolis), uma professora supervisora (da unidade escolar) e um professor orientador (da IES). O projeto foi desenvolvido em uma turma de terceiro ano de um curso de Ensino Médio Vocacional Profissionalizante em Produção de Áudio e Vídeo, durante o 2º bimestre do ano letivo de 2023 em um Colégio Estadual localizado em Petrópolis, cidade da região serrana do estado do Rio de Janeiro.

Com o desenvolvimento das atividades ao longo do estágio supervisionado, identificamos uma tendência de desinteresse dos alunos da turma nas aulas de física. Esse desinteresse pode ocorrer por diversos fatores, pois de acordo com Gonçalves (2022), algumas tarefas não fazem relação com o cotidiano do aluno, tornando-se tediosa e desinteressante para ele, fazendo com que a sua desmotivação seja maior que o seu compromisso em concluir a tarefa e não se dedique o suficiente ao conteúdo. Souza (2007) ressalta:

- O professor deve ter formação e competência para utilizar os recursos didáticos que estão a seu alcance e muita criatividade, ou até mesmo construir juntamente com seus alunos, pois, ao manipular esses objetos a criança tem a possibilidade de assimilar melhor o conteúdo. (p. 111)
- O projeto tinha como objetivo utilizar um método que estimulasse a curiosidade dos alunos pela disciplina de física. Com isso, foram utilizadas atividades que se relacionasse com a área técnica do curso em que eles estavam inseridos. Uma nova metodologia na disciplina de física permitiu que os alunos conseguissem relacionar o conteúdo com ideias cotidianas.

aula temas relacionados ao universo vivencial dos alunos. (Vieira, 2007, p. 3)

Contextualizando, a turma estava no conteúdo de Circuitos Elétricos e seus componentes, e durante a disciplina obrigatória (com os estagiários e o orientador), o professor orientador sugeriu que trabalhássemos o conceito do elétron, utilizando recursos audiovisuais, para criação de vídeos, pelos alunos, sobre uma suposta 'greve dos elétrons', como uma tarefa avaliativa. O objetivo da atividade era estimular a criatividade da turma, despertando neles um entusiasmo e interesse em realizar a tarefa, já que envolvem ações que eles se identificam. A partir dessa sugestão, tivemos uma reunião com a professora supervisora e começamos a construir em conjunto o projeto 'greve dos elétrons'. Dividimos o projeto em três aulas: i) aula sobre modelos atômicos; natureza do elétron; elétron livre; materiais condutores e isolantes; ii) aula sobre dualidade onda-partícula; fóton; efeito fotoelétrico e explicação da atividade audiovisual; iii) apresentação dos vídeos em grupo. Todas as aulas foram gravadas para uso exclusivo dos estagiários e professores envolvidos na atividade educacional.

Na aula 1, começamos questionando os alunos sobre o que eles conheciam sobre o elétron e onde eles acreditavam que poderiam encontrar os elétrons. As respostas foram majoritariamente relacionadas à conceitos de eletricidade. A figura 1 está representando as respostas mencionadas pelos alunos.

Figura 01: Onde está o elétron? Respostas dos alunos no início da aula.

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Era nítido que ao longo da aula a percepção dos alunos mudava conforme o assunto proposto era explicado. Ao instigá-los sobre a natureza dos elétrons, a turma começou a demonstrar uma certa curiosidade, pois os questionamentos que trouxemos para aula eram contraditórios aos conhecimentos de ciência que eles tinham. Ao final da aula 1, questionamos novamente os alunos sobre 'onde o elétron está?', e na figura 2 vemos a diferença das respostas dos alunos do início para o final da aula.

Figura 02: Onde está o elétron? Respostas dos alunos no final da aula.

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Após a apresentação do conteúdo teórico, pedimos para que eles escrevessem um texto em grupo, o mesmo seria utilizado para a atividade final, sobre o que eles tinham compreendido da aula e começassem a questionar sobre o que aconteceria se não existissem elétrons. Comentamos que essa escrita seria uma parte da nota de um projeto final, até esse momento não tínhamos falado sobre a tarefa do vídeo. A tarefa seria passada na semana seguinte com o prazo de uma

semana para a criação de um vídeo curto. Entretanto, para nossa surpresa, um grupo de alunos nos indagaram sobre a possibilidade de realizar um vídeo sobre o elétron. A partir disso, conversamos com os alunos sobre o projeto final 'greve dos elétrons' e os alunos ficaram entusiasmados com a atividade proposta.

Iniciamos a aula 2 questionando sobre o que eles desenvolveram no texto e relembrassem sobre o que havia sido abordado na aula anterior. Demos continuidade no conteúdo e eles se mostraram bastante interessados. Sentimos que eles tiveram um pouco de dificuldade em compreender os fenômenos mais complexos à medida que íamos evoluindo no assunto. Contudo, procuramos tratar do conteúdo de uma maneira mais didática e que estivesse relacionado com o cotidiano deles afim de maximizar . Essas aulas anteriores foram importantes pois possibilitou para os alunos uma construção de conhecimento crítico e científico acerca da natureza do elétron e sua complexidade, e essa evolução no conhecimento foi nitidamente percebida ao longo do projeto, o que fez total diferença na realização da tarefa final.

Reservamos um tempo no final da aula para juntar os grupos e discutirem entre si sobre a tarefa do vídeo, passamos em cada grupo para auxiliar nas ideias e tirar dúvidas. Nesse momento, percebemos que os alunos captaram o objetivo da tarefa e surgiram ótimas ideias. Na última, e terceira, parte da sequência assistimos aos vídeos dos grupos e discutimos sobre cada um. Foi um momento em que conseguimos perceber uma relação professor-estagiário-aluno, os alunos ocuparam um espaço em que se sentiam representados e valorizados.

Os resultados dos vídeos foram surpreendentes já que a ideia principal era que eles conseguissem representar a complexidade do elétron de forma criativa, e isso se fez. No primeiro vídeo analisado, a 'greve dos elétrons' se passou dentro de uma empresa, em que os elétrons começam uma greve e tudo parava de funcionar. Neste caso, o núcleo se comportou como 'chefe' e os elétrons como funcionários. No segundo vídeo analisado, a 'greve dos elétrons' era notificada por um telejornal ao vivo e à medida que cada elétron entrava em greve o mundo ia se desfazendo. No terceiro vídeo analisado, os aparelhos eletrônicos de uma menina começavam a parar de funcionar e ela não entendia o motivo, no decorrer do vídeo a imagem fica granulada e se desfaz. Concluímos, de acordo com a participação nas aulas, as dúvidas que surgiam e a atividade apresentada, que todos os alunos se engajaram com o projeto proposto e acreditamos terem compreendido o conteúdo abordado de uma maneira.

## Referências

FERNANDES, J. P.; GOUVÊA, G. A perspectiva CTS e a abordagem de questões sociocientíficas no ensino de ciências: aproximações e distanciamentos. Revista de Educação, Ciência e Tecnologia, Canoas, v. 9, n. 2, 2020.

GONÇALVES, E. N. O desinteresse e desmotivação dos alunos do Ensino Médio em aprender matemática. Trabalho de conclusão de curso (Licenciatura em matemática) - Universidade Federal de Alagoas. Arapiraca, 2022.

REIS, P. R. Controvérsias sócio-científicas: discutir ou não discutir? Percursos de aprendizagem na disciplina ciências da terra e da vida. 2004, 457f. Tese (Doutorado em Educação) - Departamento de Educação, Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal.

SOUZA, S. E de. O uso de recursos didáticos no ensino escolar. I Encontro de Pesquisa em Educação, IV Jornada de Prática de Ensino, XIII Semana de Pedagogia da UEM: 'Infância e Práticas Educativas'. Arq Mudi. 2007.

VIEIRA, K. R. C. F.; BAZZO, W. A. Discussões acerca do aquecimento global: uma proposta CTS para abordar esse tema controverso em sala de aula. Ciência &amp; Ensino, v. 1, n. Edição Especial, 2007.

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