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NANOTECNOLOGIA PELA ABORDAGEM CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE

Aline Oliveira Soares, Maria Consuelo Alves Lima

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
08/11/2023
Linha de pesquisa
Ciência, tecnologia, sociedade e ambiente no ensino de física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## NANOTECNOLOGIA PELA ABORDAGEM CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE

## Aline Oliveira Soares 1 , Maria Consuelo Alves Lima 2

- 1 Universidade Federal de Santa Catarina, aline.o.s@live.com
- 2 Universidade Federal do Maranhão, mca.lima@ufma.br

Palavras-chave : Nanociência; CTS; Teatro.

Em tempos remotos, atribuía-se ao divino tudo o que não se compreendia, mas, à medida que o conhecimento foi se desenvolvendo, a sociedade aumentou a confiança na ciência e na tecnologia e, muitas vezes, confia-se nelas 'como se confia em uma divindade' (SANTOS; MORTIMER, 2002, p. 111). Essa confiança na ciência e na tecnologia tem, por vezes, ocasionado problemas, seja pela supervalorização destas, seja pela ideia de neutralidade imputada a elas. Impactos também ocorreram no processo de ensino, em que o objetivo principal, por volta da década de 1950, era formar cientistas e 'segundo esta clássica concepção, a ciência somente poderia contribuir para o bem-estar dos sujeitos se deixasse de lado as questões sociais para buscar exclusivamente as verdades científicas' (NASCIMENTO; FERNANDES; MENDONÇA, 2010, p. 226).

No início da década de 1960, problemas consequentes do desenvolvimento da ciência e da tecnologia deram origem ao movimento denominado Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) (AULER; BAZZO, 2001), partindo das áreas de filosofia e de sociologia da ciência. Pesquisas em periódicos nacionais e internacionais mostram que os princípios desse movimento têm crescido como referencial teórico em diversas áreas, evidenciando preocupação em divulgar a abordagem CTS, em especial, na educação (FREITAS; GHEDIN, 2015). Nessa perspectiva, este estudo, um recorte da dissertação de mestrado da primeira autora deste trabalho, visa contribuir para o ensino da nanociência e da nanotecnologia, a partir de uma abordagem CTS, na educação básica. Nessa ação, foi utilizado o teatro como instrumento pedagógico. O intuito foi discutir o progressivo e acelerado desenvolvimento da ciência e da tecnologia, ferramentas apreciadas pela sociedade que as consome, mas que não as compreende em seus processos de produção e nem de possíveis consequências do uso de seus produtos. No ensino da nanotecnologia, como no ensino de toda ciência, 'é fundamental uma abordagem crítica e reflexiva, a fim de contribuir com a formação cidadã dos estudantes' (JESUS; LORENZETTI; HIGA, 2015, p. 2). Esses autores acrescentam que:

O ensino da nanotecnologia não deve se restringir à apresentação das aplicações dessa tecnologia e à preparação dos estudantes para o mundo do trabalho a ela relacionado, mas também deve auxiliá-los na construção de um pensamento crítico a respeito da nanotecnologia em seu cotidiano e contribuir para que possam se posicionar perante esse processo. (p.2)

Em consonância com os documentos que regem os currículos oficias da educação brasileira, os autores buscam oferecer subsídios para a formação de um pensamento crítico sobre a ciência e a tecnologia. Essas instituições não podem ser apresentadas isoladas, como potenciais inovações de sucesso, as quais somente

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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física

especialistas devem conhecer, como em geral aparece na mídia. Faz-se necessário que todos os indivíduos consumidores participem ativamente de discussões e de decisões sobre o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e sobre o uso de seus produtos. No Brasil, até os dias atuais, as informações sempre estiveram nas mãos de especialistas e não são explicitados para a sociedade, de modo geral, os riscos que poderão estar associadas a elas (SANTOS; MORTIMER, 2002). Esse entendimento, que continua atual, é visto como uma forma de articular e promover um maior entendimento sobre a abordagem CTS no ensino de ciências.

## Batista et al. (2010, p. 79) afirmam que:

A abrangência adquirida pela nanotecnologia tem sido bastante significativa, permitindo o desenvolvimento de novos métodos e técnicas, já com aplicabilidade em diferentes procedimentos industriais - produção de cosméticos, fármacos, tecidos, dentre outros. Neste horizonte, pode-se divisar múltiplas possibilidades de discussão sobre sua atualidade e suas perspectivas, as quais podem - e devem - se constituir em mote para atividades na área de ensino de ciências, no espaço da sala de aula, especialmente no contexto da abordagem de CTS.

Esses autores, com base na abrangência da nanotecnologia e o que ela permite discutir o ensino de física, incluindo o contexto da abordagem CTS, destacam a necessidade de o mundo nanotecnológico atual ser compreendido desde a Educação Básica. Embora o potencial dessa tecnologia seja apresentado como solução para vários problemas, muitos dos seus efeitos ainda são desconhecidos e outros poucos divulgados. Um exemplo é o estudo que mostra indício 'da presença de nanopartículas no fígado de animais usados em pesquisas' (BATISTA et al., 2010, p. 83), o qual pode favorecer discussões na sala de aula, sobre as dúvidas em relação aos impactos das nanotecnologias no contexto social, ecológico e ambiental.

Para vencer o desafio da falta de interesse dos estudantes pelas disciplinas cientificas, Pantoja et al. (2016, p. 2) destacam que existe 'a necessidade por tornar os conteúdos científicos escolares mais atrativos e compreensíveis bem como de fazê-los úteis para a vida cotidiana deve ser uma questão importante a ser debatida no cenário educacional'. Enquanto Pinheiro, Silveira e Bazzo (2007) fazem destaque para a abordagem CTS no ensino médio, haja vista que, segundo os autores, esta abordagem promover maior possibilidade de uma educação crítica e reflexiva, em que o conhecimento científico, até então visto como resposta para tudo e controlador de todo saber, possa ser apresentado com um olhar diferenciado, em que esteja 'sujeito a críticas e a reformulações, como mostra a própria história de sua produção' (p. 77).

Neste estudo, a abordagem CTS foi associada às técnicas do Teatro do Oprimido propostas pelo químico e teatrólogo Augusto Boal (1991), que usou a dramaturgia para discutir conflitos sociais com a sociedade. Sua arte tem influenciado o desenvolvimento da educação, promovendo a criatividade e a criticidade dos participantes. Os sujeitos da pesquisa foram estudantes do ensino médio de uma escola pública localizada em uma cidade do interior do Maranhão. Especificamente, os estudantes se apropriaram da técnica do teatro fórum - que consiste em induzir a plateia a participar da cena teatral - para elaboração e apresentação da peça teatral intitulada 'Julgamento da nanotecnologia'. Nessa atividade, os estudantes fizeram um percurso do desenvolvimento da tecnologia, da origem ao surgimento das nanotecnologias, e lançaram discussões sobre o uso

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inadequado desses conhecimentos, muitas vezes silenciado pela mídia, que prefere considerá-los somente como solução para os problemas da humanidade. Tanto o texto da peça quanto as encenações evidenciaram uma reflexão das leituras e de uma visão crítica em relação à ciência e a tecnologia. No final da apresentação, os estudantes abriram espaço para manifestações das pessoas da plateia. Nesse ponto, considera-se a possibilidade de os diálogos desenvolvidos pelos estudantes terem, de certa forma, gerado inquietações sobre o que pode ser bom ou ruim dessa tecnologia emergente, pois de acordo com a dramatização, fazer o 'julgamento da nanotecnologia' poderá estar relacionado com o próprio julgamento que os estudantes construíram ao longo das leituras. Após as atividades desenvolvidas na escola, observou-se que tanto a abordagem da temática nanociência e nanotecnologia pela perspectiva CTS quanto a utilização do teatro, neste estudo, possibilitaram maior: interação discente, compreensão dos conteúdos estudados e a compreensão a respeito da relação da disciplina de física com o cotidiano.

## Referências

AULER, D.; BAZZO, W. A. Reflexões para a implementação do movimento CTS no contexto educacional brasileiro. Ciência & Educação, v.7, n.1, p.1-13, 2001.

BATISTA, et al. Nanotecnologia e ensino de ciências à luz do enfoque CTS: uma viagem a lilliput. Revista ciências & idéias. n.1, v. 1- outubro/março 2009-2010.

BOAL, A. Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. 4 ed. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1991.

FREITAS, L. M.; GHEDIN, E. Pesquisas sobre Estado da Arte em CTS: Análise Comparativa com a Produção em Periódicos Nacionais. Alexandria - Revista de Educação em Ciência e Tecnologia, v.8, n.3, p.3-25, novembro, 2015.

JESUS, I. P.; LORENZETTI, L.; HIGA, I. Alfabetização científica e tecnológica, abordagens CTS e CTSA e Educação de Ciências A abordagem CTS em propostas de ensino da nanotecnologia. In: X Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências - X ENPEC Águas de Lindóia, SP - 24 a 27 de novembro de 2015.

NASCIMENTO, F; FERNANDES, H. L; MENDONÇA, V. M. O ensino de ciências no brasil: história, formação de professores e desafios atuais. Revista HISTEDBR Online, Campinas, n.39, p. 225-249, set., 2010.

PANTOJA, et al. Nanociência, Nanotecnologia e Nanobiotecnologia: uma experiência de divulgação científica em Rio Branco - Acre. In XVIII ENCONTRO NACIONAL DE ENSINO DE QUÍMICA (XVIII ENEQ). Anais...Florianópolis, SC, Brasil - 25 a 28 de julho de 2016.

PINHEIRO N. A. M., SILVEIRA R. M. C. F., BAZZO W. A. Ciência, Tecnologia e Sociedade: a relevância do enfoque cts para o contexto do ensino médio. Ciência & Educação v. 13, n. 1, p. 71-84, 2007.

SANTOS, W. L. P.; MORTIMER, E. F. Uma análise de pressupostos teóricos da abordagem C-T-S (Ciência - Tecnologia - Sociedade) no contexto da educação brasileira. Ensaio - Pesquisa em Educação em Ciências. v. 02, n. 2, p.110-132, 2002.

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