CONCEITOS FÍSICOS E SUPER-HERÓIS: UMA ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO DE CARUARU SOBRE ESTA RELAÇÃO
Renan Felipe Dos Santos Tavares, João Eduardo Fernandes Ramos
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 08/11/2023
- Linha de pesquisa
- Ensino, aprendizagem e avaliação em física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## CONCEITOS FÍSICOS E SUPER-HERÓIS: UMA ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO DE CARUARU SOBRE ESTA RELAÇÃO
Renan Felipe dos Santos Tavares¹, João Eduardo Fernandes Ramos².
¹ Universidade Federal de Pernambuco, renan\_felipe1909@hotmail.com, renan.tavares@ufpe.br ² Universidade Federal de Pernambuco, joao.framos@ufpe.br
Palavras-chave: Percepção dos estudantes; Conceitos Físicos; Super-heróis.
## Resumo Expandido
Este trabalho tem como objetivo principal analisar a percepção que os alunos do Ensino Médio de algumas escolas da cidade de Caruaru-PE têm, sobre o uso dos Conceitos Físicos abordados em histórias de super-heróis e perceber se eles possuem o discernimento para perceber o que é ciência e o que é pseudociência. Para atingir nosso objetivo realizamos algumas etapas. Foram elas: Levantamento Bibliográfico para embasamento teórico; Elaboração de um questionário que contenha perguntas sobre o consumo de produtos com temática de Super-heróis, para investigar se realmente há interesse dos estudantes sobre esse nicho; Ainda no questionário, implementação de questões que possibilitem uma análise, para identificar se os alunos conseguem diferenciar ciência de pseudociência e se conseguem perceber a aplicação correta dos conceitos físicos e por fim, realização da análise dos dados obtidos e explanação dos resultados.
É até possível que haja Conceitos Físicos que sejam aplicados de forma correta e passíveis de replicação na vida real nesse tipo de obra (ficção científica), porém existem outros conceitos que são usados de forma equivocada e são impossíveis de existir na realidade. Quando isso ocorre, chegamos ao possível ponto da Pseudociência estar sendo aplicada. Logo, a capacidade de discernimento do que é ciência ou o que é pseudociência fica de total responsabilidade do consumidor, porém é possível que algumas pessoas que nunca tenham tido acesso ao conhecimento científico acreditem em aplicações erradas dos Conceitos Físicos.
Sabe-se que existem obras exclusivas para Divulgação Científica, Francisco Junior em sua tese de Mestrado, define divulgação científica como: 'um material escrito em linguagem acessível ao grande público que apresenta certa perda no rigor científico, [...]. Essa perda seria compensada pela abrangência e visão global com que são escritos.' (NASCIMENTO JUNIOR, 2013, p.20). Com isso, é notório que a Ficção Científica se assemelha nesse aspecto com a Divulgação Científica. Essa busca pela simplicidade e pela alta disseminação fazem com que alguns autores considerem a Ficção Científica como um tipo de Divulgação Científica, e defendem que a Ficção pode ser uma porta de entrada para a busca pela ciência. Santos e Moreira defendem o uso da Ficção, defendendo que 'a partir dela, várias pessoas demonstram interesse pela ciência [...]. Tornar a ciência acessível para a população serve para reafirmar a importância do conhecimento científico[...]. (SANTOS; MOREIRA; p.2; 2022). Porém, há uma diferença crucial entre elas: A divulgação científica tem como foco: A informação e a veracidade dos fatos. Já a ficção científica, usa e adequa conceitos científicos em suas histórias da maneira que convém ao roteiro.
Diversas obras de ficção científica chegam à todas as esferas da sociedade, atingindo pessoas com e sem formação e de diversas faixas etárias, seja em forma de filmes, séries, HQ e etc. Cabendo a seguinte reflexão: Se as HQs usaram a ciência para divertir, explicar poderes e origens de heróis, porque não fazermos o caminho inverso e usarmos as HQs para ensinar ciência? Com isso podemos pensar que as aulas de Física poderiam reservar um momento para usar as obras de ficção. Seja, para mostrar qual a ciência ou pseudociência presente ali, quanto para trazer metodologias ativas para o processo de Ensino e de Aprendizagem. Sendo assim:
A utilização de quadrinhos que participaram e ainda participam do imaginário infantil pode contribuir muito para o desenvolvimento cognitivo e imaginário dos alunos. Quantas vezes nos perguntamos se seria possível voar ao lermos algum quadrinho do Super-Homem? As HQs podem contribuir para mudar o ambiente da sala de aula, transformando o mesmo em um lugar onde ocorra a busca do conhecimento através do prazer da leitura e das histórias em que os conceitos de Física são contextualizados. (LORENÇON, 2019, p.13)
Então, as obras de ficção podem contribuir para a introdução de conteúdos, abrir discussões em sala, servir para tirar dúvidas sobre os conceitos físicos abordados na obra escolhida, além de romper as barreiras do ensino tradicional e conteudista e trazer para as aulas formas diferentes e divertidas de aprender e fazer com que os alunos sejam integrantes ativos no processo da própria aprendizagem. O professor pode, além de trazer Histórias em Quadrinhos prontas para serem lidas em sala, propor também elaborá-las durante as aulas. Bruno Lorençon defende o uso da HQ, no Ensino de Física, devido à suas características de formatação e diagramação:
As HQs se mostram favoráveis através do uso de linguagens diferenciadas para o ensino de Física, podendo complementar o tratamento matemático dado aos problemas, o qual muitas vezes é visto pelos alunos como algo muito complexo. O uso de imagens coloridas, que são características dos quadrinhos, e a presença de onomatopeias, podem contribuir de forma relevante no processo de ensino e aprendizagem (LORENÇON, 2019, p.8).
Vale ressaltar, que o professor além de apenas trazer ou ajudar a produzir uma HQ em sala de aula, deve planejar bem a aula em si, para que a HQ seja apenas uma ferramenta auxiliar no processo de ensino e aprendizagem e não um material único para transmissão de conhecimento. Possuindo assim uma finalidade pedagógica de facilitar o ensino e torná-lo mais atrativo aos alunos.
Depois desse embasamento teórico, foi dado início a elaboração e aplicação de questionário com os alunos, pois foi através dele que tivemos as respostas dos estudantes voluntários; tais respostas foram analisadas, interpretadas e serão mostradas no campo de resultados e discussões. O questionário foi dividido em três seções e foi aplicado com 15 estudantes da cidade de Caruaru - PE. A primeira seção é um questionário psicossocial, voltado para obter dados referentes a informações pessoais, gosto e consumo dos alunos em relação a produtos geek . A segunda seção do questionário é voltada para a percepção dos alunos em relação aos Conceitos Físicos usados nas histórias de heróis, nela, cada aluno tinha trechos de HQs para ler; depois de ler, eles diziam quais os temas ou conceitos físicos que identificaram naquele trecho; não era necessário entender ou ter conhecimento prévio sobre o tema/conceito, apenas conseguir identificá-lo na HQ já é suficiente. E por fim, a terceira seção é voltada para que os estudantes respondam de forma objetiva (SIM,
NÃO e NÃO SEI) se eles acham que alguns casos demonstrados em obras de ficção científica seriam capazes de serem reproduzidas de maneira similar na vida real. Através dessas três possíveis respostas teremos noção da percepção dos alunos sobre o que eles acreditam ser Ciência aplicada ou Pseudociência.
Foi possível identificar com a análise da primeira seção que dentre os estudantes que se voluntariaram para participar, houve uma predominância feminina mostrando que a cultura geek atinge todos os gêneros. Apesar da maioria já ter lido ao menos uma HQ durante sua vida, maior parte prefere ter acesso aos materiais geek através de mídias audiovisuais, como por exemplo, consumindo filmes e séries. Porém, quando leem quadrinhos a maioria prefere a experiência de leitura na HQ impressa, ao invés de leitura digital. Logo o uso de quadrinhos na sala tem uma grande chance de sucesso na participação dos estudantes de forma ativa, pois todos os voluntários informaram que gostariam que suas aulas de Física tivessem relação com história de super-heróis. Embora todos os estudantes que participaram da pesquisa tenham demonstrado gosto por história de heróis, quando foram submetidos a tentar identificar conceitos físicos em trechos de HQs, dentre as sete questões da segunda seção, em apenas uma tivemos a maioria de estudantes conseguindo identificar de forma satisfatória. Concluindo a análise do questionário, vemos na terceira seção uma alta taxa de dúvida sobre o que é ciência e pseudociência, pois tivemos alto índice de respostas com uma percepção equivocada sobre a aplicabilidade da ciência, tanto quanto um grande número de estudantes que não sabiam responder.
Então, com esse total de informações, temos dados importantes que podem ajudar no processo ensino, de aprendizagem e no planejamento pedagógico de professores do Ensino Médio, sendo alguns deles: 1) Observou-se que alunos gostam de histórias de super-heróis e essa informação pode gerar opções para os professores trabalharem os conceitos físicos relacionando-os com este tema; 2) Perguntas que parecem óbvias para alguns alunos podem ser confusas para outros e o professor pode usar isso para criar estratégias com foco em melhorar a qualidade do ensino e o uso de metodologias ativas é uma opção interessante, por exemplo, o uso de HQs no Ensino; 3) A dificuldade dos alunos na diferenciação entre ciência e pseudociência ajuda a reforçar a importância do ensino do método científico desde o Ensino Médio.
## Referências
NASCIMENTO JUNIOR, Francisco de Assis. Quarteto fantástico: ensino de física, histórias em quadrinhos, ficção científica e satisfação cultural . Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo, 2013.
SANTOS, Kremmellin Barbosa; MOREIRA, M. C. A. A utilização das histórias do Homem Formiga como contexto para o Ensino de Física. Olhar de Professor, v. 25, p. 1-25, 2022.
LORENÇON, B. D. Elaboração de uma história em quadrinhos utilizando tópicos de Física para o ensino médio. 2019. Dissertação (Mestrado em Ensino de Física) - Universidade Federal de São Carlos, Sorocaba, 2019. Disponível em: https://repositorio.ufscar.br/handle/ufscar/11458. Acesso em: 14 fev. 2023.
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