CONSTRUÇÃO DE ATIVIDADES INVESTIGATIVAS: O PROBLEMA DAS TRÊS LÂMPADAS
Nelson Da Silva Nunes, José Renan Gomes Dos Santos
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 08/11/2023
- Linha de pesquisa
- Ensino, aprendizagem e avaliação em física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## CONSTRUÇÃO DE ATIVIDADES INVESTIGATIVAS: O PROBLEMA DAS TRÊS LÂMPADAS
## José Renan Gomes dos Santos¹, Nelson da Silva Nunes²
¹UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS/UFAL renangomesal@hotmail.com ²UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS/UFAL nelsonfisica123@gmail.com
Palavras-chave : Construção de conceitos; Ensino por Investigação; Formação inicial de professores.
Planejar, executar e avaliar situações de ensino que contribuam de forma significativa para a compreensão de conceitos é a principal competência exigida para o professor de ciências. Carvalho e Gil-Pérez (2011), após décadas de pesquisas sobre ensino de ciências e formação de professores, identificam 8 (oito) 'saberes' e 'saber fazer' que impactam diretamente o processo de ensino: conhecer a matéria a se ensinar; conhecer e questionar o pensamento docente espontâneo; conhecer sobre aprendizagem; criticar o ensino habitual; saber preparar atividades; saber dirigir atividades; saber avaliar e utilizar pesquisa e inovação. Estes saberes não estão isolados e independentes, todos se relacionam e emergem nas decisões que o professor toma antes, durante e após as aulas.
Dessa forma, os cursos de formação inicial e continuada, devem contribuir para licenciandos e docentes, para que eles tomem consciência de que o planejamento e a execução de atividades não são meros protocolos a serem preenchidos, pois exigem escolhas que considerem os conhecimentos prévios dos estudantes; teorias de aprendizagem; os conceitos científicos e a natureza do conhecimento. Assim poderão optar pelos recursos didáticos e estratégias de ensino mais apropriados ao aprendizado e condizentes com a realidade do ambiente escolar.
O ensino por investigação tem potencialidades para promover o aprendizado de ciências, uma vez que desenvolve o pensamento crítico, a criatividade, a autonomia e a colaboração dos alunos; favorece a compreensão dos conceitos científicos e dos processos de construção do conhecimento; articula os conhecimentos prévios com os conhecimentos científicos; além de estimular o interesse e a motivação dos estudantes pela ciência (BRITO; BRITO; SALES, 2018; SCARPA; CAMPOS, 2018; BRITO; FIREMAN, 2016).
A partir do referencial do Ensino Investigativo, buscamos planejar uma situação de ensino envolvendo uma Atividade Investigativa, cujo objetivo foi a construção do conceito de circuito elétrico (Circuito em série e em paralelo) por licenciandos do curso de Pedagogia. No primeiro momento, a situação de ensino fundamentou discussões sobre os saberes necessários à prática docente.
A questão de estudo que norteou essa investigação foi: como planejar, implementar e avaliar atividades investigativas para o ensino de ciências que promovam a construção de conceitos científicos por meio da resolução de problemas? Desse modo, o objetivo geral foi investigar as contribuições da situação de ensino para a formação de professores que ensinarão ciências nos anos iniciais.
A pesquisa foi desenvolvida no âmbito da disciplina Saberes e Didática do Ensino de Ciências Naturais de um curso de licenciatura em Pedagogia de uma instituição pública de ensino superior, da qual um dos pesquisadores é professor. Catorze estudantes participaram de todas as etapas de coleta de dados.
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A ideia para esta atividade surgiu da necessidade de uma situação de ensino que subsidiasse a construção do conceito de circuito elétrico (em série e em paralelo) ao passo que contribuísse para a formação de professores que ensinam ciências nos Anos Iniciais. O referencial teórico-metodológico adotado para a construção e aplicação da atividade foram os trabalhos de Carvalho (2018), Carvalho (2013) e Carvalho et al. (1998).
O material utilizado pelos estudantes foram: kit composto por uma bateria de 9V, uma chave do tipo gangorra, nove cabos com garras do tipo jacaré e três 'lâmpadas'. Esclarecemos para os estudantes que usaríamos o conjunto 'LED+resistor' como uma lâmpada. Recomendamos que os estudantes ficassem à vontade para explorar o material.
Figura 01 : Material de pesquisa
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Foi apresentado uma sequência de problemas aos estudantes. Problema 1: 'Montar um circuito usando todos os componentes do kit, de forma que, quando uma das lâmpadas fosse removida, as outras apagassem. Problema 2: 'Montar um circuito usando todos os componentes do kit, de forma que, quando uma das lâmpadas fosse removida, as outras continuassem acessas.
A atividade foi planejada para que os estudantes tivessem o grau 3 de liberdade (CARVALHO, 2018). O professor apenas apresenta o problema e participa das conclusões com a turma. No grau 3, cabe aos estudantes elaborarem explicações sobre como os objetos reagem e testarem as hipóteses. A análise dos registros de observação mostrou que, entre os cinco grupos, apenas 2 tiveram a iniciativa para manipular o material. Um grupo formado por três estudantes decidiu que cada componente, individualmente, tentaria resolver o problema, fato que exigiu intervenção dos pesquisadores.
Apenas um grupo, entre os cinco, conseguiu resolver os dois problemas. Nesse grupo, uns dos membros teve aula de Física durante todo o Ensino Médio, fato que contrasta com a realidade da turma, cujos relatos revelaram que, durante o Ensino Médio, ficaram vários meses sem professor desta disciplina. Esse fato, revelado durante a situação de ensino, realçou a necessidade de mais atividades que, além de proporcionarem o desenvolvimento de conceitos científicos, também apresentem potencial para tornar o ensino de ciências naturais significativo. Os grupos que não resolveram os problemas justificaram que não conheciam o material, que precisariam de guia do tipo passo-a-passo e, também, se mostraram muito preocupados por não conhecerem todos os conceitos envolvidos. Avaliamos que os estudantes esperavam
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que os pesquisadores apresentassem a solução do problema, pois foi assim que eles aprenderam durante a educação básica.
Para este texto, não avançaremos nas análises que correspondem as outras etapas da aplicação. Esses dados serão analisados e apresentados em um trabalho posterior.
As etapas seguintes são: tomando consciência de como foi produzido o efeito desejado; dando explicações causais; escrevendo e desenhando e relacionando com o cotidiano.
Portanto, é perceptível que a atividade investigativa contribuiu para que os licenciandos refletissem sobre a sua participação na situação de ensino e para que fizessem um paralelo com a postura que deveriam adotar em sala de aula. A liberdade intelectual, condição basilar do ensino por investigação, é desenvolvida gradativamente. Isso porque as experiências vivenciadas em aulas tradicionais, onde, quase sempre, o professor apresenta problemas-modelo com suas respectivas respostas, cabendo aos estudantes apenas aprenderem como o professor ou o livro didático fez para chegar à solução, restringiu o desenvolvimento de sua autonomia.
## Referências
BRITO, B. W. DA C. S.; BRITO, L. T. S.; SALES, E. DE S. Ensino por investigação: uma abordagem didática no ensino de ciências e biologia. Revista Vivências em Ensino de Ciências , v. 2, n. 1, 28 out. 2018.
BRITO, L. O. DE; FIREMAN, E. C. Ensino de ciências por investigação: uma estratégia pedagógica para promoção da alfabetização científica nos primeiros anos do ensino fundamental. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências (Belo
Horizonte) , v. 18, p. 123-146, abr. 2016.
CARVALHO, A. M. P.; GIL-PÉREZ, D. Formação de professores de Ciências : tendências e inovações. São Paulo: Cortez, 2011.
CARVALHO, A. M. P. de. (Ed.). (2013). Ensino de Ciências por Investigação : condições para implementação em sala de aula. São Paulo, Brasil: Cengage Learning.
CARVALHO, A. M. P. DE. Fundamentos Teóricos e Metodológicos do Ensino por Investigação. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , p. 765794, 15 dez. 2018.
CARVALHO, A. M. P. et al. Ciências no Ensino Fundamental: o conhecimento físico. São Paulo: Scipione, 1998.
SCARPA, D. L.; CAMPOS, N. F. Potencialidades do ensino de Biologia por Investigação. Estudos Avançados , v. 32, p. 25-41, dez. 2018.
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