UTILIZANDO TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NO ENSINO DE FÍSICA POR MEIO DO CELULAR
Bruno Felipe Venancio, Ezequiel Burkarter
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 08/11/2023
- Linha de pesquisa
- Tecnologias da informação e comunicação no ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## UTILIZANDO TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NO ENSINO DE FÍSICA POR MEIO DO CELULAR
## Bruno Felipe Venancio 1 , Ezequiel Burkarter 2
- 1 Instituto Federal do Paraná, bruno.venancio@ifpr.edu.br
- 2 Instituto Federal do Paraná, ezequiel.burkarter@ifpr.edu.br
Palavras-chave : Aplicativos; Ensino; Física.
## Resumo expandido
Nas duas últimas décadas, o mundo virtual ganhou e está ganhando cada vez mais espaço em nosso cotidiano. Utilizamos celulares nas mais variadas atividades, que vão desde o simples envio de mensagens de texto até consultas médicas. De acordo com a PNAD Contínua em 2018, em mais de 99% dos domicílios o acesso à internet era feito pelo celular, sendo que em apenas 48% o acesso também era feito por meio de microcomputador (IBGE, 2018). Em outras palavras, cerca de 50% da população acessa a internet somente pelo celular. Além disso, atualmente no Brasil, cerca de 90% dos usuários de celular utilizam o sistema operacional Android (CARDOSO, 2020), o que torna esse sistema um importante vetor para a disseminação de informações, produtos e serviços, especialmente através de aplicativos ou simplesmente apps.
Com a ampliação do acesso à internet, estamos mais dependentes das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), acarretando em incessantes transformações na sociedade em que estamos inseridos. Entretanto, segundo Castells et al ., as tecnologias não podem moldar a sociedade, é a sociedade que deve formatar as tecnologias de acordo com suas necessidades, valores e interesses (CASTELLS et al ., 2005). Diante desta realidade, evidencia-se mais uma vez o papel da educação, pois a escola contribui de maneira significativa para a formação do cidadão que atuará nessa sociedade. Portanto, vemos que o emprego das TICs no processo de ensino aprendizagem, quando adaptadas de maneira adequada, pode ser muito proveitoso tanto no desenvolvimento de um espírito crítico em relação ao papel dessas ferramentas na sociedade, quanto em relação à realização de atividades pedagógicas envolvendo o conteúdo escolar, particularmente na Educação Básica.
O desafio de avançar do ensino informativo para um ensino transformador passa pela ideia de Paulo Freire (1921-1997), de que a educação deve promover a identificação do indivíduo com métodos e processos científicos (FREIRE, 1967), sendo então necessário o desenvolvimento de ações, projetos e metodologias que aproximem os estudantes da atividade científica, tendo como base a sua realidade.
Uma forma de contribuir para dirimir as dificuldades apresentadas pelo sistema educacional brasileiro, é o emprego de TICs associadas a celulares. Ao utilizar tais ferramentas, estamos tratando da aprendizagem móvel (Mobile Learning ou M-Learnig). Segundo a Unesco, este tipo de aprendizagem possui benefícios como a expansão do alcance e da equidade da educação. Tais benefícios estimulam a aprendizagem individualizada, uma vez que permitem estudar e aprender em qualquer hora e lugar, otimizam o uso do tempo em sala de aula, dão suporte à
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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física
aprendizagem fora da sala de aula, cria uma relação entre a aprendizagem formal e não formal, entre outros (UNESCO, 2014).
Este resumo expandido tem por objetivo apresentar uma possibilidade de encaminhamentos de atividades para a abordagem de conceitos de corrente elétrica utilizando um aplicativo que não foi desenvolvido especificamente para fins educacionais, mas que pode ser adaptado para ser empregado no processo de ensino e aprendizagem. Este trabalho deriva de um projeto de pesquisa, que atualmente encontra-se em fase de desenvolvimento. Durante o projeto adotamos os seguintes encaminhamentos metodológicos: i. revisão bibliográfica para a construção de base de dados sobre o uso de apps no ensino de ciências; ii. levantamento na loja virtual do sistema operacional Android, dos apps têm potencial para serem utilizados; iii. elaboração de atividades para aplicação no contexto do projeto; iv. realização testes e experimentos para verificar a viabilidade de aplicação dessas atividades; v. aplicação das atividades em sala de aula.
O primeiro passo de nossa metodologia foi realizar uma revisão bibliográfica a respeito do assunto. Tal ação revelou alguns trabalhos que propunham atividades no escopo de nosso projeto. Por exemplo, encontramos alguns trabalhos que empregam o uso do aplicativo google earth no ensino de ondas (SOUZA & AGUIAR, 2010; JARDIM, 2016), e a utilização de apps que monitoram corrida de rua para abordar conceitos de cinemática (DE ALMEIDA, 2018; VENANCIO, 2019). No ponto (ii) de nossa metodologia, encontramos diversos aplicativos com potencial para desenvolvimento de sequências de atividades. Por exemplo, aplicativos de monitoramento de atividades físicas (Strava, Runtastic, etc), de acompanhamento do trânsito (Waze, Google Maps, Moovit, etc.), de culinária (Tudo Gostoso, Aquela Receita, Tastemad, etc.), e que acompanham processos elétricos em dispositivos móveis (Ampere, Battery Monitor, Battery Doctor, etc.), que podem ser usados para abordar conceitos de cinemática, termodinâmica e eletromagnetismo.
Na sequência, desenvolvemos algumas sequências de atividades. Para ilustrar tais sequências, vamos discutir brevemente um exemplo, que consiste do estudo do conceito da intensidade de corrente elétrica através da análise de um aplicativo que monitora o estado da bateria do celular. Para isso utilizamos o app Ampere. Tal proposta de atividades foi dividida em cinco momentos a saber: (i) realização de uma revisão acerca dos conceitos de carga e corrente elétrica; (ii) a análise e obtenção de informações contida na etiqueta com os dados nominais de um carregador de celular; (iii) a utilização de um app para a obtenção de informações acerca da bateria do aparelho; (iv) cálculo do tempo de carga e de descarga da bateria; e (v) reflexões sobre os fatores que influenciam no consumo da carga bateria do celular.
Para ilustrar essa sequência de atividades apresentamos o passo (iii). Para descobrir a capacidade da bateria de um celular, baixamos e instalamos o app Ampere. Ao abrir o app Ampere encontramos diversas informações sobre sua bateria, veja a figura 01. A partir dessas informações o aluno é capaz de identificar a capacidade máxima de carga e a carga atual da bateria.
Finalmente, espera-se que este projeto possa resultar no desenvolvimento de alternativas metodológicas para o ensino de ciências em espaços formais ou informais, que aproxime os conteúdos abordados na disciplina de física à realidade que cerca os alunos. Além disso, buscamos atrair a colaboração de docentes e pesquisadores de outras disciplinas para contribuir com o projeto.
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Figura 01: Print da tela de um celular. A partir desta tela podemos identificar a capacidade máxima de carga (3.600 mA.h) e o nível da carga atual (1.944 mA.h). Fonte: os autores.
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## Referências
CARDOSO, B. 9 em cada 10 brasileiros usam celular Android, diz relatório do Google. TechTudo , 21 de nov. de 2020. Disponível em: <https://shre.ink/9pGY>. Acesso em 14 jul. 2023.
CASTELLS, M. A sociedade em rede: do conhecimento à política. In: Castells, Manuel; Cardoso, Gustavo (org). A sociedade em rede: do conhecimento à acção política, 2005. p. 17-30, Disponível em: <https://shre.ink/9pG2>. Acesso em: 14 jul. 2023.
DE ALMEIDA, E. F. Novas tecnologias no ensino de Física: o aplicativo Runtastic no ensino da cinemática. 2018. 84 p. Dissertação de Mestrado, Instituto Federal Do Rio Grande Do Norte, Natal 2018.
FREIRE, P. Educação como prática de liberdade . Rio Janeiro: Paz e Terra, 1967.
IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Acesso à Internet e à Televisão e posse de Telefone Móvel Celular para Uso Pessoal, 2018. Disponível em <https://shre.ink/9pGz>. Acesso em 10/06/2021.
JARDIM, W. T. Visualizando a difração e interferência de ondas através do software Google Earth: discutindo a natureza da luz. A Física na Escola (Online), v. 14, n. 22-26, 2016. Disponível em <https://shre.ink/9pGo>. Acesso em 14 jul. 2023.
VENANCIO, B. F. Usando um aplicativo que monitora corridas de rua para o estudo da cinemática. 2019. Trabalho de Conclusão de Curso, 2019. Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2019.
SOUZA, A. R.; AGUIAR, C. E. Ondas, barcos e o google earth. XII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física -Águas de Lindóia -2010. Disponível em <https://shre.ink/9pSZ>. Acesso em 14 jul. 2023
UNESCO. Diretrizes de políticas da UNESCO para a aprendizagem móvel . Brasília, UNESCO, 2014. Disponível em <https://shre.ink/9pG8>. Acesso em: 14 jul. 2023.
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