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A ludicidade no ensino de física: O brinquedo como recurso institucional

Elizandra Silva, Franciellen Lima, João Paulo Santos, Rodrigo Oliveira, Julio Cezar Nascimento, Mirleide Lopes

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
08/11/2023
Linha de pesquisa
Ensino, aprendizagem e avaliação em física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A ludicidade no ensino de física: O brinquedo como recurso instrucional

## *Franciellen dos Santos Lima 1 , *Elizandra dos Santos Silva 2 , João Paulo Marcolino dos Santos³, Rodrigo Lima de Oliveira 4 , Mirleide Dantas Lopes 5 , Júlio Cesar Santos Nascimento 6

- 1 Universidade Federal de Campina Grande/Unidade Acadêmica de Física/

franciellen.lima@estudante.ufcg.edu.br

- ² Universidade Federal de Campina Grande/Unidade Acadêmica de Física/ elizandra.santos@estudante.ufcg.edu.br
- ³ Universidade Federal de Campina Grande/Unidade Acadêmica de Física/ joao.marcolino@estudante.ufct.edu.br
- 4 Universidade Federal de Campina Grande/Unidade Acadêmica de Física/ lima.oliveira@estudante.ufcg.edu.br

5 Universidade Federal de Campina Grande/Unidade Acadêmica de Física/ mirleide@df.ufcg.edu.br

6 Universidade Federal de Campina Grande/Unidade Acadêmica de Física/ jcsnascimento01@gmail.com

Palavras-chave : Brinquedo; Ludicidade; Ensino Médio.

Na perspectiva de muitos estudantes do ensino médio, a física não é uma disciplina de fácil compreensão. Isso ocorre porque ela geralmente é abordada através de uma linguagem abstrata, distante da realidade dos alunos. A metodologia tradicional de ensino, frequentemente utilizada em sala de aula, não costuma promover a contextualização dos saberes e a física é ensinada sem uma clara conexão com a vida cotidiana dos discentes (Moreira, 2021). Essa perspectiva desmotiva a aprendizagem dos alunos e alunas, refletindo-se em suas notas e participação em sala de aula, resultando em uma robotização da turma, em que o foco é centrado na memorização, aplicação de equações e na preparação dos estudantes para a realização de exames. Neste sentido, faz-se necessário utilizar-se de novos instrumentos de ensino, a fim de promover uma mudança de mentalidade em relação a esta disciplina e, consequentemente, uma melhor aprendizagem dos saberes físicos.

Para Ramos e Ferreira (2004), os brinquedos são instrumentos que podem ser explorados como ferramentas de ensino, sendo abordados de maneira investigativa, no sentido de favorecer a análise de conceitos físicos, a partir de uma interação lúdica e dinâmica. A utilização de brinquedos nas salas de aula possibilita uma transformação nas atividades de ensino desse componente curricular. Por meio deles, os estudantes podem investigar conceitos, explorar fenômenos e relações de proporcionalidade; objetivando, dessa maneira, viabilizar o processo de ensino e aprendizagem.

A ludicidade quando incorporada ao Ensino de Física, através de dinâmicas, brinquedos e jogos, pode ser uma importante aliada ao desenvolvimento de um ensino de Física que desperte o interesse dos estudantes. Entende-se que a compreensão

dos conceitos trabalhados no ensino de Física são obstáculos para os estudantes, o que justifica na maioria das vezes os altos índices de reprovação (Moreira, 2017). Desse modo, o uso de brinquedos pode contribuir para o entendimento de conceitos e leis físicas, visando uma maior participação dos estudantes nas atividades desenvolvidas. Ao utilizar brinquedos e jogos, não se trata apenas de criar montagens artificiais que pareçam funcionar, mas de aproveitar características físicas reais e abordar os conceitos de forma desafiadora e curiosa para os aprendizes (Cristino, 2016). Dessa forma, é possível promover um ambiente de aprendizado mais envolvente e estimulante.

Nesse sentido, os participantes do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), do curso de Licenciatura em Física, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Campus Campina Grande, propuseram uma intervenção abordando o lançamento oblíquo. Para tanto, os bolsistas desenvolveram uma catapulta, que foi investigada na turma da 1ª série do Ensino Médio, da Escola Cidadã Integral e Técnica Williams de Souza Arruda, localizada na cidade de Campina Grande/PB. Tal escola possui vínculo formal com a UFCG, através de Termo de Compromisso, para desenvolvimento das atividades relacionadas ao PIBID.

A intervenção foi realizada em junho do corrente ano. Inicialmente, a catapulta foi apresentada aos estudantes, ocasião em que foi explicado seu funcionamento. Em seguida, os alunos foram divididos em três grupos e cada um recebeu uma catapulta. Estes brinquedos foram feitos com materiais recicláveis e de fácil acesso, como palitos de picolé, palitos de churrasco, canudos de plástico e bolinhas de papel (Sena, 2018).

O objetivo da intervenção foi viabilizar a observação por parte dos estudantes das relações existentes entre as grandezas que compõem o lançamento oblíquo, como altura máxima, alcance, velocidade e ângulo. Foi aplicado um questionário com quatro perguntas relacionadas ao tema. Os grupos deveriam lançar bolinhas de papel com as catapultas em ângulos variados e responder às questões propostas. A intervenção teve a duração de uma aula, ou seja, 50 minutos. Desse tempo, foram reservados 35 minutos para os estudantes responderem ao questionário, utilizando o restante do tempo para explicar o assunto e corrigir as atividades. Durante a atividade, os participantes do PIBID circularam entre as carteiras para esclarecer as dúvidas que surgiram.

Foi observado que os alunos se envolveram entusiasticamente na atividade, demonstrando animação, brincando, sorrindo e se divertindo enquanto trabalhavam na resolução das questões propostas. É relevante ressaltar que, embora a diversão e a brincadeira tenham sido elementos presentes, o foco principal da intervenção foi o aprendizado dos conceitos de lançamento oblíquo e a resolução das questões propostas. Através dessa abordagem lúdica, os alunos tiveram a oportunidade de assimilar os princípios físicos já trabalhados em sala de aula de forma mais efetiva, relacionando-os à experiência prática com a catapulta.

A utilização de brinquedos, desperta o interesse e a curiosidade dos estudantes sobre o tema. Neste sentido, a abordagem demonstrou resultados positivos, com a participação dos estudantes e o bom funcionamento do trabalho em equipe. Os alunos e alunas demonstraram autonomia ao dividir as funções entre as equipes, planejaram estratégias, como marcar onde a bolinha caía após o lançamento, produzir mais bolinhas de papel e usar a capa do caderno para visualizar a variação do ângulo de lançamento. Essa experiência demonstra como a ludicidade pode ser um recurso eficaz para engajar os estudantes no aprendizado da física, uma vez que a partir dela os discentes foram capazes de observar as relações entre as variáveis físicas envolvidas na atividade. Esta abordagem considera os aspectos

fenomenológicos e cognitivos, permitindo que, ao utilizar a ludicidade dos brinquedos, seja possível investigar a Física de maneira mais divertida.

Diante das observações realizadas, é possível afirmar que a aplicação dessa ferramenta tem potencial para contribuir com a mudança de visão dos estudantes em relação à Física, uma vez que o ambiente promovido pela abordagem lúdica engaja e motiva à aprendizagem dos conceitos físicos. Com isso, é fundamental que os programas de formação docente e os professores, de modo geral, utilizem mais frequentemente esse tipo de estratégia para inovar o ensino e torná-lo mais atrativo aos olhos dos alunos.

## Referências

CRISTINO, S. C. O uso da ludicidade no Ensino de Física . 2016. Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino de Ciências) - Departamento de Física, Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 2016,

MOREIRA, M. A. Desafios no ensino da física. Revista Brasileira de Ensino de Física , a, vol. 43, suppl. 1, 2021.

\_\_\_\_\_\_\_\_, M. A. GRANDES DESAFIOS PARA O ENSINO DA FÍSICA NA EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA. Revista do Professor de Física , [S. l.], v. 1, n. 1, p. 1-13, 2017.

RAMOS, E. M. F.; FERREIRA, N. C. Brinquedos e jogos no ensino de Física. In : NARDI, R. Pesquisas no Ensino de Física. 3 ed. São Paulo, 2004, p.137-148.

SENA, G. Experimento balística (lançamento de projéteis) : Fazer uma catapulta [Vídeo online]. Youtube, 17 dez. 2018. Disponível em: <https://youtu.be/SVfEStvQphY>. Acesso em: 06 jun. 2023.

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