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A IMPORTÂNCIA DA REPRESENTATIVIDADE FEMININA NA CIÊNCIA: RELATO DE UMA OFICINA DESENVOLVIDA EM UMA ESCOLA PÚBLICA

Ana Thereza Baranoski Azevedo, Yasmin Pereira Woginski, Gabriel Damasceno De Almeida, Jeimeson Roberto França, Karine Karsten

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
08/11/2023
Linha de pesquisa
Equidade, inclusão, diversidade, direitos humanos e estudos culturais no ensino de física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A IMPORTÂNCIA DA REPRESENTATIVIDADE FEMININA NA CIÊNCIA: RELATO DE UMA OFICINA DESENVOLVIDA EM UMA ESCOLA PÚBLICA

*Ana Thereza Baranoski Azevedo 1 , Yasmin Pereira Woginski 2 , Gabriel Damasceno de Almeida³, Jeimeson Roberto França 4 , Karine Karsten 5

- 1 Universidade Federal do Paraná, anathereza@ufpr.br
- 2 Universidade Federal do Paraná, yasminwoginski@ufpr.br
- 3 Universidade Federal do Paraná, gabriel.damasceno@ufpr.br
- 4 Colégio Estadual Pedro Macedo, jeimeson.franca@escola.pr.gov.br
- 5 Escola Municipal Castro Alves/UFPR/PPGE/GEPCED-CN, karstenkarine@ufpr.br

Palavras-chave : Mulheres cientistas; Representatividade; Ensino de ciências.

## Resumo expandido

Ao longo da história, a representatividade de mulheres em áreas da Ciência e Tecnologia é insuficiente. Durante a educação básica, uma das poucas - quando não a única - mulher cientista citada é a Marie Skłodowska-Curie, cujo impacto científico foi tão notório que, além de ganhar dois prêmios Nobel, foi a única pessoa até os dias atuais contemplada com esse prêmio em duas áreas distintas: Física e Química. De acordo com Bolzani (2017, p.56), 'Nos 90 anos que se seguiram àquela Conferência de Solvay, somando as áreas de física, química e medicina, somente 16 prêmios Nobel foram concedidos a mulheres, em um total de 320 premiações', ou seja, ainda nos dias atuais, o número de mulheres escolhidas para receber o prêmio mais importante da Ciência é bastante irrisório.

Essa disparidade tem consequências profundas, afetando não apenas as mulheres cientistas individualmente, mas também a sociedade. Uma das formas pelas quais essa desigualdade se manifesta é na falta de reconhecimento das mulheres cientistas no Prêmio Nobel. O preconceito e a falta de incentivo para mulheres na ciência é um obstáculo significativo que interfere negativamente na luta contra a desigualdade nas áreas supracitadas. Sabendo disso, essa luta deve iniciar nas escolas, pois '[...] a escola [...] delimita espaços. Servindo-se de símbolos e códigos, ela afirma o que cada um pode (ou não pode) fazer, ela separa e institui. Informa o 'lugar' dos pequenos e dos grandes, dos meninos e das meninas.' (LORO, 1997, p.58).

Para incentivar o maior número de mulheres no desenvolvimento da ciência, considera-se necessária a divulgação das mulheres cientistas como forma de as meninas se vislumbrarem nessa área desde a educação básica. Diante disso, neste trabalho relatamos uma experiência realizada com quatro turmas do ensino médio de um colégio estadual de Curitiba a fim de compartilhar uma forma de abordar essa questão de gênero na ciência e apresentar os conhecimentos prévios que identificamos nos(as) estudantes e que visamos transpor.

No âmbito do PIBID - subprojeto Física - da UFPR, após um diagnóstico sobre os sujeitos escolares, os bolsistas perceberam episódios de discriminação de gênero, o que os motivou a desenvolverem ações para enfrentamento da situação. Assim, a convite dos bolsistas, o colégio recebeu uma oficina, desenvolvida pelo

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projeto de extensão da UFPR Meninas e Mulheres nas Ciências (MMC), sobre as mulheres que receberam o Prêmio Nobel, desde o início dessa premiação.

As turmas contempladas na oficina realizada pelo projeto MMC foram duas turmas de 1° ano do itinerário de Desenvolvimento de Sistemas e duas turmas de 2° ano do novo ensino médio itinerário Ciências da Natureza. Por se tratarem de turmas com itinerários voltados à ciência e tecnologia, esperava-se que elas pudessem dispor de maior conhecimento sobre a presença de mulheres na ciência. Ressalta-se que o número de meninas era sempre menor do que a quantidade de meninos, indicando que, na entrada do ensino médio, muitos estudantes já interiorizaram os papéis de gênero dominantes na sociedade. Ao total, estiveram presentes nas oficinas 31 meninas e 64 meninos. Cada oficina durou cerca de 1 hora e 40 minutos, correspondente a duas aulas do horário escolar. Todas as oficinas tiveram o mesmo roteiro e práticas, distinguindo-se apenas nas interações dos alunos.

Para iniciar, a professora representante do MMC levantou um questionamento: 'Por que é necessário existir um projeto voltado a incentivar meninas e mulheres cientistas?'. Em todas as turmas, os estudantes pareciam refletir sobre a pergunta, mas poucos se propuseram a respondê-la em voz alta e, quando aconteciam, eram apenas os meninos.

Em uma das turmas de 1° ano, alguns meninos apresentaram uma postura hostil, respondendo às perguntas da professora com zombaria e risadas. Nessa turma em específico, a professora questionou o motivo de haverem tão poucas alunas meninas na turma de um itinerário de ciências e tecnologia. Um dos meninos respondeu que 'as meninas não se interessam [por desenvolvimento de sistemas]' e então uma das quatro meninas presentes na turma, entre 21 alunos, respondeu que não era questão de interesse, mas medo de ser rejeitada.

Além desta problematização, a professora fez outras como: i) Será que não tivemos mulheres ao longo da história na ciência?; ii) Quais mulheres cientistas vocês conhecem?; iii) Esses quadros no laboratório, com fotos de somente homens, não incomoda vocês? (Na parede do laboratório da escola há imagens de físicos considerados notáveis). Na maioria das questões, houve muito tempo de silêncio e poucas respostas. Em relação à questão i , um dos meninos presentes em uma das turmas disse que cientistas mulheres, como Ada Lovelace, 'talvez não fizeram um trabalho tão grande'. Na questão ii, em outras turmas, tivemos a descrição das mulheres Marie Curie e da Madre Teresa, esta segunda, que não é uma cientista e a falta de outras mulheres, indicam o desconhecimento da participação feminina neste campo.

Após essas interações, a professora explicou sobre o prêmio Nobel para os estudantes. A partir de informações sobre o número total de prêmios distribuídos desde a primeira edição, em 1901, até 2020, e sabendo quais as categorias de prêmios a professora propôs uma atividade: eles deveriam tentar adivinhar, através de palpites escritos, quantas mulheres foram premiadas em cada categoria. Após, a professora anotou os palpites deles no quadro. Os primeiros palpites das turmas foram os seguintes:

Quadro 01: Palpites das turmas

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A partir dos dados apresentados, percebe-se que os estudantes já têm uma percepção de que a participação de mulheres na ciência é menor.

Depois disso, antes de revelar as respostas corretas, a professora distribuiu jogos 1 da memória elaborados no âmbito do projeto MMC, os quais contêm imagens de todas as mulheres contempladas com o prêmio Nobel até 2020. Os alunos estavam distribuídos em quatro mesas e cada grupo de alunos ficou responsável por organizar uma categoria de ganhadoras cronologicamente, em ordem crescente. Dessa forma, um dos grupos contabilizou 17 ganhadoras do Nobel da Paz, o segundo grupo totalizou 16 ganhadoras do Nobel de Literatura, no terceiro grupo haviam 12 ganhadoras do Nobel de Medicina ou Fisiologia e, por fim, o último grupo ficou responsável pelas ganhadoras dos prêmios de Física, Química e Ciências Econômicas, sendo respectivamente sete, quatro e duas laureadas. Com as respostas reveladas, os alunos foram capazes de descobrir se haviam acertado ou se aproximado das respostas. Em geral, as áreas de Física e Química recebiam as menores apostas em relação às outras áreas. Após essa interação, a professora liberou os alunos para brincarem propriamente com os jogos da memória distribuídos e quebra-cabeças. Na imagem de cada quebra-cabeça se encontra uma cientista premiada, como a Maria Goeppert Mayer, que ganhou o Nobel de Física em 1963.

Durante a oficina descrita, percebemos vários indicadores do silenciamento das mulheres na ciência e do quanto o machismo estrutural está presente nas salas de aula, o que reforça a importância de trabalhos como esse. Nas etapas seguintes do projeto, pretendemos trabalhar com os alunos os grandes feitos de mulheres cientistas. Para isso, o professor responsável pelas turmas irá passar uma atividade avaliativa para os alunos pesquisarem sobre a vida e descobertas de importantes cientistas femininas e, após essa etapa, os cartazes presentes nas paredes do laboratório serão complementados com imagens e informações de cientistas notáveis, desta vez homens e mulheres.

## Referências

BOLZANI, Vanderlan da Silva. Mulheres na ciência: por que ainda somos tão poucas? Cienc. Cult ., São Paulo, v. 69, n.4, p. 56-59, Out. 2017. Disponível em <http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci\_arttext&pid=S0009-67252017000 400017&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 09 de julho de 2023.

LORO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista . Petrópolis (RJ): Vozes, 1997.

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