Os motivos que levam professores a agendar visitas ao planetário e sua contribuição para a aprendizagem em Astronomia
Joao Victor Pereira Toso, Alessandro Damásio Trani Gomes, Gustavo Daniel Apolinário Assis
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 08/11/2023
- Linha de pesquisa
- Formação, práticas e desenvolvimento profissional docente no ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## OS MOTIVOS QUE LEVAM PROFESSORES A AGENDAR VISITAS AO PLANETÁRIO E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A APRENDIZAGEM EM ASTRONOMIA
## Joao Victor Pereira Toso 1 , Gustavo Daniel Apolinário Assis 2 , Alessandro Damásio Trani Gomes 3
- 1 Universidade Federal de São João del-Rei/Curso de Física, joaovictor.toso@gmail.com
- 2 Escola Estadual Cônego Osvaldo Lustosa, gustavogdaassis@gmail.com
- 3 Universidade Federal de São João del-Rei/ Departamento de Ciências Naturais, alessandrogomes@ufsj.edu.br
Palavras-chave : Planetário; Educação não formal; Astronomia.
## Resumo expandido
A Astronomia é, talvez, a ciência mais antiga da humanidade. Além de sua importância intrínseca, o ensino da Astronomia, quando bem realizado, permite o desenvolvimento de habilidades e competências desejáveis ao educando como o desenvolvimento de processos de abstração e de idealização, a autonomia, o raciocínio lógico, o interesse e a motivação para os estudos (PACCA; SCARINCI, 2006).
Vários trabalhos abordam os problemas do ensino de Astronomia no Brasil e enfatizam a importância de projetos de extensão desenvolvidos em espaços não formais de educação como centros de Ciências, observatórios e planetários como uma tentativa de amenizar esses problemas e contribuir para formação inicial e continuada de professores (ALMEIDA et al., 2017; LANGHI; NARDI, 2009a; 2009b).
De acordo com Paula (2013), a extensão universitária tem um papel fundamental 'na promoção da interação e da troca de saberes entre a comunidade universitária e a sociedade, tornando-a um instrumento indispensável à plena realização da universidade como instrumento emancipatório' (p.6).
Defende-se, assim como Langhi e Nardi (2009b), que o planetário, como legítimo espaço não formal de educação, possa constituir-se em um polo importante de formação inicial e, sobretudo, continuada de professores da Educação Básica, apoiando-os pedagógica e instrumentalmente, estreitando os laços com a escola e ampliando as oportunidades de aprendizagem em Astronomia.
Este trabalho faz parte de um projeto mais amplo que visa ao fortalecimento da relação escola-planetário. Para tanto, é preciso conhecer melhor o(a) professor(a) que agenda visita ao planetário para sua(s) turma(s), aproximar dele(a), compreender suas dificuldades e trabalhar juntos na definição de estratégias e de ações pedagógicas específicas.
Este trabalho, em particular, tem o objetivo de apresentar os resultados do teste-piloto realizado para identificar motivos pelos quais os professores agendam visitas ao planetário da IES e, na visão destes professores, qual a contribuição da visita ao planetário para a aprendizagem de seus alunos. A equipe responsável por
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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física
este estudo é composta por um bolsista de Iniciação Científica Júnior, um bolsista de Desenvolvimento em Ciência, Tecnologia e Inovação e o coordenador do projeto.
Participaram deste estudo, 11 professores(as) da Educação Básica de uma cidade do interior de Minas Gerais. Ressalta-se que a pesquisa está devidamente autorizada pelo Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos Unidades Educacionais de São João del-Rei (CAAE: 59363322.1.0000.5151).
- O questionário, enviado de forma online por email, continha, entre outras, as seguintes perguntas: (i) Qual(is) o(s) motivo(s) que o/a levou/levaram a agendar uma visita ao planetário? (ii) Como você analisa a contribuição da visita ao planetário para a formação dos seus alunos?
Em relação à primeira pergunta, as respostas podem ser divididas em três categorias em relação à ênfase apresentada pelo(a) professor(a) na resposta. Nas três respostas categorizadas como 'atividade extraclasse', a ênfase foi colocada no fato dos alunos executarem uma atividade educativa fora da escola, em um ambiente rico como a universidade. Seguem algumas das respostas que se enquadram nesta categoria:
Aumentar o conhecimento dos alunos sobre o tema e integrar escola/universidade
- Por se tratar de uma atividade extraclasse muito rica na qual os alunos tem a oportunidade de conhecer um lugar diferente do qual estão acostumados.
Outras cinco respostas enfatizaram a importância do planetário para diversificar as situações de aprendizagem e foram categorizadas como 'variação das situações de aprendizagem'. Seguem exemplos:
Variar as formas de ensino-aprendizagem dos meus alunos.
Para oferecer uma experiência mais real às crianças, em um lugar específico e adequado para aprender sobre Astronomia.
- As respostas de três professores foram categorizadas como 'Interesse/Motivação' pois enfatizam esses aspectos como motivos para agendar as visitas ao planetário, conforme ilustram as respostas abaixo:
Para contribuir para aumentar o interesse dos alunos pelos temas e motiválos para o estudo da Física.
Agendei a visita pois meus alunos do 5º ano demostraram grande interesse pelo assunto ao estudarem em Ciências e Geografia.
A segunda pergunta levou os professores à reflexão sobre a contribuição da visita ao planetário para a formação dos seus alunos. As respostas enfatizaram, em sua maioria, a aprendizagem de conteúdos relativos aos temas abordados, aumento de interesse e curiosidade sobre Astronomia e a atitude ativa de aprendizagem. Algumas das respostas dos participantes estão transcritas a seguir:
- A visita foi bastante proveitosa, tanto em termos de conteúdo quanto em relação à experiência extraclasse vivenciada pelos estudantes.
- Foi uma experiência muito positiva, visto que os alunos participaram ativamente e responderam praticamente todas as perguntas e questionamentos que lhes foram propostos pela monitora que nos acompanhou.
- O planetário permite uma visão mais realista, o que eleva o nível de interesse dos alunos sobre os fenômenos abordados.
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Segundo Barrio (2002), para conseguir que o planetário adquira um valor educativo significativo é fundamental que haja uma aproximação com a escola e uma comunicação constante dos professores da Educação Básica com a equipe do planetário. Para que consigamos fazer isso, precisamos saber o que estes professores pensam sobre a visita ao planetário e sua contribuição para a aprendizagem dos estudantes.
Os resultados deste trabalho, apesar de incipientes e do número limitado de participante, mesmo para um teste-piloto, indicam tendências que contribuem para que possamos explorar mais detalhadamente o pensamento do professor ao agendar a visita de sua(s) turma(s) ao planetário e atender às suas expectativas quanto às aprendizagens de seus alunos.
Uma vez determinados os motivos que levam professores a agendar visitas ao planetário e como eles concebem a contribuição da sessão de cúpula realizada para a aprendizagem de seus alunos poderemos, posteriormente, relacionar os padrões de respostas com diversos aspectos, como o perfil do professor (idade, formação, experiência), a preparação dos alunos para a visita e as atividades programadas após a sessão de cúpula, por exemplo.
## Agradecimento
À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) pela bolsa de Iniciação Científica Júnior e apoio financeiro no desenvolvimento do projeto (APQ-02650-22).
## Referências
BARRIO, J. B. M. El Planetario: un recurso didáctico para la enseñanza de la Astronomía. 2002 . Tese (Doutorado). Departamento de Didáctica de las Ciencias Experimentales y Geodinámicas, Universidad de Valladolid, Valladolid, 2002.
LANGHI, R.; NARDI, R. Ensino de Ciências Naturais e a formação de professores: potencialidades do ensino não formal da Astronomia. In: NARDI, R. (Org). Ensino de Ciências e Matemática: temas sobre a formação de professores , v. 1. São Paulo: Editora UNESP, p.225-241, 2009.
SCARINCI, A. L.; PACCA, J. L. A. Um curso de astronomia e as preconcepções dos alunos. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 28, p. 89-99, 2006.
LANGHI, R.; NARDI, R. Ensino da astronomia no Brasil: educação formal, informal, não formal e divulgação científica. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 31, p. 4402-4412, 2009.
ALMEIDA, G. O. et al. O planetário como ambiente não formal para o ensino sobre o sistema solar. Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia, n. 23, p. 67-86, 2017.
PAULA, J. A. A extensão universitária: história, conceito e propostas. Interfaces-Revista de Extensão da UFMG , v. 1, n. 1, p. 5-23, 2013.
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