A FÍSICA DO SUPER CHOQUE: O SUPER-HERÓI NO ENSINO DA ELETROSTÁTICA
Anailza Silva Barbosa De Lima, Matheus Gutemberg Rufino Narciso, Diego Henrique Gomes, Júlio Cesar Santos Nascimento, Mirleide Dantas Lopes
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 08/11/2023
- Linha de pesquisa
- Equidade, inclusão, diversidade, direitos humanos e estudos culturais no ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A FÍSICA DO SUPER CHOQUE: O SUPER-HERÓI NO ENSINO DA ELETROSTÁTICA
- *Anailza Silva Barbosa de Lima 1 , Matheus Gutemberg Rufino Narciso 2 , Diego Henrique Gomes 3 , Júlio César Santos Nascimento 4 , Mirleide Dantas Lopes 5
- 1 Universidade Federal de Campina Grande, anailza.silva@estudante.ufcg.edu.br
- 2 Universidade Federal de Campina Grande, matheus.gutemberg@estudante.ufcg.edu.br
- 3 Universidade Federal de Campina Grande, diego.henrique@estudante.ufcg.edu.br
- 4 ECIT Prefeito Williams de Souza Arruda, jcsnascimento01@gmail.com
- 5 Universidade Federal de Campina Grande, mirleide@df.ufcg.edu.br
Palavras-chave : Física; Cultura; Super Choque.
## Resumo expandido
Física e Cultura normalmente são vistas como antagônicas. É comum pensar em cultura e relacionar a uma música, um quadro de Picasso, um livro de Machado de Assis ou Guimarães Rosa, todavia, é difícil imaginá-la se relacionando com a Física (ZANETIC, 2005). Entretanto, para se ter um ambiente escolar rico, é necessário que o ensino de Física se relacione com diferentes assuntos de outras áreas do conhecimento. A ciência que se tem contato na educação básica, em grande parte, é mostrada de forma disciplinar, mecanizada e menos prazerosa. Além disso, a não identificação dos estudantes com conteúdos científicos pode ser resultado da incompatibilidade do ensino com a identidade cultural dos alunos (VELASQUEZ; GURGEL, 2014). Logo, é necessário envolver temáticas que fazem parte do meio sociocultural dos estudantes, assim, será possível associar temáticas culturais que os estudantes conheçam, com um conhecimento da Física. Neste cenário, utilizar os super-heróis em sala de aula é uma maneira de tornar o ensino de Física mais atrativo. O Super-herói Super Choque, protagonizado por Virgil Hawkins, é ideal para abordar os conteúdos de eletrostática, uma vez que, quando ele ganha poderes, seu corpo se torna uma grande fonte de energia, conseguindo produzir e controlar a energia eletrostática. Além disso, por ser um jovem negro e muito inteligente, Virgil acaba sofrendo bullying na escola, por ser considerado 'nerd' e pela intolerância racial, sendo diariamente violentado fisicamente e verbalmente (NETO, 2014). As histórias de super-heróis negros em desenhos animados se tornam e vem sendo utilizadas como '[...] uma importante ferramenta político-pedagógica para promover discussões ligadas aos conceitos de raça, racismo e antirracismo.' na área da educação (SILVA, 2018, p.4). Com base nessa perspectiva, foi desenvolvida uma atividade no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), na Escola Cidadã Integral Técnica Prefeito Williams de Sousa Arruda, localizada no bairro dos Cuités, na cidade de Campina Grande - PB, com estudantes do 3º ano do Ensino Médio. Esta escola, localiza-se em uma comunidade rural da cidade de Campina Grande, o que torna o acesso à internet um pouco mais difícil e, em razão da pandemia causada pela COVID-19, a atividade precisou ser realizada de forma remota, o que limitou um pouco a
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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física
participação dos alunos. Para a interação com os discentes, foi utilizado o Google Meet, uma das principais plataformas de reuniões remotas. A partir dele, é possível realizar reuniões com um número considerável de pessoas, assim como compartilhar a tela do apresentador, recurso muito utilizado durante o período pandêmico. Além dele, foi utilizado o Miro, outro recurso online, através do qual é possível criar quadros digitais, fluxogramas, entre outras funções. A equipe executora da intervenção foi composta por cinco pessoas, dentre elas: a professora coordenadora, o supervisor do projeto e professor da turma e três estudantes do curso de Licenciatura em Física da UFCG. A atividade buscava discutir junto aos estudantes do ensino médio as relações entre Física e Cultura. Por este motivo foi usada a série animada Super Choque, que foi uma das pioneiras no mundo das animações a abordar a cultura negra, além disso, ela aborda bastante os conceitos de eletrostática, geralmente trabalhados no 3º ano do Ensino Médio. Neste aspecto, foram utilizadas duas aulas de 50 min para a realização da intervenção, entretanto, os primeiros 20 min de aula foram usados para esperar os estudantes. Sendo assim, a intervenção durou cerca de 1h e 20min e foi dividida em dois momentos. No primeiro, foi realizada uma apresentação dialogada para debater a relação entre a Física e a Cultura e a importância cultural do desenho. Foi apresentado um quadro que mostrava algumas curiosidades importantes e desconhecidas pela maioria das pessoas que conhecem o Super Choque. Nesta perspectiva, foi exposto como e de onde veio a inspiração para seu nome. Virgil D. Hawkins da vida real, foi um estudante negro que foi impedido de entrar na universidade por conta de sua cor (NETO, 2014). Outra curiosidade é que o desenho mostra muito da cultura afro através das músicas. Nessa discussão sobre o marco cultural do Super Choque, foi possível problematizar questões transversais, como o racismo apresentado na série e discutir a representatividade negra na ciência. Esse momento foi importante para desmistificar que a Física não pode estar relacionada com outras áreas, coisa que é muito presente na concepção dos alunos e reforçada pela forma de ensino tradicional. No segundo momento, foi mostrada mais especificamente a relação do Super Choque com a Física. Nesta ocasião, foi apresentado um vídeo do canal Nerdologia que explicava a Física presente nos poderes do Super Choque e os conceitos físicos trabalhados na animação. Logo após, foi feito um quiz trazendo algumas cenas do desenho para serem debatidas, em que era feita uma pergunta objetiva sobre cada cena, com ênfase em explicar a Física a partir da série animada. A plataforma utilizada nesta segunda parte foi o Google Slides, através da qual foi feita a montagem do quiz . No total, foram realizadas cinco perguntas que envolviam os assuntos: processos de eletrização, rigidez dielétrica dos materiais, atração de cargas e blindagem eletrostática. Todos os estudantes participaram de forma ativa durante a intervenção, o que é bastante positivo e mostra que eles realmente se engajaram com a atividade. Ao serem perguntados se é possível relacionar Física e Cultura, inicialmente, ficaram pensativos, mas logo depois responderam 'sim'. Um dos estudantes acrescentou que existem vários filmes que falam sobre Física, destacou especialmente o filme sobre o Stephen Hawking. Quando foram perguntados sobre desenhos animados que se relacionam com a Física, os estudantes responderam alguns animes, como Dr. Stone e Pókemon, o que confirma que a cultura dos desenhos animados faz parte do meio sociocultural dos discentes. Além disso, ao serem informados que a intervenção seria sobre a Física do Super Choque, os estudantes ficaram entusiasmados e confirmaram que já assistiram a série animada, o que mostra uma reação positiva por parte dos estudantes. Ao debater o marco cultural da série e questões como o racismo, os estudantes
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comentaram sobre o fato de o rap estar presente na série do Super Choque e fazer parte da cultura negra, representando resistência. Este diálogo foi essencial para trocar conhecimentos e entender melhor a cultura existente por trás da animação. Ainda no primeiro momento, os discentes foram indagados sobre a relação do Super Choque com a Física e todos responderam que a eletricidade está associada com a série, o que indica que essa ligação é nítida para os estudantes. Com relação às perguntas objetivas do quiz , que estavam mais relacionadas com a Física da animação, os estudantes também participaram de forma bastante ativa, respondendo com base no que foi debatido em sala de aula e em seus conhecimentos. Foi observado que a maioria conseguiu relacionar a Física da cena com a do cotidiano, além disso, os alunos se mostraram bastante interessados em relação às perguntas do quiz . Os resultados mostram o quão é importante e eficaz sair do método tradicional de aulas e provas para uma forma diferente de promover discussões, utilizando-se de personagens, histórias, filmes e etc. Ademais, trabalhar Física e Cultura nas escolas é importante para fazer com que os estudantes percebam que a Física está em todos os lugares, o que possibilita abordar temáticas que envolvam o meio sociocultural dos discentes. Esse tipo de abordagem se mostrou bem produtiva durante a intervenção e os resultados foram considerados bastante positivos, podendo até inspirar e ajudar outros professores que pretendam trabalhar com a mesma temática.
## Referências
NETO, Mario Marcello. Que negro é esse nas animações? Uma análise da representação do negro em desenhos animados do século XXI. In: IV Encontro Internacional de Ciências Sociais: Espaços Públicos, Identidades e Diferenças, 2014, Pelotas. Anais: IV Encontro Internacional de Ciências Sociais: Espaços Públicos, Identidades e Diferenças, 2014.
Os poderes do Super Choque [S. l.: s. n.], 2020. 1 vídeo (10 min). Publicado pelo Canal Nerdologia. Disponível em: https://youtu.be/4Haq9OJqNrk. Acesso em: 30 de setembro de 2021.
SILVA, Fernanda Pereira da . Super-heróis negros e negras: referências para a educação das relações étnico-raciais e ensino da história e cultura afro-brasileira e africana. Orientador: Roberto Carlos da Silva Borges. 2018. p.01-04. Dissertação (Mestrado) Relações Étnico-Raciais, Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ), Rio de Janeiro, 2018.
VELASQUEZ, Felipe; GURGEL, Ivã. Concepções de cultura na aprendizagem em física: das perspectivas educacionais às representações dos alunos . 2014. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação Interunidades em Ensino de Ciências. Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.
ZANETIC, João. Física e cultura. Ciência e Cultura , São Paulo, v.57, n. 3, p. 21-24, 2005.
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