Um estudo sobre o perfil dos professores que agendam visitas ao planetário da IES
Joao Victor Pereira Toso, Alessandro Damásio Trani Gomes, Gustavo Daniel Apolinário Assis
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 08/11/2023
- Linha de pesquisa
- Formação, práticas e desenvolvimento profissional docente no ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## UM ESTUDO SOBRE O PERFIL DOS PROFESSORES QUE AGENDAM VISITAS AO PLANETÁRIO DA UFSJ
## Joao Victor Pereira Toso 1 , Gustavo Daniel Apolinário Assis 2 , Alessandro Damásio Trani Gomes 3
- 1 Universidade Federal de São João del-Rei/Curso de Física, joaovictor.toso@gmail.com
- 2 Escola Estadual Cônego Osvaldo Lustosa, gustavogdaassis@gmail.com
- 3 Universidade Federal de São João del-Rei/ Departamento de Ciências Naturais, alessandrogomes@ufsj.edu.br
Palavras-chave : Planetário; Educação não formal; Astronomia.
## Resumo expandido
Defende-se que a divulgação científica trabalhe em função de uma educação científica plena, democratizando o acesso ao conhecimento científico e contribuindo para a o fortalecimento de uma cultura científica, 'primando pela inclusão dos cidadãos na discussão sobre temas científicos que direta e/ou indiretamente influenciam em sua vida, com vistas a se buscar uma efetiva (re)aproximação e diálogo entre ciência e sociedade' (SOUZA FILHO; LAGE, 2021, p. 3).
Langui e Nardi (2009a) afirmam que embora a maioria dos planetários cumpra sua função cultural e de divulgação científica, a abordagem educativa ainda está aquém do esperado, pois a maioria das atividades desenvolvidas neles parece ter sido concebida mais para lazer e turismo do que para uma abordagem educativa pautada em estratégias contemporâneas de ensino e de aprendizagem. Ainda segundo os autores, no geral, parece não haver, de forma sistemática, o desenvolvimento de atividades que sirvam para consolidar, entre os estudantes, o saber científico abordado nas sessões de cúpula.
Segundo Barrio (2002), para conseguir que o planetário adquira um valor educativo significativo é fundamental que haja uma aproximação com a escola e uma comunicação constante dos professores da Educação Básica com a equipe do planetário.
Este trabalho faz parte de um projeto mais amplo que visa ao fortalecimento da relação escola-planetário e amenizar as críticas apontadas por Langui e Nardi (2009a). Para tanto, é preciso conhecer melhor o(a) professor(a) que agenda visita ao planetário para sua(s) turma(s), aproximar dele(a), compreender suas dificuldades e trabalhar juntos na definição de estratégias e de ações pedagógicas específicas. Este trabalho, em específico, tem o objetivo de apresentar os resultados do teste-piloto realizado, identificando o perfil dos(as) professores(as) que agendam visitas ao planetário da UFSJ.
Participaram deste estudo, 11 professores(as) da Educação Básica de uma cidade do interior de Minas Gerais. Ressalta-se que a pesquisa está devidamente autorizada pelo Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos Unidades Educacionais de São João del-Rei (CAAE: 59363322.1.0000.5151).
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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física
O questionário, enviado de forma online, continha perguntas sobre gênero; idade; tempo de docência; nível de atuação; formação; atividades recentes de atualização; interesse pessoal em Astronomia; qualidade da formação inicial para ensinar Astronomia; e conhecimento em Astronomia.
Dos 11 participantes, 7 se identificaram como sendo do gênero feminino e 4, do masculino. As idades dos docentes variaram entre 30 e 50 anos, com média de 41 anos. Trata-se de um grupo de docentes experientes, com média de 16 anos de docência, sendo o(a) menos experiente com 4 anos e o(a) mais experiente com 32 anos completos de docência. Oito docentes atuam no Ensino Fundamental e 3, no Ensino Médio.
Em relação à formação, 3 docentes são formadas em Pedagogia ou Normal Superior e os demais em cursos de Licenciatura: Física (2), Química (1), Ciências Biológicas (3), Letras (1) e História (1). Quatro participantes se formaram em instituições privadas e 7, em instituições públicas.
Oito entre os 11 docentes afirmaram ter curso de pós-graduação lato senso completo, sendo todos na área da educação. Uma docente afirmou ter pósgraduação em Gestão Ambiental e Desenvolvimento sustentável e mestrado em Bioengenharia de Sistemas Ecológicos.
Quando questionados sobre a realização de atividades de atualização nos últimos dois anos, todos os participantes responderam, pelo menos, duas atividades, sendo as mais citadas encontros pedagógicos (8); curso de pós-graduação (7); palestras educacionais (6).
Foi solicitado que os respondentes avaliassem, em uma escala de 0 a 10, o interesse pessoal, a capacitação inicial e o conhecimento em Astronomia. As respostas aos três quesitos estão sintetizadas no gráfico da Figura 01.
Figura 01: Gráfico com a autoavaliação dos docentes sobre interesse, capacitação e conhecimento em Astronomia
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Percebe-se que, em geral, os docentes têm grande interesse por Astronomia, com média 8 e com 10 respostas maior ou igual a 7. Em relação à
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formação inicial, a média das respostas foi 4, sendo que 7 docentes atribuíram notas menores ou iguais a 5, inclusive 3 notas zero. Este resultado reforça pesquisas anteriores sobre a má qualidade, em geral, da formação inicial de professores para lecionar tópicos relacionados à Astronomia no Brasil (COSTA; EUZÉBIO; DAMASIO, 2016; LANGHI; NARDI, 2012).
Quanto ao conhecimento em Astronomia, a média das respostas foi, aproximadamente, 6, com nove respostas variando entre 4 e 7. Esse resultado corrobora a necessidade de ações permanentes de formação continuada dos professores em Astronomia para que estes possam desenvolver conhecimentos mais robustos na área que garantam um ensino de qualidade.
Ao se traçar o perfil dos docentes que agendam sessões no planetário da UFSJ, pode-se, posteriormente, relacionar os perfis obtidos com diversos aspectos, como o objetivo atribuído à visita ao planetário, a preparação dos alunos para a visita e as atividades programadas após a sessão de cúpula.
Defende-se, assim como (LANGHI; NARDI, 2009), que o planetário, como legítimo espaço não formal de educação, possa constituir-se em um polo importante de formação inicial e, sobretudo, continuada de professores da Educação Básica, apoiando-os pedagógica e instrumentalmente, estreitando os laços com a escola e ampliando as oportunidades de aprendizagem em Astronomia.
## Agradecimento
À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) pela bolsa de Iniciação Científica Júnior e apoio financeiro no desenvolvimento do projeto (APQ-02650-22).
## Referências
BARRIO, J. B. M. El Planetario: un recurso didáctico para la enseñanza de la Astronomía. 2002 . Tese (Doutorado). Departamento de Didáctica de las Ciencias Experimentales y Geodinámicas, Universidad de Valladolid, Valladolid, 2002.
COSTA, S.; EUZÉBIO, G. J.; DAMASIO, F. A Astronomia na formação inicial de professores de Ciências. Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia , n. 22, p. 59-80, 2016.
LANGHI, R.; NARDI, R. Educação em Astronomia: repensando a formação de professores. São Paulo: Escrituras, 2012.
LANGHI, R.; NARDI, R. Ensino da astronomia no Brasil: educação formal, informal, não formal e divulgação científica. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 31, p. 4402-4412, 2009a.
LANGHI, R.; NARDI, R. Ensino de Ciências Naturais e a formação de professores: potencialidades do ensino não formal da Astronomia. In: NARDI, R. (Org). Ensino de Ciências e Matemática: temas sobre a formação de professores , v. 1. São Paulo: Editora UNESP, p.225-241, 2009b.
SOUZA FILHO, L. A.; LAGE, D. A. O aporte da alfabetização científica para a divulgação da ciência: tecendo contribuições dessa aproximação. Revista Educação Pública , v. 21, nº 4, 2021.
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