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A PERSPECTIVA DO ENSINO DE FÍSICA NO ESTADO DE SÃO PAULO: FORMAÇÃO E ATUAÇÃO PROFISSIONAL

Carlos Alberto De Almeida, Roberto Nardi

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXIV
Ano
2021
Data
23/07/2021
Linha de pesquisa
Políticas Públicas E De Inclusão No Ensino De
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A PERSPECTIVA DO ENSINO DE FÍSICA NO ESTADO DE SÃO PAULO: FORMAÇÃO E ATUAÇÃO PROFISSIONAL

## Carlos Alberto de Almeida 1 , Roberto Nardi 2

- 1 Unesp/Pós-graduação em Educação para a Ciência/Faculdade de Ciências, carlos.almeida@unesp.br
- 2 Unesp/Departamento de Educação/Faculdade de Ciências, r.nardi@unesp.br

Palavras-chave : Perspectivas da área; Ensino de Física no Estado de São Paulo.

## Resumo expandido

Diversos são os fatores que foram importantes para a instituição da área de Ensino de Física no Brasil, principalmente a partir do ano de 1960, época em que houve adaptação de materiais estrangeiros, formação de grupos de pesquisa e o surgimento de revistas e eventos (NARDI, 2005), contudo, ainda nos dias de hoje a área enfrenta muitos desafios, como a evasão nos cursos de licenciatura em Física e o abandono da carreira docente da Educação Básica.

Nesse sentido, o presente estudo tem por objetivo levantar um retrato da Física e do Ensino de Física no estado de São Paulo, que possui Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 2.12 trilhões de reais e uma população estimada em 46.425.079 habitantes (IBGE, 2017; 2020), sendo considerado um dos maiores centros econômicos da América do Sul. Assim, possibilitando subsidiar discussões que amparem políticas públicas, de modo a contribuir para futuras organizações do Ensino de Física em termos de formação universitária e carreira docente.

Os dados foram obtidos por meio de órgãos públicos (Ministério da Educação, Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP), Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior (CAPES)), de forma quantitativa e qualitativa. A análise procurou relacionar a dimensão populacional do estado com o número aproximado de físicos existentes, de professores de Física atuantes, quantidade de cursos de bacharelado e licenciatura e entre outros.

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Física, estima-se que, em 2012, a comunidade de Físicos do Brasil era composta por cerca de 10 mil membros, no qual 20% eram estudantes de graduação e 70% se dedicavam a atividades relacionadas à Educação. Segundo a mesma instituição, para o crescimento econômico do país, constatado nos anos de 2012, pondera-se que a comunidade de físicos era insuficiente para atender as demandas profissionais (SBF, 2012).

Segundo estudo realizado por Alcântara e Nardi (2018), foi constatado que no estado do Tocantins, há a aproximadamente um professor de Física para 110 alunos. Pará, Acre, Bahia e Amapá a relação do número de professores de Física por alunos era, em média, 1:340, possuindo os piores índices. No caso do estado de São Paulo, esta relação era cerca de 1:150, o que implica que o estado com maior número de habitantes e com a maior atividade econômica do país, não é o que possui o maior

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19 a 30 de julho de 2021 - Online

número de professores formados em Física ministrando essa disciplina na educação básica.

Em relação aos cursos de Física, observa-se que em sua maioria são ofertados por universidades públicas. No entanto, em termos de vagas, os cursos de licenciatura são os que possuem maior oferta, principalmente na modalidade a distância em instituições de administração privada. Mesmo com o grande número de vagas autorizadas pelo Ministério da Educação para os cursos de modalidade à distância, foi possível comparar somente o número de concluintes oriundos de instituições de ensino superior (IES), públicas e privadas, que oferecem cursos de Física presenciais. Neste sentido, há uma evidente necessidade que órgãos competentes, como o INEP, disponibilize dados com maior número de detalhes sobre os cursos e instituições que oferecem a graduação em Física (e os demais) na modalidade a distância.

Entre os anos de 2015 a 2017, observa-se que no estado de São Paulo, houve expansão dos cursos de Física nas IES, em termos de número de cursos, vagas, ingressantes e concluintes; porém, como apontado por Kussuda (2017), o aumento da oferta não se traduz em permanência dos ingressantes no Ensino Superior.

No caso da Licenciatura em Física, o autor destaca as dificuldades enfrentadas por muitos alunos de um curso de Física, como: jornada de trabalho em concomitância com as atividades acadêmicas, viagens diárias até o campus, baixa perspectiva profissional, entre outros os quais são fatores considerados, de forma geral, inadequados para o desenvolvimento acadêmico. Nesse sentido, as chances de evasão aumentam consideravelmente.

A partir do presente estudo, pode-se corroborar que o estado de São Paulo possui uma grande concentração de Físicos e professores de Física, contudo, uma parcela significativa desses profissionais não estão engajados na área, principalmente os profissionais da Educação Básica. Quanto a formação de licenciados em Física, observa-se uma tendência de os cursos de instituições privadas investirem na modalidade à distância. No entanto, ainda não foi possível constatar se tal ação implica em maior número de professores atuantes na área, dessa forma, espera-se responder tal questão por meio de futuras pesquisas.

Diante de tais constatações, torna-se ainda mais imperativo discutir e participar da elaboração de políticas públicas que promovam, além do ingresso e permanência no Ensino Superior, maior atratividade na carreira docente na Educação Básica.

## Referências

ALCÂNTARA, R.; NARDI, R. Um Retrato da Física e do Ensino de Física no Brasil: Algumas relações ente o número de Físicos, professores de Física e cursos de Licenciatura no Brasil . 2018. 23 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Física) - Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho', Bauru, 2018

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INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Produto Interno Bruto - PIB . Brasília, 2017. Disponível em:

http://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/. Acesso em: 20 nov. 2020.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Projeção da população do Brasil e das Unidades da Federação . Brasília, 2020. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/. Acesso em: 20 nov. 2020.

NARDI, R. A área de ensino de Ciências no Brasil: fatores que determinaram sua constituição e suas características segundo pesquisadores brasileiros . 2005. 170f. Tese (Livre Docência). Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho', Bauru, 2005.

KUSSUDA, S.R. Um estudo sobre a evasão em um curso de Licenciatura em Física: discursos de ex-alunos e professores . 2017. 307f. Tese (Doutorado em Educação para a Ciência) - Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho', Bauru, 2017.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE FÍSICA (SBF). A Física e o desenvolvimento nacional . Relatório. Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). Brasília, D.F., 2012. Disponível em:

http://www.sbfisica.org.br/v1/arquivos\_diversos/publicacoes/Relatorio\_SBF.pdf. Acesso em: 21 mar. 2021.

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