CIENTÍSTAS NEGRAS: AS AÇÕES AFIRMATIVAS NA PÓS-GRADUAÇÃO
Taneska Santana Cal
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXIV
- Ano
- 2021
- Data
- 23/07/2021
- Linha de pesquisa
- Políticas Públicas E De Inclusão No Ensino De
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## CIENTÍSTAS NEGRAS: AS AÇÕES AFIRMATIVAS NA PÓSGRADUAÇÃO
Taneska Santana Cal 1
1 PPGEFHC/UFBA/UEFS/ https://www.yabasciencia.com.br / taneska@gmail.com
Palavras-chave : Cientistas negras. Efeito barragem. Ações Afirmativas na pósgraduação
A realidade da cientista negra no Brasil tem demonstrado aspectos de exclusão vertical, motivados por alguns efeitos como, por exemplo, o dispositivo das Barragens que retêm a entrada de mulheres negras nos grupos de pesquisa de alto nível. O efeito barragem é de natureza institucional e estrutural que inviabiliza o acesso de mulheres negras nos melhores rankings de pesquisa como, por exemplo, a bolsa produtividade das agências financiadoras de pesquisa nacional. Segundo os estudos sobre o perfil das carreiras cientifica: (MORCELLEA; FREITASA; LUDWIGC,2019); (ANTENEADO; BRITO; ALEXANDRE; D'AVILA;. 2020). O presente texto relata experiência de curso de extensão 'As Yabás: Ciências e Ações afirmativas'. Essa fez parte de dados introdutórios de uma pesquisa maior sobre mulheres negras nas ciências e a virada das Ações Afirmativas (AA). Teve a finalidade de explorar a percepção dos cursistas através dos: formulários de inscrição, declarações no ambiente do classroom e atividade final. Os objetivos propostos de discutir a visibilidade cientistas negras que foram silenciadas nas ciências e o papel das AA na pós graduação como política pública interseccional. Apresentam-se os dados e reflexões sobre o tema proposto. Abaixo, os gráficos relativos às perguntas direcionadas aos 358 inscritos no referido curso, sendo que 202 deles, acompanharam o curso na sala ou classoroom, e sessenta responderam às questões abertas. Os gráficos ilustram a opinião a respeito de mulheres negras nas ciências e Ações Afirmativas. O primeiro gráfico demonstra o perfil dos participantes do curso de extensão, aberto à comunidade da Universidade Federal
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da Bahia (UFBA) e externa de todas as regiões do país.
Fonte: Gráfico 1- formulário de inscrição - elaborado pela autora .
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O segundo gráfico, apresentado a seguir, refere-se a opinião dos cursistas sobre o que poderia influenciar nas trajetórias das cientistas negras.
Fonte: Gráfico 2 - formulário de inscrição - elaborado pela autora.
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Os cursistas foram questionados sobre a baixa representatividade das mulheres negras nas ciências, relacionando as Ações Afirmativas como política para atuar para superação do abismo que invisibiza as mulheres cientistas. A maioria, ou seja, 75% afirma ser a intersecção classe/raça/sexualidade, dentre as outras respostas que ficaram equilibradas no percetual 0,3%, e a resposta sobre 'o merito é o que importa', que não existiu na relação de classe/raça/sexualidade', foi de 7%.
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Fonte: Gráfico 3 - formulário de inscrição - elaborado pela autora.
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A diversidade na ciência nacional deve ser garantida através de compromissos que vão de estudos diagnósticos para compreender a distribuição das pessoas que fazem parte dos grupos sociais, historicamente excluídos, até políticas públicas de Ações Afirmativas. As mulheres negras no campo científico estão sub-representadas. O estudo diagnóstico na SBF identificou as disparidades de exclusão vertical que atrela a mulher negra, na física, à invisibilidade (ANTENEADO; BRITO; ALEXANDRE; D'AVILA, 2020). O aumento das mulheres em áreas historicamente masculinas, sendo uma delas a Física ainda está distante de fato em contrapor o cientificismo e o racionalismo do século IXX e XX, responsáveis pelos construtos sociais que criaram e/ou reforçaram estruturas racializadas e patriarcais. A presença de mulheres negras nas Ciências é construída a partir das lutas pela liberdade e igualdade (CAL, 2020). Os períodos da reconstrução das humanidades negadas vão da escravização/diáspora, aparthaid, institucionalização fascista e modelo eurocêntrico dos séculos XIX e XX (COLLINS,1987). A Construção do saber científico não é algo linear e homogêneo e sim o fruto de nossa sociedade, é a própria disputa do campo do saber (ROSA,2015). As violências sucedem dos povos dominadores e os violentamente subjugados. A escravidão mental é um dos recursos utilizados pelos epistemicídios (ROSA;PINHEIRO, 2018). Lélia González (1987), Beatriz do Nascimento, Sueli Carneiro (2002), Luisa Bairros, Nilma, Patrícia Hill Collins (2002), bell hooks(2015),
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Grada Kilomba (2018), Jurema Wernerck, Djamila Ribeiro (2018), Carla Akotirene (2018) e tantas outras mulheres negras que se debruçaram para entender a relação entre gênero e raça. Desenvolveram epistemologias que indicam caminhos para as agências de fomento e instituições combaterem todas formas de desigualdades refletidas em espaços científicos.
## Referências
ANTENEODO, Célia; BRITO, Carolina; BRITO, Alan Alves; SILVA, Simone Alexandre; D'ÁVILA,Beatriz Nattrodt. Brazil. Brazilian physicists community diversity, equity and inclusion : a first diagnostic . 2020.
AKOTIRENE, Carla. O que é interseccionalidade? Belo Horizonte, MG: Letramento: Justificado, 2018.
BAIRROS, Luiza. Lembrando Lélia Gonzalez. In Afro-Ásia 23 ; Salvador, 1999, p. 347-368.
COSTA, Ana Alice; SARDENBERG, Cecília (Orgs.). Feminismo, ciência e tecnologia. Salvador: REDOR/NEIM/FFCH/UFBA, 2002, p. 77-88.
CAL, Taneska Santana. AS YABÁS COMO REPRESENTATIVIDADE NO ENSINO DE FÍSICA DA EDUCAÇÃO BÁSICA. Revista Mudi. http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/ArqMudi/article/view/55540/75137515132 7
COLLINS, Patricia Hill . Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e politica do empoderamento. 2. Ed. Nova York Routledge,2001.
KILOMBA, Grada. Plantation memories: episodes of everyday racism . Berlim: Unrast , 2008.
MORCELEE, Viviane; FREITAS,G.; LUDWING, Zélia Maria Da Costa. From School to University: An Overview on STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics) Gender in Brazil. DOI: https://doi.org/10.34019/26749688.2019.v1.28228 Acesso 15 de janeiro de 2021.
ROSA,Katemari Diogo . A (POUCA) PRESENÇA DE MINORIAS ÉTNICAS RACIAIS E MULHERES NA CONSTRUÇÃO DA CIÊNCIA XXI Simpósio Nacional de Ensino de Física SNEF 2015
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