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História em Quadrinhos na Ciência: Uma Proposta de Ensino de Ciências para Estudantes com Necessidades Educacionais Especiais em uma Perspectiva Multidisciplinar

Ricardo Marculino Marques Da Silva, Juliana Neves Dos Santos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
08/11/2023
Linha de pesquisa
Equidade, inclusão, diversidade, direitos humanos e estudos culturais no ensino de física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## HISTÓRIA EM QUADRINHOS NA CIÊNCIA: UMA PROPOSTA DE ENSINO DE CIÊNCIAS PARA ESTUDANTES COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS EM UMA PERSPECTIVA MULTIDISCIPLINAR

Ricardo Marculino Marques da Silva¹, Juliana Neves dos Santos 2

- 1 Secretaria da Educação do Ceará/EEMTI Governador Adauto Bezerra; Universidade Federal do Ceará/Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física, ricardo.silva3@prof.ce.gov.br
- 2 Secretaria da Educação do Ceará/16ª Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação, juliana.santos@prof.ce.gov.br

Palavras-chave : Ensino de Ciências; História em Quadrinhos; Educação inclusiva.

## Resumo expandido

O maior desafio dos educadores, gestores e secretários de educação sempre foi buscar melhorias no processo de ensino e aprendizagem. Neste período atual, em que os efeitos da pandemia de Covid-19 ainda estão presentes em nossas escolas e têm causado diversas transformações na educação, esse desafio está ainda maior. Por isso, tornou-se essencial reinventar práticas pedagógicas e desenvolver novos caminhos, utilizando recursos e materiais didáticos (CEARÁ, 2021). Para isso, é necessário integrar ações de formação continuada dos professores e desenvolver novas técnicas e abordagens pedagógicas práticas em sala de aula, que permitam aos estudantes coletar, relacionar, organizar, manipular e discutir informações, visando uma melhor compreensão de sua realidade humana e social (BARBOZA; MARTORANO, 2017).

Em um mundo em que as informações estão ao alcance das mãos, o ensino de ciências precisa estar constantemente atualizado, e a busca por novas metodologias é indispensável (LIMA et al ., 2021). Corroborando com isso, a BNCC (BRASIL, 2018) enfatiza a importância de criar oportunidades para que os estudantes se envolvam nos processos de aprendizagem e desenvolvam posturas mais colaborativas, sendo capazes de sistematizar suas primeiras explicações sobre o mundo natural, tecnológico, o próprio corpo, saúde e bem-estar. Portanto, é necessário que a prática docente esteja em constante reconstrução e atualização, buscando novas técnicas e abordagens pedagógicas em sala de aula, com o objetivo de tornar os estudantes protagonistas do processo de ensino e aprendizagem, e não meros receptores de conhecimento.

Dentro desse contexto, torna-se imperativo realizar uma revisão no ensino de ciências, que por muito tempo se baseou na mera transmissão de informações, utilizando o livro didático como o principal instrumento em sala de aula. É essencial adotar uma abordagem que possibilite aos estudantes alcançarem a alfabetização científica de forma efetiva (LIMA; CANTANHEDE, 2020). Para tanto, propomos fundamentar nossa proposta em duas abordagens: a Aprendizagem Baseada em Projetos (PBL, em inglês) e a Pedagogia Histórico-Crítica (PHC). A associação dessas abordagens se dá pelo fato de que ambas colocam o estudante como sujeito ativo do processo, permitindo que ele seja o protagonista de suas próprias descobertas e compreenda o mundo e seus mecanismos de maneira mais profunda

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(SANTOS, 2012). Desse modo, o estudante se torna um sujeito capaz, produtor de cultura e coautor do trabalho realizado diariamente na escola (PROENÇA, 2018). Isso promove a Alfabetização Científica (AC) dos alunos, que, segundo SÁ-SILVA, DO VALLE e SOARES (2020), visa

formar indivíduos capazes de compreender as questões que vivenciam no seu dia a dia e, a partir disso, espera-se que a população alfabetizada cientificamente seja capaz de estabelecer relações entre Ciência e sociedade, ampliando sua visão de mundo ao ponto de se apropriar do poder de transformar a realidade que o circunda. (SÁ-SILVA; DO VALLE; SOARES, 2020)

assim, podemos proporcionar aos estudantes uma melhor compreensão da ciência, de suas implicações na sociedade e de como ela é capaz de transformar a realidade em que estão inseridos.

Além disso, almejamos conectar a Aprendizagem Baseada em Projetos (PBL) e a Pedagogia Histórico-Crítica (PHC) com o uso de histórias em quadrinhos. De acordo com RAMA et al. (2004), essas histórias são especialmente úteis para exercícios de compreensão de leitura, além de servirem como fontes inspiradoras para estimular os métodos de análise e síntese das mensagens. Adicionalmente, conforme destacado por NAKAMURA, VOLTOLINI e BERTOLOTO (2020),

a leitura de histórias em quadrinhos favorece uma aprendizagem prazerosa, colabora para a formação do leitor e do processo de ensino-aprendizagem da escrita. Entendemos que é possível, por meio da literatura de história em quadrinhos, que se caracteriza pela sequência dos quadros combinando imagem e texto, formar cidadãos leitores capazes de atuar no contexto social dialogando e produzindo novos textos. (NAKAMURA, VOLTOLINI E BERTOLOTO, 2020)

As histórias em quadrinhos representam um meio de comunicação de massa em todo o mundo, pois possuem uma linguagem acessível e podem ser facilmente difundidas por diversos meios. Por muitos anos, no entanto, elas foram condenadas por pais e professores e excluídas do contexto escolar, devido à desconfiança em relação aos efeitos que poderiam ter sobre os leitores (RAMA et al. , 2004). Atualmente, vemos que a utilização de histórias em quadrinhos como recurso didático na educação tem sido cada vez mais reconhecida e valorizada, e muitos professores de diversas áreas do conhecimento buscam utilizá-las tanto para tornar as aulas mais agradáveis como para a discussão de temas específicos na sala de aula ( idem, ibidem ).

- O ensino de ciências para estudantes com necessidades educacionais especiais requer do docente a utilização de metodologias e recursos que atendam às necessidades específicas de cada indivíduo, buscando incluir todos os estudantes.

Assim, a nossa proposta consiste na produção e utilização de HQs, desenvolvidas sob uma abordagem multidisciplinar, buscando proporcionar aos estudantes com necessidades educacionais especais uma visão mais ampla da ciência, promovendo uma participação mais ativa no processo de ensino e aprendizagem. Para tal, propomos ainda a utilização de uma sequência didática estruturada de acordo com os cinco passos da PHC propostos por Saviani (2018, p.121): prática social inicial, problematização, instrumentalização, catarse e prática social final. E, além disso, amparada nos instrumentos metodológicos planejamento,

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observação, registro, reflexão e avaliação, pois estes contribuem para um melhor acompanhamento do trabalho docente, proporcionado a construção de uma prática pedagógica comprometida com aprendizagens mais significativas, tanto individuais quanto coletivas (PROENÇA, 2016, p.44).

Diante do exposto, apresentar uma proposta de ensino de ciências por meio de histórias em quadrinhos (HQ) proporciona uma alternativa inclusiva e atrativa para estudantes com necessidades educacionais especiais. Ao pensarmos na utilização de histórias em quadrinhos no ensino de ciências numa perspectiva multidisciplinar, podemos abranger diversos componentes curriculares, como física, química, biologia e geografia, possibilitando explorar de forma integrada diversos conceitos e proporcionando aos estudantes uma visão mais ampla e contextualizada da ciência. Além disso, a abordagem multidisciplinar estimula o interesse e a participação ativa dos estudantes, tornando-os sujeitos ativos do processo de ensino e aprendizagem.

## Referências

BARBOZA, R.; MARTORANO, S. A. A.; Reflexões E Práticas Na Formação De Professores De Ciências Naturais. Revista Brasileira Educação em Ciências e Educação Matemática (ReBECEM) , v.1, n.1, p. 16-29, dez. 2017.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular-Educação É A Base . Brasília, DF, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/wpcontent/uploads/2018/04/BNCC\_19mar201 8 \_versaofinal.pdf. Acesso em: 17 maio. 2023.

CEARÁ. Matriz de Conhecimentos Básicos - MCB . Fortaleza: SEDUC, 2021.

LIMA, F. S.; CANTANHEDE, A. M. A utilização do jogo no ensino de ciências e a alfabetização científica. Em: SÁ-SILVA, J. R.; VALLE, M. G. DO; SOARES, K. J. C. B. (Eds.). A Alfabetização Científica na Formação Cidadã: Perspectivas e Desafios no Ensino de Ciências . Curitiba: Appris, 2020. Edição do Kindle.

LIMA, S. F. et al. Formação continuada de professores de ciências da natureza por meio de oficina pedagógica. Revista Comunicação Universitária , v. 1, n. 1, 2021.

NAKAMURA, L. O. de O.; VOLTOLINI, A. G. M. F. DA F.; BERTOLOTO, J. S. O uso de histórias em quadrinhos no ensino: teoria, prática e BNCC. Revista Educação Pública , v. 20, n. 29, 2020.

PROENÇA, M. A. Prática docente . São Paulo: Panda Educação, 2016.

RAMA, A.; VERGUEIRO, W. Como usar as histórias em quadrinhos na sala de aula . São Paulo: Contexto, 2008.

SÁ-SILVA, J. R.; DO VALLE, M. G.; SOARES, K. J. C. A alfabetização científica na formação cidadã: perspectivas e desafios no ensino de ciências . Curitiba: Appris, 2020. Edição do Kindle.

SANTOS, C. S. dos. Ensino de Ciências: Abordagem Histórico-Crítica . 2. ed. Campinas: Armazém do Ipê, 2012.

SAVIANI, D. Escola e democracia . 43. ed. Campinas: Autores Associados, 2018.

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