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TESTE COLETIVO COLABORATIVO (TCC) COMO ALTERNATIVA DE AVALIAÇÃO NO ENSINO DE FÍSICA

Marta Maximo-Pereira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
08/11/2023
Linha de pesquisa
Ensino, aprendizagem e avaliação em física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## TESTE COLETIVO COLABORATIVO (TCC) COMO ALTERNATIVA DE AVALIAÇÃO NO ENSINO DE FÍSICA

## Marta Maximo Pereira 1

1 Laboratório de Pesquisa em Ensino de Ciências (LaPEC) / Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ) campus Nova Iguaçu, martamaximo@yahoo.com

Palavras-chave : Avaliação; Atividade colaborativa; Ensino de Física.

## Resumo expandido

As práticas avaliativas são, em geral, no contexto escolar, objeto de interesse (e de problematização) por parte tanto de professores, gestores e pesquisadores (SANTOS, 2020) como de estudantes. Para Avelino (2023), elas não só afetam as relações na escola, mas produzem diferentes efeitos nos sujeitos, como algumas reações e sentimentos adversos, sobretudo quando se trata da lógica dos exames. Segundo Luckesi (2005), exames e avaliações da aprendizagem não são sinônimos, contudo, nem sempre esse entendimento predomina nas escolas.

Ainda que a avaliação seja um aspecto central dos processos de ensino e aprendizagem, propostas de atividades avaliativas alternativas a provas e testes convencionais ainda nos parecem pouco frequentes no Ensino de Física. Uma busca pela palavra 'avaliação' nos títulos dos artigos da Revista Brasileira de Ensino de Física e da Física na Escola retorna apenas um artigo em cada uma das revistas.

Considerando esse panorama no Ensino de Física, o objetivo deste trabalho é apresentar uma proposta de atividade avaliativa que permita ao professor avaliar e desenvolver variadas dimensões da aprendizagem dos estudantes. Essa avaliação alternativa, elaborada e denominada por nós de Teste Coletivo Colaborativo (TCC), está alinhada à perspectiva emancipatória da avaliação (HOFFMAN, 2000; ABIB, 2010), segundo a qual

[...] as práticas avaliativas encontram-se alicerçadas em uma abordagem sociocultural do ensino, em que as avaliações são feitas pelo grupo envolvido e por ações entre pares que procedem de modo corresponsável a momentos de avaliação mútua e permanente da prática educativa de professores e alunos orientados pela meta comum de melhorar os processos compartilhados (ABIB, 2010, p. 151).

Assim, o TCC tem como finalidade contribuir tanto para o acompanhamento da aprendizagem de conhecimento científico dos alunos como para o desenvolvimento, por parte deles, de ações conjuntas e responsáveis e de uma postura ética uns com os outros. Cabe esclarecer que o TCC mencionado neste texto não pode ser confundido com o trabalho de conclusão de curso que se faz na graduação ou na pós-graduação lato sensu , ainda que a sigla TCC em geral chame a atenção dos estudantes, de forma positiva, por conta dessa coincidência.

No TCC aqui proposto, as questões de um teste de Física são projetadas ou escritas no quadro uma a uma para toda a turma, que é dividida em grupos. Um

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primeiro grupo resolve a primeira questão do teste no quadro, para que todos vejam. Após o fim da resolução, os outros grupos podem se manifestar sugerindo alterações, correções ou concordando com a resolução. Após a discussão, chega-se à resolução final da questão, que será corrigida pelo professor, que atribuirá a pontuação da questão a todos os alunos da turma. O professor pode avaliar se confere a mesma pontuação ou uma pontuação diferente, se a resolução correta foi apresentada só pelo primeiro grupo ou se houve ajuda dos outros grupos. A ordem dos grupos para a resolução das questões pode ser sorteada.

Essa dinâmica segue para todas as questões do TCC. A nota final da turma no TCC é o somatório das pontuações obtidas em todas as questões. Todos os alunos da turma receberão a mesma nota. É interessante colocar o número de questões do TCC igual ao número de grupos da turma, para que todos tenham a mesma forma de participação. As características do TCC devem ser explicadas aos estudantes antes do início da atividade em si.

- O TCC pode ser utilizado tanto na Educação Básica como no Ensino Superior ou na Pós-Graduação. Nessa forma de avaliação, todos são responsáveis pela nota da turma e podem opinar e ajudar os colegas. Não há competição, somente colaboração, o que se alinha ao posicionamento de Freitas (2015, p. 1) sobre avaliação, segundo o qual 'a ênfase em provas cria concorrências e gera ganhadores e perdedores, o que não é compatível com os objetivos educacionais. Ao contrário do mercado, a Educação só deve ter ganhadores'.

Assim, em um TCC, os alunos podem trabalhar coletivamente, devem respeitar a opinião dos colegas e se tornam responsáveis uns pelos outros. Esse sentimento de pertencimento ao grupo e de participação nas decisões coletivas também é desenvolvido durante o TCC.

Essa proposta de TCC pode ser alterada de acordo com as necessidades e objetivos do professor que for realizá-la. Mas a atividade coletiva, colaborativa e dialógica, o compromisso ético e a atitude responsável e respeitosa em relação ao outro, aspectos fundamentais do TCC, precisam ser sempre preservadas em propostas desse tipo, que se alinham com a perspectiva emancipatória da avaliação. O TCC já foi utilizado, por exemplo, em uma turma de Ensino Médio na qual havia alguns problemas de relacionamento entre os alunos, mas suas potencialidades não se restringem a esse caso específico. Tal aplicação ocorreu em uma aula regular de Física. Os alunos foram avisados com antecedência de que a avaliação daquele dia seria o TCC e a dinâmica da atividade também foi explicada previamente a eles. O TCC resultou em interação e colaboração entre os estudantes, e a turma como um todo, de forma geral, demonstrou conhecimentos de Física compatíveis com o que havia sido ensinado.

Sobre o papel do TCC como avaliação alternativa aos testes e provas tradicionais, apontamos também que, ao serem avaliados de outros modos, os estudantes podem expressar de diferentes formas o conhecimento que elaboraram, o que torna o processo de avaliação mais democrático. É possível fazer essa inferência porque alguns alunos não conseguem expressar em uma prova convencional aquilo que aprenderam, mas podem fazê-lo se a forma como é feita a avaliação for diferente. Do mesmo modo, alunos que se saem bem em avaliações consideradas mais tradicionais podem ter um desafio adicional ao serem levados a utilizar o conhecimento que aprenderam de forma diferente e por intermédio de novas interações com os colegas.

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Esperamos com este relato de atividade avaliativa auxiliar docentes da Educação Básica e do Ensino Superior em Física a repensarem o papel da avaliação no contexto educativo. O TCC também pode inspirá-los a elaborarem atividades que possibilitem aos estudantes aprenderem enquanto são avaliados e a expressarem seus conhecimentos de formas originais, autorais e colaborativas.

## Referências

ABIB, M. L. V. S. Avaliação e melhoria da aprendizagem em Física. In: CARVALHO, A. M. P. et al. Ensino de Física . São Paulo: Cengage Learning, 2010.

AVELINO, C. Da hora do desespero ao aluno guloseima: uma análise das práticas avaliativas a partir dos efeitos e das relações tecidas no cotidiano escolar . 204f. Tese (Doutorado em Políticas Públicas e Formação Humana) Centro de Educação e Humanidades, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2023.

FREITAS, L. C. A lógica empresarial no ensino desmoraliza o professor. Nova Escola , v. 283, 2015. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/8417/a-logica-empresarial-no-ensinodesmoraliza-o-professor. Acesso em: 29 jun. 2023.

Revista

HOFFMANN, J. Avaliação : mito e desafio. 29. ed. Porto Alegre: Mediação, 2000. 118p.

LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem na escola : reelaborando conceitos e recriando a prática. 2. ed. Salvador: Malabares, 2005. 115p.

SANTOS, A. G. Contradições no ensino de física do nível médio: relações entre teoria e prática na experimentação e avaliação . 272f. Tese (Doutorado) Faculdade de Educação, Instituto de Física, Instituto de Química e Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2020.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.