CONSIDERAÇÕES INICIAIS SOBRE COLABORAÇÃO DOCENTE NO ENSINO DE FÍSICA A PARTIR DE UMA REVISÃO DE LITERATURA
Guilherme Nascimento, Marcos Correa Da Silva, Glauco S F Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 08/11/2023
- Linha de pesquisa
- Formação, práticas e desenvolvimento profissional docente no ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## CONSIDERAÇÕES INICIAIS SOBRE COLABORAÇÃO DOCENTE NO ENSINO DE FÍSICA A PARTIR DE UMA REVISÃO DE LITERATURA
## Guilherme Nascimento 1 , Marcos Correa da Silva 2 , Glauco S F Silva 3
- 1 Licenciatura em Física/CEFET/RJ - Campus Petrópolis, guilherme.nascimento@aluno.cefet-rj.br (Apoio CNPq)
Palavras-chave : Colaboração docente; Estágio supervisionado; Ensino de Física
## Resumo expandido
- O trabalho colaborativo é uma prática comum em espaços acadêmicos, especificamente, em grupos de pesquisas. Para Vaz (2007), as comunidades de pesquisas mantêm práticas inter ou intra-grupos para o desenvolvimento e produção de conhecimento. Aproximando os processos de colaboração para o cotidiano dos professores, Bulla e Costa (2017) dizem que '[...] a perspectiva colaborativa de formação de professores centra-se em atividades como grupos de estudos, produção coletiva de materiais didáticos, elaboração de projetos pedagógicos, entre outros.' (p.228). Corroborando com essa perspectiva, Tractenberg (2011) afirma que a colaboração docente ocorre quando 'dois ou mais professores interagem de forma mais ou menos estruturada e interdependente compartilhando saberes e realizando tarefas que se complementam' (p.21).
Nessa perspectiva, o presente artigo é parte de um projeto de iniciação científica, no contexto de uma pesquisa do Universal do CNPq, em andamento, cujo objetivo é uma ampla revisão bibliográfica sobre colaboração docente. Assim, neste artigo vamos apresentar um recorte para os trabalhos encontrados relacionados ao ensino de física.
Para a constituição do corpus de análise, foi adotado um processo de seleção de artigos revisados por pares, tendo como proposta inicial atualizar a revisão bibliográfica realizada por Silva e Martins (2017). A pesquisa foi realizada a partir do Portal de Periódicos da Capes (PPC), utilizando ferramentas de pesquisa e termos de busca propostos por Tractenberg (2011): 'codocência' ou 'co-docência', 'docência compartilhada', 'colaboração docente', 'co-ensino', 'ensino colaborativo' e 'ensino em equipe'. Para a pesquisa, foi considerado o período de 2017 a 2022, uma vez que Silva e Martins (2017) já apresentaram uma revisão para os anos anteriores, e os idiomas dos artigos não foram restringidos.
Por fim, foram selecionados os textos que continham os termos de busca no título, no resumo e/ou nas palavras chaves para constituírem o corpus de análise. Então, após a aplicação dos filtros, chegamos a um corpus de análise contendo 4 artigos. Os artigos estão apresentados no Quadro 1, onde são apresentados os títulos, autores, ano de publicação e um código atribuído a eles.
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Quadro 1 : Distribuição dos artigos não excluídos em função dos termos de busca, indicando seus autores, ano de publicação e códigos
Fonte: banco de dados dos autores
Através da leitura dos artigos foi possível identificar: a) três contextos em que a colaboração está presente, sendo eles: formação inicial de professores de física (CD1), estágio supervisionado (CD2 e DC1) e educação especial (DC2); b) 14 características que indicam colaboração, sendo essas: dois os mais indivíduos de áreas diferentes ou não (CD1, CD2, DC1 e DC2), planejamento conjunto das aulas (CD1, CD2, DC1 e DC2), busca pela horizontalidade nas relações e quebra das relações hierárquicas (CD1, CD2 e DC1), compartilhamento da sala de aula (CD1 e CD2), interdisciplinaridade (CD1, DC1), objetivos em comum (DC2); colaboração no processo de avaliação e reflexão sobre o ensino (CD2), reponsabilidade conjunta (DC2), relação de confiança entre os indivíduos (CD2), compartilhamento de saberes (CD1), co-aprendizagem (CD1), formação de professores em conjunto (CD2), relações de respeito entre os indivíduos (CD2) e o compartilhamento de atividades (DC1); c) três resultados da colaboração, sendo eles: aperfeiçoamento profissional e/ou pessoal (CD1, CD2, DC1 e DC2), tomada de consciência dos docentes e discentes da importância de trabalhar com a interdisciplinaridade e o quanto ela é importante para a formação de professores (CD1) e melhora no processo de desenvolvimento dos estágios e aprimoramento dos residentes (CD2). Nenhum dos artigos apresentaram obstáculos nos processos de colaboração docente.
As análises dos artigos foram realizadas através de diversas leituras buscando identificar, dentro do texto, menções, frases ou atividades que indicassem aspectos colaborativos em contextos de atividades docentes de ensino de física. Vamos, a seguir, apresentar uma parte da análise do artigo CD2 e DC2.
- O artigo CD2 apresenta a análise de uma experiência de codocência envolvendo discentes de Licenciatura em Física, professores da educação básica e professores universitários no contexto do Programa de Residência Pedagógica. O objetivo do artigo era apontar para o potencial da codocência para promover mudanças nos processos de ensino.
Uma das características que indicam colaboração, determinada para o artigo, foi a busca pela horizontalidade nas relações, como mostra o trecho do artigo que define as relações horizontais através da
Atenção, confiança e respeito constituem os alicerces para que haja a sintonia necessária entre os sujeitos, permitindo que ocorra a circulação de liderança. A constituição de relações horizontais é um processo dinâmico, um contínuo movimento, cuja situação de equilíbrio se mostra instável, tendo
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em vista que as relações entre os sujeitos se dão sempre no contexto de arenas de lutas hegemônicas (Silva; et al , 2022, p.242)
É possível observar no artigo esse movimento de desequilíbrio nas relações de poder, pois os estagiários eram responsáveis pela turma e quando tinham dificuldade de lidar com eles ou precisavam de ajuda a professora supervisora retomava o seu papel e coordenava as ações da aula.
Por sua vez, o artigo DC2 apresenta uma perspectiva do ensino de Física voltado para inclusão de pessoas com deficiência. Tendo como objetivo investigar e analisar a promoção do ensino de Física inclusivo em um colégio de uma universidade federal, com foco na Educação Especial e compreender como a docência compartilhada acontece entre os professores de Física e os professores da Educação Especial nesta instituição de ensino.
No artigo DC2 podemos ver o planejamento como uma importante característica para o processo de colaboração, é possível observar isso em dois trechos do artigo 'Considerando suas respostas percebe-se que quando ocorre uma conversa, ou planejamento as experiências são significativas,[...]' e 'O planejamento também deve ser algo pensado antecipadamente e sempre que possível, deve ser compartilhado, pois os professores especialistas possuem uma melhor visão do que os estudantes necessitam'.
Por tanto, a análise desses dois artigos, subsidiaram para definir a horizontalidade e o planejamento como sendo características da colaboração docente. Através dos resultados obtidos é possível identificar diversas características que possibilitam classificar e aplicar a colaboração docente no ensino de Física.
Além disso foi possível identificar que a maior parte dos artigos relatando a colaboração docente está presente em disciplinas de universidades e/ou no estágio supervisionado e na educação especial.
Os resultados propostos pela colaboração apontam para um caminho que beneficia os professores e alunos no processo de ensino. No entanto, o fato dos artigos não apresentarem problemáticas para a sua aplicação, não extingue a existência desses problemas. Sendo assim os processos colaborativos para o ensino de Física surge como uma alternativa ao ensino tradicional para envolver mais os alunos e professores.
## Referências
BULLA, G. S., COSTA, E. V. Atividades colaborativas na formação de professores de português como língua adicional no Programa de Português para Estrangeiros da UFRGS. In: Encontro internacional de investigadores de políticas linguísticas , 8., 2017, Florianópolis. Atas. Florianópolis, 2017. p. 226-236.
SILVA, M. C., Martins I. G. R., Estágio supervisionado e colaboração docente: dois caminhos que se cruzam. XI ENPEC . Florianópolis, SC. julho de 2017.
TRACTENBERG, L. Colaboração docente e ensino colaborativo na educação superior em ciências, matemática e saúde : contexto, fundamentos e revisão sistemática. Rio de Janeiro: UFRJ/ NUTES, 2011.
VAZ, A. M. Reflexões Éticas de Pesquisadores e Professores: empecilhos à prática de colaboração e efeitos da coadjuvação. In: NARDI, Roberto (Org.). A Pesquisa em Ensino de Ciências no Brasil : alguns recortes. São Paulo: Escrituras Editora, 2007. p. 219-238.
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