DESAFIOS PARA PROMOVER A APRENDIZAGEM DE FÍSICA NA EDUCAÇÃO BÁSICA NA CONCEPÇÃO DE ALUNOS DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
Taynná Nayara Barreiros Arrais, Larissa Maciel Do Nascimento, Altem Nascimento Pontes, Flavia Pereira Rocha
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIII
- Ano
- 2011
- Data
- 06/06/2011
- Linha de pesquisa
- Ensino / Aprendizagem / Avaliação Em Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## DESAFIOS PARA PROMOVER A APRENDIZAGEM DE FÍSICA NA EDUCAÇÃO BÁSICA NA CONCEPÇÃO DE ALUNOS DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
## CHALLENGES TO PROMOTE THE LEARNING OF PHYSICS IN BASIC EDUCATION IN THE CONCEPTION OF HIGHER EDUCATION STUDENTS
## Larissa Maciel do Nascimento , Altem Nascimento Pontes , Flavia Pereira 1 2 Rocha 3 , Taynná Nayara Barreiros Arrais 4
1 Universidade do Estado do Pará/Departamento de Ciências Naturais/nitassimaciel@bol.com.br
- 2 Universidade do Estado do Pará/Departamento de Ciências Naturais/anpontes@ufpa.br
- 3 Universidade do Estado do Pará/Departamento de Ciências Naturais/rocha-flavia@hotmail.com
## Introdução
O ensino de Física na educação básica para alunos de escolas públicas tem se mostrado aquém das reais necessidades de promoção de uma aprendizagem significativa dos conteúdos por parte dos alunos (AUSUBEL, 2003).
Mesmo diante dos avanços tecnológicos que atualmente se disseminam em diversos campos das Ciências e da melhoria da qualidade de vida da população brasileira diante da redução da pobreza e da inclusão social de uma elevada parcela de brasileiros, ainda estamos distantes de promovermos uma educação de qualidade neste país (MORAN et al., 2000).
Uma educação de qualidade pressupõe, entre outros, uma escola de qualidade. Porém, a escola pública é pouco permeável a inovações e tendências voltadas para a ciência, tecnologia e inovação. Mesmo a escola privada que está num patamar acima da escola pública no que tange à infraestrutura física, recursos educacionais e gestão acadêmica, ainda apresenta inúmeras inconformidades (BECKER, 1992).
Esses problemas têm efeitos diretos sobre a educação neste País, e, no caso da Física, essas questões são somatizadas, devido à dificuldade em sua aprendizagem. Os indicadores apontam que o problema começa desde a formação do professor de Física, ao se depararem com a realidade atual de baixos salários, falta de infraestrutura, carência de recursos didáticos, violência crescente nas escolas e falta de perspectiva futura (MOREIRA, 1999).
A consequência desta realidade é que a cada dia aumenta o déficit de professores de Física no contexto educacional brasileiro. A saída para as escolas se chama 'improvisação', que consiste basicamente em repassar as aulas de Física para profissionais sem formação específica, tais como, matemáticos, químicos, engenheiros, entre outros.
O resultado deste modelo tem se mostrado nefasto para o ensino e a aprendizagem de Física. O reflexo disso pode ser sentido inclusive na educação superior. É diante deste contexto que se estruturou esta investigação. De fato, o presente trabalho procurou investigar a visão dos alunos da educação superior sobre o deveria ter sido feito pelos professores de Física da educação básica para que estes alunos pudessem aprender Física.
## Metodologia
O presente trabalho trata de uma pesquisa teórico empírica com trabalho de campo.
A população foi constituída de alunos da educação superior dos cursos de Engenharia Elétrica, Engenharia Ambiental, Engenharia Civil, Química Licenciatura, Física Licenciatura, Licenciatura em Matemática, Meteorologia e Oceanografia da Universidade Federal do Pará.
A amostra consistiu de 30 alunos de cada curso, perfazendo um total de 240 estudantes. A coleta de dados ocorreu nos anos de 2009 e 2010, num total de quatro semestres. Em cada semestre eram pesquisadas duas turmas, de um total de oito.
Como instrumento de pesquisa era solicitado a cada aluno que escrevesse um texto dissertativo, de uma a duas laudas, que apresentasse de forma clara e objetiva as características das aulas para que este aluno pudesse realmente se interessar e aprender os conteúdos de Física.
Após a entrega dos textos, os mesmos eram avaliados a fim de encontrar os padrões de resposta e, assim, se fazer a sintetização dos dados experimentais provenientes da amostra considerada. A avaliação perdurou por dois anos até que se chegasse ao que chamamos de dez necessidades básicas que toda escola deveriam oferecer para que os alunos pudessem aprender Física,antes de entrar em uma universidade.
## Resultados e Discussão
Os resultados advindos desta pesquisa ajudam a entender o porquê de muitos estudantes se desinteressarem pela disciplina e, muitas vezes, pela própria área de Ciências Exatas e da Terra. A seguir, apresentam-se as necessidades nas praticas que profissionais de educação apresentam em sua característica enquanto estavam na educação básica.
- 1. aulas de Física desmotivadoras e sem contextualização, privilegiando aspectos puramente teóricos e longe da realidade dos alunos;
- 2. professores sem didática para o ensino de Física e que não conseguem repassar os conteúdos de forma motivadora;
- 3. professores utilizam as aulas para repassar conteúdos, mas não se preocupam em fazer exercícios dos assuntos ministrados;
- 4. falta de conteúdos matemáticos para entender os conceitos físicos;
- 5. desinteresse dos professores em ministrar as aulas e uso excessivo de 'trabalhos' para compensar os conteúdos não ministrados;
- 6. falta de aulas em espaços não-formais, como planetários, museus de ciência, e etc., o que impede uma maior contextualização dos conteúdos ministrados em sala de aula;
- 7. ausência de laboratórios para aulas práticas de Física;
- 8. falta de criatividade de docentes de Física, para suprir as deficiências da escola, por exemplo, na construção de experimentos com materiais simples, para suprir a falta de um laboratório didático;
- 9. uso excessivo do quadro e giz, em detrimento de outros recursos tecnológicos como computador mais data show , softwares educativos, e outros;
- 10. avaliação baseada em aspectos eminentemente somativos, não levando em consideração aspectos formativos.
## Considerações Finais
- O ensino de Física tem, ao longo dos anos, passado por profundas modificações na busca de indicadores de qualidade. A educação superior prima pela formação de profissionais qualificados para fazer frente aos desafios encontrados em escolas de educação básica. Mas o que se observa na realidade atual é que os paradigmas continuam os mesmos e que precisamos de uma verdadeira revolução como na acepção de Kuhn (2003).
A estrutura atual de formação de professores de Física, contempladas nas diretrizes curriculares nacionais (BRASIL, 2001), vem sendo cumpridas pela Instituições de Ensino Superior, o que pode ser atestado pelas avaliações a que estes cursos são submetidos por parte do Ministério da Educação.
Apesar disso, quando se questiona os alunos da educação superior sobre tais práticas percebe-se que, ano após ano, os problemas continuam os mesmos e não são resolvidos de forma contundente. Talvez isso justifique o fato de ser mais fácil acreditar no senso comum do que no saber científico, pois ainda estamos longe, muito longe, de a Física deixar de ser um problema a ser vencido e passar a ser a solução para muitos problemas.
## Referências
BRASIL, Ministério da Educação, Secretária de Educação Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Física . Brasília: Ministério da Educação, 2001.
AUSUBEL, D. P. Aquisição e retenção de conhecimentos: uma perspectiva cognitiva. Lisboa: Plátano, 2003.
BECKER, F. O que é construtivismo? Revista de Educação AEC, Brasília, v. 21, n. 83, p. 7-15, 1992.
KUHN, Thomas S. A Estrutura das Revoluções Científicas . 7 ed. São Paulo: Perspectiva, 2003. 262 p
MORAN, J. M.; MASETTO, M.; BEHRENS, M. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica . São Paulo, Papirus Editora, 2000.
MOREIRA, M. A. Teorias de Aprendizagem. São Paulo: E.P.U., 1999.
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