SEQUÊNCIA DIDÁTICA PARA IDENTIFICAÇÃO DE CONSTELAÇÕES POR MEIO DO STELLARIUM PARA O ENSINO FUNDAMENTAL
Paulo Cezar De Sant Anna Neto, Clarice Parreira Senra
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 08/11/2023
- Linha de pesquisa
- Currículo e ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## SEQUÊNCIA DIDÁTICA PARA IDENTIFICAÇÃO DE CONSTELAÇÕES POR MEIO DO STELLARIUM PARA O ENSINO FUNDAMENTAL
Paulo Cezar de Sant'Anna Neto 1 , Clarice Parreira Senra 2
1 Universidade Federal de Juiz de Fora/Instituto de Ciências Exatas, pauloczrsant@gmail.com 2 Universidade Federal de Juiz de Fora/Departamento de Educação, clarice.senra@ufjf.br
Palavras-chave : Constelações; BNCC; Stellarium.
## Resumo expandido
Com o advento da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) em 2017, prevista pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), o ensino no Brasil passou por mudanças significativas. A principal proposta do supracitado documento é definir o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos da educação básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio) devem desenvolver (BRASIL, 2018). Dessa maneira, é de implementação obrigatória como referência para formulação dos currículos das redes escolares por todo país, abrangendo instituições públicas e privadas.
Dentre as diversas habilidades e competências desenvolvidas, percebe-se uma particular preocupação com o ensino e aprendizado de astronomia para os estudantes, principalmente para os anos iniciais do Ensino Fundamental. Além dos documentos curriculares, a pesquisa na área de ensino de ciências apresenta várias justificativas para o ensino de astronomia, como pode ser visto no trabalho de Langhi e Nardi (2014). Reconhecendo que essas mudanças curriculares ainda se mostram recentes, o que impossibilita que alterações significativas já tenham ocorrido no contexto da formação (inicial e continuada) de professores e professoras para essa faixa etária, fica clara a necessidade de um direcionamento melhor a esses docentes (OLIVEIRA et al, 2020).
Em vista disso, elaborou-se uma sequência de ensino para uma particular habilidade encontrada no documento: 'EF05CI10', que objetiva identificar constelações no céu, com o apoio de recursos, e os períodos do ano em que elas são visíveis no início da noite (BRASIL, 2018, p.341), para os alunos do 5º ano . Para isso, utilizou-se como recurso principal o aplicativo 'Stellarium', software que já conta com mais 10 milhões de downloads pelo mundo, e cerca de 130 mil avaliações - em sua enorme maioria notavelmente positivas.
A utilização do programa é consideravelmente simples. Conta com uma interface (figura 1) que considera o local e hora do usuário, e permite que localize as constelações, estrelas e outros corpos celestes ao redor por meio de uma simples busca dirigindo o celular para diferentes direções - ou também por meio de uma aba de pesquisa encontrada no canto superior direito. Essa aba possibilita, além da rápida localização de qualquer objeto, uma descrição do corpo considerando aspectos importantes de seu descobrimento e influência.
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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física
Figura 1 : Interface visual Stellarium. Fonte: https://stellarium.org/pt/
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Para a realização da sequência didática, propõe-se que as atividades sejam realizadas em três aulas e uma visita. Os objetivos são que, ao final, os estudantes tenham-se familiarizado com o aplicativo, identificado e aprendido sobre as principais constelações visíveis no céu e compreendido sobre a importância histórica dessas. Os materiais utilizados envolvem: um celular e um computador com acesso à internet e um projetor.
Na primeira e segunda aula, objetiva-se introduzir o conceito de estrelas e constelações aos estudantes por meio de vídeos instrucionais dirigidos para a faixa etária da presente habilidade (aproximadamente 10 anos de idade) e uma apresentação interativa com perguntas e imagens em slide, feita pelo(a) docente. Os alunos devem ser constantemente indagados sobre o assunto, com intuito de instigar sua curiosidade.
Para uma seleção mais objetiva de quais constelações serão trabalhadas, visto que não há nenhuma orientação específica no documento, levou-se em consideração a importância de cinco principais: a constelação de Órion, de Andrômeda, do Cruzeiro do Sul, da Ursa Maior e da Ursa Menor.
Feita a explanação sobre as principais constelações, o educador deverá separar a turma em grupos e mostrar aos alunos o funcionamento do programa escolhido (Stellarium), e orientar para que baixem em seus respectivos celulares caso possuam. Para o caso de não possuírem, a próxima atividade poderá ser realizada pelo próprio professor em conjunto com os alunos, se dirigindo a cada um dos grupos.
O objetivo dessa atividade será incentivar os alunos a localizar as cinco constelações no aplicativo com intuito de que descubram qual a posição delas em relação a eles, a fim de que consigam materializar o conhecimento anteriormente apresentado. Além disso, recomenda-se deixar aberto para que cada um dos grupos escolham três outras constelações e fiquem encarregados de pesquisar sobre a
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origem e história de sua existência, para fazerem uma breve apresentação na aula subsequente.
A atividade seguinte tem como objetivo engajar ainda mais os alunos nesse estudo, aproveitando recursos que estão disponíveis na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Propõem-se que seja feita uma visita ao observatório e planetário da instituição, localizado no Centro de Ciências (figura 2).
Figura 2
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: Centro de Ciências da UFJF.
Fonte: https://tribunademinas.com.br/acervo/museus
Ao final da experiência, deve-se solicitar que os alunos de cada grupo complementem a apresentação preparada das três constelações escolhidas com observações feitas na excursão, respondendo, principalmente, às seguintes perguntas: 'O que você aprendeu com o visita?', 'O que são constelações?'. 'Qual a importância das constelações?', 'Quais foram as três escolhidas pelo grupo?', 'Qual a história de cada uma delas, além do período em que são visíveis no céu (se forem)?'.
Por fim, espera-se que a presente proposta seja capaz de auxiliar os professores e professoras do 5º ano do Ensino Fundamental, que vivenciam diariamente certas dificuldades na implementação de diversas habilidades e conhecimentos da BNCC, especialmente as que tratam sobre aspectos de astronomia.
## Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.
LANGHI, R.; NARDI, R. Justificativas para o ensino de Astronomia: o que dizem os pesquisadores brasileiros? Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , v. 14, n.3, 2014.
OLIVEIRA, A. M. et al.Sequência didática para o ensino de astronomia por investigação utilizando o Stellarium .Cad. Astro . , vol. 1, nº 1, p. 123-137, jul. 2020.
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