A INTERDISCIPLINARIDADE NO ENSINO DE FÍSICA: FISIOLOGIA DA VISÃO JUNTO A ÓPTICA GEOMÉTRICA UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Maria Hosana Borges Duarte, José Henrique De Melo Sousa, Tais Maria Da Silva, Tassiana Fernanda Genzini De Carvalho
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 08/11/2023
- Linha de pesquisa
- Ensino, aprendizagem e avaliação em física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A INTERDISCIPLINARIDADE NO ENSINO DE FÍSICA: FISIOLOGIA DA VISÃO JUNTO A ÓPTICA GEOMÉTRICA UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
## Maria Hosana Borges Duarte 1 , José Henrique de Melo Sousa 2 , Tais Maria da Silva 3 , Tassiana Fernanda Genzini de Carvalho 4
- 1 Universidade Federal de Pernambuco/Núcleo de formação docente/ hosana.duarte@ufpe.br
- 2 Universidade Federal de Pernambuco/Núcleo de formação docente / henrique.melos@ufpe.br
3 Escola Técnica Estadual De Caruaru Nelson Barbalho, tais.ufpe11@gmail.com
Palavras-chave : Novo Ensino Médio; Ensino de Física; Óptica Geométrica.
## Resumo Expandido
O Residência Pedagógica (RP) é um programa de aperfeiçoamento para os licenciandos, inserindo-os em escolas e proporcionando um contato direto com toda a dinâmica escolar. Desse modo, os estudantes do curso de Licenciatura em Física da Universidade Federal de Pernambuco no Campus Acadêmico do Agreste (UFPECAA) localizada em Caruaru, têm a oportunidade de participarem do programa na própria cidade ou em cidades vizinhas. As observações e participações que serão descritas a seguir foram realizadas na ETE Nelson Barbalho, em Caruaru.
Nos últimos anos houve grandes mudanças com a implementação do novo ensino médio, no estado de Pernambuco essas mudanças entraram fortemente em vigor recentemente, no início de 2023. Mudou-se a dinâmica das disciplinas da base comum e foram acrescentadas as disciplinas eletivas. No período que os discentes, residentes do RP, estiveram na escola, observaram e planejaram junto a preceptora as aulas de uma eletiva denominada 'Natureza Revelada'.
A proposta da eletiva foi trabalhar em conjunto os conhecimentos das Ciências da Natureza, fazendo uma ponte principal entre a biologia e a física. É importante observar que se não existir uma boa base teórica em física junto a um tempo para estudar o conteúdo de biologia e planejar as aulas, essas tentativas de contextualização não tem bons resultados, assim como afirma Moreira:
A interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade são confundidas com não disciplinaridade e tiram a identidade da Física. Os conteúdos curriculares não vão além da Mecânica Clássica e são abordados da maneira mais tradicional possível, totalmente centrada no professor. (MOREIRA, 2018, p. 73)
Partindo disso, buscou-se tomar um caminho contrário a essa afirmação. Planejando, sistematizando as aulas e buscando o melhor aproveitamento da disciplina, focando no ensino da física, de forma conceitual e contextualizada.
Inicialmente fez-se necessário falar sobre a natureza da física, como ela rege frente a outras áreas científicas e como está presente em nosso cotidiano:
A Física tem modelos e teorias que explicam grande parte do mundo físico em que vivemos. A Biologia, a Química, a Neurociência e outras áreas
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científicas usam conceitos, modelos e teorias derivadas da Física, mas têm identidade própria. A Química e a Biologia estão em todo o corpo humano e em toda natureza, assim como outras ciências. (MOREIRA, 2021, p. 2)
Portanto, o assunto foi introduzido de forma conceitual, fazendo uma relação direta entre o funcionamento do olho humano com a óptica geométrica. A todo momento tentou-se chamar a atenção dos alunos para os conteúdos, fazendo com que eles participassem ativamente do processo formativo. Já que, quando se fala em física, muitos chegam a dizer que odeiam, por vivenciarem como algo que é caracterizado (geralmente) apenas por fórmulas a serem decoradas.
É preciso pensar em como ensinar esses conteúdos, é preciso dar atenção à didática específica, à transferência didática, a como abordar a Física de modo a despertar o interesse, a intencionalidade, a predisposição dos alunos, sem os quais a aprendizagem não será significativa, apenas mecânica para 'passar'. (MOREIRA, 2018, p. 76)
Desse modo, o conteúdo foi iniciado com aulas expositivas, essas aulas sempre se iniciavam com questionamentos que geraram discussões. Alguns dos questionamentos que geraram bastante interesse neles, foram: 'Como eles conseguem enxergar?', 'Explique como funcionam seus problemas de visão.' e 'Qual o tipo de lente usa e como ela funciona?'. Depois dessa discussão inicial, o conteúdo foi apresentado, observando os aspectos biológicos do olho humano e todo seu funcionamento.
Apresentamos as ametropias, mostrando como a óptica está presente nesses problemas relacionados à refração, buscando esclarecer as dúvidas, corrigindo ou confirmando as afirmações das perguntas iniciais. Explicou-se como a física está presente nesse processo desde a antiguidade, eles imaginavam que esses estudos eram de conhecimento apenas biológico, desconstruir essas ideias deixou-os mais interessados. Incluímos nas explicações um pouco de história da ciência, refração, lentes e luz, além disso explicamos como o olho funciona de forma semelhante a uma câmara escura.
Na próxima etapa, ocorreu proposta de atividade avaliativa, a construção de uma câmara escura, sendo bem aceita pelos estudantes. Essa construção foi feita na sala e em grupos, por meio de uma oficina, onde se informou quais os materiais necessários previamente e durante duas aulas eles fizeram a confecção.
Na parte seguinte da disciplina, foi proposta uma ligação com cinema, já que é uma área que se aproxima da base técnica, oferecida pela escola. Essa proposta foi bem aceita por eles, onde se mostrou toda a relação que existe com a óptica, desde os brinquedos ópticos que iniciaram as primeiras animações até os dias atuais, em que a tecnologia é bem avançada. Como método avaliativo foi proposto a construção de um Stop Motion , com auxílio de um aplicativo de celular.
Podemos observar inicialmente muitas dificuldades para trabalhar a física junto a outras disciplinas e com uma abordagem mais conceitual, já que a formação dos licenciandos em física ainda tem raízes muito fortes no ensino tradicional. Os alunos gostaram de como o conteúdo foi mostrado, principalmente por ser algo que
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eles conseguem observar, muitos deles convivem com algumas ametropias, o que fez com eles mantivessem o interesse, para descobrir como elas funcionam.
Foi preciso realizar uma breve aula sobre os conceitos da óptica, para que assim eles pudessem entender o que acontece no nosso olho. Tivemos a aula oficina, os grupos trouxeram o material, foram para uma área externa e construíram suas câmaras escuras, ficaram muito empolgados com o processo e conseguiram perceber que nem sempre a experiência dá certo, já que alguns alunos levaram lupas muito grandes, por exemplo.
Depois da oficina, eles filmaram do Stop Motion , para procurar fazer uma ponte com a realidade deles que também utiliza conceitos da óptica. Eles gostaram do conteúdo e gostaram de realizar um trabalho de gravação. As animações ficaram boas, mas o conteúdo não foi relacionado corretamente aos fenômenos físicos, os assuntos foram aleatórios. Por fim, realizaram-se as apresentações das câmaras confeccionadas por eles. Planejamos todos esses processos previamente, assim como o conteúdo das aulas, e o desenvolvimento foi bem-sucedido, embora tenha necessitado de ajustes durante o percurso.
Estar no ambiente escolar sempre traz aprendizados para quem deseja atuar na área. Em geral o que foi proposto deu certo, apenas os trabalhos com Stop Motion que não foram bons, mas serviram de aprendizagem para os estudantes e para os residentes. Quando for preciso fazer trabalhos fora de sala, precisa-se delimitar tudo nos mínimos detalhes, para que não se desviem do foco do que foi proposto. Mais uma vez foi reafirmado que nem sempre o que foi planejado previamente vai ocorrer com todo sucesso, que é um processo, cada aluno/turma reage e se envolve de uma forma e tem-se que analisar o que funciona com o tempo e na interação.
Observou-se também que eles gostam da física, quando abordada de maneira conceitual e contextualizada, a maior parte deles nunca achou interessante porque nunca a viu de uma forma diferente. Esse é um dos desafios que se deve encarar: trazer o aluno para a física e mostrar que ela não é apenas uma aplicação matemática, como muitos conhecem. Contextualizar os conteúdos, trazer para a realidade ajudou bastante nesse processo, eles não amam a física, mas já repetem menos que a odeiam, o que já é considerado um avanço.
## Referências
MOREIRA, Marco Antonio. Uma análise crítica do ensino de Física. Estudos avançados , v. 32, p. 73-80, 2018.
MOREIRA, Marco Antonio. A relevância do conhecimento científico para a cidadania e a incoerência da educação em ciências. Experiências em Ensino de Ciências , v. 16, n. 1, p. 1-9, 2021.
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