O ESTUDO DA EVASÃO NAS LICENCIATURAS EM FÍSICA POR UMA PERSPECTIVA SOCIAL - UM BREVE ESTADO DA ARTE
Paulo Eduardo Bueno, Irinéa De Lourdes Batista
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 08/11/2023
- Linha de pesquisa
- Equidade, inclusão, diversidade, direitos humanos e estudos culturais no ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## O ESTUDO DA EVASÃO NAS LICENCIATURAS EM FÍSICA POR UMA PERSPECTIVA SOCIAL - UM BREVE ESTADO DA ARTE
## Paulo Eduardo Bueno 1 , Irinéa de Lourdes Batista 2
1 Universidade Estadual de Londrina -UEL, Departamento de Física, Paulo.Ed.Bueno@uel.br
2 Universidade Estadual de Londrina -UEL, Departamento de Física, Irinea@uel.br
Palavras-chave : Ensino de Física, Evasão, Licenciatura em Física.
Ao investigar os quadros de evasão nas intuições de ensino superior, nos deparamos facilmente com denúncias alarmantes, construídas a partir de análises estatísticas das mais diversas. Naturalmente, investigar as elevadas taxas de evasão de cursos universitários desperta interesse, visto que, sobretudo em instituições públicas, manter cursos com índices de evasão pouco favoráveis desperta rapidamente o estigma de 'desperdício de investimentos'.
O presente trabalho buscou investigar as condições atuais dos quadros de evasão no ensino superior brasileiro, com foco nos cursos de licenciatura em física de instituições públicas, por meio de uma perspectiva social. Para os fins dessa investigação, adotou-se o referencial de Hugh Lacey (Valores e Atividade Científica, 2010), para delimitar as noções de significado de uma perspectiva social. De forma breve, será considerado perspectiva social, a investigação de determinados valores sociais (ex: coletividade, reconhecimento, elementos de autoeficácia, origem etc.) e sua influência para a realização de um ideal (ex: perseverança e eventual conclusão).
Esse processo investigativo ocorreu por meio da comparação dos resultados de duas etapas, a primeira que consiste na sistematização de dados estatísticos, referentes às situações das matrículas em instituições públicas de ensino superior (Quadro 01), consultados por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com objetivo de ilustrar o quadro nacional de evasão que contextualizam as investigações recentes.
Quadro 01 - Matrículas ensino superior público brasileiro (2016 - 2021)
Fonte: Censo da Educação Superior/Inep. (*Vínculo institucional cessado)
A segunda etapa compreende um levantamento bibliográfico, por meio do qual pretende-se estabelecer um breve estado da arte referente aos trabalhos nacionais que investigam o fenômeno de evasão no ensino de ciências por meio de uma perspectiva social.
Para a busca bibliográfica foram selecionadas revistas cujo foco fossem investigações no ensino de ciências e que possuíssem fator qualis A, sendo elas Ciência & Educação (A1), Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências (A1), Investigações em Ensino de Ciências (A1), Revista Brasileira de Pesquisa em
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Educação em Ciências (A1) e a Revista Brasileira de ensino de Física (A1), totalizando cinco revistas, utilizou-se as palavras-chave 'Evasão', 'Persistência' e 'Física' de forma alternada.
Naturalmente, uma busca por trabalhos que possuam a evasão no ensino de ciências resulta em numerosos resultados, no entanto para os efeitos desta investigação utilizamos os seguintes critérios: Trabalhos publicados nos últimos cincos anos e em língua portuguesa; que tenham a evasão e/ou persistência como foco de sua investigação, não apenas como motivação; e que centram sua pesquisa no ensino de ciências ou especificamente na licenciatura em física.
A partir desse levantamento, foi possível sistematizar esses trabalhos quanto a seus objetivos. Como podemos acompanhar no quadro a seguir, os trabalhos foram sistematizados segundo categorias inspiradas no trabalho de Franco (2022).
Quadro 02 - Sistematização dos artigos em função de sua temática
Fonte: Elaborado pelo autor com base em FRANCO (2022).
Destacamos que, por conta do cenário pandêmico recente, houve um atraso nas publicações de novos dados estatísticos referentes ao ano de 2022, ainda assim, podemos perceber ao compararmos os dados do Quadro 01, que o número de matrículas desvinculadas anualmente diminui a partir de 2019, da mesma forma, eleva-se o número de matrículas trancadas. Provável consequência do medo e incerteza, que pairavam sobre os estudantes durante a transição para a continuidade de maneira remota da educação superior durante a pandemia.
Vale pontuar que, a grande maioria dos trabalhos sistematizados, aposta em abordagens de descrição de cenários de evasão ou em investigar os fatores que influenciam os processos de evasão e persistência. Destaca-se o trabalho de Moraes (2020), cujo foco de pesquisa é propor ações institucionais. O autor defende a perspectiva de que estudantes com desempenho acadêmico favorável, estariam mais propensos a persistência, em adição, propõe metodologia de ensino ativas que poderiam favorecer a ocorrência de desempenhos acadêmicos mais adequados.
Há ainda, a possibilidade de discutirmos a recorrência de determinados fatores, atribuídos por diferentes autores enquanto causa de evasão ou de
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persistência nos cursos de ciências da natureza. Podemos, seguindo a linha de pensamento de Rangel (2019), pensar a necessidade de buscarmos por estatísticas adequadas, porque a mobilidade interna não reflete desperdício de investimentos, mas a identificação de um estudante com uma nova área e a possível busca de um novo sonho.
Concluímos, portanto, ao nos alinharmos ao referencial de Rugh Lacey evidenciamos que, no senário nacional as investigações dos processos de evasão que adotam referencias na sociologia clássica e contemporânea, abordam o ideal da persistência estudantil principalmente por meio de elementos preditores de engajamento e integração.
## Referências
FRANCO, Bianca Vasconcelos et al. Evasão e persistência estudantil em cursos de graduação das áreas de ciências e matemática: uma revisão da literatura. Investigações em ensino de ciências , v. 27, n. 1, p. 272, 2022.
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\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_. Indicadores de fluxo 2017 - 2021. Brasília: Inep, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/acesso-a-informacao/dados-abertos/indicadoreseducacionais/indicadores-de-fluxo-da-educacao-superior. Acesso em: 10 06.2022.
LACEY, H. Valores e atividade científica 2. Editora 34. São Paulo. 2010.
LIMA JUNIOR, Paulo et al. A Integração dos Estudantes de Periferia no Curso de Física: razões institucionais da evasão segundo a origem social. Ciência & Educação (Bauru), v. 26, 2020a.
MORAES, Kaluti; HEIDEMANN, Leonardo; DE OLIVEIRA, Tobias Espinosa. Métodos ativos de ensino podem ser entendidos como recursos para o combate à evasão em cursos de Ciências Exatas? Uma análise pautada nas ideias de Vincent Tinto. Caderno brasileiro de ensino de física , v. 37, n. 2, p. 369-405, 2020.
PIGOSSO, Letícia Tasca; RIBEIRO, Bruna Schons; HEIDEMANN, Leonardo Albuquerque. A Evasão na Perspectiva de quem Persiste: um Estudo sobre os Fatores que Influenciam na Decisão de Evadir ou Persistir em Cursos de Licenciatura em Física Pautado pelos Relatos dos Formandos. Revista brasileira de pesquisa em educação em ciências. Porto Alegre. Vol. 20, (jan. 2020), p. 245273, 2020.
RANGEL, Flaminio de Oliveira et al. Evasão ou mobilidade: conceito e realidade em uma licenciatura. Ciência & Educação (Bauru), v. 25, p. 25 - 42, 2019.
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